A perseguição continua

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2019

Preconceito, subserviência ao statu quo e excesso de autoridade. Foi iso que prevaleceu na decisão das autoridades judiciárias que proibiram o ex-presidente Lula ir ao enterro do seu irmão Vavá, em São Bernardo do Campo. Um direito fundamental do preso, como reza o artigo 120 da Lei de Execução Penal. A justificativa que o deslocamento do ex-presidente poderia causar tumulto ou até mesmo sua fuga, não merece comentários.

O fato, entre outras coisas, depõe contra os Direitos Humanos. Prova que hoje não vivemos num Estado Democrático de Direito em toda a sua plenitude. E deixa à mostra, mais uma vez, que Lula é sim, e sempre foi, perseguido pelas elites. 

Nada é mais importante do que o ser humano

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 29 de Janeiro de 2019

No último domingo, a coluna de Cássio Bruno- no jornal O DIA - publicou uma declaração do responsável pela transição na área da segurança pública entre os  governos de Pezão e Wilson Witzel. De acordo com Roberto Mota - engenheiro e mestre em gestão -  “impressiona a quantidade de territóros ocupados por criminosos, onde a Constituição brasileira não tem valor algum”. E, de acordo com um relatório confidencial - autoria de Roberto Mota -, entregue ao governador Witzel, detalhes sobre a falta de infraestrutura das polícias Civil e Militar. “ Viaturas em estado precário, falta de coletes à prova de balas, e a situação catastrófica dos institutos de perícia técnica”.

Na opinião de Roberto Mota, o desafio do governador será “melhorar as condições de trabalho dos policiais e ampliar o sistema prisional”.

Tudo o que está descrito acima já foi assunto aqui neste blog em mais de uma ocasião. Também ressaltei que, mais importante do que qualquer tecnologia, como por exemplo, câmeras nas viaturas, para melhorar o desempenho da polícia é fundamental investir no policial, no ser humano, melhorando suas condições de trabalho e ampliando direitos sociais. Valorizar o profissional e sua autoestima. Afinal, nada é mais importante do que o  ser humano. E, claro, combater sem tréguas a corrupção - com profissionalismo, objetividade, sem conotações políticas.

Não votei no governador. Mas torço pelo seu bom desempenho administrativo

Que Deus o ilumine!

 

Tarefa para samurai

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2019

 

No último dia 14, durante a troca de comando do Batahão de Operações Policiais Especiais - Bope - o governador Wilson Witzel mostrou que possui uma condição física digna de nota, ao fazer flexões junto aos policiais. O fato  foi manchete de primeira página do jornal O Globo. Seu bom preparo físico certamente vai ajudá-lo a enfrentar os graves problemas do Estado, principalmente na área da segurança pública.

Neste final  de semana nove pessoas foram assassinadas e três ficaram feridas. O fato ocorreu em Itaboraí e São Gonçalo. O que deixa à mostra , mais uma vez, o alto índice de violência que atinge todo o Estado Nove pessoas assassinadas num final de semana é um índice alarmante. E, de acordo com a Polícia Civil, entre os nove assassinados, somente um tinha antecedentes criminais.

Numa recente entrevista, o comandante da PM, Rogério Figueiredo de Lucena disse que “já passou da hora da PM  se modernizar”. Referia-se basicamente, a tecnologias como por exemplo, câmeras nas viaturas e tablets. para que os PMs registrem determinadas ocorrências no próprio local e envie os dados para a delegacia.

A tecnologia ajuda, sem dúvida. Mas não deve servir como panaceia para todos os problemas. É de fundamental importância o constante treinamento de caráter operacional - como tiro e abordagens - e melhorar a infraestrutura de trabalho dos policiais, que também “já passou da hora”.

O maior problema atual são as mílicias, que cresceram assustadoramente em função da inoperância do Estado nas favelas e periferias, que vivem praticamente entregues à própria sorte. O que já era ruim com a presença dos traficantes, piorou com o surgimento das milícias que, no início, manda a verdade que se diga, muita gente importante - políticos e autoridades -  defenderam como uma solução para combater o tráfico. A milícia - cujas ações são mais articuladas, profissionais e objetivas do que determinados grupos de extermínio -  aos poucos foi estendendo seus tentáculos para diversas atividades, como compra  de terrenos e imóveis. Um enredo cujo final todo carioca conhece.

Já há alguns dias, os jornais cariocas estão dando destaque ao histórico das milícias, a partir da Operação Os Intocáveis, deflagrada pelo Ministério Público Estadual e Polícia Civil, cujo objetivo foi desarticular a milícia de Rio das Pedras - Zona Oeste do Rio - uma  das maiores e violentas da cidade. Alguns dos seus integrantes podem ter participado do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março do ano passado.

