Política de segurança do governador Witzel é obsoleta

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 25 de Setembro de 2019

 

Governador: esqueça esta ideia de fazer cartilha que instruirá moradores de favelas sobre como agir durante operações policiais e reduzir os riscos de bala perdida.

Movido pela própria experiência, os moradores sabem como agir. Mas diante de uma operação policial que pode ocorrer de repente e a qualquer hora, não há muito o que fazer. Até porque,  entre outras coisas, a topografia e a vulnerabilidade das moradias dificulta a proteção.

Governador: não gaste o dinheiro público com essa cartilha. Trata-se de uma tremenda bobagem, que vai do nada a lugar nenhum. Nem como projeto de marketing vai funcionar. O que o morador precisa é de respeito e investimentos sociais.

O que funciona, governador, não é combater a violência com mais violência, como se isso fosse assustar a bandidagem, e sim, uma política de segurança que respeite os direitos humanos. E uma polícia bem treinada, tanto do ponto de vista operacional quanto psicológico. Evidentemente, que para isso ocorrer é preciso que o senhor mude seu discurso de incentivo à letalidade policial.

Só este ano - antes da morte de Ágatha Vitória Sales Félix, 8 anos, na última sexta-feira, mais uma vítima de bala perdida - outras quatro crianças foram mortas pelo mesmo motivo. Vivemos numa era  de alta tecnologia, mas algumas questões não progridem. Retroalimentam-se. Entre elas está o combate à violência urbana. Os discursos, os projetos, as iniciativas no campo prisional, além do trabalho da polícia, tudo isso está obsoleto.

Governador: durante uma  entrevista coletiva, o senhor  afirmou “que o Rio está no caminho certo e que a tragédia ( referindo ao  caso da menina Ágatha) foi um caso isolado”. Foi não, governador. E o Rio não está no caminho certo na questão da segurança pública. A rigor, em nada. A situação do Estado, vista por qualquer ângulo de análise, é uma prova disso.

Com todo respeito: já que o senhor falou em caminho, só há um caminho a seguir. Mudança de método

Creia nisso, governador!
 
 

RIO - VÍTIMA DE BALA PERDIDA, MAIS UMA CRIANÇA MORRE

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 22 de Setembro de 2019

 

O final de semana do carioca foi marcado por mais tragédia que, infelizmente, tem sido lugar comum, fruto de violentas intervenções policiais nas favelas e periferias.

No último sábado, Ágatha Vitória Sales Félix, de apenas 8 anos, foi atingida por um tiro de fuzil e morreu. Ela estava no interior de uma kombi que faz transporte de passageiros no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio.Moradores e familares afirmaram que PMs atiraram contra uma moto, e o tiro atingiu Ágatha.

A política de “segurança” do governador Wilson Witzel tem sido uma catástrofe pois - entre outras coisas - inocentes estão morrendo. Por mais óbvio que isso possa ser - mas às vezes convém ressaltar o óbvio - combater a violência com mais violência não resolve nada. Muito pelo contrário: só piora a situação.

O  carioca, principalmente os moradores de favelas e periferias, não podem mais continuar convivendo com isso. O Rio não pode  ter - ou não deveria  ter - um governador que estimula o extermínio de bandidos como um fim em si mesmo, num desrespeito total aos Direitos Humanos.

A despeito de tudo o que aí está, não só no Rio como no país, ainda vivemos sob a égide de uma Constituição.

Vivemos?  

 

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Diga não ao fatalismo!

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019

 

Quando os maus sobrem ao poder, o povo se esconde de medo; quando eles caem do poder, o número de pessoas honestas aumenta   ( Provérbios 28.28 )

Há alguns dias estava tomando um cafezinho no centro do Rio, quando um cidadão puxou assunto. Ali no bar, num rápido papo informal, o tema foi a violência urbana, principal mazela do Estado. Sem alimentar esperanças que algo possa melhorar, afirmou: deixaram chegar a um ponto que não há mais jeito.

Trata-se de uma declaração fatalista. Como não há solução, conforme o pensamento do cidadão, ninguém faz nada, as pessoas seguem suas rotinas completamente anestesiadas diante do problema que, diga-se de passagem, piora a cada ano. A bandidagem cresce e amplia seus domínios. E, embora a volência atinga a todos, ricos e pobres, é óbvio que estes sofrem mais, porque são mais vulneráveis a tudo e não podem contar com a Justiça, nem com o Poder Público. Praticamente estão entregues à própria sorte. A verdade é esta.

Além da violência do tráfico e dos milicianos, de bandidos de todos os matizes e, não raro, da polícia, o Rio enfrenta uma crise econômica sem precedentes. Elegeu um governador de direita, cujo principal projeto na área de segurança é estimular a polícia a atirar primeiro e perguntar depois. Operações policiais nas favelas e periferias têm sido cada vez mais violentas, quase sempre com mortes de inocentes, entre eles, adolescentes e até crianças, vítimas de balas perdidas.

