Massacre de presos no Amazonas

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 29 de Maio de 2019

Após o massacre de presos ocorrido em Manaus no último domingo e na segunda feira, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim - Compaj - e em outros três presídios - com 55 mortos -  o governo estadual decidiu transferir alguns presos.

Por que não fez isso antes?

Em 2017. 56 presos foram mortos mortos no Compaj

Penso que não é exagero admitir que nada mudou na estrutura preisional no Amazonas. Lamentável!

Reinaldo: enquanto sangue corria no AM, Moro fazia política em Portugal

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 28 de Maio de 2019

 

  •    

Texto publicado no site Brasil 247

 

O jornalista Reinaldo Azevedo criticou a postura omissa de Sérgio Moro perante as chacinas nos presídios do Amazonas; “Alguns leitores, claro!, esperam que eu culpe Sérgio Moro pelo ocorrido. Culpar? Eu prefiro falar em responsabilidade. No domingo, com os 15 cadáveres já empilhados, o ministro da Justiça foi ao Twitter para falar sobre os protestos a favor de Bolsonaro. Escreveu: 'Festa da democracia”

- O jornalista Reinaldo Azevedo, em sua coluna no UOL, criticou a postura omissa do ministro da Justiça, Sérgio Moro; “Que coisa! Enquanto os valentes da chamada “nova política” brincam de caçar e cassar viés ideológico — só o dos adversários, claro! — e de atropelar a institucionalidade, aquela parte do país real que mata e que morre como quem diz “hoje é segunda-feira” vai esparramando sangue e emprestando cores sempre mais fortes à tragédia brasileira”. 

“Nesta segunda, 40 presos foram assassinados em três presídios de Manaus: o CDPM1 (Centro de Detenção Provisória Masculina 1), o Ipat (Instituto Penal Antônio Trindade) e UPP (Unidade Prisional do Puraquequara). Os cadáveres se juntam, menos de 24 horas depois, aos 15 produzidos no domingo, num provável confronto entre dois partidos do crime que atuam no Complexo Penitenciário Anísio Jobim: PCC e Família do Norte. Nesse mesmo local, em janeiro de 2017, 59 detentos foram assassinados numa rebelião que durou 17 horas”.

“O Ministério da Justiça anuncia o envio para o Amazonas de um destacamento da Força-tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) para atuar no Complexo Penitenciário Anísio Jobim”.

“Alguns leitores, claro!, esperam que eu culpe Sérgio Moro pelo ocorrido. Culpar? Eu prefiro falar em responsabilidade. No domingo, com os 15 cadáveres já empilhados, o ministro da Justiça foi ao Twitter para falar sobre os protestos a favor de Bolsonaro. Escreveu: “Festa da democracia. Povo manifestando-se em apoio ao Pr Bolsonaro, Nova Previdência e ao Pacote anticrime. Sem pautas autoritárias. Povo na rua é democracia. Com povo e Congresso, avançaremos. Gratidão”. Como já destaquei aqui, os bolsonaristas já haviam atacado o presidente da Câmara, o Congresso, o Supremo e a imprensa. E defendido, claro!, que Moro fique com o Coaf”.

“O ministro está de novo em Portugal — pela segunda vez em pouco mais um mês, como destaca o jornal português Diário de Notícias.”

“No domingo, dia em que 15 pessoas morreram, ele ainda fez outra coisa: retuitou uma mensagem do presidente Jair Bolsonaro em que este se referia às manifestações afirmando que a “grande maioria foi às ruas com pautas legítimas e democráticas, mas há quem ainda insista em distorcer os fatos.” Na imprensa, colhem-se títulos às pencas na linha “Moro manda força-tarefa para o Amazonas”, como se estivesse atuando com excepcional prontidão. Uma tragédia havia acontecido em sua área de atuação naquele domingo, e ele estava no Twitter, bem longe do Brasil, fazendo proselitismo político. Outra ainda maior se deu nesta segunda. Até a noite, madrugada de terça naquele país, nenhuma manifestação do ministro. O envio da força-tarefa é uma obrigação que lhe impõe o Departamento Penitenciário Nacional, não uma diligência do ministro zeloso”.

O Ministério da Justiça anuncia o envio para o Amazonas de um destacamento da Força-tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) para atuar no Complexo Penitenciário Anísio Jobim.

Alguns leitores, claro!, esperam que eu culpe Sérgio Moro pelo ocorrido. Culpar? Eu prefiro falar em responsabilidade. No domingo, com os 15 cadáveres já empilhados, o ministro da Justiça foi ao Twitter para falar sobre os protestos a favor de Bolsonaro. Escreveu: “Festa da democracia. Povo manifestando-se em apoio ao Pr Bolsonaro, Nova Previdência e ao Pacote anticrime. Sem pautas autoritárias. Povo na rua é democracia. Com povo e Congresso, avançaremos. Gratidão“. Como já destaquei aqui, os bolsonaristas já haviam atacado o presidente da Câmara, o Congresso, o Supremo e a imprensa. E defendido, claro!, que Moro fique com o Coaf.

