maquiagem com prazo de validade

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 27 de Maio de 2016

Nos momentos de crise, de dificuldades, violência de todas as formas, injustiças perpetradas pelos poderosos, de abalos psicológicos e desesperança, muitas vezes costumam surgir “salvadores da pátria” e projetos, na tentativa de solucionar graves problemas.

É o caso, por exemplo, de uma alternativa de segurança pública implantada no Rio com o beneplácito do Poder Público, que já está funcionando em alguns bairros. E vai ser ampliada. Denomina-se Segurança Presente - modelo de policiamento bancado pela iniciativa privada. Antes das Olimpíadas estará fncionando no centro da cidade.

Há questões que são específicas do Estado. Por isso, a iniciativa privada não deveria participar. O  esquema político à época do tucanato implantou a privatização das estatais à força. Virou uma panaceia para resolver todos os problemas, que contou com o apoio irrestrito da imprensa corporativista, oligopoligazada e golpista. O Brasil melhorou por causa das privatizações, da venda do seu patrimônio público na bacia das almas? Não, não melhorou! Na verdade, piorou. Aumentou enormemente o número de desempregados. E a economia entrou em crise.

Guardadas as devidas proporções, na questão da segurança pública carioca - que já está em crise -  não será diferente. A iniciativa em tela não vai  resolver o problema do setor e pode ocasionar a formação de grupos de matadores ou justiceiros que, ao arrepio da lei, acham que vão resolver o problema da segurança de um bairro ou de uma rua qualquer. E, a propósito: jovens que deixaram as Forças Armadas após cumprirem o serviço militar, que serão usados na segurança privada, não estão aptos para o serviço, ou seja: trabalhar como se fosse policiais.
A iniciativa privada quer ajudar na questão da segurança pública, dar uma força para o Estado falido? Basta colaborar financeiramente para a melhoria das condições de trabalho dos policiais - compra de armamentos modernos e munição; manutenção das viaturas; coletes dignos do nome e construção de UPPs mais seguras e confortáveis.

A segurança tem que funcionar para todos, independente da condição social. Pouco adianta privilegiar alguns apenas bairros que, tudo indica, só vai funcionar até o término das Olimpíadas.

Trata-se, na verdade, de uma maquiagem com prazo de validade.  

 

quadro dantesco

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 23 de Maio de 2016

Matéria do caderno Niterói do jornal O Globo, do último domingo, revela que a violência no município, Região Metropolitana do Rio cresceu 50%. 

Aqui neste blog já comentei - por diversas vezes - a questão da violência em Niteroi e também no município vizinho, São Gonçalo, que só possui um batalhão da PM, para policiar mais de um milhão de habitantes.

A matéria do O Globo divulgou os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) publicados na última quinta-feira. São preocupantes, para dizer o mínimo. Mas não surprendem. Quem mora na cidade pode não conhecer a frieza dos números, mas sente que a violência aumentou. Isso para quem não é alienado, patricinha ou mauricinho.

O número de mortes violentas cresceu 50% - período de um ano. Os roubos subiram 14, 3%; os furtos aumentaram 15,4%; roubos a coletivos cresceram 66,7%; roubos a estabelecimentos comerciais teve um crescimento de 66,7%.

A segurança, área que sempre foi problemática em todo o Estado do Rio de Janeiro piorou, devido a cortes do orçamento na área da segurança.

Diante desse quadro dantesco, quem é o responsável pela crise econômica que atingiu o Estado?

Será que foi o PT?  

Palpite infeliz

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 21 de Maio de 2016

 

Tudo leva a crer que, estressado com a situação crítica da segurança pública em todo o Estado do Rio de Janeiro, e da divulgação dos índices de criminalidade divulgados pelo Instituto  de Segurança Pública - ISP - que mostraram aumento nos casos de homicídios, roubos a pedestres e a coletivos, além de roubos de cargas, o secretário de Segurança Pública, José Mariana Beltrame proferiu uma frase infeliz, ao afirmar que a polícia faz corpo mole. 
Como não poderia deixar de ser, o fato causou revolta na tropa. E a polícia civil também está  revoltada com a declaração do secretário.

