Alta periculosidade

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 31 de Janeiro de 2015

A QUEM INTERESSAR POSSA

A polícia ainda não conseguiu prender (de novo) Edson Silva de Souza, o Orelha. Ele foi preso em 18 de setembro de 2014, acusado de ser um dos chefes do tráfico na Nova Brasília e Fazendinha, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio.. É acusado de atacar UPP, incendiar veículos no Alemão e atirar em PMs. Mesmo com essa extensa folha corrida, após 49 dias da sua prisão, a Justiça libertou o bandido.

Além de Orelha, continua nas ruas Johnny Lúcio da Silva, o Bebezão, o mesmo ocorrendo com Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, chefe do tráfico no Morro da Pedreira, em Costa Barros, subúrbio do Rio. No momento é o bandido mais procurado do Rio. O Disque-Denúncia oferece Cr$50 mil a quem souber do seu paradeiro.

 Bebezão, é o chefe de uma quadrilha que rouba caminhões de carga no bairro da Pavuna, Zona Norte do Rio. Foi resgatado durante a madrugada por um grupo armado, em setembro último, do Hospital Azevedo Lima, localizado no bairro do Fonseca, Zona Norte de Niterói, Região Metropolitana do Rio. Após ter sido baleado durante um assalto, Bebezão foi primeiramente internado num hospital na Zona Norte do Rio. Mas, por questões de segurança foi transferido para Niterói, sob custódia. Dois PMs faziam a segurança. No dia invasão, um deles não compareceu ao trabalho. O bandido também participou da invasão do Fórum de Bangu, Zona Oeste da cidade, para resgatar comparsas No episódio, um PM e um menino de oito anos morreram.

Trata-se de um trio de alta periculosidade, que vem impondo o terror na cidade, com ações ousadas e extremamente violentas.

Até quando?

Calma, secretário!

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

O Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, carregou ns tintas na sua crítica ao governo federal. Referindo-se a respeito da segurança nas fronteiras do país para evitar que a entrada de drogas e armas pesadas cheguem aos estados,  lembrou que levou um projeto à Câmara dos Deputados e ao Senado, pedindo maior controle das fronteiras, mas que nada foi feito.

Calma, secretário! O governo federal sempre agiu com espírito  democrático, ética e boa vontade com o Rio  de Janeiro, o mesmo ocorrendo com os demais Estados. Na questão do Rio temos os exemplos da ocupação do Complexo do Alemão - que teve apoio decisivo dos blindados da Marinha - e do Complexo da Maré, onde ainda atua a Força de Pacificação, com militares do Exército. A participação dos militares só foi possível com o apoio do governo federal.

Dito isso, as críticas são injustas. Confesso que fiquei surpreso com o destempero do secretário, profissional competente, ético e discreto, certamente um dos melhores secretários - senão o melhor - da gestão do ex-governador Sérgio Cabral.

Beltrame, certamente premido pelos problemas na sua pasta - até a última segunda-feira, 18 pessoas foram vítimas de bala perdida, num período de 11 dias - foi duro em excesso no seu comentário.

Tenho a mais absoluta das certezas que o pedido do secretário Beltrame está sendo visto,  analisado e estudado à altura da sua importância. Entre outras coisas, até pela extensão terrtitorial do nosso país, não é uma tarefa fácil. E, além disso, às vezes os  resultados não aparecem com a pressa que muitos desejam.

Mas o pedido do  secretário Beltrame não foi engavetado, como era comum ser feito antes de 2003. Cunhou-se até a frase - O Engavetador Geral da República.  

Pedido de habeas corpus

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 27 de Janeiro de 2015

Condenados na noite da última sexta-feira pela morte de Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães. os advogados de defesa de Rafael Bussamra e seu pai, Roberto Bussamra, entraram com um pedido de habeas corpus na tarde desta segunda-feira, no Tribunal de Justiça do Rio. De acorco com o TS o documento chegou às mãos do juiz por volta das 18hs.

Na noite do trágico acidente, que culminou na morte do filho  da atriz, Rafael Bussamra dirigia o carro em área fechada para o trânsito, onde a vítima estava andando de skate.

Rafael Bussmara foi condenado a sete anos de prisão em regime fechado e mais cinco e nove meses em regime aberto. O pai ffoi condenado a cinco anos em  regime fechado e nove meses a regime semiaberto, de acordo com o TJ.

O emprego e as fábulas da mídia

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 25 de Janeiro de 2015

Abaixo, texto do jornalista Paulo Moreira Leite. Tomei a decisão de colocá-lo aqui neste blog, pois o assunto em tela, o número de empregos alcançados no atual governo, é um item importante em vários campos e colobora - e muito - para reduzir os índices de violência.

Mais uma vez fica claro que um país não pode e não deve ser governado tendo apenas como prioridade os interesses e os humores do mercado. 


Mesmo em ritmo mais lento, país continuou gerando empregos em 2014. Com FHC desemprego cresceu por cinco anos consecutivos mas jornais e TVs querem que você não se lembre disso.

O clima de enterro empregado pelos meios de comunicação para divulgar os números do emprego formal de 2014 é vergonhoso.

