O objetivo da troca de chefe da PF no Rio: salvar a família Bolsonaro

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 28 de Agosto de 2019

 

Publicado originalmente na Carta Capital

Por André Barrocal

Preocupação do presidente alterou peças na receita do Estado. O objetivo é salvar ele próprio, o filho e os colegas milicianos

Jair Bolsonaro é um presidente sem decoro. Diante da decisão norueguesa de cortar a verba dada ao Brasil para ajudar a cuidar da Amazônia, uma inutilidade, pois o atual governo não quer preservar nada, ele disse no Twitter: “Pega a grana e ajuda a Angela Merkel a reflorestar a Alemanha”. E botava para circular uma falsidade, um vídeo de caça às baleias na Dinamarca que apresentou como se fosse a Noruega. Agora em agosto, foi pródigo em patadas na Polícia Federal e na Receita Federal. Patadas e mão de ferro. Forçou a troca de comando na PF no Rio, dá corda a pressões para fazer o mesmo com o Fisco no estado. Estes dois últimos casos não se encaixam apenas na indecorosidade e na atitude circense do ex-capitão de desviar a atenção ante os resultados e horizontes econômicos e sociais pífios de seu governo. O buraco é mais embaixo. Em jogo, o futuro de seu filho Flávio, senador pelo PSL do Rio, e das milícias cariocas com as quais o clã Bolsonaro tem laços.

Recorde-se: em dezembro de 2018, soube-se que Flávio era investigado por promotores do Rio por depósitos estranhos feitos por um amigo do pai, o sumido ex-PM Fabrício Queiroz, antigo chefe de seu gabinete de deputado estadual. A investigação foi suspensa há um mês pelo Supremo Tribunal Federal. Em janeiro, milicianos de Rio das Pedras e Muzema, bairros próximos da Barra da Tijuca, onde Bolsonaro tem casa, haviam sido presos. Homicídio, extorsão, suborno e grilagem de terras eram alguns dos crimes imputados à quadrilha, agora ré na Justiça. Entre os alvos, dois PMs que Flávio homenageou quando era deputado. O major Ronald Alves Pereira, que foi preso, e o capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido, tidos como os cabeças. A mãe e a esposa de Adriano trabalharam no gabinete de deputado de Flávio. “A milícia nada mais é do que um conjunto de policiais, militares ou não, regidos por certa hierarquia e disciplina, buscando, sem dúvida, expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos”, disse Flávio da tribuna no ano em que a esposa de Adriano foi contratada, 2007.

Em março deste ano, dois meses depois da prisão dos milicianos quadrilheiros na chamada Operação Intocáveis, a polícia do Rio engaiolou uma dupla acusada do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, do PSOL, e de seu motorista, Anderson Gomes. São dois ex-PMs milicianos. Ronnie Lessa, dono de um imóvel no mesmo condomínio de Jair Bolsonaro na Barra da Tijuca. E Élcio Vieira de Queiroz, expulso da polícia após ter sido preso, em 2011, na Operação Guilhotina, levada adiante pela PF contra a banda podre da polícia do Rio.

Com Ricardo Saadi à frente, a PF no Rio estava de olho nas milícias e as investigava. É o que conta um parlamentar federal eleito pelo estado e que conversa com Saadi. É este delegado que acaba de ser degolado, graças a Bolsonaro. Saadi não tinha dívida com o presidente.

Fora nomeado para o cargo no governo Temer. Foi em 21 de fevereiro de 2018, cinco dias após o emedebista decretar intervenção federal na segurança pública do Rio. Bolsonaro era contra intervir. Dizia que não adiantaria nada, se o Exército não tivesse excludente de ilicitude, ou seja, licença para matar. Teria visto risco às milícias? Em julho de 2017, época de uma avant-première da intervenção, com a autorização de Brasília para as Forças Armadas atuarem contra o crime organizado no Rio, o então ministro da Justiça, Raul Jungmann, dizia que as milícias também eram crime organizado. Foi com ele no ministério que Saadi chegou ao comando da PF no Rio.

