CORONEL DA PM DO SERGIPE RESPONDE A BOLSONARO E GENERAL MOURÃO

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 29 de Setembro de 2018

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O artigo abaixo foi enviado para o meu e-mail. Estou divulgando para os leitores deste blog porque é, entre outras coisas, uma lufada de bom senso, ética e equilíbrio diante do momento político que o país vive, após o golpe que defenestrou a presidente Dilma Rousseff. Leia com atenção e compartilhe com os amigos.

 

Luis Fernando Silveira de Almeida*

O CIDADÃO DE BEM e a BALA PERDIDA

Armar o cidadão de bem, como resposta à violência, é o argumento mais falacioso, mais inescrupuloso, que já ouvi a respeito do assunto. No ano passado, o Brasil registrou 59.103 mortes por crimes violentos letais e intencionais (CVLI).  Na guerra da Síria, de 2017 a maio deste ano, portanto cinco meses a mais, morreram 43 mil pessoas. Estamos em guerra, estamos em guerra!

 

Daí, uma mente iluminada propõe como solução: mudar a legislação para armar o “cidadão de bem”. A primeira pergunta: quem é o cidadão de bem? Quem decide, ou escolhe, ou elege o “cidadão de bem”? Obviamente, interesses políticos e comerciais norteiam o engodo de que armar as pessoas diminuirá o número de mortes.

 

Quantos policiais têm perdido suas armas e, muitas vezes, suas vidas, pela ação de marginais? Ora, somente sendo muito estúpido para acreditar que o “cidadão de bem” estará preparado para esse enfrentamento. Armas matam, então, quanto mais armas mais mortes.

 

O discurso em defesa da “tese” é de que haverá treinamento, teste psicológico, para que as pessoas estejam aptas a andar armadas. Ora, se treinamento e teste psicológico garantissem o uso correto das armas, não teríamos policiais mortos e policiais presos, como temos. Por falar em Policiais - uma categoria tão abandonada, tão desvalorizada, na qual deságuam os problemas que o poder público não deu solução, como se ela pudesse solucionar - vai ter seu trabalho multiplicado e dificultado. Além de mais gente armada, para fiscalizar, terá que possuir uma bola de cristal para distinguir, em segundos, o infrator do “cidadão de bem”. E, não se enganem, se errarem e confrontarem o “cidadão de bem”, adivinhem para que lado a “corda” vai arrebentar…

 

Arma é para a Polícia! Para os cidadãos, uma polícia bem formada, bem paga, bem fiscalizada para protegê-lo. QUANTO MENOS ARMA, MENOS VIOLÊNCIA!

 

O aspecto decisivo nesses embates cotidianos, envolvendo armas de fogo, é o fator surpresa. Esse é determinante! O infrator sempre busca o “alvo” mais fácil, distraído. Isso significa dizer que o “cidadão de bem” tem que estar atento o tempo todo, sem direito à distração, à diversão e à descontração. Assim é o dia-a-dia de um policial, nas ruas. Por mais treinado que seja o profissional, isso gera tensão. Tensão essa, que pode levar a falhas, como o caso do policial que, recentemente, matou um trabalhador, porque confundiu um guarda-chuva com um fuzil. Imaginem o grau de estresse de um Policial, mal pago, morando em locais dominados pelo crime, não podendo sair de casa fardado, deixando sua mulher e filhos à mercê da sorte. Não! Não aumentem seus problemas. Os erros com armas de fogo, não são os mesmos cometidos nas provas de matemática, os erros com armas de fogo são fatais.

 

O outro discurso: “Vejam, não defendemos o porte de arma e sim, a posse, que é o direito de ter uma arma dentro de casa, não podendo transportá-la”. Muito bem, agora é diferente! Afinal, uma das qualidades do nosso povo é o cumprimento das leis. Comparemos, com uma arma legalizada e também letal, os veículos automotivos: quarenta e sete mil mortes por ano e quatrocentas mil pessoas com algum tipo de seqüela. Ops! Ultrapassamos a Síria, mais uma vez. Vivemos duas guerras! Alguém acredita, que pessoas que dirigem sem habilitação, com licenciamento vencido, embriagadas, vão deixar suas armas em casa, por não possuírem porte? Isso sem falar nos acidentes domésticos, na maioria das vezes, envolvendo crianças.

