Vereadora acusa parlamentar de agressão física e verbal

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 18 de Março de 2017

Matéria publicada originalmente no Portal Vermelho

“Nós, mulheres, não vamos nos calar, não seremos intimidadas, ainda mais no espaço que se pretende ser o espaço da democracia brasileira. Vocês vão ter de engolir as mulheres jovens fazendo política”, declarou a veradora Isa Penna (PSOL-SP). Ela acusou o vereador Camilo Critófaro (PSB) de tê-la xingado de “vagabunda”, ter feito ameaças e a empurrado no elevador privativo da Câmara Municipal de São Paulo. Segundo a Carta Capital, a ascensorista confirmou a denúncia de Isa.    

 

Isa Penna Isa Penna 

“Ele me agrediu verbal e fisicamente. Me chamou de vagabunda, falou pra eu não me surpreender se tomar uns tapas na rua, e me empurrou”, completou o relato a vereadora. De acordo com ela, ao encontrar Cristófaro no elevador ela teria dito “Tudo bem?” e ele respondeu que não estava tudo bem e após isso iniciou as agressões.

Em fevereiro, a vereadora Juliana Cardoso do Partido dos Trabalhadores (PT) acusou os assessores do vereador do DEM, Fernando Holiday, de invadirem uma reunião  da vereadora com provocações. Na ocasião, grupos de mulheres e entidades soltaram nota em solidariedade à Juliana: “O desrespeito contra Juliana Cardoso, como mulher e parlamentar, atinge a todas as mulheres brasileiras! Por isso mesmo, não vamos nos calar!”

Isa prestou queixa na base da Polícia Militar do Legislativo municipal. A Câmara dos Vereadores deverá abrir sindicância por quebra de decoro contra Camilo Cristófaro. O PSOL também pretende entrar com pedido de cassação do parlamentar. A vereadora atribuiu a irritação de Cristófaro ao discurso feito por ela na quarta-feira (15) criticando as falta de um debate mior sobre as matérias que são votadas na casa.  Ela prestou queixa no 1º Departamento de Polícia da Sé, ao lado de vereadora Sâmia,  sua correligionária.

Pimenta vê “conotação política” em debate sobre cortes na PF

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2016


Texto publicado originalmente no site Brasil 247


O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) disse haver uma “conotação política” nas críticas ao corte de R$ 133 milhões no orçamento da Polícia Federal em 2016. Delegados da corporação enviaram uma carta ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pedindo mais ações e menos diálogo e apontando o “desmonte” da PF.

Pimenta, que é líder do governo na Comissão Mista de Orçamento (CMO), argumenta que a restrição à verba da PF ficou dentro da “média” de todo serviço público. “É uma tentativa de criar uma conotação política para um assunto que não tem”, afirmou, em entrevista ao Broadcast Político, da Agência Estado. “Por que razão só eles não teriam corte? É um assunto orçamentário”.

Após a restrição da verba, veio à tona a interpretação de que o governo que barrar a continuidade da Operação Lava Jato. Nesta terça-feira, Cardozo assegurou que a Lava Jato não pararia por conta dos cortes no orçamento da PF. Ele disse estar em diálogo com o ministério do Planejamento para tentar recompor os recursos.

O líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), divulgou uma nota nesta quarta-feira denunciando o que chamou de “desmonte” da Polícia Federal e defendendo a convocação de Cardozo ao Congresso para explicar os cortes à corporação. Segundo ele, o combate à corrupção “é apenas mais uma ação de marketing dos governos petistas”.

Polícia de Pezão e Beltrame é a que mais mata no país

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 1 de Dezembro de 2015

Texto postado originalmente no site Brasil 247.


Segundo dados do 9º Anuário de Segurança Pública, publicado pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) em outubro, as forças policiais comandadas pelo secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, do governo Luiz Pezão, são as mais letais do país.

A cada cem mil habitantes, no Estado do Rio, morreram 3,5 pessoas por conta de algum tipo de intervenção policial. Amapá (3,3),Alagoas (2,3), São Paulo (2,1) e Pará (1,9) aparecem na sequência. As estatísticas são de 2014.

