NÃO PERCA A ESPERANÇA

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2015

 

Li vários artigos sobre o final de ano. Confesso que fiquei espantado com o grau de negatividade de alguns cronistas. Em uma das crônicas, logo no primeiro parágrafo, a conotação negativa do texto ficou explícita - …”arrisco até a previsão de que, no próximo dia 31 de dezembro, tudo estará possivelemente pior.” São cronistas desprovidos de fé. Ou então, mal intencionados. Prefiro ficar com a primeira hipótese.

Compartilho da opinião do saudoso Rubem Alves, “Ter fé não é ver coisas que os outros não veem, mas ver as coisas que todos veem com outros olhos. Questão de perspectiva”.

Prepara-se para um ano de muitas realizações. Tudo vai melhorar

FELIZ 2016.

O que esperar em 2016?

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 28 de Dezembro de 2015

Pastor evangélico de estirpe, Jonas Resende em um dos seus livros revela que “alguém afirmou, com certo cinismo, que a diferença entre o pessimista e o otimista é que o primeiro é mais informado. Parece lógico, especialmente quando refletimos sobre os problemas pessoais, nacionais e mundiais.” Mas ressalta que existem outras pistas que desmentem a impressão corrente; nem  sempre as cassandras e os pessimistas são os mais informados.

Um dos critérios de avaliação de um bom comandante ou de um chefe, é sua  reação diante de determinadas situações, ou de uma crise. Alguns abandonam o barco; outros prejudicam os companheiros de caminhada.

  Posições políticas e ideológicas à parte, 2015 foi um ano difícil. No mundo, guerra na Síria, refugiados na Europa, atentados na Nigéria e em Paris, crianças africanas esqueléticas vítimas da fome, a foto do menino Aylan morto numa praia da Turquia, entre outros fatos e situações que chocaram o mundo. E no nosso rico e belo país a crise é política e econômica, além é claro, de outras mazelas, como por exemplo, a violência urbana. Tudo isso, amplificado, manda a verdade que se diga, pelos veículos de comunicação de massa, que possuem um caráter persecutório.

 Compaixão - Já passamos por momentos semelhantes em  determinados períodos da nossa história. A união de grupos elitistas, conservadores e fascistas, derrubaram governos democraticamente eleitos. Hoje, como ontem, pouca coisa mudou, a despeito de alguns avanços. Afinal,  superamos uma ditadura militar. Mas precisamos melhorar - e muito - o nosso sistema político. Reduzir o número de partidos seria uma boa ideia. Política de boatos, preconceitos, ilações e mentiras a respeito do adversário é uma atitude que, além de antiética é antiquada. Temos que virar esta página.

Não só nós, brasileiros, mas todo o mundo. Por que temos que continuar convivendo com a barbárie protagonizada pelo Estado Islâmico? Por que temos que continuar convivendo com a fome, preconceitos, racismo, intolerância de todos os matizes e interesses políticos econômicos e empresariais que não levam em conta o ser humano? 

Tudo isso pode mudar. Independente das suas condições psicológicas, políticas ou religiosas, lute por um mundo melhor, mais humano. Tenha compaixão com o sofrimento alheio. A compaixão está presente em todas as religiões

2016 será bem melhor. Creia nisso! Questão de otimismo! E de fé! 

Natal: sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2015

 

Texto publicado no site Amaivos 

Leonardo Boff

Estamos na época de Natal mas a aura não é natalina, é antes de sexta-feira santa. Tantas são as crises, os atentados terroristas, as guerras que, juntas, as potências belicistas e militaristas (USA, França, Inglaterra, Russa e Alemanha) conduzem contra o Estado Islâmico, destruindo praticamente a Síria com uma espantosa mortandade de civis e de crianças como a própria imprensa tem mostrado, a atmosfera contaminada por rancores e espírito de vindita na política brasileira, sem falar dos níveis astronômicos de corrupção: tudo isso apaga as luzes natalinas e amortecem os pinheirinhos que deveriam criar uma atmosfera de alegria e de inocência infantil que ainda persiste em cada pessoa humana.

