A desigualdade social só aumenta

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 30 de Julho de 2020

Afinal, o que  desejam os milionários do mundo capitalista? Vivemos uma fase de governos  de extrema direita em diversos países, com suas práticas antissociais. E também, não seria exagero afirmar, uma postura genocida diante da pandemia do coronavírus, tendo como  expoentes mais conhecidos o presidente Trump e Bolsonaro que, em uma  das suas viagens aos Estados Unidos revelou - “Não vim para construir nada. Vim para destruir”. Portanto, a despeito de todo o progresso tecnológico que vivenciamos hoje, o Brasil vive um momento de retrocesso em todos os níveis.

Numa recente entrevista ao site tutumeia.jor.br, o teólogo  e escritor Leonardo Boff falou sobre o presidente Bolsonato, geopolítica e as especificidades da pandemia do coronavírus. Frisou que para o governo atual não basta a ausência de investimentos e projetos nas  questões sociais. O povo, na  estratégia do atual governo, tem que ser humilhado, desprezado.

Com a agressividade que o capitalismo vem atuando, que tipo  de transformação pode ocorrer, não só no nosso país, mas no mundo? Até quando o povão vai  sofrer calado? Até quando homens poderosos, tanto no poder político quanto no econômico, vão continuar perpetrando suas injustiças e maldades, usando seu poder em nome do lucro econômico? “Ou nos salvamos, ou nos perdemos todos” - diz Boff.

Um recente levantamento da Oxfam - entidade  de caráter humanitária reconhecida mundialmete. Trabalha com o objetivo de buscar soluções para o problema da pobreza, desigualdade e da injustiça, por meio de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais - revelou que  a fortuna dos 73 bilionários latino- americanos aumentou nada menos do que US$ 48,2 bilhões, no período que vai de 18 de março a 12  de julho. A maior parte desse bolo vem do Brasil, onde 42 pessoas ganharam US$ 34 bilhões.

O mundo  está girando ao contgrário. Um dia  a conta  vai  chegar.

“Quem  tem ouvidos para ouvir, ouça”.  - Lucas 8; 4-15  

 

 

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Enxugando gelo

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 26 de Julho de 2020

 

Tenho o hábito de reler determinados livros. Desde o início deste mês,  consegui ler dois. Um deles, revela a dinâmica de determinados crimes e detalhes das investigações e prisão dos responsáveis.

Na sua maioria, os marginais são jovens que, portando armas modernas - em muitas ocasiões, fuzis e metralhadoras -  costumam agir movidos  pela emoção, tudo decidido no calor da hora, com  as vítimas  escolhidas aleatoriamente. Muitas vezes, na tentativa de roubar um carro ou pertences da vítima, acabam matando-a sem  necessidade.

Costumo chamá-los de robôs desgovernados. Jovens  residentes em  favelas ou periferias, locais onde o Poder Público é ineficaz, membros  de famílias desajustadas e vulneráveis a toda sorte de problemas. Crescem num universo cercado de violência de todos os matizes, testemunhas das injustiças e violência da polícia.

Além disso - como se fosse pouco- não têm expectativas em  relação ao futuro, pois não conseguem  arrumar um  emprego digno,  que possibilite uma melhora na qualidade de vida. São - manda a verdade  que se diga - vítimas do sistema injusto, preconceituoso e hipócrita. Acabam aderindo ao tráfico de drogas, embora conheçam os perigos envolvidos. Os que  aderem ganham poder e dinheiro.

Guardadas as devidas proporções, infelizmente, a situação é praticamente igual em todas as capitais do país. A história do Primeiro Comando  da Capital -  PCC - em São Paulo é um caso tipíco dos problemas que envolvem a segurança pública no país.

 O quadro em  tela não dá sinais de melhora. E nem poderia, pois enquanto  a  sociedade e nossas autoridades insistirem na visão repressiva e política para resolver gravíssimos problemas sociais, como diz o dito popular, continuaremos enxugando gelo.

 

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Duplo assassinato ainda sem solução

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 22 de Julho de 2020

Apesar da crise que o país está enfrentando em todos os setores, ampliada pela pandemia do coronavírus, não podemos nos esquecer  de algumas questões de suma importância, entre elas, o assassinato da vereadora Marielle Franco,  e do seu motorista Anderson Gomes.

Quem mandou matar Marielle? E por quê?

 

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“A mídia é refém da caricatura que fez do PT e de Lula”.

