Estado à deriva

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 27 de Março de 2016


Caso fosse realizada uma pesquisa para avaliar qual é o maior problema do Estado do Rio de Janeiro, certamente a segurança pública estaria em primeiro plano. O Rio, infelizmente, não é conhecido apenas pelas suas belezas naturais. A violência é a principal preocupação, não só dos cariocas, mas também dos turistas.

Mas, a despeito disso, o orçamento para a área de segurança diminuiu, afetando - lógico -  o trabalho da polícia - civil e militar. A grave crise econômica do Estado enfraquece o policiamento nas ruas da cidade. A bandidagem está mais à vontade para agir. E tanto isso é verdade, que os índices de violência no Rio, e em alguns municípios, como por exemplo, Niterói e São Gonçalo - Região Metropolitana do Rio - só tem aumentado.

Levando-se em conta as especificidades da crise, tudo indica que não será vencida em pouco  tempo. E a situação ficou ainda mais complicada com a doença do governador Pezão. O povão ainda não  sabe quem vai dirigir o Estado. O vice-governador Dorneles vai mesmo assumir o comando? Ao que tudo indica, Dorneles não está animado para a tarefa.

Primeiro, foram os PMs que estavam trabalhando na parte administrativa da instituição. Depois, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame pediu à Casa Civil o retorno de 1.200 PMs que estão prestando serviços em órgãos estaduais. Estratégia adotada para reforçar o policiamento nas ruas, cujo número de policiais diminuiu quando o Regime Adicional de Serviço (RAS), criado em 2012, com o objetivo de remunerar PMs que trabalhassem nas suas horas de folga. Como o Estado não cumpriu seu compromisso pecuniário, os PMs - claro -, abandonaram o RAS. 

Durante uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o secretário, com a objetividade que o caracteriza, revelou os problemas financeiros e as consequências na sua pasta. Ressaltou que projetos de instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Complexo  da Maré, assim como a construção de uma sede para O Comando de Operações Especiais (COE) em Ramos, Zona Norte do Rio, estão suspensos por tempo indeterminado. Pode-se incluir aí também o Complexo do Chapadão, no bairro de Costa Barros, também na Zona Norte da cidade, um dos locais mais violentos  da cidade, uma espécie de terra de ninguém, covil de bandidos. É revoltante constatar que a população local está entregue à própria sorte. Infelizmente, o governo anterior decidiu priorizar outras coisas, como a linha 4 do Metrô. E a segurança? E a saúde? E os transportes? O Estado é um barco  sem rumo.

A crise econômica, ao contrário do que muitos dizem, não está restrita apenas à queda na arrecadação dos royalties do petróleo.. Erros administrativos e obras que poderiam  esperar mais um pouco, também estão no cerne da crise. Mas deixo este tipo de análise para os jornalistas econômicos - os independentes, que não têm rabo preso - naturalmente.

 “Só há uma única esperança, uma promessa inabalável. a Vossa misericórdia”. (Santo Agostinho)

“Quatro sombras afligem a realidade brasileira”

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 21 de Março de 2016

Publicado no site Amaivos em 19/3/2016 por: Leonardo Boff

O passado colonial, o genocídio indígena, a escravidão e a corrupção estigmatizam nossa história e seus efeitos perduram até hoje.

Em momentos de crise, assomam quatro sombras que estigmatizam nossa história cujos efeitos perduram até hoje.

A primeira sombra é nosso passado colonial. Todo processo colonialista é violento. Implica invadir terras, submeter os povos, obrigá-los a falar a língua do invasor, assumir as formas políticas do outro e submeter-se totalmente a ele. A consequência no inconsciente coletivo do povo dominado: sempre baixar a cabeça levado a pensar que somente o que é estrangeiro é bom.

A segunda sombra foi o genocídio indígena. Eram mais de 4 milhões. Os massacres de Mem de Sá em 31 de maio de 1580 que liquidou com os Tupiniquins da Capitania de Ilhéus e pior ainda, a guerra declarada oficialmente por D.João VI em 13 de maio de 1808 que dizimou os Botocudos (Krenak) no vale do Rio Doce manchará para sempre a memória nacional. Consequência: temos dificuldade de conviver com o diferente, entendendo-o como desigual. O índio não é ainda considerado plenamente “gente”, por isso suas terras são tomados, muitos são assassinados e para não morrerem, se suicidam. Há uma tradição de intolerância.