Marielle e Gomes foram assassinados em 14 de março de 2018, menos de um mês depois da chegada de Saadi. A execução teria sido um aviso dos milicianos sobre o que viria pela frente, caso Brasília resolvesse mexer com eles? Saadi ajudou a pressionar a Polícia Civil na investigação dos homicídios. Em agosto de 2018, após uma reunião dele com os interventores do Rio e promotores sobre o corpo mole da Polícia Civil na busca pelos culpados, a PF entrou na apuração. Em abril deste ano, O Globo noticiou que os federais tinham ressalvas aos civis do caso. Um laudo da PF apontava erros na preservação de provas, por exemplo. Dá para confiar nos policiais civis do Rio? Em 2011, houve a Operação Guilhotina.

 saída de Saadi da direção da PF no Rio já era planejada. É normal que o delegado que assumiu o comando geral da corporação no governo Bolsonaro, Maurício Valeixo, deseje ter gente sua em postos-chave. Saadi também queria mudar, ir para Brasília. Tendo ocupado um cargo importante no Ministério da Justiça por longo tempo nos governos do PT (de 2010 a 2017, dirigiu a área que negocia a recuperação de dinheiro no exterior, o DRCI), devia imaginar que seria visto como petista e perseguido. Bolsonaro atropelou tudo. Passou por cima de Valeixo, de Sérgio Moro, o ministro da Justiça que nomeou o atual diretor-geral da PF, e anunciou a queda de Saadi em 15 de agosto. Mais: anunciou o substituto, um delegado a quem convidara, no fim de 2018, para ser seu ministro do Meio Ambiente, Alexandre Saraiva, chefe da PF no Amazonas desde outubro de 2017. Saraiva é do Rio, onde o clã Bolsonaro fez carreira política. Encararia as milícias, como Saadi?

Um delegado federal que estudou em colégio militar e circula pelo mundo bolsonarista diz: para o presidente, tão importante quanto a saída de Saadi era a escolha do novo chefe da PF no Rio. No dia da degola de Saadi, a PF divulgou um comunicado a informar que a vaga ficaria com o atual chefe dos federais em Pernambuco, Carlos Henrique Oliveira Sousa. Até a quinta-feira 22, dia da conclusão desta reportagem, Sousa não havia sido nomeado no papel. Bolsonaro continuava a pressionar. Pelo Twitter, escrevera dia 21 que “a escolha do Diretor-Geral dessa exemplar instituição (PF) é de competência exclusiva do Presidente”. Quer dizer: Valeixo que se cuide. Idem a ADPF, a associação de delegados, que reclama publicamente da mão de ferro de Bolsonaro. Quanto a Moro, parece figura decorativa nesse episódio.

Há outra tensão entre os federais e o presidente. O ex-capitão vai sancionar a Lei de Abuso de Autoridade, aprovada recentemente pelo Congresso? Os policiais ficam proibidos de usar algemas contra pessoas que não oferecem resistência à prisão pela PF, por exemplo. Moro defende vários vetos em limitações que, no fundo, nasceram justamente da atuação dele e da força-tarefa da Operação Lava Jato. Na terça-feira 20, juízes e promotores fizeram uma manifestação na porta do Palácio do Planalto, a cobrar o veto da lei, proposta em 2017 pelo atual líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues, da Rede do Amapá. Se vetar, Bolsonaro sabe que será derrotado pelo Congresso – este derrubará os vetos. Para a ADPF, o episódio mostrará se o presidente de fato tem compromisso com o combate ao crime em geral e à corrupção, em particular.

A disputa de Bolsonaro pelo controle da PF no Rio e seu anúncio da queda de Saadi coincidem com pressões sobre a Receita Federal no estado, e aí de novo surgem em cena as milícias admiradas pelo presidente e sua prole. Em 14 de agosto, um dia antes de degolar Saadi, o ex-capitão reclamou, em entrevista, da existência de uma “devassa” fiscal sobre seus parentes. Referia-se a familiares do Vale do Ribeira, região pobre do interior de São Paulo onde os Bolsonaro prosperam de forma esquisita, conforme CartaCapital noticiou em junho.

