projeto simplista

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 30 de Novembro de 2016

O município de Niterói, Região Metropolitana do Rio, tem enfrentado altos índices de violência. Além de constantes tiroteios em diversos morros entre facções rivais, há os assaltos, roubos de veículos e celulares. O centro da cidade é um perigo constante. Muito bandido, desocupados e pivetes.

Como combater isso? Certamente não é armando a guarda municipal, projeto do prefeito Rodrigo Neves - ex-PT - agora no PV. A ideia é simplista e, além disso, colabora com os interesses da “Bancada da Bala” no Congresso Nacional, que luta para acabar com o Estatuto do Desarmamento.

A rigor, a questão da violência não é uma tarefa do prefeito. Caso Rodrigo Neves consiga melhorar a questão dos transportes - não pode motorista atuar também como trocador - dar um choque de rodem no terminal rodoviário das Barcas, que virou uma mixórdia,  e o atendimento nos hospitais,  já está de bom tamanho.

Triste! Muito triste!

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 21 de Novembro de 2016

Manifestações, prisão  de dois ex-governadores, invasão da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - Alerj - agressões a jornalistas da Rede Globo, tudo isso é muito triste, para dizer o mínimo. Um Estado com a importância do Rio de Janeiro deveria estar vivendo um outro momento. Creio que não é exagero dizer que o Rio enfrenta a pior crise econômica e política da sua história. E o governo estadual tem escolhido o pior caminho na tentativa de resolvê-la.

Os fatos mostram como o governo administrou mal. Muito marketing e pouca ação concreta para o povão. Agora, ficou claro como a neve, os vários problemas com obras para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, relações ao arrepio das lei entre o Estado e a iniciativa privada. À época, as autoridades estaduais diziam que a realização das duas grandes competições iria deixar um legado para o Estado. Cadê o legado?

Diante de tudo isso que aí está, funcionários e pensionistas estão passando situações difíceis,às vezes constrangedoras, em função do atraso dos salários. E, além disso, como se fosse pouco, a crise tem servido para aumentar os indicadores da violência em todo o Estado.

Como é de praxe, ao se aproximar o final de ano, o povo começa  a vivenciar o Natal e a fazer planos para o próximo ano. Trata-se de um período de desacelaração em vários aspectos,  de reflexão a respeito da vida, da família, dos amigos, tempo para restaurar certos relacionamentos que, por um motivo ou outro, ficaram distantes. E, acima de tudo isso, cada um a seu modo, entrar em contato com o aniversariante - o Deus Eterno.

Este final de anoi tem sido, psicologicamente falando, desgastante. Vale para todo o povo brasileiro e, de forma especial, para o carioca.

2016 certamente vai ficar (de forma negativa) marcado no inconsciente coletivo. Triste! Muito triste!

Sobre pessoas, bancos, vida e morte

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

Artigo publicado no site Amaivos

Por Maria Clara Bingemer - teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC - RJ

Quando Simone Weil, a grande filósofa e mística francesa, terminou seu período de um ano de trabalho em diversas fábricas e montadoras francesas, descreveu para seus amigos sua experiência em uma frase: “Coisas fazem o papel de homens, homens, o papel de coisas. Aí jaz a raiz do mal”.

Não está longe a frase de Simone Weil da que o Papa Francisco pronunciou há dias, em Roma, em um discurso aos representantes de movimentos sociais em que se organizam trabalhadoras e trabalhadores da economia popular, do campo e de diversos setores que representam os excluídos da sociedade. O encontro, que teve a participação de 170 delegadas e delegados de 65 países, convocados pelo Cardeal Turckson, foi realizado no período de 2 a 5 de novembro último.

Ao comentar a grande desigualdade existente no mundo, que valoriza o capital e não a vida humana, o Papa denunciou a ditadura do dinheiro sobre as pessoas. E comentou com especial ênfase a tragédia dos migrantes que morrem no Mediterrâneo, às portas da Europa, diariamente. A propósito desse escândalo da nossa época, disse Francisco: ”No mundo de hoje, quando ocorre a bancarrota de um banco, imediatamente aparecem somas escandalosas para salvá-lo, mas quando acontece esta bancarrota da humanidade não existe sequer uma milésima parte para salvar esses irmãos que sofrem tanto. E assim o Mediterrâneo transformou-se em um cemitério e não somente o Mediterrâneo…muitos cemitérios próximos aos muros manchados de sangue inocente.”