Na noite do último sábado (28), os jovens Roberto de Souza Penha, 16 anos, Carlos Eduardo da Silva de Souza, 16 anos, Cleiton Correa de Souza, 18 anos, Wilton Esteves Domingos Junior, 20 anos e Wesley Castro Rodrigues, 25 anos, morreram em um Palio branco, atingido por mais de 50 tiros de fuzil e pistolas.

Os jovens tinham passado o dia no Parque Madureira, uma área de lazer na zona norte do Rio e, à noite, tinham saído para fazer um lanche. Quando retornaram à comunidade, foram abordados pelos militares.

O governador do Rio negou que o assassinado tenha sido ocasionado por racismo e afirmou que esse tipo de conduta “foge ao controle” do comandante do batalhão e da Secretaria de Segurança Pública.

“Geraldinho Cantareira oculta 102 cadáveres”

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

Texto publicado no blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim


Manobra da gestão Alckmin diminui número de homicídios em SP

Uma manobra estatística do governo Geraldo Alckmin (PSDB) ampliou a queda dos homicídios em São Paulo.

A redução dessas ocorrências em patamares recordes neste ano tem sido usada como bandeira do secretário Alexandre de Moraes (Segurança Pública), cotado para disputar a prefeitura da capital paulista nas eleições de 2016.

A mudança de metodologia começou em abril, sem divulgação, quando a gestão tucana passou a excluir das estatísticas de homicídios dolosos as mortes cometidas por PMs de folga em legítima defesa.

A estratégia permitiu ao Estado retirar, em apenas seis meses, 102 mortes das estatísticas oficiais de homicídios —equivalentes a mais de cinco chacinas como a registrada no dia 13 de agosto em Osasco e Barueri (Grande SP).

Navalha

Como se sabe, na Secretaria de Segurança do Rio ninguém leva as estatísticas tucanas de São Paulo a sério…

Lembram daquele que funcionário do Estado de São Paulo, que escondia e vendia as estatísticas de segurança às empresas imobiliárias, para não estragar os lançamentos?

É que São Paulo é o Maranhão dos Sarney!

Paulo Henrique Amorim

A desumanização com as detentas nas prisões brasileiras

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015

Hoje, no Brasil todo, só existem cinco hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico habilitados a receber mulheres com problemas mentais que cumprem pena ou medida cautelar. Só existem 175 leitos psiquiátricos disponíveis e cerca de 1.300 psicólogos e 270 psiquiatras para tratar os quase 550 mil presos do país, homens e mulheres.

As informações acima fazem parte do livro Presos que Menstruam. A brutal vida das mulheres - tratadas como homens - nas prisões brasileiras,  de Nana Queiroz, jornalista e ativista pelos direitos das mulheres. Editora Record. Uma obra inédita. E oportuna. 

São 287 páginas contando a história de diversas presas em prisões de várias partes do país. A rotina no cárcere, o descaso das autoridades, o preconceito e a violência policial, entre outros temas, que deixam à mostra as condições desumanas do nosso universo prisional. Perfis objetivos e bem delineados. “Em geral, é gente esmagada pela penúria, de áreas urbanas que buscam o tráfico como sustento. São, na maioria, negras e pardas, mães abandonadas pelo companheiro e com ensino fundamental incompleto”, explica nana Queiroz. Um trabalho que demorou quatro anos, realizado à moda antiga, ou seja: as informações não foram tiradas do Google ou do WhatsApp, com o jornalista sentado no conforto da redação, sem sair às ruas. Como diz o jornalista Ricardo Kotscho, lugar de repórter é na rua.

 A autora seguiu a receita à risca.  Esteve em diversos Estados, foi nos presídios e entrevistou pessoalmente as presas. “ O começo de minha pesquisa para este livro foi uma coleção de silêncios. As prateleiras das bibliotecas se calavam sobre as prisões femininas brasileiras. O cinema e a TV fingiam que elas nem existiam, a não ser para dar fim a uma ou outra vilã de novela ou uma trama de superação a uma mocinha injustiçada. Os jornais pouco falavam sobre o assunto e as reportagens que encontrei apenas tocavam a superfície de determinados problemas. Depois veio a indiferença das secretarias de segurança pública. Algumas nem sequer respondiam a pedidos de visita, outras os negavam sob os mais diversos pretextos”, revela Nana Queiroz no prefácio.