A implicância presidencial não se limitava ao Vale do Ribeira. Dois dias depois da declaração sobre a “devassa”, o auditor-fiscal que dirige a Alfândega do Porto de Itaguaí, no estado do Rio, mandou uma mensagem a colegas fiscais, pelo WhatsApp. Com a palavra, José Alex Nóbrega de Oliveira: “Para minha surpresa, há cerca de três semanas, o superintendente Mário (Dehon, chefe da Receita no Rio) me informa que havia uma indicação política para assumir a Alfândega de Itaguaí, a qual ele não concordava. Tratava-se de um auditor lotado em Manaus que não possuía em seus 35 anos de Receita Federal nenhuma passagem pela Aduana e sem nunca ter assumido chefias. Inconformado com essa situação, o superintendente recusou-se a realizar a nomeação, pois fugia dos trâmites utilizados pela RFB (Receita Federal do Brasil)para escolha de suas lideranças. Em represália a essa atitude, o mesmo está ameaçado de exoneração”.

Itaguaí é um município de 100 mil pessoas a 70 quilômetros a oeste da capital fluminense. “É uma área dominada por milícia”, diz o deputado federal Marcelo Freixo, do PSOL, até hoje escoltado por policiais por ter atraído ódio miliciano com sua CPI das Milícias em 2008, na Assembleia fluminense. As favelas dos milicianos com laços com Flávio Bolsonaro estão a 76 quilômetros de Itaguaí. É um porto lucrativo, responsável por uma renda per capita de 5,4 mil reais por mês na cidade. Cada navio atracado gera, em média, 269 mil reais de receita, sete vezes mais do que o porto da capital do estado, conforme a Antaq, a agência do transporte aquaviário. Passam por ali exportações de minério de ferro, de produtos siderúrgicos e de algodão. Por baixo do pano, saem drogas para a Europa e chegam armas da Ásia, conforme O Globo. Um livro de 2018 sobre o crime organizado no Rio, intitulado Rio sem Lei, aponta o surgimento de “narcomilícias”, que tomaram o lugar de traficantes.

“A milícia tem uma dinâmica financeira. A principal dinâmica da milícia é a financeira. A militar é consequência daquela relação de origem. A razão de ser da milícia é financeira. Se você quer pegar a milícia, você tem que ir na receita”, afirma Freixo. Ele não tem dúvida de que o balança, mas não cai de Dehon e de Oliveira tem relação com problemas alfandegários causados à milícia. Idem para a saída de Saadi da PF.

Registre-se que o prefeito de Itaguaí, Carlo Busatto, o Charlinho do MDB, é um enrolado. No cargo pela quarta vez, foi cassado pela Justiça Eleitoral, em setembro de 2018, após condenação na Justiça comum por fraude em licitação e corrupção passiva. Sobrevive no cargo graças a um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Neste ano, já escapou de dois impeachments. Em ambos perdeu a votação entre os vereadores por 9 a 8, mas eram necessários ao menos 12 votos para afastá-lo. Sua esposa, Andreia Busatto, foi deputada estadual pelo PDT e é investigada no mesmo esquema que pegou Flávio Bolsonaro a receber depósitos de Fabrício Queiroz. O Coaf, órgão federal de combate à lavagem de dinheiro, identificou 81 milhões de reais em movimentação bancária suspeita do casal, entre 2011 e 2016.

Foi o Coaf que também descobriu 1,2 milhão de reais de movimentação bancária suspeita de Queiroz entre janeiro de 2016 e fevereiro de 2017, período em que o ex-PM amigo do presidente era chefe de gabinete de Flávio na Assembleia do Rio. Entre as estranhezas, 24 mil depositados na conta da primeira-dama, Michelle. Essa investigação faz parte da chamada Operação Furna da Onça e tem a participação da Polícia Federal. Com a saída de Saadi, a PF no Rio vai se empenhar nesse caso?

Na terça-feira 20, o presidente baixou uma Medida Provisória a botar o Coaf no Banco Central (BC), consequência da derrota sofrida em maio no Congresso ao tentar deixar o órgão com Moro. Agora o Coaf não precisa mais ser formado por servidores de carreira, não terá mais gente do sistema de inteligência (Receita, CGU e CVM), nem mandato e remuneração para os conselheiros. Será composto apenas de indicados do presidente do BC. Que de cara tirou da chefia Roberto Leonel, um auditor-fiscal que havia sido escolhido por Moro, graças à parceria deles na Lava Jato, e nomeou um funcionário aposentado do BC, Ricardo Liáo. Outra derrota de Moro.

