Violência velada

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 29 de Agosto de 2016

O julgamento da presidente afastada Dilma Rousseff vive seus momentos decisivos. Temos assistido discusssões acaloradas, baseadas mais na emoção do que na razão. Não quero aqui citar nomes para não ferir suscetibilidades, mas alguns parlamentares têm assumido uma postura não condizente - eticamente falando - com a importância do cargo que ocupam.

Sem tomar partido nos complicados jogo de poder que acabou ocasionando o afastamento da presidente democraticamente eleita, quero apenas lembrar um fato. E, como diz o ditado popular, contra fatos não há argumentos. Foi no governo do PT que o Brasil conquistou importantes avanços sociais, que mudaram a vida dos mais pobres, daqueles que não foram bafejados pela sorte.

Sem justiça social o país vai  ficar remoendo os mesmos problemas, como por exemplo, a violência urbana, cujos índices têm crescido em vários Estados, fruto de uma política preconceituosa e excludente. Métodos repressivos e corte de direitos trabalhistas não constroem nada de positivo e, além disso, também é uma forma de violência. Há um preconceito exacerbado e sem propósito da elite brasileira contra o povão. Fato que não permite que o país cresça. 
Quando uma autoridade vai tomar uma decisão - principalmente de cunho social - deveria pensar quais serão as implicações. Vai favorecer o povo, ou apenas aos interesses partidários e corporativos mais imediatos?

Vivemos num país cristão. E precisamos exercitar o humanismo e a compaixão - virtude que perpassa todas as religiões.
   

tempos difíceis!

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 25 de Agosto de 2016

Finda a festa das Olimpíadas, o carioca volta a conviver com a sua preocupante e aflitiva rotina, ou seja: a violência urbana. Não há, infelizmente, perspectivas de melhora. Autoridades da área de segurança pouco podem fazer, em função da grave crise econômica que o Estado enfrenta. Um exemplo disso é que no Complexo da Maré, centro do Rio, onde o soldado Hélio Viana Andrade, da Força Nacional, pelo simples fato de ter entrado na favela porque errou o caminho. Foi baleado na cabeça pelos bandidos. Chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu e morreu. No local, o governo estadual prometeu, já há alguns anos, instalar UPPs. Mas o plano continua existindo apenas no papel. Não há verba para isso. E o povão continua sofrendo. 

Na última segunda-feira, um subtenente da PM foi morto por traficantes numa favela do bairro Boaçu, no município de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Casado, deixou dois filhos. Em Niterói, um cidadão matou o outro apenas por uma questão trivial de estacionamento. Ficou revoltado ao encontrar um carro estacionado no lugar onde costuma estacionar sua kombi. Após uma discussão com o  dono do carro, o motorista da kombi sacou uma arma e atirou. Aos poucos estamos retornando aos tempos do velho oeste. E ainda há parlamentares que lutam para acabar com o Estatuto do Desarmamento.

Vivemos um tempo de total insensibilidade, egoísmo, covardia e hipocrisia. Falta pouco para a barbárie. Além da violência protagonizada pela bandidagem do tráfico de drogas, o país foi atingido por um golpe sem armas, gestado por uma elite preconceituosa e excludente, que afastou do poder a presidente Dilma Rousseff, democraticamente eleita. Fato que não deixa de ser também uma violência.

Tempos difíceis! Há solução? Claro que sim. Um dos caminhos é votar com seriedade. Vote em políticos éticos, que trabalham para a melhoria das condições sociais do nosso povo. Apesar de tudo que aí está, como dizia o saudoso Leonel Brizola, eles existem.

Religião e Terror

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

 

Por Marcelo Barros

 Publicado no site Amaivos

Nesses dias, um dos assuntos mais frequentes na imprensa internacional é o Terrorismo. Ele é apresentado como ações de fanáticos desumanos que atentam criminosamente contra a civilização. Quem olha de forma mais crítica jamais se colocará do lado de quem mata inocentes e, seja por qual for a causa, semeia no mundo o ódio e a violência. No entanto, sabe que não existe um império do bem em luta contra as forças do mal. Há denúncias sérias e comprovadas de que grupos terroristas são criados e armados pelo próprio Império norte-americano para se legitimar e para dar aos governos aliados do Ocidente o pretexto para exercerem maior controle sobre os cidadãos. Assim, se cria uma situação de insegurança, na qual a guerra se torna necessária. Afinal, como terroristas de países periféricos podem ter as armas mais sofisticadas? Quem os assessora em técnicas de guerra que só governos e empresas do mundo rico conhecem?

Atualmente, a opinião pública liga qualquer ato terrorista com o que se convencionou chamar de Estado Islâmico (EL). De fato, o EL nem é Estado, nem é islâmico. Prisioneiros que dele escaparam com vida afirmaram que seus militantes não conhecem e não praticam o Islamismo.