A terceira sombra, a mais nefasta de todas, foi a escravidão. Entre 4-5 milhões foram trazidos de África como “peças” a serem negociadas no mercado para servirem nos engenhos ou nas cidades como escravos. Negamos-lhes humanidade e seus lamentos sob a chibata chegam ainda hoje ao céu. Criou-se a instituição da Casa Grande e da Senzala. Gilberto Freyre deixou claro que não se trata apenas de uma formação social patriarcal, mas de uma estrutura mental que penetrou nos comportamentos das classes senhoriais e depois dominantes. Consequência: não precisamos respeitar o outro; ela está aí para nos servir. Se lhe pagamos salário é caridade e não direito. Predominou o autoritarismo; o privilégio substitui o direito e criou-se um estado para servir os interesses dos poderosos e não ao bem de todos e uma complicada burocracia que afasta o povo.

Raymundo Faoro (Os donos do poder) e o historiador e acadêmico José Honório Rodrigues (Conciliação e reforma no Brasil ) nos têm narrado a violência com que o povo foi tratado para estabelecer o estado nacional, fruto da conciliação entre as classes opulentas sempre com a exclusão intencionada do povo. Assim surgiu uma nação profundamente dividida entre poucos ricos e grandes maiorias pobres, um dos países mais desiguais do mundo, o que significa um país violento e cheio de injustiças sociais.

Uma sociedade montada sobre a injustiça social nunca criará uma coesão interna que lhe permitirá um salto rumo a formas mais civilizadas de convivência. Aqui imperou sempre um capitalismo selvagem que nunca logrou-se civilizá-lo. Mas depois de muitas dificuldades e derrotas, conseguiu-se um avanço: a irrupção de todo tipo de movimentos sociais que se articularam entre si. Nasceu uma força social poderosa que desembocou numa força político-partidária. O Partido dos Trabalhadores e outros afins, nasceram deste esforço titânico, sempre vigiados, satanizados, perseguidos e alguns presos e mortos.

A coligação de partidos hegemonizados pelo PT conseguiu chegar ao poder central. Fêz-se o que nunca foi pensado e feito antes: conferir centralidade ao pobre e ao marginalizado. Em função deles se organizaram, como cunhas no sistema dominante, políticas sociais que permitiram a milhões saírem da miséria e terem os benefícios mínimos da cidadania e da dignidade.

Mas uma quarta sombra obnubila uma realidade que parecia tão promissora: a corrupção. Seria hipocrisia negar que corrupção sempre houve entre nós em todas as esferas. Basta lembrar os discursos contundentes e memoráveis de Ruy Barbosa no Parlamento. Setores importantes do PT se deixaram morder pela mosca azul do poder e se corromperam. Isso jamais poderia ter acontecido, dado os propósitos iniciais do partido. Devem ser julgados e punidos.

A justiça focou-se quase só neles e mostrou-se muitas vezes parcial e com clara vontade persecutória. Os vazamentos ilegais forneceram munição à imprensa oposicionista e aos grupos que sempre dominaram a cena política e que agora querem voltar ao poder com um projeto velhista, neoliberal e insensível à injustiça social. Estes conseguiram mobilizar multidões, conclamando o impedimento da Presidenta Dilma, mesmo sem suficiente fundamento legal como afirmam notáveis juristas.

Nunca fui filiado ao PT. Mas apesar de seus erros, a causa que defende será sempre válida: fazer uma política integradora dos excluídos e humanizar nossas relações sociais para tornar menos malvada a nossa sociedade.

Alastra-se a violência em Niterói e São Gonçalo

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 19 de Março de 2016

Vivemos momentos difíceis, terríveis. É preciso ter calma, bom senso e fé.

O município de Niterói, Região Metropolitana do Rio, tem sido o local preferido para bandidos oriundos da cidade do Rio de Janeiro e de São Gonçalo, município com mais de um milhão de habitantes, cujo índices de violência só aumentam. Já há algum tempo, Niterói sofre com uma guerra entre duas facções rivais de bandidos, que agem não só na Zona Norte, como por exemplo, no bairro do Fonseca, assim como na Zona Sul, no bairro Santa Rosa.

Esta semana a bandidagem invadiu o Conjunto Habitacional Zilda Arns, que foiconstruído para atender desabrigados do Morro do Bumba, favela localizada no bairro Viçoso Jardim, Zona Norte, criada e expandida sobre o lixão, onde no dia 7 de abril de 2010, ocorreu um deslizamento de terra. Na tragédia, que teve repercussão nacional, 267 pessoas morreram e muitas ficaram desabrigadas. 