Não é fácil trabalhar quando o dinheiro é curto. A segurança pública é a área mais problemática do Estado e, com a grave crise econômica, administrá-la ficou ainda mais difícil.

Na verdade, foi apenas uma frase infeliz do secretário Beltrame.

Para o bem de todos, convém não fazer disso uma tempestade em copo d'água.

Nos momentos críticos, manter o equilíbrio e a calma é fundamental.

Assim agem os grandes líderes. 

“Um Gorila na diplomacia, um carrasco na Justiça e um charlatão na Saúde”

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 19 de Maio de 2016

Artigo de Eduardo Guimarães

Eduardo Guimarães é responsável pelo Blog da Cidadania

Publicado no site Brasil 247

Não há um só dia, um mísero dia após o fatídico 12 de maio de 2016 em que o país não tenha sido surpreendido por alguma ideia grotesca vomitada por um dos vários gangsteres que compõem a equipe do “presidente” de facto Michel Temer. Mas essas “ideias” vem sendo negadas em seguida pelo titular do bando, tal o nível de mediocridade que contêm.

Cinco dias após a derrubada ilegal de Dilma Rousseff os golpistas já chocaram várias vezes o país e o mundo com o próprio quilate de mediocridade. Podemos enumerar as “realizações” do pretenso e alardeado “governo de salvação nacional”.

1 – O ministério (de facto) de Michel Temer tem mais de uma dezena de membros na mira da Operação Lava Jato, a exemplo de quem os escolheu e nomeou para os cargos que ora ocupam, os quais poderão ser usados para atrapalhar investigações e manter esses suspeitos fora do alcance dos investigadores.

2 – Michel Temer não nomeou uma única mulher nem um único negro para o seu ministério (de facto). Todos os ministros do governo (de facto) do Brasil são homens, brancos e autoproclamados heterossexuais.

3 – José Serra (PSDB-SP), ministro (de facto) da Relações Exteriores, parece um gorila em uma loja de cristais – ou em uma missa. Grunhe até ameaças a países latino-americanos que não viram com bons olhos o processo parlamentar que tirou Dilma Rousseff do cargo.

O gorila em tela usa a posição de ministro para fazer campanha eleitoral berrando dogmas ideológicos de extrema-direita contra os governos de esquerda dos países-alvo visando agradar a grupelhos barulhentos da internet. Sua estratégia, em diplomacia, é reservada a casos em que há risco de “soluções” bélicas.

Daqui a pouco, Serra declara guerra a alguma nação “bolivariana”. Metade do Itamarati está em pânico e a outra metade está lavando as mãos.

Até a imprensa tucana de São Paulo já registra, aqui e ali, o Deus nos acuda que está se estabelecendo na diplomacia brasileira e a péssima repercussão internacional desse comportamento valentão de um país que nem chega a ser a potência regional que alguns pensam que é.

4 – Ministro da Justiça (de facto), Alexandre de Moraes (PSDB-SP) fez cair queixos em toda parte ao dizer assim, como se recitasse um poema, que vai acabar essa história de comunista de conceder ao Ministério Público do Brasil a prerrogativa de indicar o procurador-geral da República ao presidente da República, sistema de escolha do PGR que tem permitido à instituição investigar o governo federal como jamais fora possível.

A repercussão dessa barbaridade foi tão grande e tão imediata que Temer teve que sair correndo para desmentir a óbvia conversa que certamente teve com seu ministro da Justiça mostrando-se favorável a uma enormidade que, se materializada, simplesmente sepultaria o combate à corrupção no país, pois o presidente (de facto) certamente colocaria um comparsa para pilotar o único cargo que permite a quem o ocupa processar o presidente da República e ministros de Estado.