É correto lembrar que a criação de 391 000 empregos foi o menor desempenho desde a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto. Num país com 200 milhões de habitantes, com as carências que conhecemos, sempre haverá gente em busca de emprego — e de empregos melhores.

Mas é absurdo deixar de ponderar que entre 2003 e 2014, período dos governos Lula e Dilma Rousseff, o país criou 16 milhões de novos empregos formais. O país vive o menor desemprego de sua história. Em nenhum momento, nesses 12 anos, o mercado de trabalho encolheu. Nunca. (*)

Entre 1995 e 1999, durante o governo do PSDB, o país perdia milhares empregos anos após ano. O mercado de trabalho decresceu por cinco anos consecutivos — uma tragédia pentacampeã.

Foram 129.339 empregos a menos em 1995, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso assumiu a herança econômica do ministro da Fazenda FHC. Nos quatro anos seguintes, o país seguiu perdendo empregos no seguinte ritmo:

– 1996: 271.339 empregos a menos

– 1997: 36.000 empregos a menos

– 1998: 582.000 empregos a menos

— 1999: 196.000 empregos a menos (**)

O dado real a ser lembrado é este: o país perdeu empregos em cinco dos oito anos de governo FHC — mais da metade da gestão, portanto. No total, as perdas em cinco anos chegaram a 1 milhão e 85 mil empregos.

Em 1994, o ano de lançamento do Plano Real, foram criados 301. 928 empregos — 30% a menos do que as vagas abertas em 2014, total apresentado em tom fúnebre na semana passada. Alguém protestou?

Nos três últimos anos de governo FHC, foram criados 2 milhões e 10 000 empregos.

Se você abater as vagas fechadas, o saldo tucano é de pouco mais de 900 mil empregos. Nos oito anos de Lula, o saldo foi de 10,8 milhões. No primeiro mandato de Dilma, 5,2 milhões.

Se o número de 2014 não precisa motivar uma festa deve ser visto de forma ponderada. Num país que vive a mais baixa taxa de desemprego de sua história, a geração de novas vagas torna-se mais complicada do que antes.

O país nunca deixou de criar empregos após a posse de Lula e seguiu na mesma situação com Dilma.

Os dados sobre emprego sempre são delicados, pois envolvem o eleitorado tradicional do Partido dos Trabalhadores, que permitiu a Dilma resistir a uma campanha brutal no ano passado. Estes números não só ajudam a refletir sobre as prioridades de cada governo e o empenho para garantir benefícios a maioria da população mas também confirmam a mistificação diária que se costuma oferecer a população. Apoiar ou combater um governo faz parte dos direitos democráticos de qualquer veículo e de cada cidadão.

O lamentável é constatar, mais uma vez, que isso costuma ser feito sem respeito pela isenção nem pelos fatos.

A experiência de viver num país de pensamento único garante toda atualidade ao debate sobre a democratização dos meios de comunicação, que Dilma Rousseff comprometeu-se, muito corretamente, a encaminhar durante o segundo mandato.

A necessidade de encaminhar essa discussão, que envolve um debate demorado, que deve chegar a toda sociedade e ao Congresso, é inegável.

Mais urgente, contudo, é a necessidade do governo fazer a disputa política na conjuntura, oferecendo respostas a cada inverdade e toda distorção.

Temos um governo silenciado compulsóriamente pela mídia alinhada a seus adversários. A circulação de informações está submetida a uma ditadura exótica. Não é feita a partir de um Estado forte, como se aprende nos manuais de história, mas por empresas privadas de comunicação que reinam com poderes absolutos, como demonstra o insubstituível Manchetômetro.

Neste universo desigual, ou o governo começa a falar, ou será calado para sempre. Irá perder os debates que se avizinham sobre os rumos da economia e sobre empregos, sobre energia, sobre a Petrobras e o que você pensar. Mesmo a democratização dos meios de comunicação, que não quer diminuir a liberdade de ninguém, mas apenas ampliar a voz daqueles que não possuem, já foi atingida. É apresentada como bolivarianismo.

Já deu para entender a urgência de fazer a disputa política, concorda?

(*) Vinte anos de Economia Brasileira, Gerson Gomes e Carlos Antonio Silva da Cruz. Fonte? MTE/Caged

(**) Idem

Preso os responsáveis pela morte do filho da atriz Cissa Guimarães

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 24 de Janeiro de 2015

 

Instrui o menimo no caminho em que deve andar e até quando envelhecer não se desviará dele ( Provérbios 22.6 )

De repente, diante de tantas notícias preocupantes e tristes, não só em relação ao nosso país, mas em todo o mundo, há também aquelas que nos dão a certeza de que nem tudo está perdido. Ainda há profissionais comprometidos com a justiça e com a ética, que dignificam a profissão.

É o caso, por exemplo, do juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte da 16ª Vara Criminal (RJ), que condenou Rafael de Souza Bussamra a 12 anos e nove meses de prisão (sendo sete em regime fechado e o restante no semiaberto) e suspendeu sua carteira de habilitação por quatro anos e meio. Bussamra é o responsável pelo atropelamento e morte do filho da atriz Cissa Guimarães, Rafael Mascarenhas. O fato ocorreu em julho de 2010, no Túnel Acústico, no bairro da Gávea, Zona Sul do Rio, que depois recebu o nome da vítma.

