Fato insólito

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 31 de Março de 2014

No primeiro dia da ocupação das forças de segurança no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, ontem pela manhã, após uma briga de pedras entre adolescentes de facções  rivais, Vinicius Guimarães, 15 anos, foi atingido no rosto e morreu. Chegou  a ser encaminhado para a UPA da Vila do João, mas não resistiu aos ferimentos.

No confronto de pedras, três outras pessoas ficaram feridas e foram levadas para o Hospital Federal  de Bonsucesso. Um outro jovem, Gustavo Augusto, 18 anos, foi encontrado morto na Linha Amarela, próximo à Maré, com um tiro na cabeça.

A expectativa dos moradores em relação ao primeiro dia da ocupação era de tranquilidade: a maioria esperava um dia sem problema de violência. Mas, infelizmente, não foi isso que ocorreu. Houve uma guerra de pedras. Você, leitor, tem informações de fato semelhante ter ocorrido em alguma favela do Rio? Isso deixa à mostra como o trabalho de pacificação é complexo, difícil. E às vezes surpreendente.

Apenas a presença da polícia não vai resolver o problema da Maré, por mais profissional que seja. É preciso projetos sociais com infraestrutura suficiente para mudar a realidade da região, composta por 16 comunidades, com aproximadamente 130 mil moradores.

Um novo tempo

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 30 de Março de 2014

Espera-se que a rotina dos moradores do Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, mude para melhor com a ocupação dos militares da Marinha e do Exército. As pessoas esperam, entre outras coisas, que agora possam dormir e acordar sem tiroteios. E andar pelas ruas da comunidade com um mínimo de tranquilidade. Sem as limitações impostas pelos bandidos, com as suas armas de última geração. Uma nova fase na vida da comunidade está começando.

A iniciativa de ocupar a região partiu do governo estadual, após vários ataques às UPPs em diversas comunidades, uma estratégia do tráfico de drogas para desmoralizar a política de pacificação. Desde 2012, em áreas de UPPs, 11 PMs já foram mortos.

De acordo com o governador Sergio Cabral, os militares das Forças Armadas ficarão na Maré até o final de julho próximo. Mas esse prazo pode ser ampliado, caso haja necessidade.

Um caso ainda não elucidado

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 28 de Março de 2014

A morte da auxiliar de serviços gerais Cláudia Ferreira da Silva, 38 anos, que morreu ao ser atingida com um tiro no peito no Morro da Congonha, em Madureira, Zona Norte do Rio,  colocada na caçamba de uma viatura da PM - que abriu -, tendo o seu corpo sido arrastado por cerca de 350 metros, continua gerando polêmica. O episódio, ao que tudo indica, está longe de ser encerrado.

O tenente Rodrigo Boaventura e o sargento Zaqueu Jesus Ferreira Bueno tiveram prisão temporária decretada pela 3ª Vara Criminal do Rio, no último dia 27, pela participação no caso. Além disso, o Instituto Médico Legal (IML) não conseguiu determinar no laudo cadavérico, se Cláudia morreu logo após ser baleada no peito, ou quando foi arrastada pela viatura, a caminho do hospital. Na próxima semana a polícia pretende fazer a reconstituição do caso. Os PMs afirmaram que não atiraram em Cláudia, porque de onde estavam não havia possibilidade de atingi-la.

No entanto, há testemunhas que teriam visto a vvítima ser baleada pelos PMs. Mas não querem depor, com medo de represálias. Outra denúncia grave: o pai do adolescente William dos Santos Possidonio, 16 anos, Welligton Possidonio, garante que seu filho foi executado durante a operação policial. Mas também não compareceu à delegacia para prestar seu depoimento.

   Os três PMs responsáveis por colocar Cláudia na caçamba da viatura, chegaram a ficar quatro dias presos no Complexo de Bangu, Zona Oeste do Rio, mas foram soltos por determinação da Justiça. Estão afastados do trabalho externo, por  tempo indeterminado.

O jornalista que não caiu no erro da mídia

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 27 de Março de 2014

Escola de Base, 20 anos

Texto reproduzido do Observatório da Imprensa. E originalmente publicado no portal Comunique-se. Titulo original. Relato do jornalista que não caiu no erro da mídia

Nathália Carvalho
 

Durante mais de uma semana, o repórter deixava a redação e ia para o local onde funcionava a Escola Base. Entrevistou os principais personagens envolvidos numa história que horrorizou o país na década de 1990. Na época, profissional do Diário Popular, o jornalista escreveu, evidentemente, mas não publicou sequer uma linha sobre o assunto. Após 20 anos, o Comunique-se foi em busca de Antônio Carlos Silveira para descobrir como ele fez para não cair no erro que marcou a história da imprensa brasileira. “No próprio jornal, fomos (o jornalista e a direção) criticados por ter ‘perdido o furo’”.

