Virar a página

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 25 de Agosto de 2018

 

O Rio de Janeiro conviveu, no início dos anos 90, com uma onda de sequestros. A polícia investigava vários ao mesmo tempo. Em 1989 foram registrados 40. Neste ano surge o que se convencionou chamar à época, a indústria do sequestro. Entre 1990 e 95 ocorreram 479 sequestros.

É obvio que pessoas de alto poder aquisitivo eram os alvos principais, como por exemplo, Eduardo Eugênio Gouvêa Filho, filho do presidente da Federação das Indústria do Rio de Janeiro, fato ocorrido em janeiro de 1995. O Rio chegou a ter mais de 100 pessoas em cativeiro. Lideranças empresariais resolveram juntar forças para combater o problema. E, como as principais vítimas eram da elite, medidas objetivas foram tomadas com a rapidez que o problema exigia. Tudo sem alarde, sem divulgação para a opinião pública.

A policia - leia-se Delegacia Anti- Sequestro - conseguiu acabar com a crise que vinha efrentando -  com denúncias, entre outras,  de violência e corrupção - com a indicação do delegado Hélio Luz para dirigi-la, em maio de 1995.” A partir de agora, a Anti-Sequestro não sequesrta mais” - afirmou o delegado.

A partir daí, tudo mudou: aaos poucos a delegacia foi equipada com o que há de mais moderno em termos de tecnologia, e um bom número de policiais altamente treinados. A estratégia deu certo.  A indústria do sequestro foi à falência.

Portanto, quando há vontade política para resolver - sem conotações políticas, ideológicas, ou coisa que o valha - é possível virar a página, ou seja: resolver questões que, à primeira vista, parecem impossíveis.

A mesma estratégia poderia ser usada para combater - sem politicagem - a bandidagem carioca. A cidade pode virar a página da sua pior mazela - a violência urbana.

 

Revoada de promotores no caso Marielle Franco

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 21 de Agosto de 2018

 

Três promotores deixaram investigação do assassinato da vereadora, e de seu motorista, Anderson Gomes

Texto publicado no jornal O DIA. Coluna da Adriana Cruz -   Justiça & Cidadania

 

 As investigações das mortes da vereadora Marielle Franco, do PSOL, e de seu motorista Anderson Gomes, assassinados em março, ainda são uma grande colcha de retalhos. Cinco meses depois, não há nenhum indiciado, mas há suspeitas que envolvem políticos e milicianos. Enquanto isso, os promotores Alexandre Murilo Graça, Alexandre Themístocles, Luís Otávio Figueira Lopes, Marcelo Muniz e Márcio Nobre deixaram de atuar no inquérito. A revoada aconteceu porque o principal promotor do caso, Homero das Neves, da 23ª Promotoria de Investigação Penal, foi promovido a procurador. No lugar de Homero, por enquanto, está Alexandre Murilo Graça, mas em setembro assume Letícia Emili que deve contar com o auxílio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público. Graça, Themístocles, Nobre e Muniz também não vão mais participar da apuração dos crimes na internet contra Marielle. O trabalho será feito apenas por Luís Otávio Figueira Lopes.

NOVA BRASÍLIA

O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública, do Ministério Público, vai atuar nas investigações das chacinas da Nova Brasília, entre 1994 e 1995. Foram 26 mortes. Os casos também tramitavam nas mãos de Homero das Neves. Está uma mexida e tanto no MP.

 

REUNIÃO HOJE NO MP

Para traçar os novos rumos do caso Marielle e Anderson com a participação da Polícia Federal (PF) haverá reunião hoje, às 10h, no Ministério Público (MP). O superintendente da PF, Ricardo Saadi, é um dos convidados. O MP defendeu a cooperação na semana passada.

As entrevistas e discursos do ministro Raul Jugmann

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 20 de Agosto de 2018

 

Não raro, as entrevistas e os discursos do ministro da Segurança Pública, Raul Jugmann vão do nada a lugar nenhum. Deixam à mostra a dimensão da desorganização e inoperância do governo golpista do senhor Michel Temer.

