País doente

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

 Durante uma confusão em torno do estádio Nilton Santos (o  Engenhão), Zona Norte do Rio, por ocasião do jogo entre Botafogo e Flamengo, em 12 de fevereiro último, um torcedor alvinegro, Diego Silva dos Santos, 28 anos, foi agredido com um espeto de churrasco. Teve o olho perfurado e, embora tenha sido levado para o hospital, não resistiu ao ferimento e morreu.

O que dizer de um cidadão que sai de casa para assistir a um jogo de futebol e acaba matando um semelhante? Brigas de torcida e mortes de torcedores ocorrem com uma frequência cada vez mais preocupante.

No universo do nosso futebol algumas questões contribuem para o clima de beligerância entre torcedores. Mas não quero analisar as questões que contribuem para a violência entre as torcidas de futebol. Deixo isso para os repórteres esportivos.

A violência urbana que atinge todo o país é fruto de uma política social cada vez mais injusta, preconceituosa, desumanizante e hipócrita.

 Robôs desgovernados - Todo investimento direcionado para o povão é demonizado pela elite e políticos de direita de populismo, expressão muito usada no período de Leonel Brizola ( 1922-2004) como governador do Rio de Janeiro. A construção dos CIEPS Centros Integrados de Educação Pública, popularmente apelidados de Brizolões -  revolucionário projeto educacional para a clase pobre foi criticado de várias formas. Aos poucos foi sendo esvaziado pelos governos que sucederam Brizola. Hoje são apenas uma lembrança.

As classes menos favorecidas convivem com problemas de toda ordem e muitas localidades são praticamente esquecidas pelo governo. Não há transporte, hospital, saneamento básico e segurança.

Num país cada vez mais injusto socialmente, com um presidente que assumiu o poder após um golpe sem armas, que não tem naturalmente nenhum respaldo popular, todos os problemas se agravam, a violência cresce. Jovens sem perpectivas de trabalho, sem esperança de melhorar de vida, optam pelo caminho do tráfico de drogas, do assalto à mão armada, dos arrastões na praia e nos ônibus. Bando de alienados, robôs desgovernados.

A violência não se manifesta apenas nas ruas. Mas também nos bastidores da nossa política, nos gabinetes, nos luxuosos restaurantes, locais onde são engendrados projetos contra o povão.

A situação que o Rio de Janeiro vive hoje resume o nosso país, que está doente. O povo sofre as agruras de um sistema político oligárquico e desumanizante.

Até a próxima quinta-feira

Ziriguidum, ziriguidum

A polêmica da torcida única

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017

Para os que gostam e acompanham o noticiário esportivo sobre o futebol, recomendo que leiam o artigo de Rodrigo Borges, publicado no último dia 20, no jornal Lance. Fala a respeito da torcida única. No Rio, como já acontece em São Paulo e Minas Gerais, os clássicos terão que ser disputados com torcida única.

O autor do artigo diz que a decisão do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos ( nome bacana, não é não?) foi motivada pela tragédia ocorrida antes do jogo entre Botafogo e Flamengo, quando um torcedor do alvinegro foi morto ao ser atingido por um espeto de churrasco e vários ficaram feridos, numa confusão em torno do estádio do Engenhão.

Concordo plenamente com o companheiro Rodrigo Borges quando ele afirma “que a decisão tomada agora no Rio, mas que já aconteceu em outros estados, é uma admissão do poder público de sua incapacidade de controlar a violência que cerca o futebol, algo que não é novo, já se discute há mais de duas décadas”. Perfeito!

Peço licença ao Rodrigo para acrescentar o seguinte:  ao longo desse tempo os dirigentes dos clubes também têm sua cota de responsabilidade pelas lambanças protagonizadas por suas torcidas organizadas, pois a tratam com paternalismo.

E já que Eurico Miranda foi citado no artigo, estou com ele: se eu fosse presidente do meu clube, o Botafogo, não o deixaria entrar em campo com torcida única.

A medida, além da polêmica que tem causado, não vai resolver nada

Rodrigo Borges diz no último parágrado do seu artigo que o futebol está sendo golpeado violentamente e agoniza. É verdade! Assim como o nosso país, onde o povão não consegue realizar os seus sonhos mais simplórios. Grassa o desemprego, a violência e a desesperança.

   

Emprego das Forças Armadas é paliativo

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

 

A presença das Forças Armadas nas ruas do Rio de Janeiro já virou lugar-comum. Neste início de ano alguns estados requisitaram ajuda dos militares, entre eles o Espírito Santo, onde a polícia resolveu entrar em greve e o caos tomou conta da cidade.

Na hora que a crise na área  da segurança assume proporções difícies de controlar, os militares são chamados. O fato demonstra o que a torcida do Flamengo já sabe. Os governos estaduais não conseguem mostrar eficiência na área da segurança pública, principalmente no Rio  de Janeiro, onde a violência urbana assume cada vez mais índices assustadores.

Quando há grandes eventos, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, os militares também são chamados. E, para que possam atuar, uma série de procedimentos burocráticos precisam ser tomados pelas autoridades estaduais, de acordo com o regulamento -Decreto número 3.897, de 24 de agosto de 2001. Após esse procedimento, as triopas são liberadas..

Ressalta-se que, em tese, o trabalho das Forças Armadas na área da segurança pública tem sido positivo. Mas não  resolve o problema. É um paliativo.

A violência urbana precisa ser combatida sem o emprego de mais violência, sem preconceitos de qualquer ordem, com profissionalismo e investimentos na infraestrutura das políciais - militar e civil - e nas suas condições de trabalho. De resto, um presidente da República eleito pelo voto popular, projetos sociais e portas de emprego seriam uma ajuda incomensurável.

As constantes intervenções das Forças Armadas para socorrer estados em momentos de crises agudas na segurança pública estão banalizando os militares.  

privatizar não resolve

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2017

O governo Temer continua completamente perdido sobre a crise nos presídios. Na verdade, é mais do que uma crise. A definição correta é o caos no nosso sistema penitenciário, onde os direitos dos presos não são respeitados e a superpopulação é um problema crônico. E, caso não seja resolvido, outras tragédias e rebeliões virão.

  Pelo menos em duas oportunidades afirmei aqui neste blog que nossas autoridades, no calor da hora,fizeram discursos que vão do nada a lugar nenhum. Nada de concreto para mudar  a estrutura dos nossos presídios foi feito.

Mas, a despeito de todos os problemas, os 56 detentos mortos em Manaus e 33 em Roraima no início deste ano, deixaram à mostra, de forma muito clara, que privatizar presídios não melhora em nada a sua infraestrutura, tampouco a vida dos presos.

Privatizar presídios só serve aos interesses de determinados empresários, que lucram com o sofrimento alheio. A privatização estimula o encarceramento. pois quanto mais presos, mais lucro. É preciso parar com essa ideia que privatizar resolve os problemas  das empresas ou de instituições públicas. Os exemplos são muitos; a questão dos presídios é apenas um deles.