“Covid-19 cobra a conta da política de avestruz na cadeia”

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 29 de Abril de 2020

 

Artigo publicado no site da revista Carta Capital

Dr. Drauzio Varella

“Temos mais gente atrás da grades do que a Índia, país com mais de 1,2 bilhão de habitantes”

Décadas de descaso e de ausência de uma política penitenciária que se aproxime desse nome deram origem a prisões superlotadas em que os homens são empilhados como em latas de sardinha. Cadeias em que o número de presos ultrapassa o dobro ou o triplo da capacidade das instalações são a regra. Visitei um presídio na Grande Recife com 4,1 mil homens acotovelados num espaço programado para menos de 800. O diretor e eu só conseguimos nos esgueirar no meio deles graças aos préstimos de dois presos que abriram caminho.

A sociedade convive com essa insanidade com a sabedoria dos avestruzes. A filosofia do “eles têm de sofrer para aprender” e a do “bandido bom é bandido morto” conta com multidões de adeptos fervorosos. A principal consequência desse aprisionamento em massa foi o surgimento do crime organizado, praga que se alastrou pelos quatro cantos do País.

Agora, o coronavírus vem cobrar a conta. Como evitar que ele se dissemine nas celas em que os presos dormem no chão, os pés de uns quase colados à cabeça dos outros?

Vejam o que acontece nos Estados Unidos.

Uma prisão estadual de Ohio – Marion Correctional Institute – que alberga cerca de 2,4 mil homens, encontrou 1.828 infectados pelo coronavírus, ou seja, 3/4 do total. Os testes mostraram que 103 funcionários foram positivos, dos quais um veio a óbito. Não houve mortes entre os condenados.

Essa cadeia é considerada a maior das fontes de infecção já documentadas no país. Atualmente, de cada cinco casos existentes em Ohio, um está ligado ao sistema penitenciário.

De acordo com o Times Tracking Data, nos Estados Unidos, os homens mantidos em cadeias ocupam o quarto lugar entre as dez fontes mais importantes de infecção. Esses números provavelmente subestimam o total, uma vez que a maior parte das penitenciárias não testa os detentos, ao contrário do que faz o estado de Ohio.

A British Medical Journal, uma das revistas médicas mais importantes, publicou um editorial com o título: “Libertação segura de prisioneiros poderia reduzir a transmissão para a comunidade”, no qual aconselha a adoção das medidas recomendadas pela OMS, para avaliar risco, adotar medidas de prevenção e de controle da infecção nas prisões.

O editorial diz que: “Além das medidas para melhorar as condições de higiene, testagem e isolamento dos prisioneiros infectados, estratégias de libertação deveriam ser consideradas prioritárias, dada a evidência de que a disseminação em espaços confinados está associada à transmissão comunitária ampliada”.

E acrescenta: “O Irã libertou 85 mil prisioneiros, dando prioridade àqueles com comorbidades, e países como Afeganistão, Austrália, Etiópia, Canadá, Alemanha, Polônia e Reino Unido estudam medidas semelhantes”.

 

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AÇÃO E FÉ EM DEUS

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 26 de Abril de 2020

 

Aos leitores deste blog, que cabem numa kombi, uma justificativa em relação a este artigo que, obviamente, não tem nenhuma conotação com com a sua linha editorial. Mas, a despeito  disso, resolvi publicá-lo com um único objetivo: que possa servir de reflexão para o momento difícil que  todo o mundo está enfrentando com a pandemia do coronavírus.

 

O profeta Habacuque enfrentou um tempo de intensa instabilidade política no reino de Judá. Após os reinados de Manassés e Amon, assumiu o trono o rei Josias. Com a sua morte Joacaz o sucedeu por um período  de apenas três meses.

Deposto pelo faraó do Egito, em seu lugar é colocado o rei Joaquim, que não tinha pulso  firme. Fazia política com o Egito, sendo contestado por aqueles que não admitiam esse comércio e achavam que interagir com a Assíria era mais vantajoso. A crise econômica era acentuada, devido ao pesado tributo que pagava ao Egito. Pararelo a isso, o povo era explorado e assim a elite podia sobreviver com o seu luxo.

Logo nos primeiros versículos o profeta pergunta a Deus a razão de tanta violência, opressão e injustiça. Critica os julgamentos de cartas marcadas dirigidos pelos poderosos, aqueles que usufruiam do poder e do dinheiro em detrimento dos menos favorecidos, indefesos, entregues à própria sorte diante de um sistema injusto.

