Mais armas, não!

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

A tragédia ocorrida em Goiânia, no último dia  19, quando um adolescente de 14 anos matou  a tiros dois colegas de escola e feriu outros quatro porque estava sendo vítima de bullying, chocou o país.

Aluno do colégio Goyases, localizado no conjunto Rivera, bairro de classe média, o adolescente usou uma pistola 40, da sua mãe, que é policial militar. O pai é major da PM. Ele confessou que premeditou o crime. Disse “que se sentiu incomodado com piadas. Colegas zombavam do cheiro do seu suor.

Diante do fato em tela, confesso que tenho dificuldades de escrever a respeito. Penso na dor dos pais enlutados, como também nos pais do atirador. Não é fácil!

Mas, a despeito disso, tenho que prosseguir com minhas obrigações profissionais da melhor maneira possível. E diante de mais essa tragédia, podemos tirar várias lições, entre elas, que o bullying precisa ser combatido nas escolas e em qualquer local. E o que pode ocasionar uma arma na mão de uma pessoa que não está habilitada para usá-la.

Reforço minha convicção: modificar o Estatuto do Desarmamento é uma insanidade, para dizer o mínimo.
  

Nada mudou!

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

Numa favela no bairro do Fonseca, em Niterói, Região Metropolitana do Rio, menores na faixa dos 9 aos 15 anos, são vistos com fuzis, atuando no tráfico de drogas. O fato não é novo, evidentemente. Mas sempre choca. Para quem ainda tem uma mínimo de sensibilidade coletiva e consciência crítica, dá um certo desalento ao constatar que o nosso país convive com uma brutal desigualdade social, onde crianças desamparadas são facilmente cooptadas para o crime. 

Em 1998, na favela da Rocinha, Zona Sul do Rio,  um garoto de apenas 13 anos, conhecido como Brasileirinho, era o mascote do grupo de traficantes. Morreu num confronto com a polícia, no Morro do Grotão, no Engenho Pequeno, no município de São Gonçalo, durante a Operação Mosaico II.

Nada mudou!  Só piorou

Rio de Janeiro: a cada dia cresce a escalada da violência 

Combate sem tréguas

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 14 de Outubro de 2017

A polícia precisa, mais do que nunca, de apoio perante a população. Com o apoio do povo, a tendência é melhorar em vários aspectos , entre eles, a infraestrutra e melhores condições de trabalho. Além é claro, de um combate mais efetivo e eficiente contra a bandidagem, que tomou conta do Estado.A mudança de imagem da instituição policial- tanto militar quanto civil - é difícil, mas não imposível.

A fase é adversa. Isso é fato. Óbvio. Mas de vez em quando o óbvio tem e deve ser dito. É nos momentos difíceis, na hora em que o barco está afundando, que conhecemos os bons profissionais. Infelizmente, corrupção e desvios de conduta, principalmente quando envolvem oficiais de alta patente, como ocorreu com o major Alexandre Silva Frugoni de Souza, comandante de Polícia Pacificadora (UPP) do Caju, Zona Norte do Rio, abalam o moral  da tropa, que convive com problemas sérios , entre eles, as constantes mortes de colegas de farda, vítimas da bandidagem que tomou conta do Estado.

Durante uma operação da Corregedoria da PM, realizada na última quarta-feira, o major foi preso. O mesmo ocorrendo com mais dois PMs. Armas e drogas foram encontradas na UPP. Suspeita-se que os PMs usavam as armas e as drogas para forjarem autos de resistência. Na sala do major foram encontradas uma pistola Glock com a numeração raspada, quatro carregadores, nove carregadores de fuzil, bombas de gás e munições para pistola calibre 40 e 9 mm. E na sua residência foram apreendidas uma carabina 40 e uma pistola ponto 40 - armamentos da PM - mas que o oficial não tinha autorização para usar.

A corrupção é igual ao pecado. Sempre existiu e vai continuar existindo.  Tem é que ser combatida sem tréguas. 

Uma boa notícia - Parabéns aos policiais que prenderam Luiz André da Silva Costa, 35 anos, conhecido como Badinho, um dos principais fornecedores de armas e drogas do Comando Vermelho. E apontado também como homem de confiança de Fernandinho Beira- Mar.      

