Por que decidi fazer este blog

Peço licença para algumas reminiscências. Ainda garoto, lembro do meu saudoso avô chegando em casa do trabalho com dois, às vezes três jornais. Eu os lia de cabo a rabo. Mas gostava mesmo da parte policial e esportiva. Na cobertura esportiva era praxe a escalação dos treinos coletivos - o time titular e o reserva. O torcedor conhecia o plantel do seu time. O futebol ainda não tinha atingido o nível de politicagem e especulação financeira de hoje. Bons tempos.

Por causa do meu avô - uma pessoa singular - adquiri uma paixão pelos jornais, fato que foi fundamental quando resolvi fazer uma faculdade. Optei pela comunicação, habilitação em jornalismo. A partir dos primeiros anos da década de 80, comecei a militar na profissão. Tive a oportunidade de fazer diversas matérias policiais, mas foi um período curto. O destino traçou outros caminhos e, por necessidade de sobrevivência, tive que aceitar outras funções. Mas não deixei de gostar e acompanhar a reportagem policial, além de ler tudo sobre o tema. Convivi - para minha satisfação e aprendizado - com repórteres de polícia de estirpe. Tornei-me amigo de três - um já falecido. Não vou citar nomes para não ferir suscetibilidades. E também para evitar cometer omissões involuntárias.

Com o passar do tempo a imprensa foi se modificando. Entrou numa crise econômico-financeira e ainda não conseguiu superá-la. Vai conseguir? Não sei, confesso. Espero que sim. Não faço parte do time dos profetas do apocalipese que pregam o fim dos jornais impressos.

Com o advento da internet a crise ficou mais grave. Alguns jornais tradicionais foram extintos. As redações começaram a reduzir o número de repórteres, funções foram extintas, entre elas o pauteiro, uma das mais importantes, em qualquer redação que se preze. Em relação ao pauteiro há exceções. É o caso, por exemplo, do jornal O GLOBO, que ainda mantém a função.

Com o blog vou poder realizar as duas funções que mais admiro e gosto na profissão - repórter policial e pauteiro. Sem nenhum demérito para as demais.

Encerro meus esclarecimentos com outra reminiscência. Confesso, sem medo de crítica ou de ser tachado de saudosista, ou coisa que o valha, que sinto falta do ambiente de uma redação, o convívio diário com os companheiros, experiência enriquecedora.

Agora, usando o recurso do blog, retorno ao jornalismo policial.

Com grande alegria!