Legado? Para quem?

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 25 de Julho de 2016

 

O filme Olympia, do diretor Rodrigo Mac Niven, tem como tema uma cidade atrelada a um sistema político corrompido, concentração de poder, privilégios. O enredo foi idealizado a partir da construção de um campo de golfe para os Jogos Olímpicos dentro de uma reserva  ambiental da cidade. E revela os bastidores obscuros da prefeitura de Olympia.

Dito isso, temos aí uma discussão sobre a corrupção e também uma reflexão sobre o impacto  que determinadas obras podem trazer para a vida de uma cidade. “O filme Olympia traz uma  reflexão profunda e urgente sobre uma nova ética na sociedade. Entendendo como ética os princípios que regem nossas práticas. Minha maior realização é termos feito um filme com a força da colaboração, da transparência, da coragem e paixão de toda a equipe. Às vésperas do maior evento esportivo do planeta, o Rio enfrenta a falência total dos serviços e a corrupção na administração pública. É dever de todo cidadão questionar o seu governo. Qual o verdadeiro legado deixado? , pergunta o diretor Rodrigo, que se inspirou nas histórias do jornalista investigativo Lúcio Vaz, autor dos livros Ética da Malandragem e Sanguessugas  do Brasil, a respeito dos bastidores do Congresso Nacional.

 Em 2012, em Brasília, durante o Congresso Internacional Anti- Corrupção, foram gravados os primeiros depoimentos internacionais sobre o tema. Em 2014 o diretor conheceu o advogado J.C. que, após uma profunda investigação descobriu uma teia de corrupção que se inicia no final do século XIX, com a grilagem de terra na Barra da Tijuca e desemboca nos bastidores da construção do campo de golfe olímpico em 2016.

 Mediante uma campanha de financiamento coletivo, 534 apoiadores ajudaram para que Olympia saísse do papel. “ Em momento de tanta turbulência política, falência do sistema e aumento de intolerância por conta de divergências de ideias, é fundamental que a cidade discuta de forma mais aprofundada o fenômeno da corrupção”, ressalta Rodrigo Mac Niven.

 Perfeito!

Olympia estreia nas telas a partir de 1º de agosto. 

Reação já!

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 20 de Julho de 2016

Não raro, fico pensando nas famílias dos PMs do Estado do Rio de Janeiro. Quando os policiais estão de serviço e o telefone toca na casa de um deles é sempre um momento de apreensão. Será que aconteceu alguma coisa?, certamente deve ser esse o pensamento que prevalesse nos familares. Uma aflição diária. Afinal, este ano 61 PMs oram assassinados.

No último dia 11, uma médica do Hospital Marcílio Dias, no bairro do Méier, Zona Norte do Rio extravasou sua indignação diante da morte do soldado da UPP Lins (Méier) Victor Eric Braga Faria, 26 anos, atingido com um tiro na nuca. A médica atendeu Victor, mas não conseguiu salvá-lo. No seu desabafo criticou a desvalorização dos policiais militares. “Esses caras são heróis”, ressaltou.

Levando-se em consideração o parco salário e as precárias condições da infraestrutura do trabalho, a médica está coberta de razão.

O constante assassinato de PMs não pode e não deve ser encarado como uma situação natural, circunstância inerente à profissão. A bandidagem tem que ter medo  da polícia. E não ao contrário. É preciso reagir. E  rápido.
 

Fat Family continua foragido

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 18 de Julho de 2016

Há alguns dias, escrevi um artigo sobre o bandido Nicolas Labre Pereira de Jesus, vulgo Fat Family, 28 anos, e a dificuldade que a polícia está encontrando para prendê-lo. De novo.

Você leitor, certamente lembra dele. Chefe do tráfico de drogas no Morro Santo Amaro, no bairro do Catete, Zona Sul do Rio, foi hospitalizado no Hospital Souza Aguiar- centro do Rio - após ter sido baleado durante um confronto com a polícia e resgastado por aproximadamente 20 comparsas, em 19 de junho último, numa ação cinematográfica e violenta, que ocasionou uma morte e dois feridos.

