Do lado de quem?

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 28 de Janeiro de 2020

 

Texto publicado no site Amaivos
 
Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo*

“Do lado de quem você está?”. Eis uma interrogação que provoca e contribui para revelar configurações partidárias que presidem relacionamentos. Inscreve-se nesse questionamento a tentativa humana de demarcar lugares – o que por vezes, evidencia velada pretensão de poder, que também se assenta na segurança do corporativismo dos aliados. A definição de “lado” hospeda a ilusória sensação de se estar “em casa”, confortavelmente, sem adversários por perto. Um equivocado sentimento de segurança que, não raramente, se fundamenta nas configurações sempre frágeis e limitadas de uma ideologia qualquer.

A interrogação - “do lado de quem você está?” - alimenta ainda a curiosidade, um dos fermentos nas disputas. Esse questionamento cabe, na medida certa, quando se trata de torcidas esportivas ou disputas partidárias, até mesmo do discernimento sobre interesses que se tem. Quer-se sempre saber o “lado” daqueles que exercem altos cargos nas esferas públicas e privadas, de pessoas com significativa projeção social e política, dos formadores de opinião. Mas é importante sublinhar: o desmedido apego à questão “do lado de quem você está?” pode impedir a vivência da unidade, que exige a inclusão da diferença, possibilidade real de enriquecimento em todos os aspectos.

E, para a superação de possível morbidez quando se move somente pelo que é partidário - considerando cenários da política, por exemplo - é preciso responder a questão sobre “o lado de quem você está” de forma diferente. Tomar partido em variados campos, a exemplo da política, pode ser força propulsora na sociedade, mas não se deve buscar apenas defender e reforçar determinado “lado”, ideologia ou discurso que privilegia a identificação de alguma referência simbólico-cromática.

“Do lado de quem você está?”. É possível uma resposta diferente, ao se lançar olhar atento e interessado sobre a sociedade, identificando os seus cenários, no exercício qualificado da cidadania: estar junto dos mais pobres, condição que alicerça o humanismo solidário. E os discursos que comprovadamente estão do lado dos pobres ultrapassam umbrais de academias ou de diretórios partidários, pois sempre serão seguidos de hábitos, de gestos e de atitudes dedicados aos que mais sofrem. Essa prática testemunhal, sem risco de simplesmente reforçar ou requentar falas, é o verdadeiro lado - sem a parcialidade que apenas gera divisões entre grupos e pessoas. Ao invés disso, estar com os pobres sustenta a unidade.

A prática testemunhal, na proximidade junto aos que mais precisam, sinaliza distanciamento de lógicas perversas: a busca por acumular sempre mais riquezas sem ter a coragem de dedicar-se à partilha, à generosidade; o apego ao privilégio de integrar instâncias de decisão e exigir, dos outros, somente dos outros, a adoção de rumos novos. A prática testemunhal guarda a força da coerência necessária para a superação de todo tipo de exclusão e de preconceito. Sabe-se do risco de se apegar a um determinado lado, achando-se no direito de ser indiferente e até de odiar os que estão em outro lugar. Esse apego é característica dos que apenas querem justificar privilégios, alcançar comodidades tranquilizadoras da consciência de seu próprio grupo, ampliar espaços de atuação, inclusive misturando religião e opções confessionais com interesses políticos espúrios.

A interrogação intrigante, “de que lado você está?”, continuará a ser repetida, e mal ou bem respondida, até que um qualificado tecido civilizatório se constitua e a cidadania não seja pautada pelas parcialidades, nas hegemonias, mas na unidade edificada e mantida pela justiça. Hoje, diante da ausência de entendimentos mais lúcidos, torna-se importante identificar “lados” para, a partir do convencimento, promover adesões ao caminho que leva a correções dos funcionamentos da sociedade, dominada pelo consumo e pela ganância.

Esse rumo a ser buscado exige a clareza para compreender que vale menos o lugar ocupado a partir do campo ideológico. O importante é estar junto dos pobres, assumindo um lado que exige coragem para defender direitos e promover a justiça, o território da solidariedade. Nesse horizonte, a partir da tarefa, compartilhada por todos, de se construir um mundo melhor, pode valer a sugestão de substituir a intrigante interrogação “de que lado você está?” por um exercício de autorreflexão. Avaliar, para além das ideias, a própria participação na mudança requerida. Assim, torna-se possível responder, com mais clareza, nova interpelação: “em que lugar você está?”.

*Dom Walmor Oliveira de Azevedo é Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte e  Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB

 

 

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Violência e impunidade

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020

O tema da matéria de capa da revista Época desta semana trata dos desvios, violência policial e impunidade. Nos últimos três meses a reportagem analisou todas as informações a respeito  das 195 “mortes por intervenção de agentes do Estado” ocorridas em julho  de 2019 - “o mês mais letal do ano, mais letal da polícia, mais letal do Brasil em mais de duas décadas”. E, como se tudo isso não bastasse, um fato também chocante: “seis meses depois, nenhum policial foi denunciado à Justiça”.

A violência urbana carioca, a cada ano que passa, não apresenta sinais de melhora. Só piora..