A tentativa presidencial de proteger os seus por meio de mudanças na Receita foi a gota d’água de uma escalada Anti-Fisco que levou a categoria a protestar na quarta-feira 21. Os funcionários trabalharam vestidos de preto ou com alguma peça preta no corpo. Na véspera, o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores, Kleber Cabral, dizia no porto de Santos, diante das notícias de que o governo pode transformar a Receita em uma agência, que “certamente não será para tornar o órgão mais independente ou livre de ingerências. Se o governo quer blindar o órgão de interferências, basta ele mesmo parar de interferir”.

O tranco na Receita começou assim que o Supremo voltou das férias de julho, uma sequência de acontecimentos a juntar no mesmo barco Bolsonaro, STF e políticos em geral. Em 1o de agosto, o juiz Alexandre de Moraes suspendeu, com uma liminar, investigações fiscais contra cerca de 130 pessoas consideradas pelo Leão como merecedoras de lupa. Nesse grupo, mapeado desde 2017, quando a Receita decidiu por contra própria que não iria mais atuar contra corrupção apenas se a Justiça ou o Ministério Público pedissem, estavam Gilmar Mendes e Dias Toffoli, ambos do STF.

A liminar de Moraes afastou os dois auditores-fiscais, fiscais responsáveis por um relatório preliminar a apontar irregularidades de Mendes e sua esposa, Guiomar Feitosa. A cúpula da Receita reagiu em 5 de agosto com uma carta pública assinada por 200 auditores, a cobrar que o STF voltasse atrás.

Dois dias depois, o Tribunal de Contas da União, órgão auxiliar do Congresso, começou a julgar um bônus de produtividade pago pelo governo a funcionários da Receita. Em maio, o relator do caso no TCU, Bruno Dantas, havia apontado irregularidades no pagamento e queria impor várias condições. Foi intimado pela Receita a explicar despesas médicas de 13 mil reais do IR de 2016 logo após iniciado o julgamento, em agosto. Segundo ele, uma retaliação descarada. O julgamento foi retomado na quarta-feira 21 e a posição de Dantas, um indicado do senador Renan Calheiros, do MDB, venceu. Na véspera da decisão, Bolsonaro havia jantado com os ministros do TCU. O secretário da Receita, Marcos Cintra, demitiu o número 2 do Leão, José Paulo Ramos Fachada, que na prática era quem controlava a categoria. Cintra é economista, não auditor. Fachada é auditor. Foi substituído por outro, José de Assis Ferraz Neto, que atuava em Pernambuco.

E se usa órgãos públicos para proteger seu clã e as milícias, as quais já defendeu no passado que fossem legalizadas, Bolsonaro faz o mesmo contra os inimigos. Aconteceu com o global Luciano Huck, que se move de olho na eleição de 2022. Em 14 de agosto, Huck disse no Espírito Santo, sobre o atual governo: “Não acredito que a gente está vivendo o primeiro capítulo da renovação. Para mim, estamos vivendo o último capítulo do que não deu certo”. Parte do troco veio dois dias depois. “Ele falou que eu sou o último capítulo do caos. Se ele comprou jatinho, ele faz parte do caos, ajudou naqueles empréstimos de quase meio trilhão de reais”, afirmou Bolsonaro. Na segunda-feira 19, o BNDES divulgou uma lista de grã-finos que pegaram dinheiro emprestado, a juro baixo, para comprar aeronaves. Huck estava na lista (17 milhões de reais). O governador de São Paulo, o tucano João Doria, outro a cobiçar a cadeira presidencial, também (44 milhões). “O governo divulgou dados protegidos por sigilo para constranger adversários políticos do presidente”, disse da tribuna da Câmara o deputado Alexandre Frota, que acaba de deixar o PSL.

É o Brasil de Bolsonaro: um ex-ator pornô escandalizado com a falta de decoro do chefe da nação.