Parece que o mundo de hoje está esquecido da Ética que, segundo o filósofo judeu lituano-francês Emmanuel Levinas, é a filosofia primeira. A Ética se ocupa dos valores que orientam o comportamento humano e suas atitudes concretas na vida de cada dia. A Ética é composta por princípios universais, ações nas quais se acredita e que não mudam independentemente do lugar onde se está. À diferença da moral, que se traduz em atitudes concretas e se rege por normas e hábitos recebidos, a Ética busca a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver e conviver, isto é, busca o melhor estilo de vida, tanto na vida privada quanto na pública.

Quando a solicitude das pessoas e instituições se desentende daquilo que ameaça e põe em perigo a vida humana; quando os recursos e os meios de que dispõe a humanidade se voltam para instituições impessoais que visam ao lucro estéril e improdutivo, centrado na reprodução exponencial e autofágica do capital que beneficia apenas uma minoria, há algo extremamente doente e insano na sociedade.

Em boa parte é isso que se vive hoje. Quando as instituições bancárias estão em perigo, acorrem seus coirmãos do mundo inteiro para socorrê-las e não deixá-las ir à falência. Porém, quando se trata da vida de milhares de pessoas, de famílias que fogem da morte buscando a melhoria de condições, as fronteiras se fecham e os governos voltam as costas. Parece que os migrantes - homens, mulheres, crianças, famílias inteiras - que encontram a morte no mar Mediterrâneo ou no deserto do Arizona são coisas e os bancos com seus cofres fortes e seguranças são seres vivos.

Pobre mundo, pobre humanidade que parece haver perdido a bússola da dignidade de sua condição. Pobres gerações futuras que herdarão esse estado de coisas sem jamais haver conhecido outra realidade. E, no entanto…a esperança está no germinal, na pequena semente. Simone Weil sofreu a experiência da fábrica que matou sua juventude e deixou um legado luminoso para os que têm a graça de conhecer sua experiência e seu pensamento.

O Papa Francisco não se cansa de denunciar e convocar as consciências para o estado de inversão de valores, de cataclismo ético em que se encontram o mundo e a sociedade. Fala incansavelmente à Igreja da qual é pastor e à sociedade que o respeita como líder. Trata-se de um homem apenas.

Simone Weil era uma frágil mulher, que morreu aos 34 anos, na metade do século passado. As Simones e os Franciscos continuam existindo. E por isso a esperança pode até ser equilibrista e dançar na corda bamba de sombrinha, mas não podemos perdê-la de vista. O caos está a um passo, mas a dignidade humana ainda não submergiu definitivamente. Podemos escolher: ser Simone, ouvir Francisco, ou seguir em frente como se nada houvesse, compactuando com uma ordem invertida por ausência de ética.

Dura reflexão na noite em que o mundo acompanhava ansioso para que direção caminharia o país mais poderoso do mundo, que escolheu Donald Trump seu novo presidente. Que não nos faltem a graça de Deus e a esperança, virtude maior que ajuda a enxergar a luz em meio às trevas. Amém!

 

Não há notícia boa!

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 6 de Novembro de 2016


Mais uma vez, refugiados arriscam suas vidas tentando uma fuga pelo mar em botes sem infraestrutura. 

A foto na primeira página do jornal O Globo da última  sexta-feira (dia 4) é impactante. Com exceção dos alienados políticos  e daqueles que já não possuem mais nenhum resquício de humanidade, a foto nos leva a refletir a respeito da vida em todas  as suas dimensões. Migrantes e refugiados africanos continuam arriscando suas vidas em botes de borracha lotados que, não raro, naufragam. Desesperados, fogem da guerra, da fome, da opressão.