Recomendo a leitura dessa reportagem.

 

 

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O Caso Flordelis (3)

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020

 

Muitas pessoas perderam as esperanças na solução do assassinato da vereadora Marielle Franco, e do seu motorista Anderson Gomes, que teve repercussão internacional. A não solução de determinados crimes cria uma sensação de insegurança na população. E descrédito nas instituições, no caso, na Polícia e na Justiça.

Um outro crime também ocorrido no Rio de Janeiro - em junho último - e ainda sem solução foi o assassinato do pastor Anderson Gomes, marido da também pastora, cantora gospel e deputada federal Flordelis.

A Delegacia de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo ( DHNISG ) responsável pelas investigações, revelou esta semana um fato novo. O celular  da vítima foi conectado a um chip em nome da empresária Yvelise de Oliveira, esposa do senador Arolde de Oliveira (PSD) e usado na rede de wi-fi da casa do senador, momentos após o crime. A delegacia teria solicitado o aparelho, que sumiu. De acordo com a DHNISG, o celular foi levado para Brasília, e conectado por um delegado da Polícia Federal.
 
De acordo com a polícia, a empresária foi notificada de que deveria comparecer na delegacia na última quarta-feira. Mas, na manhã do dia anterior, sua advogada comunicou que sua clente estava com um problema de saúde e que não poderia prestar esclarecimentos.

A delegada Bárbara Lomba, titular da DHNISG foi transferida para a delegacia da Rocinha, Zona Sul do Rio. No seu lugar foi indicado o delegado Allan Duarte Lacerda.

Será que teremos mais um crime que caminha para fazer da lista dos casos sem solução?

 

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O caso Flordelis (2)

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020

 

Polícia revela novidades na investigação do assassinato do pastor Anderson do Carmo

As informações publicadas na última terça-feira (21) pela TV Globo, em relação ao assassinato do pastor Anderson do Carmo, marido da pastora e deputada  federal Flordelis, torna o caso ainda mais complicado. De acordo com as informações divulgadas pela tv e publicadas no jornal O DIA, o celular do pastor - que havia desaparecido após o crime -  morto com diversos tiros, em junho último, na sua casa, em Niterói, Região Metropolitana do Rio, agora,  a polícia  descobriu que o celular foi conectado a um chip em nome de Yvelise de Oliveira, esposa do senador Arolde de Oliveira (PSD), e utilizado no wi-fi da casa do senador, na Barra  da Tijuca, Zona Oeste da cidade. O celular foi levado para Brasília antes de desaparecer.

O  senador é fundador do Grupo MK, gravadora dos discos da deputada Flordelis que, além de pastora e parlamentar, também é cantora gospel.

Flagelo Humano

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 19 de Janeiro de 2020

 

Há alguns anos, o filme de ficção científica Elysium, que contou com a participação do ator Wagner Moura, e da atriz Alice Braga mostrou o futuro onde todos os valores humanísticos foram  deixados de lado. Os ricos emigraram da Terra para uma estação espacial tão moderna, que todas as doenças eram curadas por intermédio de uma máquina. E o restante  da população ficou vivendo na Terra numa decadência total.

Exibido em 2013, há alguns dias passou na tv. O filme pode ser interpretado a partir de vários recordes. E o roteirto pode virar realidade mais rápido do que muitos pensam, talvez  até mesmo do seu idealizador, Neill Blomkamp.

Para evitar a desumanização levada às últimas consequências, o Brasil e o mundo precisam  se unir em torno de um único objetivo: acabar com a miséria.

Vivemos a era da internet, da alta tecnologia em praticamente todos os  campos de atividade, enquanto milhares de pessoas vivem passando necessidades de toda ordem, vítimas de um nível de pobreza que é uma indignidade, uma vergonha mundial

É preciso deixar de lado ideologias, interesses políticos e financeiros em nome da paz mundial. Viabilizar a união de diversos países ricos para acabar com a guerra, como ocorre na Síria há vários ano, miséria e doenças em várias partes do mundo.

Não dá mais para ficar discutindo ano após ano os mesmos problemas, as mesmas questões de  sempre; não dá mais para bilionários continuarem acumulando bilhões  de dólares ou reais, visando apenas a especulação financeira, e as pessoas sem moradia,  sem emprego, sem nada, entregues à propria sorte.

Afinal, para que serve tanta tecnologia, se apenas os ricos têm acesso? Até quando vamos continuar sendo solapados por notícias negativas, que mostram várias facetas do sofrimento humano, a maioria causada pela avareza e maldade humana?

Não há saída: ou mudamos nossos valores ou atingiremos, como no filme, o flagelo humano. Ou será que já atingimos?

 

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O caso Flordelis

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 14 de Janeiro de 2020

 

O assassinato do marido da pastora e deputada federal Flordelis dos Santos de Souza, o também pastor Anderson do Carmo de Souza, ocorrido no dia 16 de junho do ano passado em Niterói, Região Metropolitana do Rio, ainda não foi totalmente esclarecido. Por que tanta  demora? Guardadass as devidas proporções, será que teremos mais um caso Marielle?