O pai de Rafael Bussamra (que dirigia o carro numa área fechada para o trânsito) - Roberto Martins Bussamra - também foi condenado: pegou oito anos e 11 meses de reclusão (sendo nove meses em  regime semiaberto) por ter ajudado o filho a subornar com R$10 mil dois PMs, com o objetivo de encobrir o crime. Pai e filho  foram presos na tarde da última sexta-feira. Vão ficar presos no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio. Os PMs foram expulsos da corporação.

No caso em tela, apesar da demora na condenação dos réus, a Justiça cumpriu com o seu papel. A família da vítima sente um certo alívio. Quando há impunidade, ou a família não  teve, por um motivo  qualquer, a oportunidade de enterrar o corpo - como aconteceu em vários episódios durante da ditadura militar brasileira - a dor é muito maior.

Rafael Bussamra foi condenado pelos crimes de corrupção ativa; homicídio culposo; inovação  artificiosa em caso de acidente automobilístico; afastamento do local do acidente para fugir à rsponsabilidade penal e participação em “pega” -  babaquice que parece não ter fim. O pai, Roberto Bussamra foi condenado por corrupção ativa e inovação artificiosa em caso de acidente automobilístico.

Em um trecho da sua sentença, o juiz Guilherme Scilling ressaltou a atitude do pai em corromper os militares, numa tentativa de acobertar o filho. “Não apenas policiais que acobertam e omitem o crime (sendo, por isso, também criminosos) mas também os falsos pais que superprotegem os filhos criando pessoas desajustadas”.

Em um outro trecho da sua sentença, o juiz afirma que o comportamento dos réus “é reprovável e malicioso. Através de enxurradas de inverdades, buscaram não somente eximirem-se da responsabilidade penal, mas na realidade transferi-la cm maior peso a outras pessoas. Percebe-se uma verdadeira degradação de valores morais em uma família de classe média, que talvez por mero individualismo, ou abraçando um cultura brasileira de tolerar exceções, tende a apontar os erros dos outros, e colocando um verdadeiro véu sobre seus erros” - afirma o magistrado.

 

Que sociedade queremos?

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015

No meu último artigo falei a respeito dos Brizolões no Rio de Janeiro, como popularmente ficaram conhecidos os Centro Integrados de Educação Pública, uma iniciativa do antropólogo Darcy Ribeiro ( 1922-1997), durante o governo de Leonel Brizola ( 1922-2004). Por questões de preconceito das nossas elites pelas classes menos favorecidas, além dos interesses políticos conservadores e hipócritas, os Brizolões ou Cieps, perderam todo o status e a infraestrutura.

Com isso, milhares de jovens não tiveram a oportunidade de estudar em um colégio de qualidade, projeto inédito no país. Na maioria das favelas não há a presença do Estado. Falta tudo. Não há investimentos sociais dignos de nota. Praticamente os moradores continuam entregues à própria sorte. No ano passado, por conta das eleições, muitas promessas foram feitas neste sentido, principalmente com as instalações das UPPs. Mas por enquanto, são apenas promessas.

Grande parte dos nossos menores e adolescentes não têm perspectivas de melhorar de vida. Tudo ao seu redor é difícil, problemático e violento. Em função disso, é natural que muitos entrem para o tráfico de drogas e outros tipos de crimes. A maioria, de famílias desestruturadas, não tem estímulos para melhorar de vida. Transformam-se então, em uma espécie de robôs desgovernados. Tentam se impor pela violência, assaltando, quebrando coletivos, realizando arrastões e fazendo parte de quadrilhas do tráfico de drogas.

Alguma coisa está errada quando jovens invadem um colégio, na verdade um Ciep, no município de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio.. O fato ocorreu na última quarta-feira, no bairro Portão do Rosa. Traficantes do Complexo do Querosene, expulsaram funcionários e tomaram o prédio. Não é a prmeira vez que invadem e depredram o local. Não raro, bandidos entram no Ciep para se esconderem.

Diante de uma quadro de violência e intimidação, a Secretaria Muncipal de Educação estuda a transferência dos alunos para outra escola.

É paradoxal que, diante de tanta modernidade, de tantos avanços em vários campos de atividade, nos deparamos com episódios como os descritos acima.

O principal investimento, como sempre fica em segundo plano, ou seja: o ser humano.

Estamos vivendo tempos dificeis, onde a questão dos relacionamentos interpessoais, a preocupação com o outro semelhante, praticamente não existem. Todos andam super atarefados, olhando somente para o próprio umbigo, preocupados com o lucro e a autoexposição. Esta aí o Facebook. É a sociedade do espétáculo, termo cunhado em 1967, pelo escritor francês Guy Debord.

Não tenho nenhuma pretensão de ser profeta, mas se os valores atuais da nossa sociedade continuarem prevalecendo, ficaremos cada vez mais doentes, psicologicamente falando.

Afinal, que sociedade queremos para o nosso país?