Quem pôde assistir o filme Crianças Invisíveis, em sete cenas diferentes, dirigido por diretores renomados como Spike Lee, Katia Lund, John Woo entre outros, pode se dar conta da vida destruída de crianças, de várias partes do mundo, condenadas a viver do lixo e no lixo; e ainda assim há cenas comovedoras de camaradagem, de pequenas alegrias nos olhos tristes e de solidariedade entre elas.

E pensar que são milhões hoje no mundo e que o próprio menino Jesus, segundo os textos bíblicos, nasceu fora de casa, numa mangedoura de animais porque não havia lugar para Maria, em serviço de parto, em nenhuma estalagem de Belém. Ele se misturou com o destino de todas estas crianças maltratadas pela nossa insensibilidade.

Mais tarde, esse mesmo Jesus, já adulto dirá:”quem receber esses meus irmãos e irmãs menores é a mim que recebe”. O Natal se realiza quando ocorre esse acolhimento como aquele que o Padre Lancelotti organiza em São Paulo para centenas de crianças de rua sob um viaduto e que contou, por anos, com a presença do Presidente Lula.

No meio desta desgraceira toda, no mundo e no Brasil, me vem à mente o pedaço de madeira com uma inscrição em pirografia que um internado num hospital psiquiátrico em Minas Gerais me entregou por ocasião de uma visita que fiz por lá para animar os atendentes. Lá estava escrito: ”Sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano”.

Poderá haver ato de fé e de esperança maior que este? Em algumas culturas de África se diz que Deus está de uma forma toda especial presente nos assim chamados por nós de “loucos”. Por isso eles são adotados por todos e todos cuidam deles como se fossem um irmão ou uma irmã. Por isso são integrados e vivem pacificamente. Nossa cultura os isola e não se reconhece neles.

O Natal deste ano nos remete à essa humanidade ofendida e a todas as crianças invisíveis cujos padecimentos são como os do menino Jesus que, certamente, no severo inverno dos campos de Belém, tiritava na mangedoura. Segundo lenda antiga, foi aquecido pelo bafo de dois velhos cavalos que como prêmio ganharam, depois, plena vitalidade.

Vale lembrar o significado religioso do Natal: Deus não é um velho barbudo, de olhos penetrantes e juiz implacável de todos os nossos atos. É uma criança. E como criança não julga ninguém. Quer apenas conviver e ser acarinhado. Da mengedoura nos vem esta voz: ”Oh, criatura humana, não tenhas medo de Deus. Não vês que sua mãe enfaixou seu bracinhos? Ele não ameaça ninguém. Mais que ajudar, ele precisa ser ajudado e carregado no colo”.

Ninguém melhor que Fernando Pessoa entendeu o significado humano e verdadeiro do menino Jesus:

“Ele é a Eterna Criança, o Deus que faltava. Ele é humano que é natural. Ele é o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda certeza que ele é o Menino Jesus verdadeiro. É a criança tão humana que é divina. Damo-nos tão bem um com o outro, na companhia de tudo, que nunca pensamos um no outro…Quando eu morrer, filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno. Pega-me tu ao colo e leva-me para dentro de tua casa. Despe o meu ser cansado e humano. E deita-me na cama. E conta-me histórias, caso eu acorde, para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar até que nasça qualquer dia que tu sabes qual é”.

Dá para conter a emoção diante de tanta beleza? Por causa disso, vale ainda, apesar dos pesares, celebrar discretamente o Natal.

Porr fim tem alto significado esta última mensagem singela e encantadora: “Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser “deus”. Só Deus quis ser menino”.

Abracemo-nos mutuamente, como quem abraça a Criança divina (o puer aeternus) que se esconde em nós e que nunca nos abandonou.

E que o Natal seja ainda uma festa discretamente feliz.

