Faltam projetos sociais; sobra hipocrisia

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 29 de Fevereiro de 2016

Senhores parlamentares: pensem um pouquinho no povo

Criatividade é um dom de poucos. Vale para todos os campos  de atividade. Mas na política se manifesta de forma mais intensa. Difícil, muito difícil, aparecer um projeto de lei que leve em conta, única  e exclusivamente, o interesse do povo.

As bancadas da bala e evagélica são um exemplo do que afirmei acima. Só trabalham em causa própria. Você, leitor, certamente está lembrado do pastor fundamentalista Everaldo durante o período da última eleição à presidência da República. Sua participação foi risível.

Na falta de uma política por parte do governo federal que encare com coragem  e objetividade a crise econômica, volta à baila a polêmica da liberação dos cassinos. Seus defensores costumam dizer que a legalização dos jogos de azar vai gerar muitos empregos. A cantilena  de sempre. Conversa para boi dormir. No Congreso faltam projetos sociais e sobra hipocrisia.

No período das privatizações, no governo tucano de FHC, os privatistas disseram que não iam ocorrer demissões, e que o dinheiro da venda  das empresas iria ser investido nas questões sociais. Nada disso ocorreu.
Os jogos  de azar só é bom para quem vai explorá-lo. São proibidos e assim devem continuar. Caso sejam liberados, teremos mais violência. Gerada pela própria estrutura do negócio.

Como dizia o meu saudoso pai, liberar o jogo é ideia de jerico.

Notas Avulsas

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 27 de Fevereiro de 2016

Como diz o ditado popular, antes tarde do que nunca. O Estado-Maior da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro estuda a criação de um batalhão da PM em Niterói - Região Metropolitana do Rio - a Região Oceânica, que seria responsável  também pelo policiamento no município de Maricá, jurisdição do 12º BPM - batalhão que abrange todo o município.

Já tive oportunidade de comentar aqui neste blog a questão da falta de policiamento em Niterói e também no município de São Gonçalo, que possui mais de um milhão de habitantes e é o segundo município mais populoso do Estado, só perde para a capital,  só tem também, assim como Niterói, apenas um batalhão da PM. É o cúmulo da omissão, irresponsabilidade e incompetência dos nossos governantes. O município deve ter o seu próprio batalhão.
O plano de criação de novos batalhões da PM é oportuno. Difícil vai ser o estudo sair do papel com o Estado enfrentando  uma crise econômica sem precedentes.

Menos de uma semana após o jovem Igor Firmino da Silva, 18 anos, que morreu ao  ser atingido com um tiro no peito durante um tiroteio entre policiais e bandidos na favela da Maré, em Bonsucesso, Zona Norte do Rio, um outro jovem foi morto por assaltantes, na última quarta-feira, no bairro de Pilares, também na Zona Norte do Rio.
Gabriel Frazão de Araújo, 16 anos, foi morto por assaltantes que queriam entrar em sua casa. Gabriel foi baleado com um tiro na cabeça ao tentar evitar. Após atirarem em Gabriel, os assaltantes fugiram.

Mais uma família que perde um ente querido estupidamente. A bandidagem está à solta e ofegante. Mas em agosto teremos Olimpíadas.

E o povo? Ora, o povo que se dane! Só é lembrado em período eleitoral. 

Na última quinta-feira, policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) prenderam no município de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, Sandro Oliveira Vinhas, 36 anos, com R$23.834 que,  de acordo com a polícia seria - supostamente - para propina a PMs do 7º BPM (Alcântara). Sandro dirigia um gol no bairro do Barro Vermelho, quando foi preso. No veículo a polícia encontrou bilhetes e cadernos com anotações, como por exemplo, a palavra “arrego” e nomes de bairros de São Gonçalo.

Bom trabalho da polícia. Mais um bandido fora das ruas.

Parabéns para o 41 BPM - Irajá, Zona Norte do Rio. Os PMs estão  realizando operações diárias no Complexo  da Pedreira, em Costa Barros, também na Zona Norte, onde um muro  de mais de dez metros de altura, usado para vigiar a entrada da polícia, tinha imagens pintadas de marginais já mortos - pela polícia -  como por exemplo, Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy e Jorge de Araujo Vieira, o Bebezão. Ambos dominavam o tráfico local. As imagens foram apagadas com tinta azul.

