Vida que segue…….

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 30 de Setembro de 2017

As tropas das Forças Armadas que estavam na favela da Rocinha - Zona Sul do Rio -  deixaram o local na última sexta-feira. o fato foi crticiado por muitos moradores que temem o retorno de constantes e violentos tiroteios. Há também os que comemoraram a saída dos militares, alegando que eles tratavam os moradores como se todos fossem bandidos, invadiam as casas e reviravam tudo.

A PM reforçou o policiamento na favela

O traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, que chefiava o tráfico de drogas na Rocinha, continua foragido.

Vida que segue…..

Opção pelo grotesco

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 29 de Setembro de 2017

As pessoas que acompanham o noticiário da guerra do tráfico na favela da Rocinha - Zona Sul do Rio - com um mínimo de acuidade, certamente já notaram que vários militares das Forças Armadas, que mais uma vez foram chamados para socorrer o Rio  no combate à criminalidade carioca, estão com o rosto encoberto. Muitos usam a mácara denominada balaclava. E há os que preferem a máscara da caveira. Isso, psicologicamente, contribui para  tornar o clima do local ainda mais pesado.

Os que optam por cobrir o rosto deveriam ser punidos pelo superior hierárquico mais imediato. Melhor: pelo comandante da tropa. Para que esconder o rosto? Por que a máscara da caveira? É para afrontar os moradores?

Talvez a inspiração venha da história do herói em quadrinhos, O Justiceiro, que foi  adaptado para o cinema e, até o fim do ano, uma série irá estrear na Netflix.

E, por último, mas não menos importante, o que leva um editor de um jornal a escolher uma foto com um militar com o rosto coberto com uma máscara de caveira? 

Tenho  a mais absoluta das certezas que  a opção editorial não leva em conta o lado humanístico da questão, ou seja: o respeito aos sofridos moradores da Rocinha.

É caveira no símbolo do Bope, é caveira como máscara. Grotesco!

EM TEMPO: As declarações do prefeito do Rio, Marcelo Crivela, “bispo” da Igreja Universal a respeito da Rocinha, quando esteve no local na última quarta-feira, depois de uma semana após o início da guerra desencadeada pela bandidagem, demonstra um desapreço pelos moradores. O prefeito, que tenta passar uma imagem de uma pessoa de temperamento tranquilo e conciliador, disse, que “é hora de aproveitar esse momento para fazermos um banho de loja na Rocinha”. Sinceramente, dá vontade vomitar. Trata-se de uma declaração derespeitosa  e demagógica. É revoltante e desalentador.

Sem educação e justiça social não há solução

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

 

Os moradores da favela da Rocinha, Zona Sul do Rio, mais uma vez estão convivendo com uma guera urbana entre marginais. Pela intensidade do tiroteios, o poderio do armamento e o número de homens envolvidos na ação, como não poderia deixar de ser, o medo toma conta dos moradores e altera sua rotina.

A guerra na Rocinha começou no último dia 17 - domingo - quando bandidos aliados do ex-chefe do tráfico na favela,  Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, que está no presídio federal de Porto Velho (Ro) invadiram o local para expulsar da favela Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157 - ex- segurança de Nem -  que assumiu o seu posto de chefe. Antes da invasão Nem mandou recado para que Rogério deixasse a Rocinha. Ele não obedeceu. Para piorar ainda mais a situação, em 13 de agosto último, três homens de confinça do antigo chefe apareceram mortos dentro de um carro. Ocorreu também a expulsão da Rocinha de outros bandidos que faziam parte do grupo do Nem. Diante da resistência de Rogério, Nem então decidiu expulsá-lo à força.

O fato, com repercussão internacional, deixa à mostra, mais uma vez, a falta de estrutura dos setores de segurança do Estado envolvido numa grave crise econômica e política, o mesmo ocorrendo com o País, desde o golpe ocorrido no ano passado, que tirou do poder a presidente Dilma Rousseff, democraticamente eleita, que não cometeu nenhum crime de corrupção - é  sempre bom ressaltar. Ressalte-se que a polícia carioca não pode fazer mais do que tem feito. Ela também é vítima da crise. Falta infraestrutura e melhores condições de trabalho.

A situação da violência urbana piora a cada dia, fruto de equívocos que vêm  de longe, como por exemplo, uma visão tacanha e preconceituosa por parte das elites em relação ao povão, que vivem à margem de uma cidadania plena.
Em momentos de crise aguda e índices de violência assustadores,  sempre surgem os arautos de medidas mais severas para o sistema prisional, leis mais duras, entre elas, redução da maioridade penal - etc. Nada disso, ao contrário do que muita gente pensa, vai resolver a questão. E, como dizia o saudoso Alceu de Amoroso Lima, a repressão violenta é sempre o caminho menos trabalhoso.