Em poucas horas, Temer e Moraes tiveram que recuar dessa ideia de jerico, mas não convenceram a ninguém…

5 – Ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR) tratou de superar Serra e Moraes: mandou avisar à bugrada que Temer quer reduzir os atendimentos no SUS e impedir que as pessoas recorram à Justiça contra os planos de Saúde, um recurso que tem sido a salvação de milhões de famílias que, quando têm atendimento ou procedimentos negados pelos planos, recorrem à Justiça e obtém decisões que as salvam da desgraça.

Sobre diminuir o atendimento no SUS, nem é preciso falar muito. Que tipo de psicopata faz uma proposta dessa?

Mais uma vez, porém, foi preciso desmentir outro plano estarrecedor, devastador para o povo que está sendo gestado por esse governo golpista, ilegítimo, recheado de bandidos. Temer volta a público para desmentir uma conversa que só quem for muito panaca poderá acreditar que não aconteceu entre o presidente (de facto) e o ministro da Saúde (de facto).

Mas se você pensa que isso é tudo, está enganado. O ministro da Saúde de Temer, que anuncia política tão favorável aos planos de saúde quanto produzir leis que impeçam o cidadão de reclamar contra esses planos na Justiça, simplesmente teve sua campanha eleitoral lá no Paraná bancada exatamente por PLANOS DE SAÚDE (!!)

Cinco dias, cinco fatos que mostram o “negócio da China” que o Brasil fez ao trocar um governo popular, com preocupação social, que dialogava, que não bloqueava investigações e era presidido por pessoa honesta, por governo cuja cara é racista e misógina, tem vários integrantes suspeitos de corrupção e que não para de prometer nos ferrar.

Policial de estirpe

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 16 de Maio de 2016


Daniel Gomes em frente à Divisão de Homicídios da capital. Participação em alguns dos casos mais marcantes da crônica policial carioca.

Foto - Fábio Gonçalves

Carioca de Bangu, Zona Oeste do Rio, Daniel Gomes atua há 30 anos como policial civil. Ao longo desse período, sempre pautou seu trabalho no respeito aos postulados éticos e ênfase no raciocínio, em detrimento do gatilho. Evangélico, ex-militar da Aeronaútica, fez concurso para a polícia em 1982. Em 1986 foi chamado. “Desde o início fui conduzido a trabalhar no setor de homicídios. Antigamente as delegacias eram divididas em setores - entorpecentes, homicídios, roubos e furtos. Em 2010 foi criada a Divisão de Homicídios. Devido ao grande aumento de casos, o objetivo foi centralizar os homicídios e colocar pessoal especializado”, explica Daniel Gomes, lotado na Divisão de Homicídios da capital, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade, e que está lançando seu segundo livro - Manual de Homicídio, editora Vermelho Marinho, nesta quarta-feira, na Livraria da Travessa, no Barrashopping. “É o grito de um policial pedagogo, que dá aulas para novos policiais, passando um pouco da minha experiência para uma nova geração”, frisa.

No livro estão esmiuçados alguns dos crimes que entraram para a história do noticiário policial. Explica de que forma o crime ocorre e como deve ser investigado. Com vários cursos de aperfeiçoamento profissional no exterior, Daniel Gomes ressalta que a investigação que mais o marcou foi o assassinato do jornalista Tim Lopes (leia box). “ Foi o caso mais emblemático da minha carreira. Houve muita pressão da mídia. A Rede Globo disse que Tim Lopes foi à favela filmar um baile funk. Mas a investigação provou que ele não foi a um baile funk. Foi lá filmar o tráfico de drogas. Traduzi isso para o relatório - Daniel Gomes, que à época estava na 22ª DP , bairro da Penha, Zona Norte do Rio, comandou a investigação - fato que desagradou à emissora. Fui exonerado da função. Mas tudo foi apurado. E os criminosos presos e condenados”, relembra.