Pelo fato de lidar com as pulsões mais íntimas do ser humano e buscar resposta para as questões mais profundas da vida, toda religião mal compreendida pode se transformar em fanatismo e gerar atitudes violentas. Os fundamentalismos são movimentos religiosos que se colocam contra quaisquer formas novas de interpretar a fé. O fundamentalismo surgiu no início do século XX, em meios cristãos evangélicos dos Estados Unidos e até hoje, em todo o mundo, os Estados Unidos são o centro no qual o fundamentalismo é mais forte. Ali, em pleno século XXI, nas universidades, professores e estudantes ainda se dividem entre evolucionistas e os tais criacionistas que creem que a criação do mundo ocorreu conforme o relato da Bíblia, lido ao pé da letra.

Em 2002, diante de milhões de telespectadores, o presidente dos EUA afirmou que, naquela noite, Deus Pai lhe tinha ordenado invadir o Iraque. E assim foi feito com as consequências que o mundo inteiro vê até hoje.

No mundo atual existem grupos fundamentalistas judeus, cristãos, budistas e também muçulmanos. Embora o termo fundamentalista seja sempre ocidental e uma forma ocidental de julgar, existe um radicalismo islâmico que justifica, em nome de Deus, a violência simbólica e mesmo física, quando necessária. A maioria desses grupos radicalistas justifica a pena de morte. No entanto, normalmente, não praticam o terrorismo como meio para impor suas ideias.

No mundo atual, o terrorismo de grupos marginais parece se multiplicar como reação a um mundo organizado de forma cruel e injusta, no qual 62 indivíduos possuem uma riqueza correspondente à metade da humanidade. Se somarmos todas as vítimas do terrorismo no mundo, nem de longe se aproximam do número de crianças e pessoas idosas que a, cada dia, morrem de desnutrição e fome, provocadas por esse sistema. Menos ainda se juntarmos a esse número, as vítimas das invasões e guerras preventivas realizadas pelos governos ocidentais. Já em 1968, os bispos católicos da América Latina, reunidos na sua 2a conferência geral, em Medellín, Colômbia, chamaram atenção para o que chamaram de “injustiça institucionalizada”. É isso que torna o mundo mais inseguro e violento. É isso que, de forma lamentável, acaba legitimando os atos terroristas.

Embora os fanáticos não saibam fazer essa distinção, o que os grupos radicais ligados ao Islamismo odeiam não é o Cristianismo das comunidades ou a fé cristã como aparece na Bíblia e sim a Cristandade. Essa é o regime social e político que, desde o século XVI, legitimou os impérios do Ocidente e sempre se colocou do lado dos conquistadores. Na invasão dos países da África e Ásia, os missionários sempre estavam ao lado dos soldados. Os alvos principais dos grupos terroristas são países europeus que colonizaram de forma violenta países da África e da Ásia e até hoje mantêm políticas de tipo imperialista. Nesse ano, quem mais sofreu atentados foi a França, que mantém operações militares na Síria, Iraque e Mali, além de ser o país europeu que abriga o maior contingente de migrantes de cultura islâmica. Eles, juridicamente são cidadãos franceses, mas sofrem diariamente consequências do forte racismo da sociedade francesa de origem e vivem em periferias pobres, confinados em verdadeiros guetos. Muitos jovens que partem para pertencerem ao EL são oriundos dessa população marginalizada e discriminada pelos franceses. Sem dúvida, têm havido ataques terroristas em outros países e mesmo em cidades como Kabul e Bagdá. No entanto, por trás de cada um desses atos está sempre a revolta generalizada contra o Ocidente, identificado como “cristão”.

O remédio contra o terrorismo jamais será entrar na mesma lógica e responder ao terrorismo de grupos fanáticos com terrorismo de um Estado dominador que se pretende impor pelas armas. O mundo só terá paz quando, como canta o poeta Zé Vicente: “as armas da destruição foram destruídas, as mesas se encherem de pão e tombarem as cercas que fecham os jardins. Aí o dia da paz renascerá nos corações e na vida de todos os seres humanos”.

 

O caso Feliciano. Não perca os próximos capítulos

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 17 de Agosto de 2016

Amante da autoexposição nas redes sociais e de discursos de caráter moralista, o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) foi acusado de tentativa de estupro por Patrícia Lélis, 22 anos, membro  da juventude do partido. A partir de então, ainda sumido. Não quer conversa com repórteres.

Patrícia registrou queixa na delegacia. Disse que lhe ofereceram dinheiro para que não  fizesse denúncias contra o deputado. E os deputados do PSC - o partido da família brasileira - ao invés de apurarem o fato e esclarecê-lo objetivamente para a opinião pública, tentam comprar o silêncio da vítima. Risível!