Há alguns dias o ministro disse que a Polícia Federal poderia assumir as investigações do caso Mairielle Franco, vereadora carioca assassinada, juntamente com o seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março último, no Rio de Janeiro, crime de repercussão internacional. Dias depois, o ministro afirmou que a PF não assumuria o caso.  O fato gerou polêmicas desnecessárias e passou para a opinião pública, que o ministro não confia na Policia Civil carioca.

Desvendar os responsáveis pelo duplo assassinato está difiícil? Está, sem dúvida! Mas os policiais da Delegacia de Homicídios da Capital tem agido com a razão, e não com a emoção, como às vezes é comum ocorrer em casos de grande apelo popular. Não divulgam nada sobre o andamento das investigações, que prosseguem no mais absoluto sigilo.

A despeito da crise social, política e econômica sem precedentes que o Estado está passando, a polícia continua trabalhando sem esmorecer, para identificar e prender os assassinos da vereadora e lutadora social Marielle Franco.

O ministro não decide nada. Não entende nada do tema da sua pasta. Trata-se de uma figura decorativa.

E a maior mazela carioca não dá trégua: assaltos, arrastões, tiroteios entre traficantes e milicanos e, além disso, como se fosse pouco, temos ainda as balas perdidas matando pessoas. inocentes.

INTERVENÇÃO NO RIO DE JANEIRO COLECIONA FRACASSOS, APONTA RELATÓRIO

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018

 

 

Texto publicado no site da revista Carata Capital

 

por Giovanna Costanti

Após seis meses, Observatório da Intervenção mostra resultado da atual estratégia: somente na Baixada fluminense as mortes por ação policial cresceram 48%

 

Fernando Frazão/Agência Brasil

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Mãe de Marcos Vinícius segura o uniforme que o filho usava quando foi morto durante operação na Maré

 

Em seis meses de intervenção federal, o Rio de Janeiro contabilizou 2617 homicídios dolosos, 742 mortos, 31 chacinas e 4850 tiroteios. Até agora, 736 moradores e 51 agentes de segurança perderam suas vidas. Os dados foram revelados na manhã desta quinta-feira 16 pelo Observatório da Intervenção, no documento Vozes sobre a intervenção. De acordo com as informações coletadas em depoimentos e monitoramentos, a ação do governo federal coleciona fracassos. 

“Se o cotidiano já era violento, talvez tenha até piorado”, descreve Tarcísio Lima, morador de Manguinhos, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. O depoimento, que faz parte do documento, poderia ser de qualquer morador da Baixada Fluminense, de São Gonçalo ou da Rocinha, áreas que concentram os índices de violência mais crescentes desde fevereiro no Rio de Janeiro.

Essas regiões são as principais localidades de onde dispara o aviso “atenção na região” no aplicativo Onde Tem Tiroteio, que alerta moradores do Rio de Janeiro sobre o perigo nas ruas. De 16 de fevereiro até o início deste mês, os cariocas receberam o alerta 3111 vezes em seus celulares.
Só na Baixada, o número de mortes por ação policial aumentou 48% e o número de mortos em autos de resistência atingiu seu maior número, 233 pessoas.

Segundo o Observatório, as regiões mais conhecidas pela violência e pelo tráfico, são as que mais tem sentido na pele as incursões militares. Fato que atesta o verdadeiro caráter do Rio como uma “vitrine da intervenção”.

Com postura ostensiva, a intervenção vem apostando na velha “guerra às drogas” e nas operações “faraônicas”, métodos que, segundo especialistas em segurança pública e moradores das favelas, são falhos, ineficientes e só agravam o quadro de violências diárias e mostram que o Gabinete não enxerga o morador de favelas como um sujeito com direito à segurança pública.

Segundo o Observatório, o quadro é desalentador: homicídios e chacinas continuam extremamente altos, mortes decorrentes de intervenção policial e tiroteios também cresceram. As disputas entre facções e quadrilhas, incluindo milicianos, fugiram ao controle em diversas áreas.

As páginas do documento relembram a morte de Marcos Vinícius, os tiros disparados de helicópteros na Maré, a  não elucidação do crime contra Marielle Franco e a falta de investigação nas chacinas da Rocinha e da Cidade de Deus. São exemplos pontuais - e graves - de uma situação cotidiana que mostra que a intervenção não enxerga o morador de favelas como um sujeito com direito à segurança pública.