Guerra urbana
 
 Policial de estirpe, que tem a exata noção da função social da sua profissão, numa análise da  questão da violência desde que inicou sua carreira na polícia, Daniel Gomes frisa que piorou, mas um fato chama sua atenção: a maioria dos crimes hoje não são praticados por bandidos.  “Os homicídios hoje são praticados por membros da sociedade, e não pelos criminosos em potencial. São pessoas naturais, do povo. Marido que mata a mulher; namorado que mata a namorada; mortes por discussão no trânsito. Quer dizer; não é aquele crime de um bandido que mata uma pessoa, embora, claro, ele exista. Digo isso no livro. A sociedade hoje não resolve o litígio no diálogo, nem pela via jurídica. Mata ou manda matar. É uma violência  generalizada. As pessoas estão muito à flor da pele, nervosas. Tomam decisões precipitadas”, garante.

Análises à parte, assegura que o crime é sustentado pelo tráfico de drogas e pela sociedade consumista de drogas. “ Aumentou muito o consumo no Brasil. É uma guerra urbana”, lamenta Daniel Gomes.

E que piora a cada dia, principalmente neste momento, quando o governo do Estado do Rio de Janeiro enfrenta uma grave crise financeira, que atingiu em cheio a área de segurança.


Arcanjo Antônio Lopes do Nascimento, o Tim Lopes, repórter de raro talento, desapareceu na Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio, em 2 de junho de 2002. A polícia confirmou oficialmente sua morte em 5 de julho. Um exame de DNA realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro mostrou que era de Tim Lopes um pedaço de costela encontrado no cemitério clandestino da favela da Grota, distante aproximadamente cinco quilômetros da Vila Cruzeiro.  

INCRÍVEL! MAS RIGORASAMENTE VERDADEIRO

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 12 de Maio de 2016

Numa entrevista publicada no jornal O Globo,  o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame falou dos problemas administrativos da sua pasta, como por exemplo,  a crise na segurança, a redução da Força Nacional para as Olimpíadas, entre outros  assuntos, mas não  falou nada a respeito de uma operação mal planejada do Bope na semana passada que até o momento não  foi  esclarecida - , no Morro da Providência, centro da cidade, quando o sargento André Luis Nonato, 40 anos, foi atingido por um tiro na cabeça e morreu.

Os PMs subiram a favela no interior de uma kombi. Por que um grupo de policiais do Bope sobe uma favela de kombi? Cadê as viaturas do batalhão? Será que estão fora de uso em função da grave crise econômica que o Estado vem enfrentando?

A crise, diga-se de passagem, provocou um problema insólito. Um PM, formado  em 2014, não tinha ainda o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), que lhe dá o direito de usar uma arma particular. O policial tem que pedir ao comandante da entidade a autorização. O documento, confeccionado em papel moeda, devido à crise no Estado está em falta na corporação. Como não conseguiu cumprir com a burocracia sem sentido, que contraria o bom senso, tão ao gosto dos tecnocratas, o soldado Evaldo César Silva de Moraes Filho, 27 anos, foi morto com um tiro na cabeça, no conjunto de favelas do Alemão, Zona Norte do Rio, quando foi cercado por bandidos e não teve como se defender.

Como um policial pode andar desarmado, principalmente no Rio de Janeiro? O PM só  deveria ser liberado para trabalhar nas ruas após conseguir sua arma de uso pessoal. O assunto só veio à baila porque o PM morreu. Certamente a maioria da população desconhecia esse procedimento.

Um caso incrível! Mas rigorosamente verdadeiro.

Um esclarecimento a respeito do título deste artigo. Tomei emprestado, digamos assim, do jornalista e proprietário do extinto jornal Tribuna de Imprensa, Helio Fernandes que, não  raro, usava a interjeição nos seus artigos. Trabalhei no jornal, onde o conheci pessoalmente. Foi um período da minha carreira que guardo com muito carinho.