 

 

 

Na contramão dos ensinamentos de Cristo

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 26 de Agosto de 2019

 

Ninguém pode servir a dois senhores. Ou odiará a um e amará o outro, ou se devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. ( Mateus 6.24 )

Já há algum tempo, não raro, evangélicos figuram nas páginas policiais dos jornais. No momento, continua repercutindo o assassinato do pastor Anderson do Carmo de Souza, marido da cantora gospel, pastora e deputada federal, Flordelis dos Santos de Souza, ocorrido  em 16 de junho último, na residência do casal, em Niterói, Região Metropolitana do Rio.

Após depoimento de alguns filhos adotivos da pastora, para a polícia o crime foi premeditado oito meses antes do assassinato do pastor. Um dos filhos, Wagner de Andrade Pimenta, chamado de Misael, afirmou à polícia que a mãe foi a autora intelectual do crime. E que as brigas do casal ocorriam por motivos financeiros, pois a pastora achava que estava sendo enganada em relação a dinheiro.  Há também a denúncia que o pastor vinha sendo envenenado - com  remédios colocados na comida -  pela própria família. Chegou a ser internado e perdeu 20 quilos.

  - Em julho último, de acordo com depoimento à polícia, dado pela mãe do pastor, Maria Edna do Carmo, havia boatos na igreja há respeito de um relacionamento extraconjugal do pastor com sua enteada, Simone dos Santos Rodrigues - filha biológica de Flordelis, sua ex-namorada. E que Daniel dos Santos Souza, não é filho biológico da pastora com o seu filho, como chegou a ser noticiado. Na verdade, Daniel é filho adotivo do casal. Ressaltou que o pastor nunca teve nenhum filho biológico. E que, antes de se relacionar com o seu filho, Flordelis já tinha três filhos biológicos - Simone, Adriano e Flávio.

Também em depoimneto à polícia, a pastora disse que no dia do crime estava dormindo e acordou com o barulho dos tiros. Mas, como mora perto de uma favela, não achou estranho e voltou  a dormir. E que, alguns minutos depois. foi acordada por gritos dentro da sua casa.  Disse também que, na madrugada do dia 16 de junho último, seus filhos realizaram “inúmeras ligações”para o Corpo de Bombeiros, logo após seu marido ser baleado. Registros da corporação que o jornal O DIA teve acesso revelam que somente uma ligação foi feita. A pastora ganhou notoriedade por ter adotado vários filhos. São 55, sendo 51 adotivos.

Reportagem do jornal desta segunda-feira, com base no  relatório do Mistério Público do Rio (MP-RJ)  revela que o  pastor Anderson do Carmo descobriu que havia um plano elaborado por filhos para matá-lo e, por isso, chegou a ameaçar grampear celulares da família.

Segundo o documento do MP, o marido da deputada teria descoberto que Marzy, uma das filhas adotivas do casal, teria oferecido R$ 10 mil para Lucas, por sua morte. A quantia seria furtada da mochila usada pela própria vítima, que tinha por hábito guardar dinheiro em espécie. “Declarou ainda que Flordelis teve o conhecimento da proposta feita a Lucas. Anderson, ao saber de sua conversa com Lucas, disse que 'grampearia' todos os telefones da casa”, revela o relatório.

A reportagem do jorna afirma que, de acordo com o depoimento de uma das médicas plantonistas que prestou atendimento a Anderson no Hospital Niterói D'Or, no dia do assassinato, Floderlis disse que um carro, de cor prata, estava parado na porta da sua casa. A informação não é confirmada pelas imagens de câmeras de segurança da rua, que não registram veículo com essas características, conforme conclusão do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MP.

A médica também disse na delegacia, naquele dia, que Flordelis chegou à unidade de saúde, após Anderson já ter dado entrada na emergência. A parlamentar teria feito questão de contar que passou o dia em casa com o marido e os filhos, fez almoço e só saiu da residência à noite, por insistência do pastor, para comemorar o Dia dos Namorados. No entanto, o relato da pastora é diferente do depoimento dela na Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI).

Filho biológico de Flordelis, Flávio dos Santos Rodrigues e Lucas Cesar dos Santos - filho  adotivo - estão presos. Flávio confessou que atirou no pastor, e Lucas ajudou na compra  da arma.