“Na concepção militarista de segurança, a favela é considerada área hostil, onde todos são inimigos”, afirma Filipe dos Anjos, conselheiro do Observatório e secretário-geral da Federação de Favelas do Estado do Rio de Janeiro. “A política de extermínio sob a filosofia da guerra é a única opção que o Estado apresenta para os jovens negros e negras, pobres e favelados. Uma ação genocida, racista e fascista”.

O documento também conta com depoimentos de praças das Forças Armadas que preferiram não ter seus nomes identificados. Neles, fica estampado que a intervenção não é vista com bons olhos nem mesmo dentro do Exército.

“Alguns militares também não concordam com a intervenção. Sentem-se ameaçados: nós viramos alvo. É muito desgastante emocionalmente”, afirma um deles. Outro, continua: “A intervenção é ineficaz e mentirosa. Tudo não passa de uma grande perda de tempo, algo para inglês ver. Não se sabe quem ganha, e o quê, insistindo com a intervenção”. O entendimento, nesses relatos, é de que até mesmo dentro do Exército, a ação é vista como uma medida política e não de segurança pública. 

Mais do mesmo

O despreparo em relação às ações de inteligência e ao planejamento estratégico preocupa o Observatório. Segundo o documento, o Plano Estratégico da Intervenção Federal foi oficialmente divulgado no mês de julho, cinco meses após o decreto que a autorizou. Até esse mês, apenas 11 das 66 metas do Plano Estratégico da Intervenção foram cumpridas.

“As ações já cumpridas focam no patrulhamento ostensivo e no reaparelhamento das polícias, ao passo que medidas voltadas à inteligência e à redução dos crimes contra à vida andam a passo mais lento”, afirma o Observatório.

Samira Bueno, cientista social do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirma que, mais uma vez, o governo optou por repetir uma fórmula já saturada. Essa atitude se personifica no aumento das incursões militares para prisões e apreensões, mais violência policial, mais mortes de policiais e também mortes causadas por policiais e o prosseguimento da guerra às drogas.

“Ao invés de priorizar o investimento em inteligência e estratégias capazes de enfraquecer a ação do crime organizado e a corrupção estatal, opta-se, novamente, por mais do mesmo”, comenta Samira.

Pablo ressalta a falta de investigações e de operações que procurem entender a dinâmica do tráfico. Ao contrário, as ações militares focaram-se, durante esses seis meses, operações desarticuladas, com milhares de homens, que visavam a apreensão e a prisão de pessoas que são apenas a ponta mais fraca de um complexo esquema do tráfico e das facções.

O mesmo foi observado em relação às milícias. “Por conta da hipótese da morte da Marielle ter sido fruto das ações de milícias, houve uma tentativa de mostrar que algo estava sendo feito. Prenderam mais de cem milicianos em uma festa. Mas não é fazendo essas prisões que você consegue desarticular completamente esses grupos”, comenta Pablo Nunes, pesquisador do Observatório da Intervenção.

Orçamento

No documento, Julita Lemgruber, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, pontua que as operações envolvem milhares de policiais e soldados, têm um custo altíssimo e gera resultados pífios. “Quando for conhecido quanto custou a apreensão de cada arma ao longo dessas operações, os moradores do Rio de janeiro ficarão estupefatos e frustrados”, avisa. 

A falta de transparência não se refere apenas às estatísticas. O orçamento também é uma dúvida que permanece sem respostas. Em março deste ano, o Governo Federal disponibilizou R$1,2 bilhões para a intervenção. Numa manobra que o Observatório chamou de “obscura e irresponsável”, levando em conta a arbitrariedade com que foi feita e a grave crise fiscal e os cortes em programas sociais.

“Há uma caixa preta sobre o financiamento. Eles dizem que todo esse dinheiro vai ser usado de acordo com o Plano Orçamentário, mas eles não divulgam esse Plano”, afirma Pablo.