O cenário é, de fato, desanimador. E produz um desgaste psicológico que pode gerar várias complicações. O cidadão vive com medo. Você para na rua para pedir alguma informação para alguém, por exemplo, e a pessoa olha para você como se fosse ser agredida ou assaltada. Você olha para uma mulher interessante, e ela aperta o passo. Se você chegar perto, tudo pode acontecer. Ela pode acusá-lo de assédio. Tudo isso é fruto dos graves problemas que o Rio enfrenta - o mesmo ocorrendo com o nosso país. Como diz o texto bíblico, um abismo chama outro abismo.

Num momento tão grave como o atual, não só em relação ao Rio como em todo o país, só a união do povão - e também dos ricos - e dos políticos comprometidos com a justiça social, pode melhorar o quadro de decadência que o Rio está passando.

É preciso mudar o quadro de desalento do cidadão do cafezinho. O primeiro passo é ter humildade, espírito público e coletivo. E enfrentar os problemas como eles de fato se apresentam. Sem maquiagem ou apelações de qualquer natureza. Para isso, o carioca tem que abolir - deve -  aquela postura soberba de achar que o Rio é o melhor estado da país. Há décadas que não é mais.

Além da violência, a maioria dos outros problemas existem em função de um capitalismo insensível e sem escrúpulos, e de uma elite atrasada e preconceituosa.

Afinal, que sociedade queremos? Vivemos na era da internet, da tecnologia, mas cercados pela violência, pobreza e  desigualdade social. O Brasil está entre os três países mais desiguais do mundo. Está tudo errado. Até quando continuaremos discutindo os mesmos problemas?  O que iremos deixar para nossos filhos e netos?

Pense nisso!  

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Sem solução?

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 11 de Setembro de 2019

Quem mandou matrar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em março de 2018? Será que  teremos mais um crime - este teve repercussão internacional -  na lista dos sem solução?

Todo crime não solucionado, entre outras coisas, mina a credibilidade da Justiça. O povão vai perdendo  a confiança.

 

Basta!

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 10 de Setembro de 2019

 

Nos seis primeiros meses do ano ocorreram 881 mortes no Rio de Janeiro, decorrentes de intervenção policial nas favelas

Na última semana, mais duas pessoas morreram vítimas de balas perdidas. Lucas Rodrigues  de Melo, 18 anos, e Pedro de Sousa, moradores do Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, foram baleados durante uma operação da PM. A cena já é conhecida de todos os cariocas. A polícia entra na favela e, não raro, atira a esmo, numa total falta de preparo operacional, e desrespeito pelos moradores

Pedro, conhecido como seu Pedro, estava saindo de casa e voltando para sua barbearia, quando foi atingido por dois tiros. Lucas foi atingido pelos tiros a caminho da padaria, onde iria comprar pão para os seus oito irmãos. Sua mãe, Alessandra Rodrigues, 41 anos, revelou que demorou 24 horas para que o corpo fosse liberado, por falta de comunicação entre o hospital e a Delegacia de Homicídios. Falta de comunicação? Risível

Situação idêntica teve Pedro, cujo corpo só foi retirado do local após muitas horas, já praticamente no final do dia - por volta  das 23h. Na hora em que a equipe  da perícia chegou, por volta  das 21h, ocorreu outro tiroteio, e a equipe não quis ir ao local. “Disseram para levar meu pai num carrinho de mão até a praça” - revelou o filha de Pedro, Ienne Macedo de Sousa, 31 anos. Não é exagero afirmar que os responsáveis jamais serão punidos. pois como sempre acontece nestes casos, não há boa vontade tanto da polícia, quanto da justiça.

Não é mais possível que o Rio continue convivendo com balas perdidas matando inocentes praticamente toda semana, sempre que a polícia faz operação numa favela. A lista cada vez aumenta mais e nada de concreto é feito

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Lideranças das favelas precisam se unir e cobrar do governo Wilson Witzel  medidas eficazes para erradicar o problema. É preciso dar um basta. Inocentes não podem continuar sendo mortos por balas perdidas toda vez que a polícia fizer uma operação numa favela.  

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Brasil caminha célere para uma ditadura

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 7 de Setembro de 2019

Após os vetos do presidente Bolsonato à Lei de Abuso de Autoridade, caso o Congresso aprove, o país passará a viver numa ditadura.

Ou o presidente respeita o Estado Democrático  de Direito, ou então, estabeleça logo, com todas as letras, a ditadura. Não dá para ficar em cima do muro. Isso é postura  de tucano.É estarrecedor, que o presidente, que foi deputado  federal por diversas legislaturas, venha demonstrando tanto desrespeito pelas instituições e pelos mais elementares postulados democráticos.

E, a propósito: o presidente tem medo de quê?

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