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 19 de Julho de 2020

Publicado originalmente no jornal GGN

POR RICARDO AMARAL, jornalista assessor do PT e do ex-presidente Lula, foi repórter e colunista de O Globo, do Valor e da Revista Época

Uma das maiores limitações da mídia brasileira é acreditar no que publica; uma imprensa que não lê a divergência, para não mencionar os fatos, e se enreda nas realidades virtuais que vai criando. É o caso dos artigos de Ascânio Seleme, no Globo de 11 de julho, sobre “perdoar” um PT que a maior parte da mídia criou para ser odiado, e de sábado (18), em que um outro PT é criado para receber o perdão que nunca pediu. Os PTs ali retratados são criações fictícias como enredos de novela, com a diferença de que estes são mais próximos da vida real.

O primeiro artigo parte de uma constatação rara em nossa imprensa, a de que o país em crise profunda não vai se reencontrar excluindo um terço da população, a parcela identificada com Lula e seu partido. Mas não extrai desse fato a consequência que estaria ao alcance da própria Globo: levantar a censura imposta ao PT e a Lula pelo maior grupo de comunicação do país. Seria o gesto imprescindível para restabelecer o debate democrático, mais eficaz que a arrogante oferta de perdão a quem sofreu a maior campanha de destruição de imagem já feita contra um partido e seu líder.

O PT e o Lula excluídos da Globo e do debate foram forjados nas 13 horas de notícias negativas somadas no Jornal Nacional entre janeiro e agosto de 2016; o julgamento midiático que antecedeu a denúncia do powerpoint em setembro. O “tríplex do Lula” nasceu numa notícia falsa e jamais corrigida do Globo, em dezembro de 2010, e transformada na última hora em “prova” da denúncia frívola (“Tesão demais essa matéria de O Globo. Vou dar um beijo em quem de vocês achou isso”, registrou Deltan Dallagnol nos arquivos da Vazajato). Foi pela Globo que Sergio Moro fez a diferença, vazando o grampo ilegal da presidenta Dilma em 16 de março de 2016.

Diferentemente do que diz o artigo deste sábado, o PT não foge do assunto Petrobrás: denuncia a manipulação dos processos e o acobertamento da corrupção tucana, confessada desde Pedro Barusco, o pai das delações. Nem diz que o mensalão foi inventado pela mídia: denuncia a pressão que ela exerceu sobre um STF que julgou “com a faca no pescoço”. Tampouco o PT defende o “controle popular” da mídia, mas a regulamentação dos artigos 220 a 240 da Constituição, que não interessam à Globo e seus associados regionais porque estabelecem diversidade, pluralidade, respeito às identidades étnicas e regionais nas concessões de TV. Coisa de outro mundo.

De fato, o PT da Globo e da maioria da imprensa é uma longa criação, para a qual contribuem fragmentos da realidade, mitos, preconceitos e, obviamente, os erros cometidos em 40 anos de uma trajetória que jamais foi objeto de debate equilibrado na mídia. E não seria agora, porque essa narrativa histórica, com perdão pela palavra gasta, justificaria outra, terrivelmente atual, de que a rejeição ao PT seria responsável pela ascensão de Bolsonaro. Como se a mídia não fosse acionista fundadora da indústria do antipetismo que a tantos propósitos tem servido, inclusive o de explicar sua responsabilidade no golpe de 2016 e no processo eleitoral de 2018.

A imprensa daria um grande passo se criticasse o PT pelo que o partido realmente é, não o que ela gostaria que fosse. Da mesma forma que Sergio Moro e a Lava Jato tornaram-se prisioneiros da farsa judicial que criaram para condenar Lula (e eleger Bolsonaro), a maior parte da mídia é refém da caricatura do PT que ela desenhou e não consegue apagar nem mesmo para permitir o inadiável reencontro do país com a normalidade. E por isso tem de desenhar, volta e meia, um PT que não seria nem o real nem sua caricatura, nem sua direção nem sua militância, mas um partido domesticado e livre dessa ideia radical de acabar com a desigualdade no Brasil.

Só que não existem dois PTs, como não existem duas Globos. No PT convivem e podem divergir Lula, Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad, Eduardo Suplicy, Rui Costa e Benedita da Silva, mas, diferentemente da Globo, onde também convivem divergências, o PT não tem dono. A Globo tem. E é ele (ou eles) quem define o que é o que é não é notícia, como fazia Roberto Marinho, quem pode e quem não pode falar no JN. É quem não admite o PT no jogo político. Um país com milhões de excluídos precisa, sim, de uma esquerda forte, mas precisa também de uma mídia plural e democrática, coisa que a Globo não é, nem mesmo como caricatura.