 

 

 

 

 

 

 

   
   
   

 

 

 

..

 

 

 

SOB O IMPÉRIO DO GROSSEIRO E DO OBSCENO

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 25 de Maio de 2019

 

Publicado no site Amaivos

 

Por Leonardo Boff

 

Se há algo a lamentar profundamente hoje em dia nas redes sociais de nosso país é o império da grosseria e da obscenidade.

Essa metáfora já foi usada por outros: parece que as portas e as janelas do inferno se abriram de par em par. Daí saíram os demônios das ofensas pessoais, das injúrias, dos fake news, das mentiras, das calúnias e de toda sorte de palavras de baixíssimo calão. Nem precisaria Freud ter chamado a atenção ao fato de que há pessoas com fixação anal, usando palavras escatológicas e metáforas ligadas a perversões sexuais, pois as encontramos frequentemente nos twitters, nos facebooks, nos youtubes e em outros canais.

A grosseria demonstra a falta de educação, de civilidade, de cortesia e de polidez no trato para com as pessoas. A grosseria transforma a pessoa em vulgar. O linguajar vulgar usa expressões que ferem a sensibilidade dos outros ao seu redor. A vulgaridade contumaz deixa as pessoas inseguras, pois, nunca sabem quais gestos, palavrões ou metáforas de mau gosto podem sair de gente grosseira. O grosseiro casa o mau gosto com o desrespeito.

Especialmente, embora não exclusivamente, é o homem mais vulgar em sua linguagem. A mulher, não exclusivamente, pode ser vulgar no modo de se expor. Não se trata apenas no modo de se vestir, tornando-a explicitamente sensual e sedutora, mas no comportamento inadequado de se portar. Se a isso ainda se somam palavras obscenas e grosseiras faz-se mais vulgar e grotesca.

Especialmente grave é quando os portadores de poder como um presidente, um juiz da corte suprema, um ministro de Estado ou senador entre outros, esquecem o caráter simbólico de seu cargo e usam expressões vulgares e até obscenas. Espera-se que expressem privada e publicamente os valores que representam para todos. Quando falta esta coerência, a sociedade e os cidadãos se sentem traídos e até enganados. Aqueles que usam excessivamente expressões indignas de sua alta função são os menos indicadas para exercê-las.

Infelizmente é o que verificamos quase diariamente no linguajar daquele que ocupa o cargo mais alto da nação. Seu linguajar, não raro, é tosco, ofensivo, quando não escatológico e quase sempre burlesco.

Se é grave alguém ser grosseiro, mais grave ainda é o ser obsceno. Pois, este, o obsceno, rompe o limite natural daquilo que implica respeito e o sentido bom da vergonha. Já Aristóteles em sua Ética anotava que nos damos conta da falta de ética quando se perdeu o sentido da vergonha. Sem ela, tudo é possível, pois, não haverá nada que imponha algum limite. Até a Shoah, o extermínio em massa de judeus pelo nazismo, se tornou terrível realidade.

Nem tudo vale neste mundo. Houve Alguém que foi sentenciado à morte na cruz por testemunhar que nem tudo vale e que é digno entregar a própria vida por aquilo que deve ser incondicionalmente intocável e respeitável: a reverência ao Sagrado e a sacralidade do pobre e do que injustamente sofre.

Houve no Ocidente uma figura que se transformou em arquétipo da cortesia e da finura de espírito, daquilo que Pascal chamava de “esprit de finesse” contraposto ao “esprit de géométrie”; aquele, cheio de cuidado e de delicadeza e este outro, marcado pela frieza do cálculo e pela vontade de poder.

Um franciscano francês, Eloi Leclerc, sobrevivente do campo nazista de extermínio de Dachau e Birkenau, traduziu assim a cortesia de Francisco de Assis: “ter um coração leve” sem nenhum espírito de violência e de vingança, o reverso o de ter um coração pesado como o nosso, cheio de grosserias e de obscenidades. Aí ele faz o Poverello de Assis dizer:

“Ter um coração leve é escutar o pássaro cantando no jardim. Não o perturbes. Faze-te o mais silencioso possível. Escuta-o. Seu canto é o canto de seu Criador.”

“Rosas desabrocham no jardim. Deixa que possam florir. Não estendas a mão para colhê-las. Elas são o sorriso do Criador”.

“E se encontrares um miserável, alguém que está sofrendo desesperado, cala-te, escuta-o. Enche teus olhos com a presença dele, com a vida dele até que ele possa descobrir em teu olhar que tu és seu irmão. Então tu o fizeste existir.Tu foste Deus para teu irmão” (O Sol nasce em Assis, Vozes 2000 p.127).