Agora,  as crianças vão passar pelo muro e não verão mais - felizmente - a imagem pintada de dois marginais, como  se fossem alguma espécie de ídolos do local. O crime tenta  impor sua presença intimidatória de todas as formas.

 

 

Mais um inocente morto?

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2016

Esta semana começou com uma notícia triste. Infelizmente! Um jovem de 18 anos, Igor Firmino da Silva, morreu ao ser atingido com um tiro no peito durante troca de tiros entre policiais da Corrdenadoria de Recursos Especiais (Core) e bandidos,  no Parque União,  Complexo da Maré, Bonsucesso, Zona Norte do Rio. Igor chegou a ser levado para o Hospital Geral de Bonsucesso, onde chegou morto. Para transportá-lo a polícia o colocou na carroceria da camionete. Por que não o colocaram na parte de dentro?  

De acordo com a versão oficial, os policiais faziam um patrulhamento no Parque União para reprimir o tráfico, quando foram atacados a tiros por aproximadamente 10 bandidos. E que Igor era membro da facção criminosa Comando Vermelho. Estava com uma pistola com numeração raspada, e um rádio comunicador com a inscrição “PU” ( Parque União). Versão que os moradores desmentem. Afirmam que Igor trabalhava numa farmácia e não tinha envolvimento com o tráfico.

No enterro de Igor, ocorrido na última  terça-feira, no Cemitério do Caju, o fotógrado do jornal O DIA, Daniel Castelo Branco foi agredido por um grupo de mais de 20 pessoas em pleno exercício da profissão. Quando tentava fotografar o cortejo, foi cercado e agredido a socos e pontapés. Correu e foi perseguido. Foi obrigado  a deletar as fotos.
Uma covardia injustificável. Um desrespeito ao trabalho de um profissional. Uma atitude que não contribui rigorosamente com nada. Daniel estava apenas cumprindo com o seu trabalho, tentando dar visibilidade ao episódio que vitimou Igor. E também acabou vítima da violência.  

Que Deus nos proteja!

Clima do medo

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 20 de Fevereiro de 2016

A apresentadora Xuxa usou as redes sociais e postou um veemente desabafo após ser informada que a Fundação Xuxa Meneghel foi invadida por bandidos, que levaram um computador e destruiram vários objetos. “Estou indignada! Como pode alguém roubar e quebrar os brinquedos das crianças? Um lugar que existe só para ajudar. Por quê? - desabafou Xuxa.

Porque preconceitos de classe, injustiças sociais, racismo, a omissão e a incompetência dos nossos governantes forjaram, ao longo de décadas, uma sociedade egoísta, hipócrita e desigual. Não faz muito tempo, o fato da lei que obriga carteira assinada para a empregada doméstica gerou uma intensa polêmica. A maioria prefere que a empregada não tenha nenhum direito. Mostra bem como nossa elite e a classe média trata os trabalhadores mais humildes.

Como você só colhe o que você planta, o Rio de Janeiro, que possui mais de mil favelas, a maioria abandonada pelo Poder Público, figura como um dos Estados mais violentos do país. Disputa cabeça com cabeça com São Paulo. Os cariocas, independente da classe social, vivem com medo. Muitas vezes, ao abordar uma pessoa na rua para pedir uma simples informação qualquer, é comum a pessoa olhar asustada. É o clima do medo. Triste! Muito triste!

Está cada vez mais difícil viver numa cidade onde crimes chocantes ocorrem com uma frequência assustadora em qualquer hora do dia, como por exemplo, o  assassinato da enfermeira Marilayne da Silva Coutinho Zaudonone, 30 anos, morta após uma tentativa de assalto no bairro da Pavuna, Zona Norte do Rio. O carro da enfermeira foi parado por dois veículos que trafegavam na contramão. O marido de Marilayne - atingida com um tiro no peito -parou o carro e não esboçou nenhuma reação. Mas mesmo assim o bandido atirou.  O casal estava com a filha no carro, de apenas 3 anos.

De acordo com a polícia, quem atirou foi um menor de 16 anos, com várias passagens pela polícia, que acabou apreendido.

Além do crime da enfermeira, uma argentina foi atacada a facadas - e morreu -  na praia de Copacabana, Zona Sul do Rio, em frente ao imponente hotel Copacabana Palace. E na Quinta da Boa Vista , no bairro de São Cristóvão, Zona Norte do Rio, um professor peruano, há 30 anos no Brasil, e que dava aulas na PUC e na UERJ, foi encontrado morto com marcas de facada e espancamento.