Feliz natal

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 22 de Dezembro de 2015

“ Não façam nada por competição  e por desejo de receber elogios, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo; que cada um procure, não o próprio interesse, mas o interesse dos outros.” ( Fl 2, 3-4)

O blog Na Campana deseja a todos um FELIZ NATAL

“A mídia é o retrato da nossa desigualdade”

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2015


Jornalista e professora Cecília Olliveira: “A falta de contato com a realidade popular é traduzida nos noticiários.”

Especialista em criminalidade e segurança pública, a jornalista Cecília Olliveira, em entrevista para o blog Na Campana, criticou a cobertura policial da imprensa, que considera  reducionista, e os programas policiais televisivos. Explica que a sociedade fica sedenta de “justiça” (entre aspas porque o desejo é por vingança, frisa Cecília). “A polícia age como a sociedade espera. As políticas públicas não são reestruturadas para resultados a médio e longo prazo e assim vai. O imediatismo nos torna reféns e vítimas dessa situação”. Ex-assessora de comunicação do Programa de Redução da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens - PRVL -, uma iniciativa do Observatório de Favelas realizada em conjunto com o UNICEF e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, coordenou a equipe de comunicação da Redes da Maré, responsável por pelo jornal Maré de Notícias, com tiragem mensal de 35 mil exemplares. Ambas as instituições estão sediadas dentro do Complexo da Maré, conglomerado de favelas localizado na Zona Norte do Rio.

Na sua opinião, quais são os principais erros cometidos na cobertura policial?

Os erros são muitos. Há erros nos veículos, que funcionam como uma linha de produção e acabam por tornar a cobertura policial reducionista, muitas vezes publicando apenas a “versão oficial” da polícia e/ou Secretaria de Segurança e há os erros dos profissionais, que se tornam porta-vozes das instituições de segurança, em alguns casos, voluntariamente. Acabam criando uma falsa sensação de segurança (ou falta dela, depende da área) e criando um mundo paralelo. Todo jornalista sabe: crimes violentos são eventos extraordinários, incomuns, mas isso, na comparação com os demais crimes. Furtos não são notícia, por que é cotidiano, por exemplo. Uma pesquisa do cientista político Tulio Khan  deixou isso claro. Ele comparou as notícias que saíram na Folha de S. Paulo aos registros policiais.Entre 1997 e 1998, 2,7% das notícias sobre crime que saíram na FSP tratavam de furtos, mas este crime corresponde a 45% dos registros da polícia nesse período. Já o crime de sequestro representa 10,6% das notícias sobre crime publicadas na Folha, mas isso correspondia a 0,0001% dos registros da policia em SP. Ou seja: vivemos num mundo que parece perigoso. E isso é bom para quem trabalha com isso: indústria das notícias, do armamento, da segurança privada.

Fale um pouco sobre  a diferença de tratamento dispensado aos ricos e aos pobres, o pessoal  das periferias e das favelas

A mídia é o retrato da nossa desigualdade. Quem são as pessoas que se formam em jornalismo? Onde moram? Qual seu gênero? Qual sua etnia? Onde moram? Eles informam o quê, para quem? Que tipo de pauta é considerada relevante por pessoas com determinada formação? De acordo com uma pesquisa da FENAJ, feita em 2012, o jornalismo é feito por mulheres brancas, solteiras, com até 30 anos. Apenas 5% dos jornalistas são negros. 45% nunca atuaram nos movimentos sociais. 61% foi formado em faculdades particulares. Isso deixa claro que precisamos que pessoas negras e periféricas atuem no fazer jornalístico. A falta de contato com a realidade popular é traduzida nos noticiários. O racismo institucional é reproduzido instantaneamente nas linhas editoriais, nas novelas, nas grades televisivas, nas revistas. Isso é mais facilmente percebido nas manchetes policiais, onde é perceptível a diferença de tratamento entre traficantes x usuários e dependentes de drogas x crackudos. A semântica escancara isso.