Após a denúncia da mãe de um dos alunos da escola infantil, Silveira foi o primeiro jornalista a saber do caso. Era comum, segundo ele, conseguir informações exclusivas na época. “O delegado que ouviu a denúncia se sentia em ‘débito’ comigo por causa da apuração de outra reportagem. Acredito que, por isso, ele me ligou. Consegui chegar ao local antes de todos e daria a matéria sozinho”. Foi ao conversar com o dono da escola, Icushiro Shimada, que Silveira desconfiou. “Quem é acusado de um crime desses não dá entrevista. A pessoa foge, coloca o advogado na frente, mas não fala. Shimada me recebeu junto de sua esposa, abriu a escola, contou como era o trabalho e disse que era absurda a acusação”.

Veja, abaixo, os detalhes sobre a apuração de Silveira e como foi a decisão de não publicar os textos enquanto todos os veículos falavam do assunto.

Denúncia

“O Diário Popular tinha excelente equipe de reportagem policial. Quando recebi a denúncia, fui para o local. Falei com diversos personagens, com o delegado, as pessoas que estavam lá, os donos da escola. Na rua, os grupos se formavam com pessoas que acusavam e outras que defendiam os educadores. Lá mesmo pude ouvir gente falando que tudo não passava de invenção das crianças. Toquei a campainha do colégio, pedi para entrar e os donos me receberam bem. Quem é acusado de um crime desses não dá entrevista. A pessoa foge, coloca o advogado na frente, mas não fala. Shimada me recebeu junto de sua esposa, abriu a escola, contou como era o trabalho e disse que era absurda a acusação.”

Não publicaremos!

“Naquela época, quem comandava a redação era o Jorge Miranda Jordão. Ele tinha uma filosofia de vida e não gostava de publicar matérias sobre suicídio – por acreditar que poderia incentivar outras pessoas – e sobre violência contra a criança. Toda vez que a pauta tinha esses dois ganchos, a redação já ficava atenta. Mas, claro, o caso da Escola Base era diferente, tinha muito apelo social e por isso fui cobrir. Quando voltei à redação, conversei com os diretores e editores. Eles me perguntaram qual era a matéria e eu disse que a situação era muito complicada pois não havia nenhum tipo de prova de que as crianças teriam sido vítimas de abuso sexual. Tinha gente dizendo que era verdade e gente dizendo que era mentira. Era apenas isso que tínhamos. Os diretores foram conversar e eu escrevi a matéria contando o caso. Era um texto de quase 40 linhas explicando todos os pontos e deixando claro que, embora tivesse o boletim de ocorrência, não havia prova. A decisão de não publicar foi do diretor, mas eu tinha, como repórter, a obrigação de escrever, mesmo sabendo que estava tudo muito estranho. Deixei nas mãos do Miranda e, no dia seguinte, quando olhei o jornal, percebi que não tinha saído. Fiquei tranquilo. Parte da redação do Diário dizia que tinha sido uma boa atitude, outra criticava muito por ter perdido a chance de dar ‘furo sensacional’. Naquele momento não era possível mensurar se estávamos certos ou errados. Tínhamos fotos, informações exclusivas e detalhes, mas não demos. A única coisa que publicamos sobre o assunto foi uma carta de um leitor dizendo que o impresso era vendido e por isso não falou sobre o assunto. As coisas ficaram graves, destruíram a escola e eu acompanhei tudo ‘n loco, deixei matérias prontas sobre tudo que presenciei. Mas o Miranda afirmou que não fazia sentido publicar e manteve a decisão. Quando se tem um cargo como o dele, é difícil avaliar se as atitudes são corretas. É complicado, a direção mesmo se questionou sobre isso. O Miranda acertou, sobretudo, por seu posicionamento de não gostar de pautas com violência contra crianças.”

Todos no mesmo barco

“A história era muito boa. Tudo começa com o repórter. Quando ele tem contato com algo de tal gravidade ele quer falar, fazer a reportagem, publicar antes da concorrência, considerando que na década de 1990 as redações tinham grandes repórteres policiais, como Percival de Souza. Hoje, ninguém consegue dar furo, a internet é muito rápida. Mas antes, embora tivesse essa disputa, era possível. Neste caso, as matérias da época eram desproporcionais. A acusação tinha muito mais espaço do que a defesa. Mas, isso não é algo muito claro para o repórter, que está sujeito a uma série de coisas, como influências por parte dos chefes, das fontes e mesmo pelo desejo de ser reconhecido por ter coberto um grande caso. Isso é bastante complexo.”