Todos os crimes descritos acima ocorreram em menos de uma semana. Quem será a próxima vítima? E tudo isso numa cidade que será palco de uma Olimpíada. A sociedade carioca deveria se unir, com humildade, em torno de um objetivo comum, ou seja: combater a violência, que atinge a todos - ricos e pobres. Vale para todo o Brasil 

Para combater a violência com objetividade e profissionalismo é preciso deixar de lado o radicalismo, posições políticas extremadas e picuinhas que não levam a lugar nenhum. Pena de morte, prisão perpétua, redução da maior idade penal, nada disso vai resolver. São soluções simplistas, superficiais. É preciso tocar na causa do problema - investimentos sociais e menos obras para contemplar turistas. Menos marketing e mais ações concretas.

Do contrário, como diz o ditato popular, “é enxugar gelo”.

 

“Segurança não se resolve só com polícia”

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 13 de Fevereiro de 2016


O coronel Amendola foi o primeiro comandante da Guarda Municipal do Rio, em 1993.

Fotos de Alcyr Cavalcanti

Seu nome está escrito na história da Polícia Militar do Estdo do Rio de Janeiro. Comentarista  de Segurança da TV Record e coordenador da mesma área da Universidade Estácio de Sá, o coronel reformado Paulo César Amendola é o fundador do Batalhão de Operações Policiais Especiais - Bope -,  tropa de elite da corporação, temida pela bandidagem e referência internacional.

Numa entrevista exclusiva para o blog Na Campana, realizada na sua sala de trabalho na Universidade, no bairro do Rio Comprido, Zona Norte do Rio, com respostas firmes, sem tergiversar, o coronel Amendola falou sobre alguns dos principais problemas que envolvem a segurança pública carioca e do polêmico tema da redução da idade penal. Baiano de Salvador, pai de cinco filhos e torcedor do Vasco, não raro ministra palestras para policiais militares e civis, membros de tropas de elite como a Coordenadoria de Recursos Especiais - Core - da Polícia Civil - e do Bope. 

Ano passado, PMs do Bope foram acusados  de corrupção. A tropa  de elite ostentava a fama  de ser incorruptível. Foi uma mancha no currículo. Como o senhor analisa a questão?

Na proposta de criação inicial do Bope, nós sugerimos que fosse criada uma tropa  muito  especializada, bem selecionada e treinada, mas que tivesse um efetivo reduzido para maior coordenação e controle das suas ações. Estipulei 120 homens, aproximadamente. Então, um efetivo pequeno. E que o comando deste efetivo fosse muito bem selecionado, escolhido a dedo por quem tivesse poder de fazê-lo. Assim, seria uma  tropa que não apresentaria nenhum problema negativo. Mas, por injunções políticas, uma tropa especial que não deveria  ter um efetivo muito grande, até porque missões especiais são poucas, tipo: resgate de refém dominado por marginal armado. Isso não acontece todo dia. É uma missão muito especial. Mas algumas outras missões, principalmente em favelas, levou o governo do Estado a determinar que o Bope tivesse um efetivo maior, crescesse em efetivo e atuasse também  em favelas. Foi uma decisão errada, que mostrou uma realidade: quem quer qualidade não pode privilegiar a quantidade. Aí então, aconteceu o problema citado  e uma série  de outras questões. 

O Bope foi criado a partir do Núcleo da Companhia de Operações Especiais (Nucoe), em janeiro de 1978

O senhor é a favor da redução da maioridade penal?

Sou a favor. E vou até além do  que alguns políticos querem e também parte da sociedade.Talvez não devesse baixar para 16 anos. É o  seguinte: crime é crime por quem quer que o cometa. Seja por menor de 10, 16 anos, ou maioridade. A pessoa tem  que  responder pelo crime. Aí você me pergunta: uma criança de 10 anos de idade que matou merece ser condenada? Totalmente. Em alguns países mais evoluídos do que o Brasil, como os Estados Unidos, o menor de idade pode até ir para a cadeira elétrica. Então, tem que  responder. Se ele tem a maturidade para pegar uma arma e tirar a vida de alguém, ele tem que cumprir uma pena, por pior que seja. Todos têm que responder caso comentam um crime. Agora, na hora do tratamento do preso, aí  a questão é  diferente. O menor de idade não teve tempo de vida para obter uma série de aprendizados que uma pessoa de 30, 40 anos teve na vida. Na cadeia ele cumpre esta etapa de aprendizado para que possa ser reinserido na sociedade. O Código Penal Brasileiro tem que ser para todo mundo. Até para o menor.