Não desanime!

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 9 de Outubro de 2017

Leonel Brizola (1922-2004) costumava dizer que cocaína não é plantada em favelas. Colocando um adendo a essa frase, podemos acrescentar que, do mesmo modo, não existem também fábricas de fuzis. 

Há uma campanha não institucionalizada a respeito da quantidade de fuzis nas mãos da bandidagem. O tráfico consegue seus armamentos e munições sem maiores dificuldades, pois o dinheiro compra tudo. Infelizmente!

No último domingo, o jornal O DIA fez uma matéria a respeito da entrada de armas no Rio, com destaque para os fuzis, cujas apreensões pela polícia, de janeiro a agosto deste ano, supera em 75%  o número de fuzis apreendidos, em igual período, no ano passado. Um membro  da Coordenadoria  do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do Ministério Público do Rio de Janeiro disse que o problema é nacional. Demanda “medidas no âmbito federal, sem as quais não estaremos, verdadeiramente, promovendo a segurança pública”.

Em todo o país, mas principalmente no Rio de Janeiro, a violência urbana, ao contrário de algumas décadas, não está restrita a favelas e bairros de periferias. Alastrou-se. Atinge a todos. Não escolhe classe social, hora e lugar. Com o Estado acéfalo, em virtude da grave crise financeira que vem enfrentando, nada funciona a contento. E a polícia não tem uma infraestrutura adequada para combater à altura o crime. Por isso, não raro, temos a presença das Forças Armadas nas ruas do Rio. Fato que não resolve o problema em tela. Funciona apenas como um efeito psicológico para a opinião pública.

O país precisa se unir para combater a violência. Todos irmanados num só objetivo, ou seja: encontrar caminhos para combater o problema de forma objetiva, profissional e permanente.

Sem preconceitos e qualquer tipo de interesse político. Mas como fazer isso com um governo como do presidente Michel Temer, sem credibilidade popular? No caso do Rio de Janeiro é praticamente a mesma coisa, pois o governador Pezão tem sido apenas uma figura decorativa. Arrasta-se no cargo e deve estar torcendo para acabar logo o seu mandato.

A fase é negra! Tudo está muito difícil e complicado. Mas há saídas. Creia nisso!

E não desanime!   

O Brasil no fundo do poço

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 5 de Outubro de 2017

 

Leia com atenção e reflita

Publicado no site da revista Carta Capital

Marcos Coimbra*

Nunca o País passou por momentos de tanto desalento e de tamanha desesperança

O retrato do Brasil que emerge das pesquisas quantitativas é ruim. Mas o que vem das pesquisas qualitativas é pior. Pelo que vemos através delas, a alma brasileira nunca esteve em momento mais negativo.

É impossível falar do  passado longínquo, mas, nos tempos modernos, é a primeira vez que temos tanto desânimo, desconfiança e desesperança. Talvez exista quem esteja satisfeito e otimista, mas é difícil encontrá-los. A quase totalidade da população não está assim.

Quando, ao realizar pesquisas qualitativas, reunimos mulheres e homens da classe trabalhadora, vemos um desconsolo ainda maior. Os  ricos e as classes médias são menos dependentes das circunstâncias da economia e da sociedade. Estão mais blindados que os pobres.

Ainda que o desânimo seja geral, esses são os que mais sentem os problemas do País. A partir de seus depoimentos, percebe-se que as pessoas se imaginam vivendo múltiplas crises simultâneas, cada uma reforçando as outras. Segundo o que dizem, seriam cinco.

A primeira é a crise na economia, da qual a maior evidência é o desemprego, que ameaça o presente e compromete o futuro. As famílias trabalhadoras estão amedrontadas com a possibilidade de perder o que têm e de não conseguirem assegurar para os filhos oportunidades sequer iguais às que os pais tiveram.

A segunda é a crise no governo, chefiado por um presidente sem vínculos com o povo e sem moral. Um governante como Michel Temer é o inverso do que as pessoas gostariam de ter: alguém legítimo e capaz de cuidar daquilo que diz respeito a todos.

