Não desanime: 2020 será um ano de boas notícias

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2019

 

Encontro casualmente um amigo de anos de convivivência que as circunstâncias da vida nos afastou. Quando jovem, exímio jogador de futebol, não seguiu carreira porque não quis. Optou por outros caminhos profissionais.

Durante nossa conversa, à beira da lagos de Maricá - município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro -  extravasou toda a sua revolta com o governo  federal, e com a apatia -  na verdade, ele falou covardia - do povo anestesiado, sem reação.

Na sua opinião, o Brasil jamais vai mudar: será sempre um país com uma desigualdade social avassaladora, vítima de um capitalismo desumano, e de uma elite hipócrita, racista e preconceituosa. E só existe uma maneira de mudar. Sabe como? - perguntou. Não tenho a menor ideia - respondi.

Com uma  revolução popular armada. Partir para o tudo ou nada. Resgatar tudo aquilo que  foi retirado do povo via políticas maldosas excludentes para beneficiar o mercado financeiro. Fuzilar todos os que votaram ou contribuiram de alguma forma contra os interesses populares. Não há outro caminho. Afinal, até quando o povo vai  continuar tomando na cabeça, perdendo seus direitos?

Aproveitei uma breve pausa no seu inflamado discurso. Frisei que eu nunca o tinha visto tão  revoltado. E que acredito em um outro caminho para combater todas as arbitrariedades que  estão sendo cometidas. E que, a despeito de todas as dificuldades, a luta tem que ser travada respeitando os direitos democráticos e éticos, visando uma política de inclusão social.

Ressaltei que, se suas ideias fossem colocadas em prática e, porventura, tivessem êxito, seria como trocar um erro pelo outro, ou seja: você estaria, meu amigo, usando as armas do adversário, usando de violência para o obtenção dos objetivos. E fui enfático: não podemos copiar os erros do inimigo.

Meu amigo, educado, como sempre foi, ficou calado e não me interrompeu.

Muitos talvez não acreditem, mas o nosso imenso e belo país possui condições sim, de superar o obscurantismo atual. Com coragem, destemor, numa luta sem tréguas para virar o jogo. Mas sem ódios, sem rancores, sem preconceitos, sem instrumentalizar a religião, manipulando a fé alheia para enriquecimento pessoal  e fins políticos às vezes inconfessáveis.
Não sei se minha opinião serviu para alguma coisa. Espero sinceramente que o seu desabafo tenha sido uma revolta passageira sem maiores consequências.

Leitor: a beleza da vida que Deus nos concedeu não pode e não deve jamais ser esquecida, mesmo diante da maldade de alguns, pessoas que vivem num eterno conflito com tudo e com todos. Portanto, não podemos usar as mesmas armas, as mesmas estratégias deles.
Não desanime: 2020 será um ano de boas notícias. Para o Brasil e para o mundo. Todo  ser humano tem o direito de viver com dignidade. Pela fé, eu creio.

Creia nisso!    

Feliz Natal!

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 24 de Dezembro de 2019

 

Nasceu sobre as palhas
O nosso menino
Mas a mãe já sabia
Que ele era divino ( Manuel Bandeira )

 

Mire-se no aniversariante

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 21 de Dezembro de 2019

 

Nada - absolutamente nada - que é gestdo sob um clima de vingança ou ódio tende a ser bem sucedido. Na visão daqueles que agem dessa forma, onde tudo vale a pena para atingir seus objetivos, a vitória, pode sim, ocorrer. Mas será uma vitória com muitas vítimas pelo caminho, uma vitória sem uma alegria espontânea, daquelas que deixam  a alma leve, fruto de um trabalho pautado no  respeito e na ética. Vitórias incontestáveis ficam para sempre marcadas na história. Servem de exemplo positivo para outras gerações

.Nesta hora de retrocesso político, econômico e social que o país está passando, atitutes intempestivas ou violentas como forma de combate, de luta, não são a solução. Usar a arma do adversário não é um caminho recomendável. O momento - mais do que nunca - exige ações sempre pautadas na razão e não na emoção.

Nesta data singular da história da humanidade, vamos colocar em prática os ensinamentos que o aniversariante nos  deixou, entre eles, a benevolência, a continência e a largueza.

FELIZ NATAL!