Releva dizer: somos seres duplos, grosseiros e obscenos, mas também podemos e devemos ser gentis e corteses. Destes precisamos muitos, nos dias atuais, em nosso país. Para isso importa educar o coração (sim, dar valor à educação) para que seja leve e totalmente distante de toda a grosseria e de toda a obscenidade, tão vigentes entre nós.

Desrespeito aos Direitos Humanos

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 23 de Maio de 2019

Para não cair no esquecimento: a opinião pública quer saber - Quem mandou matar Marielle Franco? Espera-se que não demore mais um ano para a polícia revelar a identidade do mandante.

Outro caso cujo responsáveis ainda não foram punidos ocorreu no Morro do Fallet-Fogueteiro, área central  da cidade, em fevereiro último, durante um operção do Bope e do Batalhão de Choque. quando 13 homens foram mortos, 10deles executados, de acordo com testemunhas, dentro de uma casa, cuja moradora não tem e nem nunca teve nada a ver com o tráfico de drogas local.A polícia alega que houve confronto.

A casa ficou com diversas marcas de tiros não só nas paredes como nos móvies. Quem vai pagar o prejuízo? O Estado?

Desrespeito total aos mais elementares princípios dos Direitos Humanos. 

Semana trágica

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 18 de Maio de 2019

 

O Rio parece fadado aos infortúnios de toda ordem. Impressionante!

A violência urbana carioca tem sido implacável. Não dá tréguas. As balas perdidas continuam matando inocentes. Difícil passar uma semana sem que ocorra alguma morte desse tipo. No último dia 11, Kauã Vitor Rozário, 11 anos, foi atingido por bala perdida quando aindava de bicicleta na Vila Alainça, Bangu, Zona Oeste do Rio. Kauã teve morte cerebral.

Na madrugada do mesmo dia, no Complexo do Alemão - conjunto  de favelas na Zona da Leopoldina, Zona Norte - o jogador de futebol Wagner Alves da Silva Júnior, 23 anos, também foi atingido por uma bala durante uma operação da PM no local. Wagner corre o risco de ficar com as pernas paralisadas.

No último dia 14, o professor de jiu-jitsu Jean Rodrigues Aldrovane, 39 anos, foi morto após ser atingido com um tiro na cabeça, fato também ocorrido no Complexo do Alemão durante um tiroteio entre policiais e bandidos. Jean, conhecido e respeitado na comunidade, dava aula para as crianças com o objetivo de afastá-las da vida do crime, das drogas.

A mãe do lutador, Sandra Mara Aldrovane, 61 anos, fez duras críticas à política de segurança do governador Wilson Witzel. “ A gente quer  saber quem atirou. Quem mandou, a gente  já sabe: foi o governador”.

Witzel lamentou o caso e garantiu que a investigação será conduzida com todo o rigor. Será?

Que semana, hein? Que Deus nos proteja!

Duelo nas ruas

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 12 de Maio de 2019


Lucas 6.49 - Entretanto, aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica, é como um homem que construiu sua casa sobre a terra, sem alicerces. No momento em que as muitas águas chocaram-se contra ela, a casa caiu, e a sua destruição foi total.

As imagens e fotos da bancada da bala comemorando as novas regras para o uso de armas de fogo, junto ao presidente Bolsonaro, todos fazendo o gesto de uma arma com o dedo indicador e o polegar, revelam a ausência de valores éticos e humanitários do atual governo.

Um indicador, entre muitos, do total desinteresse pelo interesse público. Num país como o nosso, com gravíssimos problemas sociais, com 13 milhões de desempregados e altos índices de violência nas principais capitais, com destaque para São Paulo, onde surgiu e cresceu a facção criminosa PCC - Primeiro Comando da Capital - e o Rio de Janeiro, com as quadrilhas de traficantes e milicianos, o empenho do governo em armar cidadãos comuns que, além do porte poderão usar a arma na rua, é uma irresponsabilidade. Um retrocesso.

O  decreto do presidente desfigura a Lei do Estatuto do Desarmamento, de dezembro de 2003, e não trará nenhum benefício no comabte à violência urbana. O decreto só favorece, naturalmente, os fabricantes de armas e proprietários de stands de tiro. E a bandidagem terá mais facilidade em obter armamento, e a polícia maior dificuldade nas investigações de crkmes cometidos com armas de fogo.

Caso o decreto - batizado de decreto  da morte -  vire uma realidade, já que a sua constitucionalidade está sendo questionada, tudo leva a crer que teremos cenas nas ruas à moda dos filmes de faroeste. Quem sacar primeiro……Que não se perca pelo nome os membros da bancada da bala, além de outros parlamentares que apoiam o decreto.

E, a propósito: o combate à corrupção, bandeira que embalou a campanha do então candidato Bolsonaro - que ganhou sem participar dos debates - ficou pelo caminho?

O presidente, que costuma citar versículos bíblicos, quer combater a violência usando de mais violência.