Virou rotina

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 25 de Abril de 2017

Uma retificação - No meu ultimo artigo afirmei que 53 PMs foram mortos nestes primeiros quatro meses do ano. Na verdade, o número correto é 57. Virou rotina. Até quando?

Nossos políticos, assim como também a sociedade, precisam apoiar nossos policiais.

Moral da tropa

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 23 de Abril de 2017

 

No último sábado, momentos antes de pegar o carro que me levou até São Pedro da Aldeia, município da Região dos Lagos do Estado do Rio de Janeiro, para um trabalho no final de semana, dei uma olhada nos jornais estampados numa banca, cujo um dos destaques foi mais uma explosão de caixa eletrônico numa agência bancária. Desta vez o fato em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, numa agência da Caixa Econômica Federal, localizada na rua Visconde de Pirajá.. Os bandidos conseguiram levar R$60 mil.

Foram cinco explosões na Região Metropolitana do Rio, em apenas uma semana, de acordo com o jornal O DIA. Dois casos ocorreram na Zona Norte e, em São João de Meriti, Baixada Fluminense, outros dois.

A bandidagem tem agido cada vez com mais ousadia, num Estado completamente acéfalo, em virtude da grave crise política e econômica. Em virtude disso, a infraestrutura da polícia piora a cada dia. Cinquenta e três policiais foram mortos somente este ano, deixando orfãos menores de idade. E as viúvas desses policiais? Faz-se necessário todo o apoio, não só por parte da corporação, como também os órgãos do Estado, no sentido de providenciar, o mais rápido possível, a concessão de pensão. Isso é o mínimo. Não tem sido fácil ser policial militar no Rio de Janeiro. E tudo isso tem afetado o moral da tropa.

Na falta de investimentos e competência administrativa, a bandidagem amplia seus tentáculos.

Que sirva de exemplo para nossas autoridades o que ocorreu recentemente no Espírito Santo .
     

Sucursal do inferno

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 20 de Abril de 2017

 

Os dois textos abaixo são cartas de leitores enviadas por e-mail para o jornal O Globo, na última quarta-feira. Não raro, em outros jornais também há críticas veementes a respeito da situação do Rio. De uma maneira geral, muitos cariocas acham que residem na melhor, mais bonita e famosa cidade do Brasil. Mas o nível de degradação tem se acentuado de tal forma que até os mais empedernidos bairristas jogaram a toalha e assumiram um comportamento crítico, sem essa babaquice de bairrismo, que a minha cidade é a melhor, e que o carioca é o fodão, o rei da cocada preta. Antes tarde do que nunca, como diz o ditado popular.Há décadas o Rio deixou de ser referência em qualquer campo de atividade e se transformou numa espécie de sucursal do inferno.

Marcas da Violência

A dura realidade de quem mora no Rio está retratada nas ruas, através da arte do grafite. Os governantes do que sobrou do Rio de Janeiro não vão poder dizer que não sabiam dessa guerra que vivemos. Estão esperando o quê para pedir auxílio? Aqui, tentamos sobreviver diariamente. Quando é conveniente ao governo, Forças Armadas e força  de segurança vão para  as ruas, encobrindo por um curto espaço de tempo a nossa triste realidade. nâo andem em carros blindados, mas de ônibus, e torçam para não ter de largar o  carro na entrada  de um túnel e sair correndo de um arrastão. Enfim, vivam como cariocas. Vão  se surpreender, e com certeza ficar muito envergonhados.
Liane Gouvea - Rio 

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O Rio acabou! Violência, lojas fechando…Não há mais solução. Falta autoridade moral. Não pode uma cidade ser gerida por um bispo e, paralelamente, pela bandidagem. Esse somatório não dá  certo. A outrora Avenida Rio Branco, centro financeiro do Rio, acabou! Só não  ver quem não quer.
Paulo Costa Neto - Rio

Só polícia não resolve!

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 17 de Abril de 2017

Há alguns dias, o  secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Roberto Sá, durante o enterro de um policial fez um desabafo veemente a respeito do pouco rigor da lei. Bandidos presos com armas de guerra - fuzil e hk47, caso condenados, ficam na cadeia no máximo quatro anos. A polícia prende e a justiça solta, frisou o secretário. Trata-se de um caso a ser estudado sem emocionalismos e com profissionalismo.

Após a morte da menina Maria Eduarda, 13 anos, atingida por tiros no pátio da sua escola, no bairro  de Acari, Zona Sul do Rio, durante um tiroteio entre PMs e bandidos, em 30 de março último, 15 dias depois, mais uma tragédia; desta vez foi a vez da Zona Sul, no aprazível bairro das Laranjeiras A vítima foi um jovem de 19 anos, Miguel Araújo, morto durante uma tentativa de assalto, a cerca de 300 metros do Palácio Guanabara, sede do governo estadual. Uma moto com dois bandidos emparelhou ao seu lado. Ao perceber que era um assalto, Miguel acelerou e foi atingido com um tiro no peito. Os bandidos fugiram. Miguel estava com sua namorada na garupa que, ao cair da moto, fraturou a perna esquerda. 