Até o final de julho, segundo o Observatório, apenas R$103 mil, dessa verba, haviam sido pagos. Além disso, o que mais preocupa os especialistas entrevistados pelo Observatório, é que não há nenhum detalhamento de como esses recursos serão gastos. “Observamos que processos de compras de fuzis, munições, fardas e veículos - o velho e ineficiente modo de investir em segurança pública - estão sendo iniciados, muitos sem licitação”, afirma o documento.

Falta de transparência

O Observatório usou de muitos meios alternativos para compilar todos os dados, isso porque falta transparência na divulgação dos números oficiais do governo. “Uma política de segurança pública deve ser pública em todos os seus aspectos, inclusive em informação”, afirma Pablo Nunes.

“O Gabinete nega informações e não retorna solicitações. É o oposto do que deveria ser uma política pública. Um regime democrático pressupõe controle da sociedade civil”.

Ainda segundo o documento divulgado, apesar dos pedidos, o Gabinete não deu respostas sobre as mais de 600 mortes decorrentes de ação policial ocorridas desde fevereiro. 

   

 

 
   

 

 

 

 

 

     
     
 

JOGARAM A TOALHA

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 11 de Agosto de 2018

 

Dois casais amigos, e um colega de muitos anos que ainda não casou, alega que não quer ter sogra, figura que abomina, abandonaram o Brasil. Moradores no Rio de Janeiro - os dois casais moravam em Caxias, Baixada Fluminense, e meu colega em Copacabana, Zona Sul da cidade.  Um casal foi para o Chile; o outro, para o Uruguai, e o solteirão para a Coreia do Norte. Sua escolha, à primeira vista, pode parecer estranho para muitos. Mas ele conhece o país e garante que as notícias que a imprensa divulga a respeito da Coreia são fake news. O motivo pelo qual todos decidiram deixar o Brasil foi a violência urbana. São pessoas simples, anônimas. Como diz canção, nossa dor não sai no jornal. Não aguentaram mais. Jogaram a toalha.

Muitas pessoas famosas já fizeram o mesmo. A lista não para de aumentar. Quando um dia fizerem uma pesquisa séria sobre o fato em tela, muitos irão se surpreender

Confesso: não fiz o mesmo porque ainda não tive condições. Mas estou batalhando e orando por isso.

A rotina da violência carioca

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 4 de Agosto de 2018

 

 Realidaee carioca: roubos que maculam ainda mais a imagem da cidade, um deles com conotação internacional. Tiroteio em plena luz do dia, numa via pública, entre facções de bandidos rivais, que acabou ocasionando a morte de um cidadão que estava trabalhando.

O Rio de Janeiro foi tema das manchetes internacionais. Mas, infelizmente, não foi positivo para a cidade, pois o fato foi negativo.

Na última quarta-feira, durante o Congresso Internacional de Matemática, realizado no Riocentro, localizado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, o irariano Caucher Birkar, vencedor da medalha Fields - considerada o “Prêmio Nobel” da Matemática - teve o prêmio furtado, que estava dentro de uma pasta, juntamente com a sua carteira e o celular.

No mesmo dia, um outro roubo: este, numa instituição importante, o Instituto do Patromônio Histórico e Artístico Nacional ( Iphan), localizado na Avenida Rio Branco, centro da cidade. Ladrões roubaram as maçanetas de bronze da porta principal da superitendência do órgão.

Na última quinta-feira, um tiroteio entre traficantes na Avenida Brasil, ocasinou a morte de Luis Carlos Vidal Júnior, motorista do Uber que estava retornando para Bangu, levando os irmãos Mário Gomes, 65 anos, e João Gomes, 64. Mário levou o irmão a uma sessão de fisioterapia  na Abbr, no Jardim Botânico, Zona Sul da cidade e, ao retornar, o carro de Luis Carlos - um Fox preto com os vidros escuros - foi confundido por uma das facções dos traficantes como um veículo inimigo. Vários tiros foram dados. E um deles atingiu a cabeça de Luiz Carlos, que morreu no local. Mário foi atingido na perna. Foi levado para o Hospital Getúlio Vargas, juntamente com o irmão, que ficou em estado de choque e teve que ser medicado.

Os fatos em tela deixam à mostra, mais uma vez, que a crise carioca na área da segurança pública não melhora. Um Estado praticamente entregue à própria sorte. Triste! Muito triste!