Difícil, mas não impossível

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 31 de Dezembro de 2018

l

O ex-locutor e narrador esportivo Januário de Oliveira criou alguns bordões que ficaram famosos no mundo do futebol. Um deles foi o Taí o que você queria. E completava: bola rolando no Maracanã, o estádio antigo, naturalmente. Por que o temos hoje é outra coisa.

Numa analogia com o futebol, Taí o que você queria, povo carioca. - bola rolando no governo do novo governador, Wilson Witzel.

Tudo no Rio é prioritário. Nada funciona a contento. Mas o problema maior, como sempre foi  a décadas - é a violência urbana. Caso a situação não melhore ao longo da sua administração, sua carreira política ficará marcada, dificultando, entre outrtas coisas, sua reeleição.

O assassinato da vereadora Marille Franco, e o número de policiais miliatares mortos no Estado são casos que necessitam de uma solução. Caso isso ocorra, seria um belo começo de governo. Tudo bem que este ano tivemos menos PMs mortos do que o ano passado. Mas o  índice ainda é alto. De acordo com um levantamento feito pelo jornal O Globo, 92 agentes foram assassinados este ano, 43% a menos que em 2017, quando ocorreram 163 homicídios de policiais.

Uma medida fundamental no universo da violência urbana é a ampliação e o fortalecimento das corregedorias das polícias. O combate à corrupção abrangendo todo o universo  da segurança pública é imprescindível. Sem isso, nada progride.

Todo carioca, eleitor ou não do novo governador, deve torcer para o sucesso do seu governo.

O Rio de Janeiro merece dias melhores

Chega de crise. Chega de sofrimento.

É difícil, mas não impossível   

 

FUNDO DO POÇO

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018

 

 

Não sei se o leitor teve a oportunidade de ler a coluna de Fernanda Young, no último dia 17, no jornal O Globo, com o titulo - Precisamos falar do Rio. No seu texto objetivo  e oportuno, a autora questiona o que está acontecendo com  a cidade, com quatro governadores presos e nomes bizarros que surgiram no Rio.

Quem vota em alguém chamado Garotinho? Rosinha? Pezão?” Sinais dos tempos! Mas o Rio, felizmente já teve governadores de estirpe, como por exemplo, Leonel Brizola. Foi no seu governo que foram criados os Centros Integrados de Educação Pública, popularmente chamados de Brizolões - escolarização em tempo integral, voltadas para crianças das classes populares. Projeto do antropólogo Darcy Ribeiro que, se tivesse sido mantido na sua essência, tenho a mais absoluta das certezas que o Rio estaria vivendo uma outra realidade. Mas o preconceito da nossa elite retógrada e mesquinha não permitiu.

Fernanda abre o quinto parágrafo , com a pergunta; “Serão os cariocas mais fáceis de enganar? Não, pelo contrário, cariocas são famosos por serem espertos”.Espertos? Será? Particularmente sempre achei que o carioca valoriza sua cidade em excesso e minimiza problemas graves.

Esta postura triunfalista prejudica uma análise imparcial sobre as mazelas do Rio, com destaque para a violência urbana que, a cada ano que passa piora.

Em relação ao ex-governador Sérgio Cabral, compartilho da opinião de Fernanda. “Não dá para entender por que Cabral fez isso com a sua amada terra”. Ele tinha todas condições para realizar uma carreira política brilhante. Mas, infelizmente, optou por outros caminhos.

O Estado do Rio de Janeiro enfrenta uma crise sem precedentes em todas as dimensões. Como diz o dito popular, está no fundo do poço. E, para sair, será necessário, entre outras coisas, muito trabalho e humildade. Deixar de lado o interesse político  e privilegiar o interesse público

E, quanto a ir ao supermercado de sunga, como muitos cariocas fazem, Fernanda, deixa Deus
fora disso. É falta de educação do carioca.

“Carroça nas frente dos bois”

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 15 de Dezembro de 2018

 

Mesmo antes de assumir o poder oficialmente,o governador eleito do Estado do Rio de Janeiro, Wilson  Witzel tem sofrido críticas de vários segmentos, por causa  da sua  decisão de extinguir a Secretaria  Estadual de Segurança Pública - SSP. Difícil dizer como será a administração na área da segurança.

O novo governador tem se mobilizado, mais do que a conta manda, em conhecer e adquirir tecnologias voltadas para a área da segurança para o Estado, que podem contribuir no combate à criminalidade.

Como diz o dito popular, Witzel  está colocando a carroça na frente dos bois, pois existem, é óbvio, outras prioridades, como por exemplo, investimentos na infraestrutura para a polícia - civil e militar, que tem enfrentado condições adversas de trabalho:  viaturas velhas, delegacias onde falta tudo, PMs trabalhando nas folgas para compensar o minguado salário. Tudo isso demonstra, entre outras coisas, o nível de degradação do Estado.Não há motivação que resista. A autoestima da polícia está em frangalhos.

Pense nisso, governador! Os policiais agradecem.

PCC: A mais temida e poderosa facção criminosa do Brasil

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 9 de Dezembro de 2018

“O crime fortalece o crime” é uma das máximas do PCC - Primeiro Comando da Capital, facção criminosa criada em agosto de 1993, depois de uma rebelião na Casa de Custódia de Taubaté. No ano anterior, um fato ganhou repercussão internacional: o Massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos pela polícia.

Antes do término da década de 90, o PCC passou a dominar os presídios paulistas e, organizado nos moldes de uma empresa, ampliou seu poder para várias  partes do Brasil e do  exterior. Transformou-se na mais perigosa, temida e organizada facção criminosa do país.