Pesquisa aqui: http://www.fenaj.org.br/relinstitu/pesquisa_perfil_jornalista_brasileiro.pdf 

Os programas televisivos  exibidos na Record e na Bandeirantes contribuem para perpetuar  a violência urbana e da polícia?

Como o dito na primeira pergunta, o jornalismo policial cria uma realidade paralela. E essa realidade demanda uma “resposta dura e urgente”. Isso é a porta aberta para ações não planejadas, caras e não raro, letais. É um ciclo dificil de ser quebrado. A sociedade fica sedenta de “justiça” (entre aspas porque o desejo é por vingança), a polícia age como a sociedade espera, as políticas públicas não são reestruturadas para resultados a médio e longo prazo e assim vai. O imediatismo nos torna reféns e vítimas dessa situação.

Por que temos uma polícia tão violenta e mal preparada?

A resposta a esta pergunta daria um estudo sociológico. Não é simples, mas vou tentar resumir. Nós estamos numa guerra, a “guerra às drogas”. E por que as aspas? Porque não existe guerra contra coisas, mas sim, contra pessoas. E qual o perfil do “inimigo” nesta guerra? Majoritariamente negros, pobres, moradores de áreas populares. Nestas áreas, tudo é permitido, afinal, há de se salvar a sociedade do “mal” que ali impera. Nos discursos de autoridades fluminenses isso fica muito claro. Vejamos alguns exemplos:

“Um tiro em Copacabana é uma coisa. Na Favela da Coréia é outra”

(Aborto) “Tem tudo a ver com violência. Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal”

“Temos que optar e seguir em frente”, defende. Para o secretário, os confrontos são inevitáveis por causa da capacidade bélica dos traficantes. Ao Estado, ele chegou a dizer que não pode “fazer um bolo sem quebrar os ovos”

Em uma situação de “guerra”, a violência tem um verniz de legalidade. A polícia não é mal preparada. Ela cumpre com louvor a missão que lhe é designada. Ela é preparada para a guerra e cumpre muito bem esse papel. Então, o que temos que fazer é discutir a política de drogas e rechaçar esse estado de guerra.

A senhora é a favor da liberação das drogas?

Para começarmos a falar sobre drogas precisamos dar os nomes certos aos bois. “Liberação” é o que temos hoje. As drogas já são liberadas. Ninguém precisa dar mais do que 3 telefonemas para conseguir comprar algo, caso queira. Eu sou a favor da reestruturação da política de drogas, com a descriminalização e legalização de toda a cadeia produtiva das drogas arbitrariamente tornadas ilícitas e regulação do mercado.

Até  que ponto a morosidade da Justiça contribui para a impunidade. Afinal, “Justiça que demora não faz justiça”

A justiça funciona, mas para quem e com qual objetivo? O Brasil prende muito. Mas prende mal.  A política de encarceramento em massa proporcionou, nos últimos 20 anos, um aumento de 379% no número de presos no Brasil (a população do País cresceu  30% no mesmo período). Essa política não foi acompanhada pelo descongestionamento do acesso à defesa e à Justiça. No País, 43,8% das prisões são provisórias. No último balanço, de dezembro de 2012, somavam 41,8% . Ou seja, prendemos muita gente. Estas pessoas foram punidas. Então, o que deve ser apontado não é a impunidade, pois punimos muito. Devemos apontar a seletividade do sistema penal: É o negro, é o pobre, é o favelado que vai preso. E, principalmente no caso de tráfico de drogas, claramente a legislação é uma legislação que criminaliza a pobreza. Das pessoas presas no Rio de Janeiro, 71% delas são negras, sendo que apenas 51% da população fluminense se declara negra.
 