 

Hoje, o reduto de paz e segurança do “cidadão de bem”, são os condomínios fechados, murados, com vigilância eletrônica. Imaginemos cada casa com pelo menos uma arma. Lembremos da impaciência com som alto, animais soltos, veículos mal estacionados, que geram os pequenos conflitos nos espaços comuns. Juntemos à bebida do fim de semana e a alguns temperamentos mais violentos. Hum! Perigo à vista.

 

Daí, o cotidiano das favelas, que se tornou o trivial, o banal - uma mãe negra, com seu filho morto por bala perdida, nos braços (para alguns, menos um marginal no futuro) - transforma-se no extraordinário: a favela é um condomínio de luxo e a mãe, uma senhora de classe média alta. E o assassino? O “cidadão de bem”!

Que horror! Inacreditável! Que absurdo!

Pois é, “a felicidade não tem cor”, a tristeza, também não. Na tragédia, nos igualamos.

Então, cidadãos e cidadãs, refletir é de graça. Remediar tem preço. E, às vezes, não é possível remediar.

Armas matam! Bom senso, não!

Precisamos de menos armas, de menos mortes, de mais amor e tolerância!

VIVAM e DEIXEM VIVER!

Luís Fernando Silveira de Almeida – Coronel da Reserva da PM e Cidadão, apenas cidadão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 

Sem interesses políticos

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

Como não poderia ser diferente, todos os candidatos ao governo do Estado do Rio de Janeiro possuem seus planos para a área da segurança pública que, juntamente com o desemprego, são os dois maiores problemas do Estado, quiçá do  país. Um dos candidatos já governou o Estado e, à época, sua administração na questão da segurança apresentou sérios problemas.

Levando-se em conta alguns debates que tive oportunidade de assistir, com todo o respeito aos candidatos, nenhum plano chegou a me empolgar. Falta um maior conhecimento da matéria, que não é simples, como pode parecer à primeira vista.

Não adianta colocar em prática um plano apenas para mostrar ao público que está fazendo alguma coisa, ou seja: jogar para a arquibancada, para usar aqi um jargão do futebol. Isso não vai levar a lugar nenhum.

Também não adianta fazer visando interesses políticos ou coisa que o valha, como foi por exemplo, o caso das UPPs. O plano para melhorar a segurança pública tem e deve ser abrangente, conectando todos os órgãos que, direta ou indiretamente, fazem parte da área da segurança, além de investimentos sociais dignos de nota nas favelas e periferias.

Caso congtrário, daqui a quatro anos, os futuros candidatos  estarão discutindo os mesmos problemas.  

Problema Retroalimentado

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

 

 Artigo publicado na última terça-feira no Jornal do Brasil - muito bom, manda a verdade que se diga - com o título Muito Além da Intervenção Federal, autoria de Luiz Carlos Cavalcante que, além de agente da Polícia Federal, é também vice-presidente do Sindicato dos Servidores do Departamento de Polícia  Federal do Estado  do Rio.
Texto claro, objetivo, que vai direto ao ponto, questiona a eficiência e o custo da intervenção militar na área da segurança pública do Rio  de Janeiro.

As medidas adotadas até momento, de acordo com o articulista, “não foram capazes de interferir na dinâmica do  tráfico  de drogas e no poder pararelo atuante em alguns  territórios, onde grupos de criminosos, sob o regime da violência, decretaram uma espécie de novo regime político de governança. É o mais do mesmo ou o chamado museu de grandes novidades. Perfeito!   