De acordo com a organização Internacional para as Migrações (OIM), este ano 4.220 imigrantes morreram no Mar Mediterrâneo. Entre os sobreviventes de um dos naufrágios da última quinta-feira - segundo a reportagem do jornal - estavam cerca de 20 mulheres e seis crianças, que partiram da Líbia na madrugada da última quarta-feira. O barco afundou horas depois. Doze corpos foram  recuperados, incluindo os de três bebês.

A paz continua sendo a grande questão em todo o mundo. Pessoas que querem apenas viverem suas vidas no seu país, são vítimas da fome, de políticas que não levam em conta o ser humano e do fundamentalismo religioso.

Violência carioca - Na última terça-feira, traficantes que haviam atacado um companhia destacada parecida com a UPP, uma espécie de mini UPP, que foi inaugurada em janeiro de 2015 no Morro do Banco, no Itanhangá, Zona Oeste do Rio, mataram a tiros de fuzil a dentista Priscila Nicolau, 37 anos. Seu carro foi atingido com 17 tiros de fuzil.
 No feriado de Finados, um calor senegalesco, praias cheias, os ônibus iam lotados em direção à Zona Norte. Vândalos, na verdade jovens alienados, verdadeiros robôs desgovernados, que não têm nada a perder, vítimas de um sistema capitalista injusto e desumano, manda a verdade que se diga, danificaram 68 ônibus de duas empresas. Cerca de 30 ônibus ficaram completamente danificados.

O fato deixa à mostra, mais uma vez, a  questão da insegurança do carioca, problema antigo, que piora a cada ano. Há também uma crise financeira sem precedentes na história do Estado. Na tentativa de resolvê-la, o governo estadual resolveu penalizar servidores e pensionistas. É grave a crise!

Na noite da última quarta-feira, Dyego Henrique Viana, 26 anos, que guiava sua motocicleta, foi morto por PMs no bairro de Santo Cristo, Centro do Rio, que o acusaram de ter furado uma blitz e atirado numa viatura. A polícia estava fazendo uma operação em duas favelas: nos morros do Pinto e da Providência.

 A família nega a versão da PM. Garante que Dyego era inocente e trabalhava com carteira assinada como manobrista no hospital Copa D” Or, em Copacabana - Zona Sul do Rio - e estava  em dia com a documentação da moto. Qual seria o motivo para ele fugir de uma blitz? questiona o irmão Diógenes Henrique Sales Viana.

Tudo indica que mais um inocente foi morto pela PM.

Diante do quadro acima, uma constatação: não há notícia boa! No Brasil e no mundo.

Cunha (e outros) na prisão

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 2 de Novembro de 2016

Por Frei Betto

Publicado originalmente no site Amaivos

Pessoas que possuem formação superior costumam passar por quatro fases ao serem presas: a da indignação, na qual se consideram injustiçadas; a da depressão, quando se dão conta de que a porta do cárcere não se abrirá por milagre, malgrado seus bons advogados; o período da abnegação, quando o preso se convence de que não deve ficar com a cabeça aqui fora enquanto o corpo está lá dentro; e o da resiliência, quando passa a fazer exercícios físicos e aproveitar melhor o tempo com leituras, artesanato, estudo de seu processo, aprendizado de idiomas ou jogos como xadrez ou baralho.

Há quem não supere a fase da depressão. Em meus anos de cárcere, vi companheiros ficarem na cama 18 horas por dia, na expectativa de que o tempo passasse mais rápido…

No caso da Lava Jato, o maior sofrimento dos presos consiste em suportar a dor de seus familiares, obrigados a mudar hábitos de vida e a enfrentar constrangimentos; a pressão sobre os advogados, para que encontrem o quanto antes a porta de saída; e a espada de Dâmocles chamada delação premiada: guardo silêncio e suporto os longos anos de condenação ou alivio o meu lado e complico o de outros envolvidos em maracutaias?

E há aqueles que, temendo ser presos e conscientes de que têm culpa no cartório, usam seu poder político para fazer aprovar, a toque de caixa, a lei contra o abuso de autoridade, versão hodierna da Lei Fleury aprovada pela ditadura.