Quando o cidadão pensa que a sua vida vai acalmar, após enfrentar uma situação difícil, e encontra um outro local para viver, sua possível paz é abalada por bandidos que tentam, de acordo com a polícia, vender drogas no terreno do condomínio. 

É o fim do mundo! A bandidagem cada vez mais expande seus domínios em determinados municípios, além é claro, na cidade do Rio de Janeiro. A população vive com medo, acuada, em edifícios cercados de grades e câmeras por todos os lados. Muitos evitam sair à noite. 

Na verdade, vivemos uma espécie  de guerra velada na questão  da segurança. A polícia, diante de diversos problemas, da falta de infraestrutura e crise econômica do Estado, faz apenas o básico, ou seja: enxuga gelo, como diz o ditado popular

E para piorar anda mais a insegurança da população, o país enfrenta um momento de incertezas políticas, fruto de uma imprensa corporativista e oligopolizada, um juiz antiético, para dizer o mínimo, e de uma elite moralista farisaica, todos unidos com os seus preconceitos de classe, trabalham a todo pano, desrespeitando a ética e a lei, com o objetivo de dar um golpe político em um governo popular democraticamente constituído. Não se conformam com a derrota - várias vezes - nas urnas.

Triste! Muito triste!

 Quem não sabe perder não está preparado para vencer.

Mãos à obra!

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 18 de Março de 2016

A rotina trágica continua, ou seja: mais um PM morto. O soldado Evaldo Barbosa Rodrigues foi baleado durante tiroteio com bandidos, que tentaram assaltar um caminhão de bebidas. Evaldo, que fazia a escolta do caminhão (certamente um trabalho extra para aumentar  para aumentar os parcos rendimentos) foi atingido por um tiro. Ele foi levado para o Hospital da Posse, mas não resistiu aos ferimentos. O fato ocorreu no bairro Vila de Cava, Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Somente este mês, seis PMs foram assassinados.

A crise que a PM carioca vem enfrentando já há algum tempo em todos os sentidos - estrutura de trabalho ruim, baixos salários, estresse em função do excesso de trabalho, entre outras questões - ficou mais aguda a partir do governo Pezão. A crise econômica no Estado é um fato. Infelizmente! Até quando?

 Tudo isso contribui para deixar os PMs mais vulneráveis. Alguma coisa precisa ser feita em socorro não só do Estado, mas também da PM - especificamente. Não tenho a receita. Seria muita pretensão da minha parte. Mas tenho certeza que, se autoridades sentarem para conversar com os espíritos desarmados, deixando de lado seus preconceitos e interesse políticos, uma solução será encontrada. O que está em jogo é a segurança da população e dos nossos PMs.

Assassino de policial deveria receber uma pena maior. Julgamernto rápido, sem delongas.

Mãos à obra, senhores!

Competência, profissionalismo e ética

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 15 de Março de 2016

No último sábado, assisti uma entrevista do secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, no programa Deles e Delas, na CNT. Educado, equilibrado e objetivo nas respostas, como é do seu feitio, na verdade o secretário não falou nada de extraordinário. Notei um certo ar de enfado, de um servidor público que, no momento, cumpre apenas as funções burocráticas.

Não se pode agir, renovar e dinamizar a estrutura operacional da polícia carioca, pois o Estado vive uma crise financeira sem precedentes. Salários dos servirodres não estão sendo pagos na data convencional, e o governador Pezão está completamente perdido. O carioca só vai ver alguma movimentação na área de segurança, no período das Olimpíadas.

Beltrame está contando os dias para a sua aposentadoria. E aí certamente irá para sua  terra - Rio Grande do Sul - relaxar ao lado da família, dos amigos e de um bom vinho. Até aqui, o secretário cumpriu o seu papel com competência, profissionalismo e ética. Homem discreto, que não gosta de holofotes e não tem interesses políticos, irá deixar saudades. É o melhor secretário de Segurança Pública que o Estado do Rio de Janeiro já teve em toda a sua história.

Em tempo: Mais um policial militar morto de forma covarde pela bandidagem. O soldado Raphael Nogueira Gama Gomes, 34 anos, foi assassinado no bairro de Santo Cristo, na Zona Portuária. Identificado como policial, os bandidos  o mataram com um tiro de fuzil no rosto. Raphael trabalhava na Reserva Única de Material Bélico do Batalhão (RUMB) e era lotado na UPP do Morro dos macacos, Zona Norte do Rio. O corpo foi encontrado no banco traseiro do  seu carro. Até quando nossos policiais vão continuar sendo assassinados da forma mais covarde possível - na verdade caçados- pela bandidagem?

