“O horror! O horror!” *

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 22 de Março de 2021

Livro conta a história da vala clandestina encontrada no cemitério de Perus em São Paulo, e a luta dos familiares para a identificação das ossadas

Na Bíblia Sagrada, no livro do profeta Ezequiel, há uma passagem denominada o Vale dos Ossos Secos, que se recompõem e retornam à vida. Mensagem de esperança para um povo que estava sofrendo as agruras do exílio.

A metáfora  serve como analogia ao tema do livro Vala de Perus - uma biografia. Como um ossário clandestino foi utilizado para esconder os corpos de mais de mil vítmas da ditadura, do jornalista Camilo Vannuchi. Apresentação de Rogério Sotili e Prefácio de Caco Barcellos, autor de Rota 66, a polícia que mata.

A vala macabra, que ganhou repercussão internacional, é mais um episódio de um período funesto da história do país. Foi descoberta em 1990, no cemitério Dom Bosco, no distrito de Perus - SP -, inaugurado em março de 1971.

Os mortos por torturas nos porões da ditadura ou assassinados em outros locais e circunstâncias, tinham que ter um destino. Na década de 70, aproximadamente 1.500 pessoas foram exumadas de suas sepulturas e colocadas numa grande vala, que foi aberta de forma clandestina, onde se misturavam vítimas da ditadura militar e da Rota - Ronda Ostensivas Tobias de Aguiar - tropa de elite da PM paulista, criada em 1970.

Num primeiro momento tentaram incinerá-los. Mas na ausência de um crematório público à época, decidiram cavar um buraco na terra, com 30 metros de comprimento e meio metro de largura e ali jogaram as ossadas. Ato típico de quem, entre outras coisas, confia na impunidade. O país vivia sob censura e, para os algozes do sistema, uma barbaridade a mais ou a menos, não iria influir em nada. Por isso, às favas com certos protocolos, como por exemplo, anotações no livro de registro do cemitério, ou coisa que o valha. Além de matar era preciso sumir com os corpos. O caminho percorrido pelo cadáver não é conhecido, dificultando sua localização.

Em Perus não havia informações a respeito de datas e locais de reinumação. Ressalte-se que uma das “técnicas” dos torturadores era enterrar algumas vítimas com o nome falso ou marcadas com um T de terrorista. Muitos foram enterrados como indigentes. Nenhum familiar foi comunicado.  

O autor, que foi membro e relator da Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo,  jornalista experiente, com passagens por importantes veículos de comunicação de massa, como as revistas Isto É, Época, e o site da Carta Capital, relata a descoberta da vala e toda a trajetória nas análises e identificação das ossadas encontradas no local, e a luta dos familares para identificar seus entes queridos.
 
Como consta na página 192 do livo, em  setembro de 1992, o Cemitério Dom Bosco ganhou um marco em memória dos desaparecidos políticos ali ocultados. No exato local onde a vala clandestina fora construída, surgiu uma nova vala, feita com alvenaria. Sobreposto a ela, um muro vermelho, com uma  tarja de “proibido”, “nunca mais”.
 
E, em setembro do ano passado, a descoberta da Vala do Perus completou 30 anos.

“Filho do homem, poderão viver esses ossos? Vem dos quatro ventos, ó espírito e assopra sobre estes mortos para que vivam”. - livro do profeta Ezequiel, capítulo 37.

* Frase dita no marcante filme Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, pelo coronel Walter Kurtz, personagem do ator Marlon Brando (1924-2004)

A Bíblia subversiva que a Record não mostra

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 13 de Março de 2021

Artigo publicado no site Outras Palavras

Por Flávio José Rocha¨*

 

Novela Gênesis, inspirada no Antigo Testamento, provavelmente não mostrará a história de Tamar, mulher que ousou se insurgir contra a cultura patriarcal. Mas suas engenhosas estratégias podem, ainda hoje, inspirar lutas contra a opressão
 

A novela Gênesis, da Rede Record, é assistida por milhões de pessoas todas as noites. Não apenas ela, como as suas antecessoras com temática bíblica conseguiram uma grande audiência ao mesclarem as histórias do livro seminal para judeus e cristãos com um toque ficcional. É importante lembrar que a Bíblia foi utilizada para manter os invasores europeus no poder por séculos e justificar os genocídios indígena e negro. Apenas com a Teologia da Libertação e a interpretação da sua narrativa pelo viés histórico foi possível ver as razões políticas e econômicas sem as manipulações argumentativas do passado. Infelizmente, esta corrente teológica vem sendo bombardeada pelas forças conservadoras religiosas e seus aliados há décadas e o resultado todos estamos testemunhando neste momento político do Brasil. Não imagino a novela Gênesis, ou qualquer outra desta mesma linha, se valendo da Teologia da Libertação para mostrar nas telas como algumas personagens bíblicas a exemplo de mulheres como Tamar, Rute, Ester ou Débora, utilizaram estratégias para vencer o opressor e ajudar um povo oprimido a vencer os inimigos. Veja-se o caso da primeira mulher que citei e a sua luta para ter os seus direitos garantidos.