O fato em tela está ainda longe de ser esclarecido porque a vítima fez uma viagem para São Paulo, onde afirma ter ficado em cárcere privado. E de acordo com uma reportagem da revista Carta Capital desta semana, a viagem teria ocorrido a convite de Emerson Biazom, assessor do Partido Republicano Brasileiro (PRB) para uma  entrevista de emprego. Ao chegar ao Hotel San Raphael, no Largo do Arouche, Patrícia conta no B.O. (boletim de ocorrência) ter sido procurada por Bauer - Talma Bauer, assessor de Felciano - por celular, que queria saber onde ela  estava e ameaçou matar sua família. Câmeras de segurança do hotel desmentem Patrícia, pois mostram o encontro dela no loby, ainda no checy-in, quando os dois se abraçam.

Diante disso, a polícia acredita que Patrícia mentiu e que houve negociação em dinheiro. Ainda segundo a reportagem da revista, investigam o caso a Polícia Civil de São Paulo e a Delegacia de Atendimento à Mulher de Brasília.

O caso virou uma novela com vários vilões. Lamenta-se que um cidadão que se diz evangélico esteja no centro deste imbróglio.

 Aguardemos os próximos capítulos. 

Um sonho abortado pela bandidagem carioca

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 15 de Agosto de 2016

 

Após a morte do soldado da Força Nacional, a Prefeitura do Rio colocou uma placa móvel luminosa que indica o caminho da Linha Vermelha, via expressa do Estado do Rio de Janeiro que liga os municípios do Rio de Janeiro, São João de Meriti e Duque de Caxias. É o principal acesso ao Aeroporto Internacional do Galeão /Antônio Carlos Jobim. E uma placa fixa sinaliza a entrada para a Vila do João, que pertence ao Complexo da Maré, onde existem 16 favelas.

Quando deixou Roraima para trabalhar na segurança das Olimpíadas do Rio, o soldado da Polícia Militar e da Foça Nacional, Hélio Vieira Andrade sonhava comprar um carro com o dinheiro extra que iria ganhar. Mas, infelizmente, o  seu sonho não foi realizado, pois foi baleado na cabeça pela bandidagem carioca, no último dia 11, após entrar por engano na Vila do João.

Acompanhado por dois colegas de farda, Hélio, que dirigia a viatura - havia saído da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e ia para o centro - foi atingido por um tiro na cabeça. Levado para o Hospital Salgado Filho, no bairro do Méier, Zona Norte do Rio, em estado grave, chegou a ser operado, mas não resistiu. O capitão Allen Marcos Rodrigues Ferreira - do Acre - foi atingido de raspão no rosto. E o soldado do Piauí, Rafael Pereira não foi ferido, mas  ficou em estado de choque.

Nem mesmo um evento com a dimensão de uma Olímpíada, festa do esporte e de confraternização entre os países, consegue dar uma trégua na violência do Rio que, mais uma vez, expõe para o mundo esta mazela carioca.
Além da morte do soldado, outro fato negativo que poderia ter se transformado numa tragédia foi o ataque a um ônibus que levava 12 jornalistas de Deodoro- Zona Oeste da cidade - para  a Barra da Tijuca. A versão oficial afirma que uma pedra atingiu o ônibus e quebrou algumas janelas. Mas, para alguns jornalistas, o ônibus foi atacado por tiros. O fato não foi ainda esclarecido convenientemente.

Diante do exposto acima, concordo com o cidadão Roberto Solano que, no último dia 12 escreveu na seção Carta dos Leitores do jornal O Globo. “Uma cidade em que se você errar o caminho está condenado à morte não é digna de sediar uma Olimpíada. Os governantes não cuidam da população e o poder pararelo atua. Não temos segurança, e estamos em uma guerra declarada com muitas vítimas”. Perfeito!

Até quando o povo do Rio de Janeiro vai ficar refém dos traficantes?

Deus nos proteja!
     

Mãos à obra, senhores!

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 10 de Agosto de 2016

Acusado de assédio sexual, agressão e tentativa de estupro, o deputado Marco Feliciano ainda não apresentou uma defesa digna de nota. E, ao que tudo indica, não conseguirá apresentá-la. Na verdade, a cada dia que passa sua situação fica fica mais vulnerável, complicada. Surgiram novos personagens, na tentativa de defender o deputado, e também usar o episódio como uma oportunidade de aparecer diante dos holofotes da imprensa. Identidicando-se  como “gestor de crise” (É uma nova profissão?), de repente surge mais um cidadão no meio deste imbróglio.

Será que nenhum parlamentar vai à tribuna pedir punição para Marco Feliciano? O fato vai  ser ignorado pelos seus pares? E a bancada evangélica? Como irá agir? E a polícia? A polícia precisa agir com  rapidez com as suas investigações. O trabalho investigatico está lento..

Caso os nossos parlamentares tivessem ética - mínima que fosse -  já teriam marcado um julgamento para Marco Feliciano. Em jogo, a perda do mandato.

Mãos à obra, senhores!