Depois os  babilônicos, com Nabucodonosor, dominaram Israel. Enriquecem oprimindo outros países. Hoje, como no  tempo de Habacuque, o mundo vive situações idênticas.Nação dominando nação, guerras, políticas injustas, opressoras.

No nosso país, vivemos uma  crise econômica e social que gera miséria e violência. A cada dia que passa tem crescido assustadoramente. As pessoas vivem com medo e não  acreditam nas nossas instituições, nem nas nossas autoridades.  

Como conviver com uma realidade tão assustadora sem perder o referencial? É nesta hora que devemos nos apegar totalmente a Deus em oração e acreditando, assim como o profeta, que todo o império opressor acabará sendo castigado. Temos que ver todas as coisas com os olhos da fé.

Manter uma postura ética e esperar em Deus. Nada deve nos abalar. Vale a pena  ressaltar que o meio de toda essa conjuntura há muitas opressões malignas. E só com Jesus poderemos obter vitória sobre elas.

De acordo com habacuque, o justo é aquele que coloca Deus em primeiro lugar na sua vida para tudo, não  deve  ser um personagem passivo diante das situações. É preciso ter uma postura ética e ser ativo.

Não ficar esperando por Deus sem fazer nada. Cada um de nós tem uma grande responsabilidade. Por mais humilde que seja nossa ação, devemos contribuir de alguma forma para que a justiça prevaleça em todos os níveis, colaborando assim para um Brasil melhor. O profeta não prega uma espera passiva. Ele diz que é possível um mundo novo - um Brasil novo - mas isso depende também de cada um de nós. “ O justo viverá por sua fidelidade” (2-4), é a principal questão do seu livro.

Mesmo diante de todas as adversidades e desesperanças, o justo vive na certeza da ação de Deus. É por meio dele que Deus irá realizar sua justiça. O capítulo três de Habacuque, entre os versículos 17 e 19, apontam para uma mensagem de fé e certeza da intervenção divina.

Diz a Bíblia: “ Ainda que a figueira não brote e não haja fruto na parreira; ainda que a oliveira negue seu  fruto e o campo não produza colheita; ainda que ovelhas desapareçam  do curral e não haja gado nos estábulos, eu me alegrarei em Javé e exultarei em Deus, meu salvador. Meu Senhor Javé é a minha força; ele me dá pés de gazela e me faz caminhar pelas alturas”.  

 

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Depen suspende visitas por um mês por causa da pandemia

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 23 de Abril de 2020

 

Agência Brasil - O Departamento do Penitenciário Nacional (Depen) suspendeu por 30 dias, a contar desta quinta-feira (23), as visitas, os atendimentos de advogados, as atividades educacionais, de trabalho, as assistências religiosas e as escoltas realizadas nas penitenciárias federais, como forma de prevenção, controle e contenção de riscos do novo coronavírus (covid-19).

A medida não atinge os casos de atendimentos de advogados, em decorrência de necessidades urgentes ou que envolvam prazos processuais não suspensos; as escoltas de requisições judiciais, inclusões emergenciais e daquelas que por sua natureza, precisam ser realizadas.

A portaria com a decisão está publicada no Diário Oficial da União de hoje e considera, entre outras ações, a situação do emprego urgente de medidas de prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde dos servidores, colaboradores e presos, enfim, a proteção de todos, a fim de evitar a disseminação da doença no âmbito das penitenciárias federais.

O documento diz ainda que o Sistema Penitenciário Federal já elaborou o procedimento operacional padrão de medidas de controle e prevenção da doença, devido a necessidade de se estabelecer um plano de resposta e também padronizar ações e medidas de controle e prevenção nas penitenciárias federais.

A portaria determia também que as penitenciárias deverão adotar as providências necessárias de modo a promover o máximo isolamento dos presos maiores de 60 anos ou com doenças crônicas durante as movimentações internas nos estabelecimentos.

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Tragédia

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 20 de Abril de 2020

 

O ex -PM Alexandre de Andrade foi morto pelo próprio filho, um adolescente de 15 anos.. O crime ocorreu em Nova Iguaçu, bairro Monte Líbano, Baixada Fluminense. A arma utilizada foi uma pistola calibre 40, deixada no local. Pertencia ao policial.