Elas também vivem uma terceira crise, essa na política, traduzida na sensação de que os políticos, de uma maneira geral, são corruptos e só pensam em si mesmos. Há exceções, mas a regra é de desconfiança nos indivíduos e nas instituições, em particular no Congresso.

Assim, com uma crise na economia, um governo como o de Temer e sem políticos que as representem, as pessoas sentem que uma quarta crise as atinge, proveniente do colapso das políticas públicas. Ganhando menos, mais afetadas pelo desemprego e cada vez com menos acesso a programas em áreas como saúde, educação e moradia, a sensação de fragilidade aumenta.

Essa sobreposição de crises produz outra, uma  crise na convivência social, com o agravamento da insegurança, seja no sentido literal, proveniente da criminalidade e das ameaças à vida, seja no plano psicológico e emocional.

As pessoas estão assustadas e à procura de qualquer coisa que alivie suas ansiedades. Não é, está claro, a primeira vez que pesquisas qualitativas encontram um clima negativo na opinião pública. No passado, no entanto, o panorama era diferente.

Alguns ficaram órfãos de Fernando Collor, mas seu impeachment foi, para a maioria, um momento de afirmação. Cada um acreditou ter o poder de destituir um presidente da República inconfiável. Ao contrário do desânimo atual, aqueles foram tempos de celebração.

A sucessão de trapalhadas do segundo governo de  Fernando Henrique Cardoso, com o colapso cambial e o apagão elétrico, deixou atônita a população, mas não implicou a quebra de confiança na economia e no País. As pessoas apenas perceberam que a competência tucana era mais lenda que realidade.

Hoje, elas se reconhecem imersas em crises cuja gênese não compreendem e para as quais não enxergam saída. Sabem apenas duas coisas: que a crise atual é a pior que conheceram e que, não faz muito tempo, tudo era diferente no Brasil.

Para os entrevistados, há um mistério e um paradoxo. Como é possível que o Brasil se encontrasse bem, que as pessoas estivessem satisfeitas e que o resto do mundo nos admirasse, e que, em pouquíssimo tempo, tudo desandasse e tantos problemas se somassem?

De Sul a Norte, as pessoas do povo são unânimes ao dizer que “as coisas estavam melhor quando Lula era presidente”. Simpatizantes ou não do ex-presidente e do PT, todos concordam que havia emprego, o País crescia, existiam muitos e bons programas sociais.

Comparado com os dias atuais, era outro Brasil. A narrativa que recebem da mídia corporativa, dos políticos conservadores e, muito especialmente, dos juízes e promotores de direita, de que “tudo era ilusão”, não as convence. Para elas, muito mais ilusória é a história que ouvem agora.

Se alguém quiser entender o porquê da força de Lula, não precisa procurar longe: basta ouvir o que contam as pessoas do tempo em que ele esteve no governo e como comparam esse período com o que aconteceu com o Brasil depois que a direita reassumiu o poder..

Marcos Coimbra é sociólogo, presidente do Instituto Vox Populi e também colunista do Correio Brasiliense

A triste rotina da Rocinha

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 2 de Outubro de 2017

Só um governo  que tenha compromisso com o povo trabalhador e com o interesse público terá condições de  mudar a realidade das favelas cariocas, e de todo o Estado, em  relação à violência urbana. Na Rocinha, Zona Sul do Rio, os tiroteios continuam ocorrendo. Os moradores não têm paz.

Nesta segunda-feira um casal da Csota Rica estava próximo à rua 1 e descia  a favela em companhia de um guia turístico quando começou um tiroteio. Felizmente, apesar do susto, o casal não foi atingido.

Sou contra o turismo em favelas. Os turistas querem ver o quê? Pessoas passando necessidades? Trata-se dos interesses mercadológicos explorando a miséria alheia. Capitalismo que não respeita nada, nem ninguém. É a glamourização da pobreza. Triste! Muito triste!

Após a retirada das Forças Armadas da favela na última  sexta-feira, A PM reforçou o policiamento. E enviou para o local suas tropas especiais.