Reflexão ética

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 28 de Abril de 2015

“Vivemos hoje numa sociedade que carece de valores éticos e mais: uma sociedade que, por vezes, é imoral e também amoral. Uma sociedade imoral é aquele que transgride os princípios morais que ela mesmo estabeleceu. Portanto, pressupõe a moralidade com a qual entra em conflito; e uma sociedade amoral é aquela que constrói a sua vida em princípios morais. Ambos os casos são perigosos e contrariam a ética”.  (Luiz Longuini Neto) *

Há alguns dias, eu estava fazendo um lanche na casa de uma amiga de longa data, quando chegou sua prima acompanhada pelo seu companheiro. Por ocasião do enterro de uma parente de sua mulher, eu já o conhecia.

Depois de alguns minutos após sua chegada, ele começou a conversar comigo. Externou toda a sua revolta com a polícia. Contou que, numa certa ocasião, ao ser parado numa blitz da Polícia Militar, como estava com o IPVA irregular - ou seja: não pagou - teve que dar R$100,00 para ser liberado. Ressaltou que uma mulher comandava a blitz e que por isso chegou a pensar que não teria problema algum. Confesso que não entendi a lógica do seu pensamento. Mas fiquei calado. Levantou do sofá e continuou seu exaltado desabafo contra a polícia. Disse que tanto o homem quanto a mulher, polícia é tudo corrupto. E frisou que em termos de polícia generaliza mesmo, pois todos são corruptos.

O que o cidadão em tela falou é mais comum do que se imagina. Trata-se, no entanto, de um pensamento que não se justifica. Um grande número de pessoas - principalmente da classe média e da elite - tem o hábito de reclamar de tudo. Nada no Brasil presta. Fazem discursos moralizantes e, não raro, entram em contradição com suas opiniões, pois falta conteúdo nas informações. A maioria tem uma visão superficial dos fatos. Além disso, muitos não possuem estofo cultural para contextualizar fatos e situações.

O revoltado cidadão em nenhum momento assume sua culpa. Na verdade, ele errou duas vezes; primeiro, por não ter pago o IPVA; em segundo lugar, aceitou o suborno, contribuindo com a corrupção.

A polícia não é uma instituição diferente das demais. Como em todo lugar, tem os pilantras e os corruptos. Mas também tem policiais sérios, éticos, que honram a profissão. E são maioria.

Em novembro de 2011, dois PMs do Batalhão de Choque participaram da prisão do  traficante Antônio Bonfim Lopes, vulgo Nem, chefe do tráfico  de drogas na favela da Rocinha, Zona Sul do Rio. Tendo o carro onde estava interceptado, o traficante ofereceu R$1 milhão aos dois policiais para ser liberado. A resposta do 2º tenente Ronald Cadar, e do 1º tenente Disraele Gomes foi um rotundo não. E Nem acabou preso.

Não há dineiro que compre o profissional sério.

Enquanto nossa sociedade for hipócrita, imoral e preconceituosa determinadas mazelas do país não vão mudar. Entre elas, a corrupção, que não está restrita  a um governo específico - perpassa a todos. Trata-se de mal cultural. Infelizmente.

Não reclame. Seja ético. Faça a sua parte.  

* Luis Longuini Neto é bacharel em Teologia, licenciado em Filosofia, mestre e doutor em Ciências da Religião (Universidade de Hamburgo, Alemanha) e pastor presbiteriano. Tive o prazer e a honra de ser seu aluno quando cursei Teologia.

 

A cnbb na defesa do povo brasileiro

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 25 de Abril de 2015

A QUEM INTERESSAR POSSA- Na Campana é contra propostas simplistas e demagógicas,que atingem apenas as consequências de determinados problemas e não as causas. É o caso, por exeplo, da redução  da maioridade penal e da terceirização, um atentado contra o trabalhador.

A posição  da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB - contra a maioridade penal - de 18 anos para 16 - deveria servir de reflexão a todos aqueles que são a favor da proposta em tela.

A instituição tem prestígio e credibilidade para enfrentar temas polêmicos, principalmente hoje, com o novo estilo do Papa Francisco, de perfil simples, objetivo e corajoso, que não se omite diante de nenhuma questão, tanto de ordem interna quanto externa.

O presidente da CNBB, Dom Sérgio da Rocha, assegurou que, “ ao invés de aprovarem a redução da maioridade penal, os parlamentares deveriam criar mecanismos que responsabilizem os gestores por não aparelharem seu governo para a correta aplicação dos medidas socieducativas”.

A CNBB também é contra a terceirização e possíveis alterações no Estatuto do Desarmanento.

São Gonçalo e a bandidagem

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 23 de Abril de 2015

Já fiz alguns artigos a respeito dos índices de violência do município de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Há alguns bairros que já entraram para a história do município como locais que abrigam a bandidagem em grande número, como por exemplo, Salgueiro, Coelho, Morro Menino de Deus, no Rocha, Mutondo e Itaoca, onde traficantes de drogas atuam no antigo lixão e têm impedido os trabalhos de recuperação ambiental , conforme escreveu na sua coluna no jornal O DIA, o jornalista Fernando Molica (23/4/2015).