Faz-se urgente ter empregos e a realização de projetos sociais e educacionais consistentes em todo o Estado e também nas favelas Só  UPPS não resolve a questão, como já está amplamente provado. O que deve prevalecer sempre em todas as questões é o interesse público e o respeito ao povo trabalhador.

Sem justiça social e educação não há solução à vista

Em tempo: 157 é o número do artigo do Código Penal que descreve o crime de assalto à mão armada. Há também uma música -  artigo 157 - do grupo de rap brasileiro Racionais MC’s.
 

Mais armas na rua: prefeito de Niterói que armar a Guarda Municipal

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017

 

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PV), tem se preocupado em excesso com a violência no município, um problema que, na essência, não é da sua alçada. Mobiliza-se, já há algum tempo, sem que tenha sido realizado nenhum debate, no sentido de armar a Guarda Municipal. E pretende também transformá-la em polícia comunitária, contrariando a Constituição  Federal. Aumentar o efetivo da guarda e armar seus homens, ao contrário do que muitos pensam, não vai contribuir em nada para diminuir a violência no município.

A prefeitura vai realizar um plebiscito na segunda quinzena de outubro. A população vai  dizer se deseja ua GM armada ou não. No município do Rio, a GM possui uma excelente infraestrutura - talvez seja a melhor gaurda municipal do Brasil - e não anda com armas de fogo. 

Quando um determinado problema assume assume uma proporção que sai do controle, a tendência das pessoas é aceitar qualquer alternativa no sentido de resolvê-lo, ou seja, apela-se para tudo. Mas é preciso ter cuidado, convém agir com a razão e não com a emoção, como é tão comum na maioria das situações. Portanto, com a crise que o país está passando, econômica e política, e com vários estados enfrentando  a questão da violência urbana, cujo índices não param de crescer, com a bandidagem atacando em todas as frentes, a tendência é o povo aceitar medidas que contrariam o bom senso. Não raro, nossas autoridades escolhem sempre o caminho menos trabalhoso, na tentativa de resolver crônicos problemas sociais. - a violência é um deles.

 Reavalie sua ideia, prefeito  Às vezes, como diz o ditado popular, a emenda  pode ser pior do que o soneto.

 

Ainda não saiu?

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

A notícia veiculada semana passada a respeito da falta de dinheiro para as tropas federais que  vieram para o Rio de Janeiro ajudar no combate à violência urbana, deixa à mostra, entre outras coisas, como as decisões de bastidores das nossas autoridades são tomadas sem objetividade, para dizer o mínimo. Não é possível que o governo do golpista Michel Temer não soubesse que não ia ter dinheiro suficiente  para manter as tropas no Rio com operações complexas e dispendiosas.

O fato deixa à mostra que o envio de tropas federais para o Rio - foi mais uma vez - uma espécie  de “jogo  de cena” para a opinião pública. Além disso, não alterou praticamente em nada a rotina de violência dos cariocas. Serviu apenas para expor e desgastar a imagem dos militares.

Diante do exposto,  seria  de bom alvitre acabar de uma vez por todas com a mania de chamar tropas federais toda vez que a violência urbana, na visão das nossas autoridades, sair do controle.

Ainda não saiu? Você tem alguma dúvida, leitor? 

É fogo na roupa!

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 15 de Setembro de 2017

A credibilidade perante a opinião pública é um fator de suma importância para qualquer instituição. Ajuda - e muito - na solidez da sua infraestrutura, melhores condições de trabalho, entre outras coisas.

Quando ocorre um problema sério, como corrupção, por exemplo, além de macular a imagem da instituição, todos perdem - leia-se, a sociedade em geral.

Foi o que ocorreu mais uma vez, esta semana, com a notícia da prisão de diversos oficiais do Copo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, acusados pelo Ministério Público estadual de montarem um esquema de cobrança de propinas para liberar estabelecimentos comerciais do cumprimento de normas de segurança.

Um fato como o descrito acima, dificulta, quando não impede, reivindicações sobre qualquer coisa diante das autoridades. O negociador perde a força. Não há persuasão que resista. Por causa do escândalo, o comandante do Corpo de Bombeiros e secretário da Defesa Civil - coroel Ronaldo Alcântara - pediu exoneração

A corrupção atinge todos os setores. É muito fácil criticar nossos políticos, mas a maioria é o retrato fiel da nossa sociedade. O brasileiro parece que gosta de ser corrupto. Ele se acha um malandro,  um cara esperto, quando consegue resolver o seu problema dando propina a alguém. Até nas coisas mais simplórias as pessoas se corrompem. Muitos, até para tirar uma carteira de motorista, acham muito natural pagar para um corrupto qualquer - um 171 da vida - e obter a carteira sem passar por todas as etapas. Aliás, tirar uma carteira de habilitação nessa circunstância não é uma tarefa difícil. Mas isso é outra história!

É fogo na roupa!