Reunião para combater assassinatos de PMs

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 30 de Novembro de 2014

Nesta segunda-feira, o secretário de Segurança Pública do Rio. José Mariano Beltrame vai reunir os comandos das polícias Civil e Militar. O objetivo é traçar estratégias para combater a recente onda de violência contra PMs. Em apenas uma semana, cinco PMs e um cabo da Força de Pacificação do Exército foram mortos por bandidos. O secretário frisou que  a segurança do Rio depende da ação conjunta dos poderes Legislativo e Judiciário.

Não há uma receita, mas alguma coisa tem que ser feita - e rápido - para que PMs não continuem sendo assassinados pela bandidagem. Ouvir os soldados, cabos e sargentos sobre os seus principais problemas operacionais diários pode ser de grande ajuda.

De acordo com reportagem do jornal O DIA (domingo, 30/11/2014) somente nos últimos três anos, 49 militares por mês saíram de combate, feridos durante o  serviço ou fora dele. Ou seja: 1.715 PMs impedidos de usar suas fardas. No mesmo período, 347 morreram, dois deles durante a semana que passou.

Em vários aspectos, é grave a crise na PM. Um desafio para o novo comandante, coronel Alberto Pinheiro Neto, que assumirá o cargo no próximo dia 2 de janeiro.

 

Mais um PM morto pela bandidagem

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

No meu último artigo o tema foi o assassinato de um PM na Zona Oeste do Rio. O soldado Ryan Procópio foi torturado e executado com cinco tiros. Na oportunidade, frisei que todo assassino de policial deveria ter um julgamento de rito sumário, ou seja: o juiz dá a sentença e, sem mais delongas, cadeia.

O governador Luiz Fernando Pezão defende penas mais duras para quem mata policiais. Trata-se de uma ideia que deve ser debatida. Mas sem emocionalismos. O que deve prevalecer é a razão e o profissionalismo.

Após o assassinato do soldado Ryan, bandidos mataram outro PM, em Guadalupe, Zona Norte do Rio, soldado Anderson de Senna Freire, 35 anos, lotado no BPM de Irajá, subúrbio do Rio.. Baleado na cabeça, chegou a ser levado para o Hospital Albert Scheitzer, em Realengo, bairro localizado na Zona Oeste da cidade. Anderson e um outro colega de farda - ferido no ombro - estavam fazendo patrulhamento.

Foi o segundo assassinato de PM em menos de 24 horas. Este ano já morreram 99  PMs. Ano passado, 111 PMs morreram assassinados.

Até quando a bandidagem vai continuar matando os PMs?

Rito sumário

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

A bandidagem não dá trégua. Mais um PM assassinado. O soldado Ryan Procópio, 23 anos, com apenas oito meses na corporação, foi morto a tiros na última segunda-feira. O policial estava de folga e sem a carteira de policial. Ele teria acabado de deixar a casa da namorada quando teve o seu carro interceptado por bandidos. De acordo com a polícia, Ryan - que trabalhava na UPP da Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio -  teria sido assassinado por traficantes da Vila Aliança, em Bangu, também na Zona Oeste, em resposta à operação que prendeu dez suspeitos. O policial foi levado para a Vila Aliança, torturado  e assassinado.

A bandidagem certamente reconheceu Ryan como policial. O assassinato covarde é uma tentativa de mostrar poder e para desestabilizar a PM.  Apesar do momento crítico que vem enfrentando, as UPPs ajudaram a diminuir os índices de violência. Nunca é demais lembrar que só polícia não basta. É preciso que os investimentos sociais cheguem nas comunidades.

Sou a favor que assassinos de policiais tenham um julgamento diferente, ou seja: rito sumário. O juiz dá a sentença e pronto. Cadeia o mais rápido possível. Alguma coisa tem que ser feita neste sentido. E rápido.

 Ryan Procópio foi enterrado com honras militares, no Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste da cidade..

Ocupação da Vila Cruzeiro completa 4 anos

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 25 de Novembro de 2014

Hoje faz quatro anos da operação policial que ocupou a Vila Cruzeiro e depois o Complexo do Alemão. Com a chegada dos policiais - com o apoio dos blindados da Marinha - diversos bandidos fugiram para o vizinho Complexo do Alemão. A cena da fuga foi transmitida ao vivo pelas emissoras de televisão.