Quando o tempo permite, Amendola gosta de ler e estudar sobre segurança pública.

O projeto das Unidades de Policia Pacificadora - Upps - sofreu abalos não só na questão operacional, como também na credibilidade, por ocasião do episódio da tortura, morte e desaparecimento do corpo do pedreiro Amarildo de Souza, em julho de 2013, na Rocinha, Zona Sul do Rio. Quando o PMDB não governar mais o Rio de Janeiro, o senhor acha que as Upps serão mantidas, ou terão o mesmo destino dos Cieps do ex-governador Leonel Brizola?

Acredito que qualquer governador que venha  deve manter, por uma questão muito simples: antes das UPPs, o número de pessoas baleadas nas periferias das favelas era uma coisa de louco. pessoas mortas e feridas a bala, por conta de tiroteios entre quadrilhas rivais. E quando havia incursão policial, o bandido atirava lá de cima. E as balas atingiam inocentes, além do alvo que eles estavam tentando acertar - a polícia. Isso foi um dos fatores que levou - também   a Secretaria de Segurança Pública a apresentar o projeto  das Upps. Foi provado  que  dentro das favelas existia armamento de longo alcance, fuzis, metralhadoras……… E talvez isso aí deixasse de existir e também o  tráfico de drogas iria reduzir bastante com as Upps, não aos moldes que existia antigamente, com destacamentos pequenininhos que não resolvia  nada. Os delitos dentro das favelas e nas periferias reduziram bastante. Isso está provado  estatiscamente pelo Instituto de Segurança Pública - ISP - que faz pesquisas mensais  e publica no Diário Oficial. Como você bem falou e tem razão, o projeto das UPPs está com problemas. Por que está tendo problemas? Porque de acordo com o projeto, a PM não ocuparia as favelas e os problemas da criminalidade iriam acabar. Foi dito o seguinte: a PM, com a UPP seria a precursora do trabalho de ocupação das favelas, uma polícia de pacificação  para evitar o tráfico de drogas e homicídios. Mas que só iria chegar a bom termo se o Poder Público, incluindo o Estado e município, entrassem com ações de caráter social. As ações de polícia atuam nos efeitos dos problemas. Os órgãos da área social atuam nas causas. Combatendo só os efeitos, o problema não se resolve. Tem que  ter organismos para atuar nas causas. As Upps estão cumprindo o  seu papel. Atuando nos efeitos. As causas estão os órgãos sociais do Estado e do município - saúde, escolas, creches…….. O problema todo é que só tem UPP. Polícia é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, como diz com clareza  a nossa Constituição. Segurança não se resolve só com polícia. É um ledo engano. As pessoas costumam confundir  segurança pública com polícia. Segurança pública é um conceito: polícia é outra coisa. A polícia é um órgão operativo da seguança pública. Vai operacionalizar a proteção do cidadão. E as outras ações? Quem faz? Ninguém faz. Tudo fica nas costas de quem? Das Upps, que entrou e permaneceu nas favelas. Em muitas favelas policiais participam de projetos sociais por conta própria, o que está errado. Há projetos sociais de moradores de favela, como é o caso do lutador de MMA Jorginho (Jorginho Filho disputou o prêmio de nocaute mais bonito de 2015), da favela de Acari - Zona Norte do Rio . Funcionário da Comlurb - Companhia Municipal de Limpeza Urbana - , onde trabalha como gari, ensina a luta para 600 crianças. Investe dinheiro do próprio bolso e conta com contribuições dos moradores. Não tem nenhum apoio do Estado.

Qual é a sua opinião a respeito das tornozeleiras eletrônicas?