 Compartilho com a opinião do autor, quando ele diz que “as propostas dedicadas à estruturação e ao fortalecimento das corporações policiais capazes de criar melhorias para o  trabalho policial não ganharam prioridade sob o regime da intervenção federal.” E ressalta no penúltimo parágrafo. “Perde-se com isso oportunidade ímpar para configuração de uma nova visão  de defesa social, que inclui a implementação do Ciclo Completo de Polícia  e a valorização do servidor de segurança pública, com a criação da carreira única como ingresso, por concurso público, exclusivamente na base das corporações. Como já vem ocorrendo através de iniciativas em Alagoas e no Piauí, onde já se discute abertamente a carreira única nos moldes do Federal Bureau of Investigation (FBI); e em Santa Catarina, com o Termo Circunstanciado  de Ocorrência (TCO ) elaborado não exclusivamente pela Polícia Civil, um caminho sem volta para o sistema do Ciclo Completo da Plícia”.

Entra governo, sai governo, e ninguém consegue mudar a história da segurança pública do Rio. E quando a situação tende a ficar fora de controle, o governo apela para as Forças Armadas. Um ciclo vicioso. E inoperante! 

Caso Marielle pode fazer parte da lista dos crimes sem solução

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 17 de Setembro de 2018

 

A partir do final da década de 70, um detetive ganhou notoriedade no Rio de Janeiro. Desvendou diversos crimes, entre eles, o assassinato de Claudia Lessin Rodrigues, em 1977, violentada e estrangulada, irmã da atriz Márcia Rodrigues, crime que teve repercussão nacional e virou filme - O Caso Claudia. Refiro-me a Jamil Warwar. De temperamento calmo, fala mansa, não usava métodos violentos no seu trabalho. Discordava da filosofia facista que bandido tem mais é que morrer.

Lembrei dele na última sexta-feira, dia 14, quando completou seis meses do  assassinato  da vereadora Marielle Franco, e do seu motorista Anderson Gomes, crime ainda não desvendado e sério candidato a entrar na lista de crimes não solucionados, como por exemplo, o sequestro do menino Carlos Ramires da Costa, ocorrido no Rio de Janeiro, em 1973. O sequestrador não apareceu no local marcado para pegar o dinheiro do resgaste e Carlinhos jamais foi encontrado, assim como o corpo do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, morador  da favela  da Rocinha, Zona Sul do Rio, que desapareceu após ter sido levado por PMs da Unidade de Polícia Pacificadora - UPP - local para “averiguações”. O caso, que ganhou repercussão internacional, ocorreu em 14 de julho de 2013. Embora os responsáveis tenham sido presos, o corpo de Amarildo não foi encontrado. Um cadáver insepulto.

  Com o seu talento e criatividade para o trabalho investigativo, Jamil certamente já teria descoberto os assassinos de Marielle, cujas investigações têm sido mantidas no mais absoluto sigilo. Isso é bom: evita especulações, polêmicas desnecessárias que não levam a nada. Só servem para vender jornal. Mas, a despeito disso, seis meses é tempo mais do que suficiente para desvendar o crime.

 “Não xiste crime perfeito; existe investigação bem feita” - Jamil Warwar

“Cada macaco no seu galho”

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 11 de Setembro de 2018

 A intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro, prevista para acabar em dezembro próximo, não ocasinou nenhuma novidade digna de nota, ou seja: os bandidos continuam  atuando  com desenvoltura, exibindo seus fuzis nos bailes de funk que varam a madrugada, num flagrante desrespeito aos moradores das favelas. A violência se manifesta em qualquer hora e lugar

Os militares têm feito o que é possível fazer diante do mais sério problema diante do qual o carioca convive há décadas - a violência urbana. E neste momento tudo fica ainda mais complicado, pois o Estado enfrenta uma crise econômica sem precedentes.

Tropas militares devem ser chamadas apenas em ocasiões muito específicas, como por exemplo, ajudar na segurança de uma Olimpíada ou de um evento de grande porte.

Virou moda chamar os militares para combater a violência urbana em alguns Estados. Isso tem que acabar. Entre outras coisas, por uma questão de economia.