No dia anterior, bandidos fizeram um arrastão  na saída da Via Dutra, em direção à Avenida Brasil -passageiros assaltados, automóveis e ônibus incendiados. Pânico geral. Uma cena chocante, que ganhou destaque na imprensa nacional e internacional. Os ataques da bandidagem, de acordo com informações da polícia foram em represália à transferência de traficantes com extensa ficha criminal para presídio federal - Fernandinho Beira-Mar, My Thor e Elias Maluco, chefe do bando  que assassinou o jornalista Tim Lopes. Repórter da TV Globo à época, desapareceu na Vila Cruzero, bairro da Penha, Zona Norte do Rio, em 2 de janeiro de 2002. E, em  5 de janeiro,  a polícia confirmou oficialmente sua morte. Da Vila Cruzeiro, Tim Lopes foi levado para a favela da Grota, no Complexo do Alemão, onde foi torturado e executado.

O local funciona como uma espécie de quartel-general do crime. Mas no dia 28, um domingo, o governador Sérgio Cabral autorizou a entrada da força policial no Complexo do Alemão. A incursão foi realizada sem disparar um tiro. Foi uma operação de grande envergadura, sem precedentes na história do Rio.

Foi o pontapé inicial para a instalação de UPPs no Complexo do Alemão, projeto que, apesar de alguns críticos, recebeu o apoio da população e melhorou a vida da população de diversas comunidades. Mas, a despeito disso, algo deu errado nas UPPs, que passa por uma crise  de credibilidade. O caso mais marcante foi a tortura e o desaparecimento do pedreiro Amarildo, na favela da Rocinha, por PMs da UPP. O fato ocorreu em junho  de 2013. Além  disso, há os desvios de conduta dos policiais, a dificuldade do Estado na capacitação de novos PMs para atuarem nas UPPs, constantes ataques de bandidos em áreas que deveriam estar pacificadas e a promessa ñão cumprida: os investimentos sociais que ainda não chegaram.

O novo comandante da PM, coronel Alberto Pinheiro Neto, que assumirá o comando em 2 de janeiro próximo, sabe que não só as UPPs, mas toda  a corporação está em crise. A corrupção é o maior problema. O desafio é imenso.

Boa sorte, coronel! 

Os tentáculos da bandidagem

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 22 de Novembro de 2014

Na última quinta-feira, li uma notícia boa no jornal. Ufa! Diante de tantas notícias que nos preocupam, muitas vezes nos deixam ansiosos ou tristes, é reconfortante quando, de repente, eis que ocorre um fato positivo.

Refiro-me a respeito das famílias que pacificamente deixaram os 11 blocos do Residencial Guadalupe, do projeto Minha Casa, Minha Vida, no bairro do mesmo nome, Zona Norte do Rio, que faz parte do Complexo do Chapadão, que compreende também os bairros da Pavuna, Costa Barros e Anchieta, uma das áreas mais violentas do Rio. A desocupação - reitegração de posse - ocorreu sem conflitos, embora a PM tenha montado todo um aparato, suficiente para enfrentar qualquer situação.

Os blocos, com 240 apartamentos, foram ocupados a mando dos traficantes. Bandidos armados renderam os seguranças e diversas pessoas invadiram o conjunto habitacional. Para ter direito ao programa é preciso se inscrever. Os apartamentos são definidos por sorteio.

Em agosto último,  a polícia - juntamente com o Ministério Público - prendeu 21 milicianos da Zona Oeste, durante a Operação Tentáculos. De acordo com a polícia, a quadrilha arrecadava R$1 mihão com a revenda e aluguel de imóveis.

Eles obrigavam moradores do Minha Casa, Minha Vida a pagar taxas de segurança, além de valores extras de luz, gás e água. Quem se negava a pagar era expulso do apartamento.

O governo federal cumpre o seu papel social de construir moradias populares. Ao conseguir o seu imóvel próprio, o cidadão trabalhador de baixa renda realiza o sonho da casa própria. Não precisa mais pagar aluguel. Vai morar no que é seu. Mas, após uma conquista tão significativa, de repente é surpeendido por bandidos de quinta categoria, que aterrorizam pessoas humildes, trabalhadores, que só desejam viver em paz.

A bandidagem não respeita nada. E ataca em todas as frentes. Os milicianos conseguem ser piores que os bandidos comuns, pois muitos são funcionários públicos, PMs, bombeiros, agentes penitenciários e até militares das Forças Armadas.  Situação triste. Muito triste!

Debate sobre as UPPs

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 16 de Novembro de 2014

A revista Carta Capital realiza, nesta segunda-feira, um debate sobre Os Impasses das UPPs - Uma análise sobre o combate ao crimes nos morros cariocas.

O tema será debatido por Vera Malaguti Batista - escritora e Secretaria Geral do Instituto Carioca de Criminologia e Jorge da Silva - professor-adjunto aposentado da UERJ, ex-chefe do Estado Maior-Geral da PMERJ e ex-Secretário de Direiros Humanos/RJ.

A mediação será do jornalista da Carta Capital, Maurício Dias.

Local do evento: Livraria Cultura, Rua Senador Dantas, 45 - centro do Rio de Janeiro.