O adolescente fugiu.

A polícia ainda não sabe o motivo do crime.

 

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POR QUE LAMENTAS?

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 17 de Abril de 2020

Artigo publicado no site Amaivos

Por Frei Betto

Por que lamentas estar isolado dentro de casa? Já pensaste naqueles que nem casa têm e são obrigados a conviver com o risco iminente da infecção? Ou será que o teu coração é um cômodo entupido de ego, sem lugar para mais ninguém?

Por que lamentas se, agora, vives em uma prisão de luxo, com liberdade para estabelecer teus horários e escolher a comida que te agrada? Pensa naqueles que enfrentam longas filas para receber uma quentinha da caridade alheia.

Por que lamentas ao se ver obrigado a cancelar a festa de aniversário ou casamento, e arcar com o prejuízo que não será ressarcido? O que preferirias, a festa com o coronavírus invisível circulando entre teus convidados ou preservar a tua e outras vidas para festas vindouras?

Por que lamentas não poder, agora, fazer a viagem sonhada e programada, e se ver forçado a ficar recolhido em teu espaço doméstico? Ou seria melhor uma passagem sem volta para a morte?

Por que lamentas não poder sair à rua, encontrar amigos e voltar a tua rotina de trabalho e lazer? Ainda podes conversar por telefone, talvez trabalhar desde casa e improvisar teus métodos de ginástica.

Por que lamentas ser idoso e figurar entre os mais vulneráveis? Alguma vez te passou pela cabeça que o melhor da velhice é não haver morrido jovem? Já que chegastes a esta idade, cuida de preservar a tua vida por mais alguns anos e, quem sabe, décadas.

Por que lamentas ser obrigado a fechar teu comércio, teu escritório, ameaçado de ter tua renda reduzida? Já imaginastes se não fossem tomadas medidas restritivas e a pandemia se multiplicasse a ponto de atingir a ti e a teus entes queridos?

Por que lamentas o que te soa como perda ou privação? Nunca pensastes nas pessoas em situação de guerra, nos refugiados, nos que não têm acesso a nenhum sistema de saúde? Não contabilizes as tuas perdas, contabiliza os teus ganhos, como estar vivo, gozar de boa saúde e desfrutar do convívio com tua família.

Por que lamentas não suportar a solidão que te obriga a um encontro mais íntimo contigo mesmo? Não é hora de dar um balanço na própria vida, reavaliar os valores abraçados e reconsiderar convicções arraigadas? Não é este o momento de reinventar-te?

Não lamentes! Tens um teto, o alimento garantido e boa saúde. És um privilegiado. Lamenta, sim, por aqueles que nada disso possuem. Não por escolha, e sim por serem vítimas de um sistema econômico seletivo e excludente, no qual os interesses do capital privado pairam acima dos direitos coletivos.

Não te afogues em teu lamento. Extraia dele forças para mudar o que consideras injusto. E cuida-te! Não te julgues imortal. O teu e o meu dia chegarão. Mas não apressemos os desígnios de Deus. Na vida nada tem maior valor do que a própria vida.

Guarda teu pessimismo para dias melhores. E repete a “Prece” de Fernando Pessoa: “Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.”

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Valorize o jornalista

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 15 de Abril de 2020

 

O jornalismo é o exercício da inteligência e a prática cotidiana do caráter   ( Cláudio Abramo )

Quem compartilha uma notícia falsa é tão irresponsável quanto quem a divulgou. Com o advento da internet a prática virou lugar-comum. Mesmo diante da grave crise que o nosso país está passando, o mesmo ocorrendo com todo o mundo, há quem divulge notícias falsas a respeito da doença, minimizando sua letalidade.

Muita gente acredita. Com isso, estão colocando a vida em risco. Pelo menos neste momento convém mudar certos hábitos, ler com mais atenção, sem pressa, e sem aquela compulsão de passar a notícia adiante.

Procure ler sites ou blogs que possuem credibilidade, feitos por jornalistas profissionais responsáveis, que respeitam o Código de Ética da categoria. Pessoas não habilitadas exercendo o papel de jornalista já causaram sérios problemas. Alguns com mortes.

Jornalista é o profissional habilitado para processar as informações e transformá-la em notícias, tendo como meta o interesse público.

Neste hora grave e triste, burile suas leituras. Notícia é coisa séria. Seja responsável, ético.

Pense nisso!

 

 

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