 

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Chefe da PM comemorou benesses dias após massacres em Paraisópolis

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 15 de Dezembro de 2019

 

Vídeo do coronel Salles sobre lei aprovada em Brasília ilustra Estado grande para uns e mínimo para outros

 Por André Barrocal

Texto publicado originalmente em Carta Capital
 
O presidente Jair Bolsonaro sancionará em breve a lei que havia proposto em março de aumento do salário dos militares e do tempo de trabalho deles antes da aposentadoria. A lei foi aprovada de vez em 4 de dezembro, com sua votação pelos senadores. Por obra do Congresso, valerá também para PMs e bombeiros, o que não constava da proposta original do governo.

O chefe da PM paulista, o coronel Marcelo Vieira Salles, foi ao Senado no dia da votação e mandou um vídeo à tropa. Estava feliz, em particular com duas benesses. “A paridade e a integralidade, ou seja, o que recebermos na ativa, receberemos na reserva”, disse. Um PM descansará com o salário que recebia e terá reajuste junto com o da ativa.

Eis aí um exemplo ilustrativo dos tempos de Bolsonaro no poder: Estado grande para uns, mínimo, para outros.

Quatro dias antes da votação da lei no Senado, a PM de Salles matou nove jovens em um baile funk numa favela da cidade de São Paulo, Paraisópolis. João Dória Jr. (PSDB), governador do estado, que herdou Salles do antecessor, Márcio França, e o manteve, decidiu afastar 38 PMs envolvidos no massacre, após receber familiares das vítimas, em 9 de dezembro.

No dia da decisão, o ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva, participou de um tradicional almoço de fim de ano da cúpula militar em Brasília e descreveu a lei comemorada por Salles como “a mais importante realização do ano de 2019”.

Bolsonaro estava no almoço e comentou: “A grande âncora do meu governo são as Forças Armadas”. Aos quartéis, o presidente tem feito um governo de “Estado máximo”, com aumento de salário e proteção social generosa, embora os militares agora tenham  de trabalhar 35 e não mais 30 anos antes de se aposentarem.

Aos PMs da Força Nacional de Segurança, Bolsonaro quer proteção também “máxima” em caso de assassinatos em serviço, ao menos quando o serviço for em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), como em protestos de rua. Foi por isso que mandou no fim de novembro, ao Congresso, uma lei de “excludente de ilicitude”, pela qual o matador não poderá ser preso em flagrante, nem processado por crime doloso (só culposo, ou seja, sem intenção de matar), e ainda terá advogados públicos como defensores.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, havia proposto essa licença para matar sem restringi-la a operações de GLO, ou seja, para o trabalho rotineiro da polícia e dos militares, quando mandara ao Congresso um pacote anti-crime, no início do ano. O pacote foi aprovado dias atrás na Câmara sem o excludente.

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Casa, comentou que se o dispositivo estivesse em vigor, os PMs matadores de Paraisópolis estariam protegidos. Uma comparação de que Moro não gostou. Para o ministro, no massacre “aparentemente houve um excesso, um erro operacional grave”.

Para o grupo social vítima do massacre (jovens, negros, pobres em geral), o governo Bolsonaro tem, ao contrário, proposto Estado mínimo. Aprovou uma reforma da Previdência que exigirá mais tempo de serviço e pagará benefícios menores, por exemplo. Também quer aprovar no Congresso medidas incentivadoras da criação emprego precário e mau pago.

Uma das características da direitismo atual no País, afirma o livro O novo conservadorismo brasileiro, da doutora em ciência política Marina Basso Lacerda, é o casamento de neoliberalismo com punitivismo. O primeiro, representado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. O segundo, por Bolsonaro e Moro.

“Para os neoconservadores, o melhor programa contra a pobreza é uma família estável. O modelo de Estado defendido pelos neoconservadores é o corporativo: moldado pela Igreja, comprometido com a família tradicional”, escreve Marina. Se a família e o mercado falham, diz ela, o tratamento pregado pelos neoconservadores não são políticas públicas, mas o direito penal: polícia e cadeia.