Caso o leitor tenha interesse em aprofundar seu conhecimento a respeito do tema é imprescindível a leitura do livro  A Guerra - A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil. Editora Todavia. Foi escrito por Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias. Bruno é jornalista, economista e doutor em Ciência Política pela USP. Camila é doutora em Sociologia pela USP e professora da Universidade Federal do ABC.

Trabalho de pesquisa primoroso, texto objetivo, a obra revela como surgiu o PCC, seu desenvolvimento interno e externo, os intricados movimentos de bastidores para a manutenção do poder, o rompimento com CV - Comando Vermelho - e perfil dos principais personagens que, entre outras coisas, deixa à mostra a precariedade do nosso sistema carcerário, a incompetência e omissão das nossas autoridades.

O governo estadual paulista - leia-se PSDB, que há mais de duas décadas governa o Estado de São Paulo - a despeito de várias evidências, sempre negou a existência do PCC, até onde isso foi possível. “ O PCC mostraria suas cartas e passaria a se tornar uma realidade no debate público. São Paulo não poderia mais tratar o PCC como invenção da imprensa”.

TRECHO DO LIVRO

A presença do PCC em Mato Grosso do Sul e no Paraná esteve diretamente atrelada às  estratégias de transferência das lideranças. Mais uma vez, a facção cresceria a partir das brechas e erros do governo paulista. Assim o PCC se afirmaria como grupo majoritário  justamente em dois estados cujas fronteiras constituem as principais portas de entrada de drogas ilícitas em território brasileiro, especialmente destinada às regiões metropolitanas do Sudeste, o principal mercado dessas substâncias. A presença mais ostensiva do PCC ocorreu em cidades estratégicas, destacando-se os municípios próximos à tríplice fronteira do Paraná e as cidades sul-mato-grossenses Ponta Porã, Bela Vista, Coronel Sapucaia e Corumbá. A presença no Paraná e em Mato Grosso do Sul garantiu ao PCC vantagens em relação a traficantes dos demais estados brasileiros, determinando a posição privilegiada assumida pelo grupo paulista. O acesso aos centros de produção e distribuição de maconha e pasta-base de cocaína permitiu ao PCC firmar posição no mercado atacadista nacional, tornando-se o pricipal distribuidor para o mercado brasileiro em quase todas as regiões do país. A influência nessas regiões impulsinou o processo de nacionalização do PCC, que se intensificaria anos  depois. 

UFANISMO CARIOCA

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 2 de Dezembro de 2018

 

Não raro, fico elocubrando a respeito dos graves problemas do Rio de Janeiro. Lembro de alguns conhecidos, colegas de escola e de trabalho, que sempre defenderam o Estado como o melhor do Brasil. Lembro das nossas conversas.  Eles achavam que tudo no Rio era melhor, em comparação ao retante do país. À época, - e lá  se vão mais de 20 anos -  eu sempre discordava das suas opiniões, baseadas na emoção e não na razão. Um bairrismo ao nível do torcedor do Flamengo, que acredita que seu time é o melhor do Brasil.

O que será que pensam hoje a respeito do Rio de Janeiro meus conhecidos de outrora? Não  acredito que continuem com as mesmas ideias. Mas, posso estar enganado. Afinal, o carioca  se acha. E não consegue ter autocrítica.
A prisão do governador Luiz Fernando Pezão -  e, antes dele, de diversos parlamentares -  é a mais uma prova - insofismável - do nível de degradação que atingiu o Estado do Rio de Janeiro.

Na verdade, o esquema de corrupção do governo anterior a Pezão apenas potencializou o que vinha ocorrendo há décadas, ou seja: a corrupção generalizada, do empresário ao guarda da  esquina. Terreno propício para o aumento da violência. Mais de uma vez Pezão afirmou que o Rio não é a cidade mais violenta do país. O que representa essa afirmação? Serve de consolo?

A grosso modo - pois desconheço estatísticas oficiais a respeito - não há no país nenhum  Estado onde o número de pessoas mortas por balas perdidas supere o Rio de Janeiro, assim  como o número de policiais mortos pela bandidagem, que evoluiu: do malandro para o bandidão. Dos antigos grupos de extermínio e matadores de aluguel, surgiram as temidas milícias e a ampliação do poder do tráfico de drogas. Tudo isso é fruto da inoperância, descaso e incompetência administrativa das nossas autoridades. Jamais o Rio teve investimentos sociais dignos de nota nas favelas e periferias. Jamais o interesse público  esteve em primeiro lugar. Jamais o povo foi tratado com o respeito que merece.

 O Rio perdeu sua importância, seu charme, seu status

Triste! Muito triste!

 .
  

Falência da humanidade

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 25 de Novembro de 2018

 

Na última sexta-feira, o jornal Folha de São Paulo colocou em destaque na capa, a foto de um menino do Iêmen que, assim como outras crianças, passa fome por causa da guerra em seu país que, desde a deposição do ditador Ali Abdullah em 2012, entrou em crise. A situação piorou quando a Arábia Saudita, juntamente com alguns outros países ocidentais, resolveu invadir o país em 2015. Abdelrahman Manhash pesa apenas cinco quilos e esá em tratamento por desnutrição em uma clínica.

A foto é chocante. Lembrei imediatamente da foto do menimo sírio que, em 2015, apareceu morto numa praia turca e chocou o mundo.. Sua família abandonou o país por causa da guerra.

Até quando o mundo vai ver fotos assim? Ambas as fotos demonstram, entre outras coisas, a falência da humanidade. E faz qualquer pessoa com um mínimo de consciência crítica questionar o nosso mundo, cada vez mais desumano. Apenas o que importa são os interesses ideológicos e econômicos.

Por um lado, experimentamos progressos tecnológicos; por outro, a humanidade retrocede.