Cocaína: o mercado mais lucrativo do mundo

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 21 de Junho de 2017

Estratégias para o transporte de cocaína; traficantes de diversos matizes; mafiosos; a estrutura da facção criminosa Primeiro Comando da Capital - PCC ; corrupção em todas as esferas e as mulas do tráfico, são questões que compõem o livro Cocaína - a rota caipira: o narcotráfico no principal corredor de drogas do Brasil, do jornalista Allan de Abreu. Editora Record. Durante cinco anos o autor trabalhou para a realização do livro. Foram inúmeras entrevistas, leituras e análises de documentos, a maioria inéditos.

Para desvendar os bastidores do narcotráfico, os seus investimentos e logística de armazenamento no interior paulista, de onde a droga é enviada para diversas capitais do Brasil e o exterior, o experiente e premiado repórter Allan de Abreu não fez sua apuração no conforto das sofisticadas redações refrigeradas - das poucas que ainda existem - pesquisando na internet. Longe disso: foi para a rua para apurar os fatos. O livro pode ser considerado, sem favor nenhum, uma espécie de resgaste do bom e velho  jornalismo , com temas relevantes, tendo como interesse o público.

A despeito de todas as dificuldades e as posturas antiéticas da nossa imprensa, preocupada apenas com interesses políticos e mercadológicos, o livro de Allan  revela uma prazerosa certeza; o jornalismo não morreu!

Trecho do livro

Como repórter dos jornais Bom Dia e Diário da Região, ambos em São José do Rio Preto, e o Estado de Mato Grosso do Sul, de Campo Grande, além da sucursal da Folha de São Paulo em Ribeirão Preto, acompanhei de perto nos últimos catorze anos boa parte das investigações policiais que tiveram a rota caipira como alvo. Nesse período, fui autor de reportagens de pelo menos nove grandes operações das Polícias Federal e Civil, tanto na fase de deflagração da operação, quanto jornalistas costumam se engalfinhar na porta da delegacia em busca de informação, quanto nos detalhes da investigação, incluindo  as escutas telefônicas, obtidas por meio de fontes com acesso direto aos inquéritos, geralmente protegidos do público pelo segredo de Justiça - na maior parte  das vezes sem justificativa plausível. Este livro é  a oportunidade de o leitor ter acesso aos detalhes dessas investigações, a grande maioria delas inédita. Isso porque pesquisei, durante quatro anos, 41 operações policiais contra o narcotráfico na rota caipira. Para isso, foram analisados 80 mil páginas de inquéritos policiais, denúncias do Ministério Público e sentenças da Justiça, documentos, na sua maior parte, sigilosos, de onde foi extraída a maior parte dos diálogos do livro, transcritos, sempre que possível, de modo literal. Nesse período, entrevistei 75 policiais, promotores, juízes, advogados, jornalistas e traficantes , no Brasil, no Paraguai e na Bolívia,envolvidos direta ou indiretamente com as histórias aqui narradas.     

À moda dos gângsteres

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 17 de Junho de 2017

Mais uma ação de bandidos que teve como alvo caixas eletrônicos. O fato ocorreu na madrugada da última sexta-feira, em uma agência do Bradesco, no Jacarezinho, Zona Norte do Rio. Encapuzados e armados com fuzis e pistolas, bloquearam os principais acessos ao bairro para praticar o assalto, explodindo caixas eletrônicos. Ao final da ação bem planejada, ainda soltaram fogos para comemorar.

A policia chegou tarde: os bandidos já tinham fugido. Ninguém foi preso..

De acordo com testemunhas, os bandidos chegaram em vários carros. E gritaram o nome do PCC (Primeiro Comando da Capital) facção criminosa de São Paulo que tem ampliado seus tentáculos em várias partes do Brasil e até no exterior, rival da facção que domina o Jacarezinho.   

Até quando os banqueiros vão aturar isso? Alguma medida precisa ser tomada. E rápido. Senão, pelo andar da carruagem, não teremos mais caixas eletrônicos nas agências. O cliente, por causa da bandidagem, será prejudicdo. Este ano, várias agências foram vítimas do mesmo tipo de ação, realizadas  nas zonas Norte e Sul do Rio e na Baixada Fluminense.

A guerra urbana carioca continua!

 

A QUEM INTERESSAR POSSA - Oitenta policiais militares foram assassinados no Rio, nos primeiros seis meses deste ano 

Cidade Maravilhosa?

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 12 de Junho de 2017

 

Sábado,10 de junho de 2017 - 6h40m. Enquanto aguardava a chegada de um amigo para uma viagem até Barbacena a trabalho, compro o jornall O DIA. Numa das chamadas de capa, a rotina demoníaca que assola o Rio; uma senhora de 76 anos,, Derly Cruz Peixoto morreu ao  ser atropelada por bandidos em fuga, que praticavam assaltos na região da Pavuna, Zona Norte do Rio.

Derly saiu  de casa com a neta Letícia de Oliveira, 14 anos, para levá-la ao ponto de ônibus, rumo ao colégio, como fazia todos os dias, quando foi atingida . Após a neta pegar o ônibus, Derly também pegaria duas conduções: uma para o centro do Rio, e outra para o bairro do Flamengo, Zona Sul da cidade, onde trabalha no Colégio Benett.