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VONTADE DE VOMITAR

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 18 de Julho de 2020

 

No último dia 12, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma cena chocante, que teve repercussão nacional.O fato ocorreu em Parelheiros, Zona Sul de São Paulo.

Um PM pisa no pescoço de uma mulher negra, 51 anos, que estava rendida no chão. O policial, para ampliar sua aitutde covarde, impôs um sofrimento ainda maior para a vítima, porque, além de pisar no seu pescoço, ele ergue a outra perna para aumentar a pressão. Confesso que tive vontade de vomitar.

Tudo começou por causa do som alto do carro de um dos fregueses do bar da vítima, que pediu que o dono do veículo abaixasse o volume. Feito isso, retornou ao bar para  continuar atender aos clientes. De repente, viu PMs usando de violência com outras pessoas e, diante da situação, grita para os policiais pararem com as agressões. Ao tentar defender um amigo que foi derrubado ao chão e desfaleceu, a comerciante também foi agredida. Levou um soco, foi  derrubada com uma rasteira, quebrou a tíbia e quase morreu  estrangulada.

Atitudes violentas da polícia - tanto militar quanto civil -, morte de inocentes ou execuções à margem da lei ocorrem com uma frequência além da conta, porque os policiais são  treinados e, em muitas ocasiões, estimulados pelos discursos direcionados para a área de segurança pública de certos governadores, como por exemplo, João Doria (SP), e Wilson Witzel (RJ).

Doria, quando era candidato a governador de São Paulo, afirmou: “Não façam enfrentamento com a Polícia Militar, nem com a Civil, pois, se atirar, a polícia atira. E atira para matar”.

Na mesma linha de raciocínio, o governador Wilson Witzel divulgou à exaustão a “política do abate” - os policiais  deveriam mirar na cabecinha e atirar, no caso de bandidos portanto fuzis. Diante de discursos desse teor, fica difícil, quando não impossível, conter a violência policial.Faz parte da nossa elite e setores da direita de tentar resolver questões sociais com repressão policial direcionada para a população negra e pobre, residente nas favelas e periferias, que não recebe a atenção e os investimentos necessários do Poder Público.

A população desses locais, além das constantes incursões policiais que, não raro, desrespeita os mais elementares postulados dos Direitos Humanos, convive com o desemprego, o subemprego, o tráfico de drogas e milícias.
A postura da polícia só vai mudar quando a maioria da sociedade modificar sua postura conservadora - e muitas vezes  reacionária -  em relação aos problemas que envolvem a segurança pública, entre eles a questão prisional.

A parcialidade, a cultura da impunidade, a omissão e a demora da Justiça para julgar crimes e casos de violência cometidos por policiais, são fatores que retroalimentam a questão.  

 

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Benefício polêmico

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 12 de Julho de 2020

 

Na última sexta-feira, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, decidiu conceder prisão domiciliar a Fabrício Queiroz, um ex-PM envolvido com transações financeiras ilícitas, com milícias, e com um crime ainda não devidamente desvendado, quando atuava como policial militar. A decisão do STJ  valeu também para sua esposa, Márcia Oliveira Aguiar.

Homem de confiança do clã dos Bolsonaros, Queiroz administrava o esquema de “rachadinhas” no ganinete do então deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, hoje senador. E era amigo de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope (RJ), expulso da corporação por corrupção, apontado como chefe do Escritório do Crime, gangue de matadores, e investigado por ter relações com o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. Foi morto, em fevereiro último, pela PM baiana, num sítio na cidade de Esplanada, no Noroeste baiano.

Em dezembro de 2018, Queiroz foi citado pelo ex- Conselho de Controle de Atividades Financeiras - Coaf -, agora Unidade de Inteligência Financeira, por uma movimentação suspeita - 1,2 milhão de reais de 2006 a 2007 entre recebimentos de dinheiro dos funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro, e um depósito 24 mil para a esposa do presidente Bolsonaro, ainda não devidamente explicado.

A despeito de tudo o que foi relacionado acima, mesmo assim, a Justiça concedeu o benefício da prisão domiciliar, fato que, entre outras coisas, colabora para manchar ainda mais a reputação e a credibilidade da instituição perante a opinião pública. Ministros que integram a Corte afirmaram que o caso envergonha o tribunal.

O juiz que autorizou a prisão domiciliar de Queiroz, negou o benefício para idosos e grávidas, mesmo diante pandemia.

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