Mais uma criança morreu vítima de bala perdida. João Vitor, de apenas 14 anos, foi atingido quando jogava bola perto da sua casa, no bairro Mutuapira, município de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. O menino chehou a ficar internado no Hospital Estadual Alberto Torres, mas não resistiu. No último dia 6, também em São Gonçalo, a menina Ana Beatriz Duarte de Sá, 5 anos, foi ferida na cabeça quando estava numa festa infantil, no bairro Jardim Catarina. Ela foi levada para o mesmo hospital de João Vitor, mas morreu na última quinta-feira.

A crise não está fácil. Mas teremos Olimpíadas.
 

Cidade Maravilhosa

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 11 de Março de 2016

 

Há alguns anos li num dos livros do pastor Jonas Rezende - pastor à moda antiga, que conhece o texto bíblico, não o manipula em função dos seus interesses e respeita suas ovelhas - que a diferença entre o pessimista e o otimista é que o primeiro é mais informado. Pode ser. Diante de tantos problemas no mundo e também no nosso país, convivendo com uma crise econômica e tentativas de golpe para desestabilizar e derrotar um governo democraticamente constituído, confesso que não é fácil manter uma postura otimista.

Além das questões envolvendo o terreno político e econômico, convivemos com uma violência urbana que é uma das principais preocupações da população de todos os estados do Brasil.

No Rio de Janeiro, que se notabiliza por ser um dos Estados mais violentos do país, a bandidagem continua cada vez mais atuante. A tendência é piorar, pois o governo estadual enfrenta uma crise econômica sem precedentes, o que, entre outras coisas, afeta os investimentos em segurança pública, a maior mazela carioca.

Na última terça-feira - dia 8 -, o estudante Matheus Ferreira Mota, 20 anos, foi assassinado por bandidos do Complexo do Chapadão, no bairro Costa Barros, Zona Norte do Rio, local que, já há algum tempo, é uma espécie  de terra de ninguém. Os bandidos cismaram que Matheus era policial. E quando viram a sua foto no celular com uniforme de paintball, o executaram no interior  da favela.

Na última quarta-feira, o frei franciscano Antonio Moser, 75 anos, foi assassinado durante uma tentativa  de assalto na Rodovia Washington Luis (BR-040), na altura de Santa Cruz da Serra, Duque de Caxias, Baixada Fluminense. O frei vivia em Petrópolis, era diretor da Editora Vozes e, no ano passado, foi o teólogo escolhido pelo Papa Francisco para representar o Brasil no Vaticano, num evento que debateu questões a respeito da família.

Na quinta-feira à tarde, o diretor-administrativo do Hospital Geral de Nova Iguaçu, no bairro da Posse, Baixada Fluminense foi assassinado a tiros quando deixava um centro espírita e seguia em direção ao seu carro. No mesmo bairro, o estudante Yuri Matheus Amaral, 17 anos, foi espancado durante um baile realizado no últino sábado e morreu na última quarta-feira.

Também na quinta-feira, morreu a menina Ana Beatriz Duarte, 5 anos, vítima de bala perdida no último domingo, no bairro Jardim Catarina, município de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. A menina estava numa festa infantil. Outra vítima de bala perdida foi o jovem Arthur Joseph de Barros Marques, 19 anos, que levou um tiro na Estrada Marechal Alencastro, no bairro Anchieta, Zona Norte do Rio. Arthur chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu. E um confronto entre PMs da UPP de Manguinhos -  Zona Norte do Rio - e bandidos, na noite da última quinta-feira, foi fatal para Caio Daniel Faria que, a cinco dias para completar 15 anos, foi atingido por balas perdidas, que o atingiram no abdômen e na perna direita. Caio estava brincando num campo de futebol, quando foi atingido. Chegou a ser levado pela própria mãe, e um vizinho para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Diante dos lamentáveis fatos acima, convenhamos, não é fácil ser otimista. Como a maldade humana não  tem limites, muitos aproveitam  para explorar a situação em proveito próprio.

O Rio de Janeiro é uma  espécie  de sucursal do inferno. É fogo na roupa! Mas em agosto teremos Olimpíadas na Cidade Maravilhosa.

A propósito: você é otimista ou pessimista?