Não dá resultados. Já soube de vários casos que o preso conseguiu destruir a tornozeleira. Até para eliminar a tornozeleira e outras iniciativas semelhantes, é o  seguinte: o Código Penal estabelece que para cada crime há uma pena. Quem vai  decidir isso é o juiz, em função  de uma porção de fatores. Por exemplo: foi condenado  a 14 anos. Tem que cumprir os 14 anos, na tranca, na cadeia. Aqui no Brasil o direito de defesa é quase que ilimitado. Ele é amplo. Então, condenado não tem que ter nada de tornozeleira, beneplácito algum. O juiz baixou a sentença por um crime, tem que cumprir. Se for 10 anos, tem que cumprir os 10 anos sem menos um dia, e sem mais um dia. Cumprida a pena, não pode ficar mais um dia sequer, porque senão o Estado vai ter que indenizar o preso. Agora, dentro do sistema penitenciário deveria ter o quê? Trabalho para o preso. E que o  fruto do seu trabalho renda dinheiro. Uma parte iria para a família dele; uma poupança para quando sair da cadeia possa começar sua vida, se sair vivo, e uma terceira parte para a família da vítima dele. Não  tendo isso aí, a sociedade paga o custo do preso. E não é barato. É quase R$2000…..R$1.850. E no caso do menor de idade, dobra. O preso  tem que pagar o custo dele. Divide em três e acabou o problema.

Além do tráfico, já há alguns anos o Rio convive com as milícias. Prisões importantes foram feitas à época da CPI das Milícias continuam atuando em vários locais, aumentando ainda mais o sofrimento dos moradores. Gostaria que o senhor falasse um pouco a respeito.

As ações das milícias são ilegais e criminosas. A Draco - Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas - vem atuando contra as milícias e já prendeu muitos milicianos. Para  se colocar uma quadrilha de milicianos na cadeia, não queira saber o que os delegados da Draco fazem. Tem que ter tudo bonitinho, provado. Como arrumar testemunha  de acusação em caso de extorsão? Quem vai? As pessoas têm medo, não é? Deveria ter um mecanismo na lei que permitisse dar uma dura nesse pessoal, colocar na cadeia com um pouco mais de facilidade. Há uma dificuldade do Poder Público  de indiciar os milicianos. Para colocá-los na prisão tem que  ter um mandado de prisão assinado pela autoridade judiciária competente. Antes, para a autoridade assinar tem que ter um inquérito provando que o acusado é bandido. Ou tem que ser em flagrante delito. Como os milicianos são malandros, é difícil pegar o elemento em flagrante. Tem ex-policiais, policiais bandidos ligados às milícias, que avisam: sai fora que a dura tá chegando, como se diz. Então, é difícil acabar com os milicianos dentro da lei, porque na verdade existe uma série de dificuldades de imputar a culpabilidade, de tal forma que o promotor possa denunciar, o juiz acolher e dar uma sentença. Tem que  ter um mecanismo legal, criações de legislação própria que dê condições melhores ao Poder Executivo, que tem como missão dar combate ao crime no Estado. E também mudar a Lei de Execução Penal que é muito leniente, muito frouxa, em  relação aos benefícios do criminoso. Não  tinha que ter prisão semiaberta. Ah, mas isso aí é política de recuperação do preso. Tudo bem! Ele fica preso e se recupera socialmente na cadeia. E o primeiro item para ele se recuperar é dar trabalho. A melhor coisa para um ser humano desviado é trabalhar. Trabalho obrigatório remunerado. Se fizer isto e a Lei de Execução Penal for mais rigorosa com a bandidagem vai  ter um reflexo no nível da criminalidade.

 Não raro, Amendola profere palestras para policiais de tropas especiais. A Core, da Polícia Civil, e o Bope, da PM.

Seis meses não é um tempo curto para preparar  e treinar um soldado e colocá-lo para trabalhar numa Upp? O senhor não acha que para as Upps deveriam ir PMs  com experiência, ou seja: policiais acostumados com o trabalho nas ruas?

Eu também acho. Mas a formação do soldado já passou para um ano recentemente. E depois  de formado, o pessoal que vai  para a UPP passa por um  treinamento dado pelo Comando de Operações Especiais - Coe -, que treina também os que já estão trabalhando. E PMs mais antigos, experientes, calejados, sargentos com vários anos de PM são selecionados para as UPPs. Mas a base é o pessoal novo.

O senhor é a favor da privatização dos presídios? 

Sim. Mas a privatização jamais poderá ser total. Existem várias funções, como  a segurança externa, que não pode ser controlada pela área privada. Tem que  resolver essa equação: o que pode ser privatizado  e o que não pode. A segurança externa, para mim não pode ser privatizada. Tem que  estudar muito bem. Ter um projeto de lei para implantar a privatização. Todo mundo seria da iniciativa privada? Eu acho que não pode. 

A região que engloba os Complexos da Pedreira e do Chapadão virou uma  espécie de quartel-general  da bandidagem. Na sua visão, que medidas o Estado deveria tomar para -  pelo menos- minorar a questão?