E a privatização  dos presídios? Como analisa essa questão? Estão querendo privatizar todo o sistema prisional

Exatamente porque prendemos mal, isso é um problema. Quanto mais presos, maior o lucro. Se hoje 44% da população carcerária do país é provisória, temo que isso aumente quando o objetivo das prisões for o lucro. Na primeira penitenciária privada desde a licitação, em Minas Gerais, o Estado garante 90% de lotação mínima e seleciona os presos para facilitar o sucesso do projeto. Como garantir a garantia de lotação? Eu aposto na já comum arbitrariedade e ilegalidade. Um preso “custa” aproximadamente R$ 1.300,00 por mês, podendo variar até R$ 1.700,00, conforme o estado, numa penitenciária pública. Na PPP de Neves, o consórcio de empresas recebe do governo estadual R$ 2.700,00 reais por preso por mês e tem a concessão do presídio por 27 anos, prorrogáveis por 35. Pessoas não podem ser comodities. 

O projeto de lei sobre  a redução da menor idade penal (de 18 para 16 anos) assim como o PL que tem como objetivo revogar o Estatuto do Desarmamento são projetos oportunistas?

Ao meu ver, todos estes projetos tangenciam a arbitrária Lei de Drogas. São apêndices de uma industria rentável, como citado acima.

É difícil encontrar um aluno de jornalismo que, após formado, queira trabalhar numa redação como repórter de polícia. Como a senhora analisa essa questão? 

É uma pena. Precisamos de sangue novo para reformular o Jornalismo nessa área tão importante. Por outro lado fico muito feliz que online isso tem sido invertido. Coletivos de Comunicação de várias periferias tem colocado a mão na massa e feito cobertura de áreas onde o jornalismo de massa não adentra.  

Cite dois repórteres de polícia que  a senhora admira?

Vitor Abdala e Leslie Leitão.

Um jornalista e dois blogueiros assassinados

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 14 de Dezembro de 2015

Texto distribuído pela organização Repórteres Sem Fronteiras.


O mês de novembro viu dois blogueiros independentes e um radialista serem mortos no Brasil. Repórteres sem Fronteiras (RSF) exorta a justiça do país a lutar contra a impunidade dos crimes cometidos contra a profissão e a reforçar a proteção dos jornalistas brasileiros.

Em novembro, em apenas onze dias, um radialista e dois blogueiros foram assassinados. Nos três casos, o modo de agir dos criminosos foi idêntico: motoqueiros armados e encapuzados.

Israel Gonçalves Silva (37 anos) foi executado a 10 de novembro de 2015 em Lagoa de Itaenga (Pernambuco). Era apresentador da Rádio Comunitária Itaenga FM e havia recebido várias ameaças de morte. Três dias depois, foi a vez do blogueiro independente Ítalo Eduardo Diniz Barros (30 anos), encontrado morto em Governador Nunes Freire, no estado do Maranhão. Nesse mesmo estado, que não faz parte da lista dos mais violentos, Orislandio Timóteo de Araújo (37 anos), também conhecido como Roberto Lano, foi abatido a 21 de novembro na localidade de Buriticupu. Orislandio era blogueiro e radialista.

Os três homens opinavam sobre a vida política de suas cidades e denunciavam regularmente a corrupção de políticos locais. Em cada um dos casos, a polícia abriu uma investigação para identificar as motivações do crime e seus mandantes.

“Repórteres sem Fronteiras solicita às autoridades locais e ao governo brasileiro que esclareçam as circunstâncias por detrás desses atos de uma cobardia inqualificável, declara Emmanuel Colombié, chefe do departamento América Latina de RSF. A pista profissional não deve ser afastada pela justiça, que tem como obrigação proteger os blogueiros e os jornalistas no conjunto do território nacional.”

Com estes três novos casos, são já sete os jornalistas ou blogueiros assassinados no Brasil no presente ano, após as mortes de Gleydson Carvalho, em 6 de agosto; de Djalma Santos da Conceição, em 22 de maio; de Evany José Metzker, decapitado em 18 de maio, e de Gerardo Servian Coronel, fuzilado em 4 de março.

O Brasil ocupa a 99ª posição em 180 países na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa 2015 de RSF.