Fiscalização tardia

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2019

 

O Sambódromo do Rio corre o risco de ser interditado. A informação é da rádio BandNews. Um inquérito foi instaurado pelo Ministério Público para analisar a infraestrutura da Marquês de Sapucaí.

Por que só agora, em cima da hora do início do carnaval? Depois da tragédia no Ninho do Urubu a fiscalização resolveu aparecer em todos os lugares, cobrando uma série de procedimentos que, diga-se de passagem, nunca estiveram plenamente corretos. Estão jogando para a arquibancada.

O Sambódromo - diz a reportagem da rádio -  não tem certificado de aprovação do Corpo de Bombeiros. E os eventos no local só podem ser realizados com essa autorização. A despeito da trágédia ocorrida no ano passado no local, ainda há irregularidades.

De acordo com informações do Ministério Público a estrutura apresenta risco à vida e à integridade física de espectadores e integrantes das escolas de samba. Há arquibancadas com vãos na estrutura, buracos e vergalhões expostos. Por isso, a interdição seria necessária.

Tudo isso é lamentável. Para dizer o mínimo.

Quem vai pagar a conta?

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019

No histórico da polícia carioca, operações nas favelas com o uso de helicópteros sempre foram e continuam sendo problemáticas. Não raro, voos rasantes são dados, assim como tiros desnecessários, desrespeitando os moradore e os protocolos que regem este tipo de operação.

No último dia 21, na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio  foi realizada uma operação policial e 12 suspeitos foram presos.

Dois helicópteros da polícia civil sobrevoaram a favela e, de acordo com alguns moradores, tiros foram disparados da aeronave em direção ao local. A geladeira de uma moradora foi atingida por vários tiros, o mesmo ocorrendo com sua casa. Quem vai pagar  a conta? E se porventura o tiro tivesse atingido uma criança que estivesse dentro da casa?

Entre outras coisas, o objetivo  da polícia é proteger o cidadão. E não prejudicá-lo. E isso, claro, independente da sua condição social..

Pós-Modernidade e Comunicação

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2019

 

Leitor: leia o texto. Todo ele. E reflita sem preconceitos

FREI BETO

Publicado no site Amaivos

Pós-modernidade é sinônimo de explosão comunicativa. Estamos cercados da parafernália eletrônica destrinchada pelas análises de Adorno, Hockeimer, MacLuhan, Walter Benjamin e outros. Ela reduz o mundo a uma aldeia que se intercomunica em tempo real. Porém, enquadrada em uma paisagem cultural hegemônica, que Boaventura de Sousa Santos qualifica de monocultura. A espetacularização da notícia procura naturalizar a imagem midiática, como se o mundo fosse o que vemos na TV ou na Internet.

Tudo isso molda-nos a identidade. Não há como configurá-la de outro modo. Somos vulneráveis à multimídia. E nunca a comunicação foi tão ágil, rápida e fácil, embora cara. Sem sair da cama, podemos saber o que ocorre na Ásia, falar ao telefone com um nepalês, entrar em um site de bate-papo e nos enturmar com um bando de jovens do Brooklin. À audição (rádio) somam-se a visão (foto, cine, TV) e a fala (telefone e Internet). Faltam apenas o cheiro e o contato epidérmico, o toque.

Diante de todo esse cipoal comunicativo levanta-se uma questão: e a intercomunicação pessoal, tão valorizada por Habermas? Quantos pais “acessam” os filhos? Como é a conversa olho no olho? Comunicação que se faz comunhão, interação, e que transmite, não apenas emoção de imagens e sons, mas algo mais profundo – afeto.

Reféns da tecnologia, sem aparatos eletrônicos temos dificuldade de dialogar com o próximo. Nossos avós punham a cadeira na varanda, e até mesmo na calçada, e ficavam horas jogando conversa fora. Hoje, a ansiedade dificulta o diálogo interpessoal. Preferimos a comunicação virtual, mental, mas não a corporal. O corpo se transforma em território do silêncio das palavras, embora se cubra de adornos que “falam”, como a roupa, a esbelteza malhada, os gestos…

Nessa “fala” o corpo simula (faz de conta ser o que não é) e dissimula (esconde o que de fato é). Por isso, a comunicação interpessoal é arriscada, pois tende a desmascarar, trair, revelar contradições. O corpo sou eu e eu não sou tão bom quanto a imagem que projeto de mim mesmo. Como cavaleiro medieval, visto uma armadura que encobre a minha verdadeira identidade, a armadura pós-moderna da parafernália eletrônica. Ela me salva. Permite-me ser conhecido por uma imagem mediatizada pela multimídia ou, no contato pessoal, pelos adornos que me imprimem cheiro de grife.