A polícia prossegue com as investigações para saber quem mais da família participou do crime e também está à procura do celular do pastor.

O fato em tela deixa à mostra que os ensinamentos de Cristo não estão sendo colocados em prática na família da pastora, que deveria ter se desligado da igreja, até que a polícia encerre a investigação sobre o assassinato do seu marido.  
 

AUTOCRÍTICA

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 20 de Agosto de 2019

 

Quando o cidadão vota no Marcelo Crivella para a Prefeitura do Rio, e no Wilson Witzel para governador do Estado, o que ele espera receber em troca? Que notivação o leva a escolher  esses nomes? Vota com espírito de vingança? Vota com preconceito em relação a outros nomes, pensando só nas suas convicções pessoais, em detrimento de um espírito coletivo?

O prefeito governa como se todo carioca fosse membro da sua igreja. Tem feito uma administração confusa, que tem ocasionado muitos problemas para a cidade. E já protagonizou alguns momentos ridículos, quando tentou fazer piada com coisa séria.

Em relação ao governador, com seu perfil marketeiro, de repente ele surge como candidato ao governo do Estado, um nome completamente desconhecido da população e, com um discurso moralista e à moda Bolsonaro, surpreende e vence a eleição. E agora o povo da periferia  e das favelas está sofrendo com a sua política de segurança.

Diante da crise econômica, social e política que o Rio vem enfrentando - assim como todo o país - é precso que o carioca faça uma autocrítica.  Lamento informá-lo:  você que votou no Crivela e no Witzel é responsável por tudo o que está acontecendo no nosso Estado.

A despeito do gosto pessoal de cada um, a política não pode e não deve ser negligenciada. A eleição é um momento muito importante da vida da nação, do Estado. O nome escolhido para o  seu voto tem que ser analisado com antecedência. Não pode ser uma decisão dias antes da eleição, feita de qualquer maneira, sem conhecer de fato o perfil do candidato. Porque depois não adianta reclamar.

Vários nomes - tanto no nível federal quanto no estadual - surpreenderam nas últimas eleições. Candidatos sem ética, com discursos preconceituosos e excludentes venceram com muitos votos. Não vou citar nomes para não ferir susceptibilidades. Mas não possuem condições nem para síndico de prédio.

Eleitor: faça autocrítica. Na próxima eleição, vote com inteligência. Pense nos outros. Vote com espírito coletivo.   
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Witzel fica nervoso com críticas na área da segurança pública

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 18 de Agosto de 2019

 

 

Na última sexta-feira, o governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, aproveitou a solenidade de lançamento da Operação Segurança Presente, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, e criticou com veemência os opositores da sua política de segurança pública, culpando-os pela morte de inocentes. São pseudo defensores de direitos humanos que não  querem que a polícia mate quem está com um fuzil. E, se não mata, explicou o governador, quem morre são os inocentes. Ressaltou que os cadáveres dos jovens - quatro foram mortos na semana passada, pelo que se convencionou chamar bala perdida - “não estão no meu colo. Estão no colo de vocês, que não deixam os policiais fazerem o seu trabalho”.

Não é verdade, governador. É óbvio - de vez em quando convém enfatizar o óbvio -  que a população apoia o trabalho da polícia quando é realizado respeitando o cidadão e a lei. Dá mais trabalho? Evidente que sim! Mas é o que  deve ser feito para evitar morte de inocentes e ações violentas. A população deseja uma polícia que respeite o cidadão.

Há alguns dias, a polícia torturou um homem que sofre de esquizofrenia. Este tipo de polícia não tem, evidentemente, o apoio do povo. Até o momento, a política de segurança pública do  governo não inova em nada. Sem novidades. É mais uma autoridade - entre tantas outras - que tenta combater a violência com mais violência.

O  governador tem ficado muito nervoso com as críticas. Radical, não abre espaço para um diálogo amplo com moradores de favelas, periferias e profissionais que atuam no universo da violência urbana. E já disse que não  vai mudar sua política de segurança. O que significa dizer que  a violência tende a aumentar.

Espera-se, para o bem de todos, que o governador, que ainda não completou um ano à frente do governo, possa rever seus conceitos, suas certezas.

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Obrigado