É possível que você saiba que existe uma figura bíblica no Antigo Testamento chamada Tamar, mas não exatamente o que aconteceu com ela. É bem provável que a leitura sobre Tamar não tenha sido feita nas celebrações religiosas que você frequentou, ou tenha sido feita de forma fragmentada e isso teria uma razão: a subversão moral e econômica exemplificada pela sua coragem para se livrar da condição de oprimida imposta pelo pela sociedade patriarcal em que vivia. Para os que querem conhecer a história de Tamar, recomendo a leitura do capítulo 38 do livro de Gênesis, o que não levará muito tempo. De qualquer forma, segue abaixo um resumo da história desta mulher que, com a sua estratégia de luta, evitou viver oprimida por toda a vida, algo tão comum às mulheres de então e de muitas ainda hoje.

Judá escolheu a canaanita Tamar como esposa para o seu filho Her (casamentos arranjados eram parte da cultura da época por motivos religiosos ou econômicos). Her morreu antes que Tamar engravidasse, o que era problemático em uma sociedade rural que necessitava de mão de obra para o pastoreio e a agricultura e uma mulher viúva e sem filhos estava condenada à própria sorte. Judá, seguindo a Lei do Levirato1, força o seu outro filho Onã a casar com Tamar para gerar descendentes, mas este decide ejacular fora do corpo da esposa para impedir a gravidez do que seria considerado, naquela tradição, um rebento do irmão falecido e daria direito à herança para Tamar e seus filhos. Para piorar, Onã também morre. Sobra então o outro filho de Judá, o jovem Sela. Já tendo perdido dois filhos, Judá decide enganar Tamar dizendo-lhe que ela devia voltar para a casa dos pais e esperar que Sela chegasse a idade ideal para juntar-se a ela2. Na verdade, a sua intenção era não realizar o casamento por acreditar que a culpa pelas mortes dos outros dois filhos era dela e para não lhe dar direito à herança no futuro. Tamar o obedece, como era de se esperar para uma mulher em uma sociedade patriarcal. Passam-se os anos e nada de Judá providenciar o casamento de Tamar com Sela. Isso equivalia a condená-la a uma espécie de prisão domiciliar e à pobreza, já que por não ter um homem ao lado, ela teria que esconder-se em casa, pedir esmolas ou vender o corpo. Eis que Judá enviúva e algum tempo depois decide ir até as montanhas para tosquiar as ovelhas. Alguém (atentem para este fato) avisa a Tamar que o sogro passará por sua região. Ela então veste uma roupa típica para as prostitutas do seu tempo (rosto totalmente coberto), vai para a beira do caminho onde passará Judá com uma comitiva e assim consegue ver que Sela já está pronto para as bodas, percebendo que foi enganada pelo sogro. Judá vendo aquela mulher, enxerga uma oportunidade para o seu prazer sexual e a convida para um “programa”. Tamar o questiona sobre o pagamento. Sem ter como pagar pelo serviço oferecido pela falsa prostitua naquele momento, ele promete enviar um cabrito nos próximos dias, mas Tamar de forma esperta exige uma garantia de que será paga (atentem para este outro fato) e pede que ele lhe dê o anel, o cordão e o cajado e assim ele o faz. Dias depois Judá envia o cabrito para o pagamento da dívida e ela não é mais encontrada pelo seu enviado no lugar onde ele a viu. O que Judá não sabia é que aquela única relação sexual a engravidou. Três meses depois chega aos ouvidos de Judá que a nora havia se prostituído e estava grávida. Enraivecido pela desonra que julgava ter sofrido, Judá ordena que a tragam para que seja queimada viva. Ao chegar ela confirma a gravidez e diz que pode dizer a todos quem é o pai da criança que carregava no ventre. Mostra então a todos os presentes o cajado, o cordão e o anel que ganhou de Judá. Desnorteado pela esperteza da nora, Judá percebe que na verdade ele é quem tinha sido o desonesto por não casar Tamar com o seu filho, Sela, como lhe havia prometido e era parte da tradição. A narrativa não conta se Judá assumiu para a sua comunidade que ele era o pai da criança e se Tamar se casou com Sela, apenas que ela deu à lua a gêmeos tornando-se uma ancestral de Davi e de Jesus.