São Gonçalo tem uma população de 1.025.507 de habitantes (Censo IBGE/2013). É o  segundo município mais populoso do Estado. Só perde para a capital. Mas, a despeito disso, só tem um batalhão da Polícia Militar. Trata-se de um fato ridículo. Os anos passam e nada muda. Na verdade, São Gonçalo, assim como a Baixada Fluminense, nunca tiveram a atenção que merecem dos nossos políticos.

Para a sorte dos moradores gonçalenses, a bandidagem atua de forma totalmente desorganizada e desunida. São bandidos de quinta categoria, sem visão de nada, jovens (a maioria) que gostam de exibir suas possantes armas. Caso contrário. iriam dominar o município. E aí, para combatê-los, só a intervenção de tropas do Exército.

O tempo passa e os nossos políticos não mudam: prometem um monte de coisas e depois somem. Falar com eles é uma tarefa difícil, muito difícil.

E o povão continua sofrendo 

A outra face da violência

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 20 de Abril de 2015

A violência não está restrita somente aos assaltos, aos roubos, assassinatos, ao modo de agir dos traficantes de drogas. 

Temos também uma outra forma de violência, praticada sem armas de fogo e quadrilhas armadas, gestadas em confortáveis gabinetes. Manifesta-se de forma sutil, tem o amparo de gente poderosa, que não possui visão social. E é insensível ao sofrimento alheio. É o caso, por exemplo, do projeto de lei 4.330, que regulamenta a terceirização, uma violência contra os direitos trabalhistas estabelecidos na nossa Constituição.

Além disso, temos também a questão polêmica da redução da maioridade penal, projeto simplista e demogógico para punir menores infratores, alguns parlamentares estudam possíveis modificações no Eestatuto do Desarmamento, o farisaismo corporativista dos nossos médicos contra o Mais Médicos do governo federal, e a ideia de privatização da saúde pública - a destruição do SUS.

É preciso encarar determinadas situações de forma ética e profissional, sem apaixonadas conotações políticas. Na verdade, discussões à parte, em todo e qualquer projeto, o que importa é se o povo será beneficiado. E o Mais Médicos tem sido elogiado pela população. O mesmo acontece com o Bolsa Família.

Quando o povão é prejudicado nos seus direitos mais elementares, em função de interesses econômicos ou políticos da classe empresarial, isso também é uma violência. A longo prazo terá consequências.

Nosso Congresso precisa ter um mínimo de consciência social. O progresso do nosso país depende também da qualidade de vida do nosso povo.
 

Compasso de espera e toucas ninjas

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 18 de Abril de 2015

A opinião pública terá que esperar 45 dias para saber o resultado dos laudos a respeiro dos mortes do menino Eduardo de Jesus Ferreira, 10 anos; da dona de casa Elizabeth de Moura Francisco, 41 anos; e do capitão Uanderson Manoel da Silva, 34 anos. Na última sexta-feira, peritos trabalharam praticamente o dia todo no Complexo do Alemão, Zona Sul do Rio, onde ocorreram as mortes citadas.

Em relação ao menino morto por um tiro de fuzil, não há dúvida que foi um PM que o matou. Foi o que afirmou sua mãe, Terezinha Maria de Jesus. O PM, do Batalhão  de Choque, teria confundido um celular usado pelo menino com uma arma.

O capitão Uanderson, morto em setembro do ano passado, teria sido vítima de fogo amigo durante um confronto entre PMs e traficantes.

Participaram dos trabalhos de reconstituição cerca de 120 policiais da Polícia Civil e oito delegados. E 22 PMs que participaram de operações nos dias das mortes foram convocados para auxilar as análises dos peritos. Todos estavam usando toucas ninjas.

Não é proibido policiais usaram toucas ninjas em qualquer situação?

Há poucos dias um fotógrafo do jornal Extra divulgou uma foto de um PM do Bope na carroceria de uma viatura usando touca ninja. O fato gerou ameaças ao fotógrafo.

A polícia não cumpre seus regulamentos e ainda ameaça um profissional que só cumpriu o seu trabalho. E muito bem, diga-se de passagem.   

 

Quem matou o menino no Complexo do Alemão?

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 15 de Abril de 2015

Ainda não se sabe quem foi o resposponsável pelo tiro que matou o menino Eduardo de Jesus Ferreira, 10 anos, no  último dia 2, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Na noite da última terça-feira, dois PMs estiveram na Divisão de Homicídios da Capital (DH) localizada na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde prestaram depoimentos.

Na verdade, quem vai definir o responsável por mais uma tragédia numa favela carioca será certamente a perícia.

Já há algum tempo a polícia civil carioca possui uma infraestrutura moderna, objetiva. E que tem dado excelentes resultados.

Realização de uma perícia - a equipe chega a um local de crime com cinco viaturas - duas delas, com a equipe do Grupo Especial de Local de Crime - GELC . As outras duas viaturas são compostas pelo perito de local, perito legista, papiloscopista e fotógrafo, além de uma viatura descaracterizada, onde estão dois policiais do Grupo de Investigação - GI. Além da PM e de um rabeção.

A mãe do menino - Terezinha de Jesus Ferreira - vai retornar ao Rio esta semana - vem do Piauí, onde reside sua família - para ajudar na reconstituição da morte do seu filho. Ela acusou um PM do Batalhão  de Choque de atirar no menino.