Nu, sou um fracasso, uma decepção frente à minha baixa autoestima. Ainda mais se acrescento à nudez o que me desnuda por dentro, a fala. Não é por outra razão que os ícones projetados pela mídia – modelos, artistas, atletas, ricos - não falam. São fotografados e expostos excessivamente, mas nada se sabe do que pensam, em que acreditam, que valores abraçam ou que visão de mundo têm. São seres belos, porém silenciados. Se abrirem a boca, o balão desinfla, o encanto desaparece, a carruagem vira abóbora.

Não é fácil o verbo se fazer carne. Graças à multimídia, o verbo se faz caro e raro. É virtualizado para ser esvaziado de significado. Assim, não nos sentimos desafiados. Na imagem, a catástrofe é épica; na minha esquina, trágica. E ao contemplar o épico me iludo de que vivo em uma ilha imune à dor e ao sofrimento. E suporto a reclusão do silêncio temendo que a minha palavra se faça carne, ou seja, revele quem realmente sou - este ser frágil, carente, que ainda não descobriu a diferença entre prazer, alegria e felicidade.

Por isso, costumam ser complicadas as relações familiares e de grupos que compartilham o mesmo espaço virtual, como toda relação confinada em um mesmo espaço. Não se desfila dentro de casa. No cotidiano, a imagem é atropelada pelas emoções. É o que Buñuel desvela no filme “O discreto charme da burguesia”. No espaço doméstico emerge o nosso lado avesso – aquela pessoa que realmente somos, sem maquiagens de bens, funções e adornos.

Para conviver fora de casa, vestimos a armadura. Vamos para a guerra, para o reino da competição e do sucesso a qualquer preço. Não podemos, portanto, mostrar a cara. Protegem-nos a parafernália eletrônica e o diálogo virtual. Somos o que não aparentamos e aparentamos o que não somos. Eis a pós-verdade, o paradoxo que a pós-modernidade nos impõe.

Pós-Modernidade e Comunicação

Postado por Paulo Cezar Soares |

Lieia o texto. Todo ele. Pare e reflita sem preconceitos. Afinal, será que é esta a sociedade que queremos?t

FREI BETO

Artigo publicado no site Amaivos

Pós-modernidade é sinônimo de explosão comunicativa. Estamos cercados da parafernália eletrônica destrinchada pelas análises de Adorno, Hockeimer, MacLuhan, Walter Benjamin e outros. Ela reduz o mundo a uma aldeia que se intercomunica em tempo real. Porém, enquadrada em uma paisagem cultural hegemônica, que Boaventura de Sousa Santos qualifica de monocultura. A espetacularização da notícia procura naturalizar a imagem midiática, como se o mundo fosse o que vemos na TV ou na Internet.

Tudo isso molda-nos a identidade. Não há como configurá-la de outro modo. Somos vulneráveis à multimídia. E nunca a comunicação foi tão ágil, rápida e fácil, embora cara. Sem sair da cama, podemos saber o que ocorre na Ásia, falar ao telefone com um nepalês, entrar em um site de bate-papo e nos enturmar com um bando de jovens do Brooklin. À audição (rádio) somam-se a visão (foto, cine, TV) e a fala (telefone e Internet). Faltam apenas o cheiro e o contato epidérmico, o toque.

Diante de todo esse cipoal comunicativo levanta-se uma questão: e a intercomunicação pessoal, tão valorizada por Habermas? Quantos pais “acessam” os filhos? Como é a conversa olho no olho? Comunicação que se faz comunhão, interação, e que transmite, não apenas emoção de imagens e sons, mas algo mais profundo – afeto.

Reféns da tecnologia, sem aparatos eletrônicos temos dificuldade de dialogar com o próximo. Nossos avós punham a cadeira na varanda, e até mesmo na calçada, e ficavam horas jogando conversa fora. Hoje, a ansiedade dificulta o diálogo interpessoal. Preferimos a comunicação virtual, mental, mas não a corporal. O corpo se transforma em território do silêncio das palavras, embora se cubra de adornos que “falam”, como a roupa, a esbelteza malhada, os gestos…

Nessa “fala” o corpo simula (faz de conta ser o que não é) e dissimula (esconde o que de fato é). Por isso, a comunicação interpessoal é arriscada, pois tende a desmascarar, trair, revelar contradições. O corpo sou eu e eu não sou tão bom quanto a imagem que projeto de mim mesmo. Como cavaleiro medieval, visto uma armadura que encobre a minha verdadeira identidade, a armadura pós-moderna da parafernália eletrônica. Ela me salva. Permite-me ser conhecido por uma imagem mediatizada pela multimídia ou, no contato pessoal, pelos adornos que me imprimem cheiro de grife.