Mais uma família enlutada, que perde um filho de forma estúpida, vítima da bandidagem violenta e covarde.

Somente a polícia não vai o problema da violência. Isoo é óbvio, dirá o leitor. E é mesmo! Mas de vez em quando o óbvio tem que ser dito.

Sem investimentos sociais dignos de nota e melhoria na infraestutura da polícia, nada vai mudar no cenário carioca.

 Mas como fazer isso num Estado falido? Para ter melhorias na área da segurança, o maior problema do Estado, será que o carioca vai ter que esperar até 2018?

Violência, roubos, desemprego, cidadãos com cargos importantes acusados de corrupção, um governo federal que trabalha para tirar direitos do trabalhador. Não há notícia boa. Que crise, hein?

O país vive um retrocesso. Triste! Muito triste!

Feliz Páscoa!

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 14 de Abril de 2017

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem, ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”.

NELSON MANDELA ( 1918-2013)

Vivemos num mundo de alta tecnologia. As grandes capitais do mundo possuem seus locais de sofisticação, como por exemplo, os luxuosos shoppings, aeroportos ( existe um ranking dos melhores do mundo), homens que acumularam fortuna e saem na lista dos mais ricos do planeta na revista Forbes. 

Tudo isso deve ser questionado, diante de um mundo onde milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, das guerras, do radicalismo político, do preconceito  de vários matizes e da opressão de países ricos e poderosos sobre os mais pobres - Estados Unidos à frente - impondo os mais terríveis sofrimentos a vários povos.

O homem continua na Idade das Trevas. Não se modernizou do ponto  de vista humanístico. Apenas trocou a punição por crucificação, passando pelo enforcamento e, fiel ao espírito da modernidade, cãmeras de gás e cadeira elétrica. A intolerância e o ódio ganham cada vez mais espaço e a internet potencializou isso. No Brasil e no mundo.

Smarstphones, WhatsApp, Facebook, carrões, tênis de marca. A lista é grande. Tudo isso faz a festa do mercado capitalista.

E o respeito pelo semelhante, o humanismo, a ética, a ternura e a compaixão? Esses valores não fazem mais parte do mundo “moderno”?

Desligue um pouco o seu computador e o seu celular. Pense nisso!

Feliz Páscoa!    

Rio: Cidade degradada

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 10 de Abril de 2017

 

A revista Carta Capital desta semana tem uma matéria a respeito da crise econômica, institucional, moral e de segurança que o Rio de Janeiro está enfrentando. Com o título Caos político e social, relembra a morte da menina Maria Eduarda, 13 anos, atingida por tiros no interior da Escola Municipal Daniel Piza, em Acari, Zona Norte do Rio. Tudo indica que os tiros partiram dos PMs que entraram em confrontro armado com traficantes do local e acabaram executando dois marginais com tiros à queima-roupa; cinco dias depois, mais uma morte envolvendo troca de tiros entre PMs e traficantes. Evangelista  da Silva, 72 anos, morador de Madenla, em Manguinhos, Zona Norte do Rio, foi atingido na cabeça, às 10 hs da manhã, quando policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da região trocaram tiros com criminosos.

 Com o intertítulo, Há uma crise moral instucional, a matéria frisa a prisão dos ex-governador Sergio Cabral e da sua esposa, e de cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), “ acusados de receber propina para fazer vistas grossas em obras e contratos de empreiteiras com o governo federal”.  

O cenário descrito acima, como não poderia  deixar de ser, reflete na questão da segurança. Falta infraestutura, melhores condições de trabalho, e um treinamento mais eficaz para a PM. A morte de Maria Eduarda é uma prova irrefutável disso. “ O que foi feito em Acari é realmente uma boçalidade, diz o secretário municipal de Educação, César Benjamin, um dos personagens da matéria na Carta Capital

A degradação tomou conta do Rio de Janeiro, Nada funciona a contento. O funcionalismo público vive dias angustiantes diante dos salários atrasados, e o governador Pezão está completamente perdido. É figura frequente em Brasília, na tentativa de solucionar a crise. E, como mostra a matéria, Pezão decidiu se dobrar à equipe econômica de Michel Temer. Adotou  a receita neoliberal do ministro da Fazenda Henrique Meireles, que atinge principalmente o setor público e as políticas de Estado, incluindo a segurança.

Após conversar com Temer e sua equipe, Pezão concordou em privatizar a Cedae. Assim fica fácil governar um estado. Diante de um problema no orçamento, privatiza uma empresa, receituário usado à exaustão na época do tucanato. Não deu certo! O Brasil não melhrou com as privatizações. Muito pelo contrário.

O que fazer diante de um quadro tão adverso? Um dos caminhos é não se deixar cauterizar pela crise e pela violência. Convém manter as esperanças em dias melhores e lutar por isso.