 

 

 

 

 

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O lucro não pode e não deve ser um fim em si mesmo

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019

 

Na semana que a humanidade comemora mais um aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada pelos países que formavam a ONU no dia 10 de dezembro de 1948, um juiz em São Paulo não considerou tortura a ação de dois seguranças de um supermercado - Ricoy -  localizado na Zona Sul da cidade, que detiveram um menor suspeito de ter cometido roubo. Além de torturarem o adolescente - que estava nu, foi amarrado, amordaçado e recebeu chicotadas - divulgaram as imagens em vídeo. O fato ocorreu em julho último, mas só teve repercussão após os seguranças divulgarem o vídeo, sabe-se lá com qual propósito.

Os dois seguranças foram inocentados da acusação principal. E condenados, simplesmente, por lesão corporal simples, cárcere privado, filmagem e divulgação de imagens de nudez de um menor de idade. Não é pouca coisa, convenhamos, não é leitor?

 De acordo com a sentença proferida pelo juiz Carlos Alberto Corrêa de Almeira “não há como indiciar os seguranças por tortura, como havia denunciado o Ministério Público de São Paulo, porque as agressões não foram com a finalidade de obter informações e também não foram aplicadas por quem estava em uma condição de autoridade”. Juridiquês à parte, fica difícil o cidadão comum aceitar esse veredito.

Diante do decisão do juiz, fico pensando como teria reagido o adolescente agredido. Certamente ele esperava que a Justiça fosse estar do seu lado. Questão lógica. Mas  infelizmente, não foi o que aconteceu.

No Brasil e no mundo a questão dos Direitos Humanos são constamente desrespeitados. O  ser humano, assim como o meio ambiente, são colocados de lado em função de interesses econômicos. Convive-se com guerras, golpes  de Estado, racismo, intolerância, violência de todos os matizes. De que adianta o progresso econômico e tecnológico? Não há ética e o respeito pela vida.

Diante do quadro em tela, crescem a desigualdades, as injustiças, e aumenta a violência.

Um mundo às avessas, que só privilegia o lucro a qualquer custo.

O que nos aguarda no próximo ano?

 

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INVERSÃO DE PRIORIDADES

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

 

 

 Após a ação violenta da PM na favela de Paraisópolis, localizada na Zona Sul de São Paulo, na madrigada do último  dia 1°, o caso tem sido comentado das mais variadas maneiras, principalmente a possibilidade de novos procedimentos operacionais da PM,, como por exemplo, cada PM usaria uma câmera para registrar suas ações. A questão não é nova: não faz muito tempo, no Rio, foi ventilada a hipótese de colocar câmeras nas viaturas.

Criou-se uma cultura no país como se o uso da tecnologia pudesse resolver todos os problemas.  Às vezes pode até piorar. E ainda não existe uma lei específica que regule, não só a coleta, como o tratamento  das informações na área da segurança pública. Além disso, invade a privacidade do cidadão, assim como ocorre com as câmeras de reconhecimento facial.

Uma simples câmera acoplada ao uniforme  não vai evitar que um policial confunda um macaco hidráulico com um fuzil, ou uma esquadria de alumínio. com uma arma, como ocorreu no caso da morte da menina Ágatha Félix, 8 anos, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, quando um PM atirou em direção a dois homens em uma moto, pois acreditou que estavam portando uma arma.

Na verdade, nossas autoridades sabem o que é preciso fazer. Mas dá trabalho, os resultados não irão aparecer de imediato, o que pode prejudicar eventuais planos políticos. Há governadores que ainda não completaram um ano de mandato e já  estão pensando na reeleição. Mais do que isso: alguns falam abertamente numa canditura à presidência da República. Trata-se, entre outras coisas, de um desrespeito ao cidadão eleitor.

A área de segurança está invertendo as prioridades, que deveriam se concentrar no policial, ou seja, no ser humano. Policiais com uma pesada carga de trabalho, mal treinados - inclusive do ponto  de vista pscicológico -  e mal remunerados, ao enfrentarem a complexidade das ruas costumam errar mais do que acertar. E os erros costumam tirar a vida de cidadãos inocentes. E de crianças, como foi o caso da Ágatha.

EM TEMPO: O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), decidiu atendert a um pedido de parentes das vítimas pisoteadas em Paraisópolis. Afastou do serviço das ruas 32 policiais militares envolvidos no caso. Seis PMs já haviam sido afastados. O grupo agora vai  trabalhar apenas em atividades administrativas, até o encerramento das investigações.

 

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