Nu, sou um fracasso, uma decepção frente à minha baixa autoestima. Ainda mais se acrescento à nudez o que me desnuda por dentro, a fala. Não é por outra razão que os ícones projetados pela mídia – modelos, artistas, atletas, ricos - não falam. São fotografados e expostos excessivamente, mas nada se sabe do que pensam, em que acreditam, que valores abraçam ou que visão de mundo têm. São seres belos, porém silenciados. Se abrirem a boca, o balão desinfla, o encanto desaparece, a carruagem vira abóbora.

Não é fácil o verbo se fazer carne. Graças à multimídia, o verbo se faz caro e raro. É virtualizado para ser esvaziado de significado. Assim, não nos sentimos desafiados. Na imagem, a catástrofe é épica; na minha esquina, trágica. E ao contemplar o épico me iludo de que vivo em uma ilha imune à dor e ao sofrimento. E suporto a reclusão do silêncio temendo que a minha palavra se faça carne, ou seja, revele quem realmente sou - este ser frágil, carente, que ainda não descobriu a diferença entre prazer, alegria e felicidade.

Por isso, costumam ser complicadas as relações familiares e de grupos que compartilham o mesmo espaço virtual, como toda relação confinada em um mesmo espaço. Não se desfila dentro de casa. No cotidiano, a imagem é atropelada pelas emoções. É o que Buñuel desvela no filme “O discreto charme da burguesia”. No espaço doméstico emerge o nosso lado avesso – aquela pessoa que realmente somos, sem maquiagens de bens, funções e adornos.

Para conviver fora de casa, vestimos a armadura. Vamos para a guerra, para o reino da competição e do sucesso a qualquer preço. Não podemos, portanto, mostrar a cara. Protegem-nos a parafernália eletrônica e o diálogo virtual. Somos o que não aparentamos e aparentamos o que não somos. Eis a pós-verdade, o paradoxo que a pós-modernidade nos impõe.

 

 

JORNAL NÃO CITA O NOME DO PCC. POR QUÊ?

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019

 

A facção criminosa paulista tem nome. Chama-se PCC -Primeiro Comando da Capital

A edição do jornal O Globo da última quinta-feira publicou uma extensa matéria a respeito  da transferência de presos do PCC para presídios federais que não foram citados.
De acordo com o site da revista Carta Capital, o fato que acabou capitalizado pelo governo como a primeira ofensiva de Sérgio Moro contra as facções criminosas foi organizado pelo Ministério Público de São Paulo e da polícia do Estado. Em outubro último, o serviço de inteligência paulista interceptou um plano cinematográfico para resgatar  o chefeMarcola e outros líderes da facção. O plano - relata o site  da revista -  previa investimento milionário em milícias que, com o auxílio de explosivos, armamento pesado e aviões – invadiriam o presídio de Presidente Venceslau e libertariam o chefe máximo do Primeiro Comando da Capital.

Na matéria do jornal, o primeiro parágrafo informa que foram transferidos “o principal chefe e outros 21 integrantes de uma organização criminosa paulista”.  O nome do chefe só foi citado no final do segundo parágrafo.  Por que a matéria não citou o nome da facção? Não  vale o argumento que citar o nome da facção é uma forma de promovê-la ou coisa que o valha. Ela é conhecida nacional e internacionalmente.

Aliás, seu crescimento e sua organização à moda de uma empresa só foi possível porque à época que surgiu - 1993 - o governo tucano ignorou com veemência sua existência. E durante anos o PCC foi visto como algo sem importância.

Portanto, o nome da facção criminosa que o jornal   não cita, só existe pela omissão, negligência e incompetência do  governo tucano, que há décadas administra São Paulo.
 

E se fosse o Lula?

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2019

A lógica  de certas decisões judiciais,  a despeito de corretas do ponto  de vista técnico, confundem  e revoltam a opinião pública.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux suspendeu as duas ações penais que tramitavam na Corte contra o presidente Jair Bolsonaro: uma por apologia ao crime, e a outra por injúria. Em 2014, à época deputado federal, Bolsonaro afirmou na Câmara que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) não merecia ser estuprada porque ele a considera “muito feia” e porque ela “não faz” seu “tipo”.

E se fosse o Lula? Será que o ministro agiria da mesma forma?

O que você acha, leitor?