No caso em tela, convém colocar em prática o dito popular - cada macaco no seu galho.

Como Semear a Violência

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 3 de Setembro de 2018

Artigo publicado no site Amaivos

Frei Beto

Tome-se um país de 208 milhões de habitantes. Desses, 104 milhões e 200 mil se encontram em idade laboral. Mas o país não oferece trabalho para todos. Estão desempregados 12 milhões e 966 mil. E 65 milhões e 642 mil se encontram fora do mercado de trabalho. (IBGE 31.07.2018). De que vive tanta gente?

Desses 65,6 milhões que não estão empregados nem à procura de empregos, há jovens que preferem se dedicar aos estudos, aposentados e desalentados, ou seja, os que cansaram de buscar emprego. Vivem de quê?

Qualquer anúncio de vagas de emprego atrai milhares de pessoas. Filas quilométricas se formam. A maioria deixa o local sem contratação. São mulheres chefes de família que, ao declararem terem filhos pequenos, são preteridas; jovens sem qualificação profissional; analfabetos funcionais (eles são 15 milhões no país, pessoas com mais de 15 anos que mal sabem ler e escrever).

Hoje, são 17,9 milhões de trabalhadores sem carteira assinada. E o número de trabalhadores com carteira assinada no Brasil é de apenas 35,9 milhões.

O rendimento médio mensal dos trabalhadores ocupados gira em torno de R$ 2.095. Como comparação, o salário mínimo necessário, calculado pelo DIEESE, deveria ser de R$ 3.674 – quase duas vezes mais que a renda média dos ocupados, e quase quatro vezes o salário mínimo nacional, de R$ 954,00. Ou seja, somos uma nação de salários muito baixos.

Um dos fatores que levam empregadores a diminuírem contratações com carteira assinada é a reforma trabalhista do governo Temer, que “flexibilizou” (leia-se: precarizou) as condições de trabalho e aumentou os direitos dos patrões ao reduzir os dos empregados.

Ora, se há cerca de 105 milhões de pessoas em idade laboral no Brasil, das quais 12,9 milhões estão sem emprego e 65,6 milhões sobrevivem da economia informal; se há 15 milhões de analfabetos funcionais; se 63,6 milhões de brasileiros(as) são considerados “ficha suja” pelo mercado, enquadrados no SPC por endividamento; o que esperar do futuro desta nação? O Unicef divulgou, em 13 de agosto, que 60 milhões de crianças e jovens brasileiros vivem na pobreza.

No Enem de 2017, a nota máxima em redação era 1.000. Foram entregues 4 milhões de redações. Apenas 53 mereceram a nota máxima. Como obter emprego qualificado e salário digno quando sequer se sabe redigir?

Para muitos jovens semianalfabetos e excluídos do mercado de trabalho – e eles são milhões – a “saída” é ingressar na criminalidade, em especial no narcotráfico. Não adianta o governo atuar apenas nos efeitos, como aumentar o efetivo policial e multiplicar o número de cadeias. Há que enfrentar as causas. A principal delas é a desigualdade social, seguida da falta de escola pública gratuita e de qualidade.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2017 ocorreram 63.880 assassinatos no Brasil. São 175 mortes por dia! Em comparação com 2016 houve aumento de 2,9%.

Como deter essa escalada da violência? Entregando uma arma a cada cidadão, como propõe certo candidato à presidência da República? Instituindo a pena de morte? Ora, se tais medidas fossem eficazes os EUA não seriam um país violento, com a maior população carcerária do mundo: mais de 2 milhões de prisioneiros (o Brasil ocupa o terceiro lugar, logo após a China).

Conclusão: para semear a violência bastam um governo desprovido de políticas sociais; o ensino sucateado; leis trabalhistas que protegem o capital e prejudicam o trabalhador; políticos indiferentes ao bem comum; e cidadãos incapazes de transformar sua indignação em luta por um país melhor.