Já foram adotadas algumas iniciativas aqui no Estado, dentro da lei, quando as Forças Armadas ocuparam  áreas por um período de tempo. Então, existe mecanismo legal do Exército ocupar a  região, com as tropas que tiveram a experiência do Alemão e da Maré (Complexos que já foram ocupados pelas Forças Armadas) Mas para acontecer isso, o governo do Estado tem que fazer a solicitação formal. E a presidência da República autorizar. Tem que fazer um esquema para o Exército ocupar durante o período de formação dos novos PMs. É a solução que  eu  vejo com mais clareza. Não fazendo isso, só  existe uma outra solução: sacrificar outras áreas policiadas Tirar dez policiais de um batalhão, dez do outro…. Para aumentar o efetivo da polícia tem haver um concurso público que, não pode ser realizado sem que haja disponibilidade orcamentária prévia. E como é que está o Estado? Está numa fase pré- falimentar, poderia assim dizer. Além da previsão orçamentária tem que  ter os recursos financeiros correspondentes. O orçamento é uma coisa teórica. E o dinheiro? Será que a arrecadação vai corresponder àquela previsão orçamentária? Duvido muito. A solução  para o Chapadão e a Pedreira vai levar  tempo…..

Notas Avulsas

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016

Violência carioca - Na manhã desta sexta-feira, bandidos torocaram tiros com a polícia, na rua Moniz Barreto, altura da Marquês de Olinda, em Botafogo, Zona Sul do Rio. Após roubarem um carro na saída do túnel Santa Bárbara, houve perseguição e, na altura da Marquês de Olinda, ocorreu um tiroteio. Um bandido foi baleado, e um pessoa que passava pelo local foi - de acordo com a polícia - foi atingida na perna. Os bandidos foram presos - o ferido está internado sob custódia da polícia.

Vandalismo carioca - Estações do BRT e o Terminal Alvorada sofreram - mais uma vez -  diversos danos, como por exemplo, grades arrancadas, máquinas  de refrigerantes com fiação cortada, pichações etc. Consórcio gasta mensalmente cerca de R$150 mil em manutenção. Em relação ao fato em tela, a tendência é piorar. Falta investimentos em várias áreas como um todo. E em educação em particular. Com os governantes que temos é difícil esperar projetos sociais e humanísticos. Em tempo: Vi uma foto do governador Pezão na internet rindo. Rindo de quê?

PMs que não honram a farda -  A Polícia Civil pediu à Justiça a prisão preventiv de oito PMs da UPP Coroa/ Fallet/Fogueteito, no bairro de Santa Teresa, Zona Central do Rio, port tortura  e estupro de vulnerável. Na noite do último Natal, os PMs torturaram cinco jovens entre 13 e  23 anos. Os jovens voltavam de um festa no Morro Santo Amaro, no Catete, Zona Sul  da cidade. Foram torturados por aproximadamente 40min com socos e pontapés. Os PMs estão presos desde o dia  14 de janeiro. Tudo indica que devem ser expulsos da corporação.

Xixi lucrativo - Peculiaridades do carnaval carioca. A Prefeitura do Rio arrecadou R$730 mil, multando pessoas fazendo xixi nas ruas. Cada multa tem o valor fixado em R$510, um abusurdo, diga-se de passagem. Quais são so critérios adotados para estabelecer o valor da multa? 1.448 pessoas foram multadas por fazer xixi nas ruas. Há alguns anos, por meio de várias ações de marketing, a prefeitura incentivou o renascimento do carnaval de rua. Com o  tempo, além de dois ou três blocos tradicionais da cidade, como o Cordão do Bola Preta e a Banda de Ipanema, vários blocos foram se formando. Este ano a prefeitura teve que limitar o número de blocos autorizados a desfilar. No dias de carnaval não dá mais para andar com  tranquilidade pelas ruas do centro do Rio e alguns bairros da Zona Sul. Depois que encheu as ruas de gente, o prefeito proibiu o pessoal de fazer xixi. Eis aí mais uma forma de arrrecadação para os cofres públicos. E para vender bebidas tem que ter crachá. Coisa de tecnocrata. Caso contrário, a Guarda Municipal recolhe a mercadoria. Medidas do prefeito marqueteiro Eduardo Paes, possível candidato à presidência da República em 2018. “Pretensão e caldo de galinha não fazem mal a ninguém” - diz o ditado popular.