   Um Estado com a importância do Rio  de Janeiro não pode continuar convivendo com a bandidagem dominando pontos do estado e fazendo arrastões em vias importantes da cidade e, como se isso fosse pouco, ainda temos as milícias, que ao longo dos anos acabou se transformando num poder difcídil  de ser dominado..

Mas, como o Rio agora terá o Dia Estadual do Samurai, talvez uma ajuda dos samurais para combatê-las seja bem- vinda. 

Momento tenebroso

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2019

 

“O ódio é como a guerra; uma vez começada, é tarde demais”. ( Elie Wiesel)

O decreto a respeito das armas assinado, na última terça-feira, pelo presidente Jair Bolsonaro desfigura o Estatuto do Desarmamento - lei 10.826, dezembro de 2003.  A questão, uma promessa de campanha, deveria ter sido analisada e votada pelo Congresso Nacional.

Os argumentos daqueles que são  a favor do decreto e, portanto, acham perfeitamente natural que todo cidadão possa ter uma arma para a sua defesa, não possuem base sólida, ética e profissional. São de um simplismo avassalador.
O presidente, manda a verdade que se diga, cumpriu à risca a promessa de campanha, cujo interesse comercial é evidente. A indústria de armas agradece.

Triste Brasil! Instituições sem credibilidade, desesperança, desalento. E índices de desemprego e violência alarmantes.

Momento tenebroso

Os estoques de Rivotril não vão dar conta.

Deus nos proteja!

“Todo cuidado é pouco”

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 14 de Janeiro de 2019

No último sábado, peguei um ônibus em Copacabana, em  direção ao centro da cidade. No Aterro do Flamengo, havia uma blitz da Polícia Militar, com uma viatura estacionada em diagonal na pista, e apenas três PMs. Não sei qual foi o objetivo da blitz. Mas isso é o que menos importa.

Fiquei surpreso ao constar que os policiais estavam realizando a blitz sem os mínimos procedimentos de segurança, sem sinalização com clones na pista, entre outras coisas. Em qualquer situação e lugar, isso é fundamental, principalmente no Rio de Janeiro, com seus altos índices de violência urbana e assassinatos de policiais pela bandidagem, praticamente toda a semana.

Ressalte-se que, não raro, vemos PMs distraídos usando o celular, como se tivessem tomando um chope à beira mar.

O fato em tela - que é grave, e a opinião pública repara - também faz parte dos treinamentos operacionais. É preciso rever e cobrar  determinados procedimentos. Para o bem de todos. Em serviço não dá para  relaxar. E, como diz o dito popular -  “Todo cuidado é pouco”. 

CLIMA DE APREENSÃO

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 7 de Janeiro de 2019

 

Durante um determinado período eleitoral no Rio de Janeiro, num debate televisivo, um repórter perguntou ao candidato Leonel Brizola (1922-2004) - político de estirpe, que deixou saudaddes - a respeito dos seus projetos. O repórter queria os projetos apresentados por escrito, ponto por ponto. Brizola apontou o dedo indicador em direção à cabeça e disse: “Estão aqui”. Estilo prático, objetivo, sem formalidades, sem firulas que, ao fim e ao cabo, nada resolvem.

Lembrei desse fato, quando li nos jornais o Plano de Diretrizes e Iniciativas Prioritárias do governador Wilson Witzel. Uma extensa lista com 203 metas. E com prazo para serem cumpridas - seis meses. Trabalho de tecnocrata experiente. Mas na prática é pouco funcional. Melhor: não funciona.

Para “aumentar em 20% o número de indiciamentos e elucidação de crimes no estado, em comparação ao mês anterior e ao mesmo período do ano anterior”, como reza o projeto, é preciso, entre outras coisas, melhorar  a infraestrutura operacional  da polícia e as condições  de trabalho dos policiais, que são ruins. E, além disso, como é do conhecimento da torcida do Flamengo, algumas investigações a respeito de certos crimes, são mais demoradas, exigem mais tempo. Não dá para fazer correndo, à moda boi.

Até o momento, o governador não apresentou nada de novo na questão da segurança pública. É verdade que já falou muita coisa em relação ao tema em tela, como por exemplo, enquadrar os chefes do tráfico como terroristas; atirar em traficantes armados de fuzis; criar uma prisão como Guantánamo. São questões que certamente agradam seus eleitores e bolsonaristas em geral. Como retórica de campanha funcionam, principalmente diante do clima de instabilidade política, econômica e social que vive o nosso país. Mas na prática, não. Servem apenas para criar um clima de apreensão. Portanto, governador, com todo o respeito, mude suas estratégias.

O time entrou em campo, e  a torcida  espera que ele tenha um bom desempenho. Para isso, é preciso que os jogadores sejam profissionais e não apelem para faltas violentas..