Jornalista Nana Queiroz: perfeita fusão do narrador com o fato narrado.

Trecho do livro

Lembro-me de uma visita à Unidade materno-Infantil de Ananindeua, no Pará, quando conversava com cerca de vinte mães com seus bebês no colo. Perguntei quem ali havia sido presa grávida e sofrido algum tipo de tortura. A metade delas levantou a mão - e algumas riram um riso amargo.

-Bater em grávida é algo normal para a polícia - respondeu Aline. -Eu apanhei horrores e tava grávida de seis meses. Um polícia pegou uma ripa e ficou batendo na minha barriga. Nem sei qual foi a intenção desse doido, se era matar o bebê ou eu. A casa penal me mandou para o IML para fazer corpo delito, mas não deu nada.

Relatos de outras presas confirmaram o  que disse Aline. Michele, já de barrigão protuberante, apanhou de uma escrivã, outra mulher. Na hora da detenção, Mônica recebeu socos de um policial, que disse que filho de bandida tinha que morrer antes de nascer.

Já Tamyris foi presa com Luca no colo, aos três meses e meio. Com ela, no aeroporto, foi apanhado mais um traficante.Na viatura meteram os três e distribuíram porrada sem discriminar em quem. Sobrou até para o pequeno Luca, que foi acertado na lateral do olho, que sangrou e inchou. Ele não entendia por que havia apanhado, só chorava desconsoladamente no colo da mãe, como quem pergunta “mamãe” por que deixou  isso acontecer comigo? Tamyris, que tinha apenas 20 anos à época, quase definhou de culpa.

Dois meses mais tarde, já morador da Unidade Materno-Infantil, Luca foi cuidado por Mara Botelho, uma pediatra alegre e glamorosa que merece um capítulo à parte. Sua maior preocupação com o pequenino não estava na sua alimentação, sua saúde ou nas alergias que tinha de vez em quando, mas em seu estado emocinal. Luca não sorria. Mara brincava com  ele no consultório, fazia caretas e barulhinhos bobos. Nada atraía a simpatia do garoto.

Por pouco Tamyris não perdeu a guarda da filho. Poucos dias antes que ele completasse um ano e fosse enviado à família ou a um abrigo, porém, ela foi julgada e transferida para prisão  domiciliar com Luca, em Goiás. Mara ficou exultante. Com Nazaré, finalmente, organizou uma festa de despedida e de aniversário de um ano para Luca e chorou de alegria quando o viu partir, na esperança de que, com o tempo, ele voltaria a sorrir.

Modernidade e barbárie

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 27 de Julho de 2015

Linchamento é um ato covarde. Barbárie. Ao contrário do que muitos pensam, não resolve nada na questão da violência urbana, nossa maior mazela.  Serve apenas para estimulá-la.

O meu povo perece porque lhe falta o conhecimento”. (Os 4.6)

Reportagem do jornal O DIA (domingo, 26/7//2015) revela que uma pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo ( USP) aponta que o Brasil é o país que mais lincha no mundo e que o Rio ocupa o vice-campeonato nacional. Em primeiro lugar está São Paulo. A pesquisa estudou casos de linchamentos de 1986 até 2006.

De acordo com  a reportagem, o sociólogo José de Souza marques, professor  da USP, autor do livro “Linchamento - A Justiça Popular no Brasil”. José analisou 60 anos de justiçamento e concluiu que mais de um milhão de brasileiros já participaram  de linchamento no país.

Na opinião  do autor, “os linchamentos expressam uma crise de desagregação social. São muito mais do que um ato a mais de violência. Expressam o  tumultuado empenho da sociedade em “restabelecer” a ordem onde foi rompida. Esses linchamentos são claramente punitivos e, na maioria das vezes, vingativos”.

O fato em  tela demonstra que a maioria do nosso povo - em todos os níveis sociais -  é antiético e covarde. E tenta resolver um problema sério como a violência de forma irracional, ao arrepio da lei.

A despeito de todas  as inovações tecnológicas que o mundo  tem  experimentado,  o ser humano continua apresentando seus instintos  diabólicos. A maldade humana não tem limites.

É o paradoxo: a modernidade e a barbárie coexistindo.