Até quando o Rio vai  conviver sendo refém da bandidagem? Até quando  a sociedade vai conviver com o medo? Até quando, para visitar alguém em alguma  favela, realizar algum traalho, ou coisa que o valha, o cidadão terá que pedir permissão para o “chefe” do local?

Rio, Cidade Maravilhosa? Esse título está defasado há muito tempo. Não faz mais o menor sentido..

“Se nada der certo, é melhor ficar calado”

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 6 de Junho de 2017

Publicado originalmente no site Brasil247.com.br

NÊGGO TOM

Cantor e compositor. É pobre, detesta doença e mais ainda camarão

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Definitivamente, a fase não é das melhores para a humanidade. Principalmente para a casta nobre e mais abastada de nossa sociedade tupiniquim, que não abre mão de sua natureza escravocrata e de sua hereditariedade colonizadora e faz questão de demonstrar todo o desprezo que sente por aqueles que não fazem parte do seu seleto e aristocrático grupo social.

Em tempos de politicamente correto, a incorreção se rebela e tenta vandalizar o discurso de valorização da espécie e respeito ao ser humano, em toda sua diversidade. Alunos de um tradicional Colégio do sul do país, promoveram um “recreio temático”, cujo tema era “Se nada der certo”, numa referência às opções de atividades profissionais, as quais eles recorreriam se não fossem aprovados no vestibular.

Não há dúvidas, que na vida, as vezes é preciso ter um plano B. Mas o que para mim, para você e para muitos, seria uma alternativa digna e honesta, para os jovens estudante secundaristas do IENH (Instituição Evangélica de Novo Hamburgo), é, na verdade, o fundo do poço. E assim eles foram se divertir fantasiados de trabalhadores que atuam em profissões, que na visão deles, são inferiores e são exercidas por pessoas que não deram certo na vida. Muito espirituoso, né?

Entre as categorias escolhidas, no caso de nada dar certo - Deus os livre - estavam garis, faxineiras, domésticas, vendedora de O boticário, entregador de pizza, churrasqueiro, mecânico, atendente do Mc Donalds, operador de telemarketing, ambulante. Os mais pessimistas ou com o senso de humor mais ácido, se fantasiaram de morador de rua e de ladrão. Em suma: uma verdadeira bosta.

Se essa “non sense party” tivesse acontecido no salão nobre do congresso nacional, eu confesso que não me assustaria. Afinal, lá tudo acontece mesmo. Mas isso tudo foi promovido dentro de uma instituição de ensino tradicional e evangélica. E se o soneto já fora um desastre, a emenda passou longe do eufemismo. A nota emitida pelo colégio, em sua página no facebook, conseguiu transformar, o que eles queriam nos apresentar como metáfora, em pura e simples metonímia.

Um trecho diz: “A atividade 'Se nada der certo' faz parte do projeto Dia D, prática comum nas escolas da região e grande Porto Alegre, que tem como objetivo promover momentos de integração e descontração entre os formandos do Ensino Médio…” Ou seja, vamos interagir e nos divertir, se passando por aquelas pessoas, as quais, nunca desejaríamos ser. A não ser que tudo dê errado . Em outro trecho: “O objetivo principal dessa atividade foi trabalhar o cenário de NÃO APROVAÇÃO NO VESTIBULAR, de forma alguma foi fazer referência ao 'não dar certo na vida'. Atividades como essa auxiliam na sensibilização dos alunos quanto a conscientização da importância de pensar alternativas no caso de não sucesso no vestibular e também a lidar melhor com essa fase.” E assim a equipe diretiva e pedag ógica que assina a nota, reforça o preconceito com as profissões, que exigem menos erudição.

O que fica claro nessa história toda, é a inferiorização de algumas classes trabalhadoras por parte de uma elite minoritária, que depende e muito dos serviços prestados por quem eles mais desprezam e enxergam com insignificância. Como devem ter se sentido o porteiro e a auxiliar de limpeza dessa instituição? E as domésticas que têm que arrumar os quartos dos jovenzinhos relaxados e preguiçosos? E as babás que cuidaram de muitos desses que se fantasiaram de trabalhadores comuns, com todo carinho e responsabilidade, como se fossem os seus próprios filhos?

Que tipo de instituição educacional se propõe a integrar os seus alunos, inferiorizando intelectualmente e menosprezando profissionalmente outros grupos sociais? Eles acreditam mesmo que teria outra forma de se interpretar essa “brincadeira”? Faltou dignidade e decência aos educadores da IENH. Os alunos apenas aproveitaram o momento de “descontração”, para externarem os seus preconceitos e exorcizarem os seus fantasmas sociais.

É claro e evidente, que todos teriam verdadeira ojeriza à trabalharem nas profissões escolhidas por eles para se divertirem. E como não há a menor possibilidade deles se submeterem a tamanha “humilhação” - uma vez que todos são economicamente bem nutridos - por que não brincar com tamanha “desgraça”? Ainda que tudo dê errado, eu sou o herdeiro. Mais do que temático, esse recreio foi didático. Nos ensinou que se nada der certo, é melhor ficar calado.

A direção.