Eu quero chamar a atenção para algumas questões na história de Tamar, principalmente para as suas estratégias de luta como uma mulher oprimida. É bem possível que ela tenha sido taxada de amaldiçoada perante a comunidade por Judá por ter enviuvado dos seus dois filhos. Tornar a pessoa oprimida vulnerável emocionalmente é uma das primeiras estratégias do opressor. Por não pertencer ao povo hebreu e sendo uma canaanita, o que a enfraquecia ainda mais, sua situação de vulnerabilidade era maior. Esta foi a primeira estratégia de Tamar: ela não protagonizou um confronto direto, exigindo ficar morando com a família do sogro até que Sela estivesse pronto para o casamento. Em momentos em que a oprimida tem pouca força para a briga, é preciso se preservar e as vezes fingir submissão. Muitas vezes isso é necessário não porque signifique uma derrota, mas para ganhar tempo e se fortalecer para as futuras táticas de embate. Assim como a pessoa oprimida tem as suas estratégias para a libertação, o opressor também tem as dele para perpetuar o seu poder. Ao mandar Tamar de volta para a casa dos pais, a sua intenção era se desfazer da responsabilidade da partilha da herança com ela, como já mencionei. Voltar para a sua terra foi a única possibilidade para ela naquele momento, mas isso não se traduziu em ficar esperando pelo cumprimento da promessa do opressor, como veremos mais adiante.

Lembram que eu pedi para ficassem atentos ao fato de que alguém foi avisar a Tamar que o sogro passaria por suas terras? Isso mostra que Tamar não confiou na promessa do sogro e tinha aliadas observando os acontecimentos no lado do opressor. Em ocasiões de desespero é muito comum esquecer a busca por pessoas/organizações aliadas. Não dá para confiar nas promessas dos poderosos. A segunda estratégia de Tamar foi ter aliadas, pois ela sabia que isso era essencial para a luta pelos seus direitos. Se a Bíblia diz que ela viu que Sela já era um homem pronto para o casamento enquanto ele subia a montanha com o pai, é possível que alguma aliada já tivesse passado esta informação anteriormente ou então ela não teria arriscado a vida indo para a beira daquele caminho para se passar por prostituta.

Ao ser avisada sobre a ida do sogro para a montanha, ela percebeu que era o momento ideal para agir. Em um artigo sobre Tamar, Altamir C. de Andrade (2011, p. 2) comenta que saber que foi traída era o que ela precisava como alavanca para a sua ação e “É diante dessa situação que Tamar arquiteta um plano para obter um filho de Judá, seu sogro, e, desse modo, garantir a sua genealogia. Isso torna o relato bastante singular na Bíblia, inaugurando uma das mais surpreendentes estratégias de sobrevivência elaborada por uma mulher”. A terceira estratégia utilizada por Tamar foi a ação ousada de seduzir o sogro se passando por prostituta. Esta tática não foi fruto de um impulso, mas exigiu planejamento e disciplina. Ousadia não significa agir de forma despreparada e alimentada pelo ódio com a situação opressiva. Tamar provavelmente procurou vestir a roupa adequada, calculou o momento certo que Judá passaria caminhando para a montanha e, quem sabe, teve que mudar a voz para não ser reconhecida pelo sogro no momento da negociação para o pagamento do sexo. Também deve ter refletido como garantiria a derrota do sogro perante a comunidade por ele liderada com uma decisão que, embora pareça tomada de forma instantânea, foi bem calculada. Pedir aqueles objetos como garantia do pagamento com o cabrito não foi por acaso, pois eram objetos que simbolizavam poder. Segundo Andrade (2011, p. 5) “Ao invés de ser trocada por um cabrito, vem a ser possuidora de um selo (hotam), de um cinto (patîl) e de um cajado (mateh), símbolos do poder masculino.”

Tamar também faz algo que muitas vezes não é lembrado pelas pessoas oprimidas: buscar as fraquezas do opressor. Esta foi a sua quarta estratégia. Todo opressor tem um ponto fraco. É preciso analisar e esperar a ocasião apropriada para atingi-lo. Isso exige reflexão, estudo e paciência ativa (não confundir com passividade). Mesmo não pertencendo ao povo hebreu, Tamar conhecia a cultura do sogro e ela sabia que atingir a honra de Judá seria o ponto de fraqueza do seu opressor. Conhecer o inimigo requer estudo meticuloso que muitas vezes está ausente nas lutas, mas é essencial para a vitória.

Sobre Tamar, bem nos lembra o rabino Nilton Bonder (1998, p. 92) “A transgressão, imposta mais uma vez pela mulher, restabelece a possibilidade de continuidade. A lei é cumprida pela desobediência e traição.” Que a ação transgressora e vitoriosa de Tamar em busca dos seus direitos inspire as pessoas oprimidas com estratégias de luta criativas em uma sociedade patriarcal, neoliberal e, cada vez, mais desigual. Que o seu exemplo fortaleça todas as pessoas em situação de opressão, especialmente as mulheres.