Na edição do último domingo, o jornal O DIA fez uma matéria de uma página, realizada pelo experiente repórter Wilson Aquino, lembrando que nesta terça-feira completa “um mês de buscas ao bandido resgastado do hospital e cuja prisão virou questão de honra para a polícia”. E revela que, enquanto esteve hospitalizado, Fat Family teve direito a visitas e acesso a celulares, e que isso deve ter facilitado o planejamento do resgaste. Um bandido com muitas regalias. Quem é o responsável?

A matéria lembra também que a fuga gerou uma crise entre o Poder Judiciário e Executivo. O juiz da Vara de Execuções Penais(VEP), Eduardo Oberg, fez uma séria acusação contra o secretário secretário de Administração Penitenciária (Seap), Erir Ribeiro Costa Filho, acusando-o de tentar costurar um acordo com o Comando Vermelho - facção  de Fat Family - , com o objetivo de impedir a transferência para presídio federal de 15 detentos que comemoraram o resgaste do traficante e manter a paz nas cadeias. O secretário negou a sugestão de acordo com o CV.

O fato merece uma apuração rigorosa por parte do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame que, até o momento, parece que não está interessado em investir no caso.

O episósio do resgaste de Fat Family e suas implicações, serviu para desgastar ainda mais a imagem da policia perante a população.  

Cadê o Fat Family?

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 10 de Julho de 2016

 

Tudo indica que o traficante Nicolas Labre Pereira Jesus, 28 anos, o Fat Family, vai assistir aos Jogos Olímpicos no conforto da sua casa. Resgastado pelos seus comparsas do Hospital Souza Aguiar no último dia 19, numa ação cinematográfica e violenta, que deixou um morto  e dois feridos, o bandido continua foragido, a despeito das diversas incursões que a polícia  tem realizado em vários pontos da cidade. O fato desencadeou uma crise na área de segurança pública do Estado. A PM teria sido avisada a respeito da internação de Fat Family - que foi ferido durante tiroteio com polciais -  no hospital, mas mesmo assim não teria reforçado a segurança do local.

Apesar de alguns erros operacionais na caça ao bandido, que virou uma espécie de inimigo público número 1, mesmo que muitos não admitam, a verdade é que a grave crise financeira que o Estado enfrenta tem prejudicado o trabalho da polícia. Apenas para citar um exemplo, a polícia civil não está podendo usar helicóptero, pois as aeronaves estão paradas há meses por falta de manutenção. Além disso, como se fosse pouco, em algumas delegacias os policiais não possuem o básico para exercerem o seu trabalho. Falta tudo, até papel e material de limpeza. A categoria fez recentemente uma manifestação no Aeroporto Internacional Tom Jobim, localizado na Ilha do Governador- Zona Norte do Rio - ,  contra atrasos no salário e melhores condições de trabalho, que teve repercussão internacional.

No último dia 24, de acordo com o diretor do Departamento de Polícia Especializada, delegado Ronaldo Oliveira, o fato de não poder usar os helicópteros, possibilitou a fuga de Fat Family durante uma ação policial no Complexo de Favelas da Maré -  Zona Norte do Rio - e contibuiu para que dois policiais fossem feridos. A polícia havia identificado a casa onde estava o bandido e, se a aeronave tivesse sido utilizada, certamente seria preso.

Diante do quadro em tela, como não poderia deixar de ser, os índices de violência só aumentam. Os policiais assassinados e os crimes homofóbicos são uma prova disso.

Há décadas, a Cidade Maravilhosa só existe nos livros de história. Mas, por conta das Olimpíadas, alguns setores estão lucrando. Entre eles, o turístico e as empreiteiras, como ocorreu na Copa do Mundo. Além disso, diga-se de passagem, que o orçamento olímpico é uma espécie de caixa-preta. Falta transparência. E o povão, mais uma vez, está à margem de tudo. Mas isso é um assunto para jornalista de economia.

Que crise é esta? Meu Deus do céu! Que Ele nos proteja.