Bibliografia

ANDRADE, Altamir Celio de. Exílio, deslocamento e estratégias de sobrevivência: questões literárias e culturais na narrativa bíblica de Tamar. XII Congresso Internacional da ABRALIC. UFPR – Curitiba. 18 a 22 de julho de 2011. Acessível em https://abralic.org.br/eventos/cong2011/AnaisOnline/resumos/TC0797-1.pdf

BONDER, Nilton. A alma imoral. Rio de Janeiro: Rocco. 1998.

1 “De acordo com esta antiga lei, se um homem casado viesse a morrer sem deixar filhos, seu irmão (ou parente mais próximo) deveria tomar a viúva como esposa e fazer dar à luz a descendência do primeiro marido falecido.” (BONDER, 1998, p. 91-92).

2 “Sua condição de mulher lhe confere traços de moeda de troca, sendo passada de mão em mão.” (ANDRADE, 2011, p. 2)

 * Flávio José Rocha - é doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP, com com Pós-doutorado no Instituto de Energia e Ambiente da USP. Ator, escritor e multiplicador do Teatro do Oprimido desde o ano de 2005.

 

Desabafo

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 6 de Março de 2021

Chega uma hora que o abatimento toma conta da alma. Um abismo chama outro abismo, como diz o texto bíblico. Os problemas aumentam em todos os setores, as mortes pelos coronavírus, a corrupção e a violência não dão trégua.

Desemprego em massa, subemprego, fome, aumento no número de moradores de rua,dos excluídos.O país vive um caos, uma fase tenebrosa.

Difícil ou quase impossível fazer qualquer tipo de análise em relação ao futuro. Confesso que não consigo.

Diante do que  estamos vivendo, não sei mais o que falar, o que escrever, o que fazer. É como um lutador de boxe que está sendo atacado por um saraivada de golpes, não consegue se defender e sabe que o nocaute pode ser iminente.

Será que estamos diante do juízo final? Quem sobreviverá?

Amigo leitor: peço desculpas pelo desabafo.

 

Justiça!

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 1 de Março de 2021

 

Publicado no site do jornal O Dia

 

‘Eu quero justiça’, diz irmã de Arilson Santiago, vítima de tiro enquanto ia para o trabalho em São Gonçalo

Ana Carolina Santiago, irmã da vítima, disse que a troca de tiros no horário da manhã é constante na região. Dois policiais prestam depoimento nesta segunda sobre o caso

Rio - Ana Carolina Santiago, irmã de Arilson Santiago, que foi morto na manhã deste domingo (28) vítima de tiro, afirmou que a polícia militar faz operações constantes em São Gonçalo, entre às 5h30 e 6h da manhã e que a violência é constante na região. Em tom de desabafo, ela pede justiça pela morte do irmão.

Arilson tinha 21 anos e foi baleado enquanto estava no interior de um carro indo para o posto de gasolina onde trabalhava, por volta das 5h, durante um confronto entre policiais e traficantes. Segundo parentes, ele tinha pego carona e estava acompanhado do gerente e de um amigo do trabalho.

Mal menor!

Postado por Paulo Cezar Soares |

 

O rebaixamento do Botafogo e do Vasco para a Série B do Campeonato Brasileiro não é um caso isolado do futebol carioca. Infelizmente, é mais uma demonstração das perdas que o Rio vem acumulando ao longo dos anos, fruto da sua degradação econômica, social e política.

 A cidade segue perdendo os seus referenciais, sua cultura, seu prestígio e seu charme, tão decantado há algumas décadas. Apequenou-se a outrora Cidade Maravilhosa, o tambor do Brasil.

Tornou-se uma cidade dominada pelas milícias, pelo tráfico de drogas, onde praticamente toda semana há uma vítima de bala perdida - às vezes crianças - com dois governadores afastados do cargo: um condenado a vários anos por diversos atos de corrupção; e um outro, acusado também por corrupção, afastado do cargo, corre o risco de um impeachment.

Tudo piorou, não só para o Rio, mas para todo o país, a partir do golpe que defenestrou a presidente Dilma Rousseff. Depois tivemos outro golpe: a prisão do ex-presidente Lula, protagonizada pela Lava Jato, cujo objetivo foi afastá-lo da disputa da eleição presidencial.

Demonizado o PT e o seu líder, com acusações jamais comprovadas, venceu o candidato que prometeu acabar com a corrupção e um novo modo de governar. Foi visto por uma parcela dos brasileiros como um mal menor.

A opção, movida pela emoção e não pela razão, ainda não funcionou, pois o país vive um caos, sem projetos na área social, desemprego em massa, subemprego, fome, com muitas pessoas vivendo nas ruas, e o povo morrendo vítima do coronavírus que, a despeito da gravidade do momento, jamais recebeu, por parte do mal menor, a atenção devida, um combate à altura.