Erramos?

“A imprensa não reconhece seus erros. Quando os repórteres começaram a perceber que havia algo de estranho, que aquilo era mentira, os veículos fingiram que nada tinha acontecido e passaram a dar matérias ressaltando o outro lado, que era o da defesa. A imprensa conserta na surdina e não faz mea culpa. Ainda hoje é assim! As empresas de comunicação detonam as pessoas e quando percebem que erraram apenas ficam quietas. Temos casos recentes que fizeram isso. Existe temor grande na imprensa, atualmente, pois muitos jornalistas com bagagem estão afastados, trabalhando em assessoria. Os novatos que estão no mercado estão carentes de referência, fazem jornalismo na raça, com equipes reduzidas. Hoje, o Diário de S. Paulo, que era o antigo Diário Popular, não consegue se consertar, não está mais entre os grandes e quem era da equipe de polícia na época já não existe mais. Se você olhar para o Estadão, tem repórter da década de 1990 lá!”

Qual foi o aprendizado?

“O fato de o Diário não ter cometido o erro de publicar o caso Escola Base não me fez mais, nem menos, repórter. O jornalista ganha muito reconhecimento com o furo, mas nunca é reconhecido pela matéria que não fez. Se eu tivesse publicado e fosse um furo histórico, talvez eu tivesse sido contratado por uma grande redação para ganhar um salário melhor. Mas, no final, não me trouxe nenhum ganho. Trabalhei por 11 anos no jornal, fui demitido com a desculpa de que meu salário era muito alto. A opção que eu tinha para pagar as contas era trabalhar com assessoria, área em que atuo até hoje. Pensei em voltar para a redação, mas trabalhar na imprensa requer pensar muito bem no que vão te oferecer!”
 

EM TEMPO:  O caso Escola de Base ocorreu em 1994, na Semana Santa. Uma acusação sem fundamento, um delegado que agiu precipitadamente e reportagens mal apuradas, realizadas à pressas, sem maiores apronfundamentos, e aprovadas por editores sensacionalistas, certamente preocupados em “furar” o concorrente, dar Ibope e vender jornais, alteraram de forma abrupta o cotidiano de pessoas comuns, acusadas de abuso sexual de crianças. A escola foi fechada. E os seus donos acusados sem provas concretas.

Há um excelente livro sobre o tema, escrito pelo jornalista Alex Ribeiro, fruto do seu trabalho de conclusão de curso da Escola de Comunicações e Artes da USP . Caso Escola Base - Os abusos da Imprensa - Editora Ática.

Para os estudantes de jornalismo deveria ser leitura obrigatória.

Nos presídios do Maranhão, a insegurança ainda reina

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 25 de Março de 2014

Entrevista publicada originalmente no site da revista Carta Capital.



O Complexo de Pedrinhas, que em janeiro atingiu o ápice da sua violência

Por Paloma Rodrigues

Passados dois meses do ápice da crise no sistema penitenciário maranhense, pouca coisa mudou na realidade dos presídios do estado. O controle das cadeias passou a ser feito pela Polícia Militar e os agentes penitenciários foram afastados. São agora responsáveis apenas pelo serviço de escola. Ainda assim, afirma o presidente do sindicato da categoria, Antonio Portela, mortes e violações dos direitos humanos continuam acontecendo. Os presos, segundo ele, continuam tendo acesso a objetos ilícitos. As reformas prometidas pelo estado continuam, em sua maioria, no papel.

Em entrevista a CartaCapital, ele afirma que os trabalhadores querem voltar a exercer sua função dentro das unidades prisionais e são contrários à terceirização da função. Da maneira que estão sendo feitas as contratações por empresas terceiras, afirma ele, os novos funcionários “se tornam ainda mais suscetíveis a corrupção”.

Confira os principais pontos comentados por Portela:

CC: Nesses dois meses, o que mudou na rotina dos agentes penitenciários do Maranhão?
Antonio Portela: Não houve mudança na estrutura. A partir do dia 20 de janeiro, eles tiraram todos os agentes das unidades prisionais e deixaram apenas os chefes de plantão. Os agentes passaram a fazer apenas o serviço de escolta. A escolta também faz parte da nossa atribuição, mas não deveria ser a única. O que ocorre é que as condições de trabalho ficaram até piores.

CC: Como estão as condições de trabalho?
AP: As condições de trabalho nossa sempre foram péssimas. Nós nunca tivemos, se for colocar ao pé da letra, condições boas de trabalho. O agente não tem armamento adequado, coletes a prova de balas, as viaturas são quebradas e estamos tendo problemas até com a alimentação dos agentes. Na escolta, você se desloca para fazer uma audiência. Ela tem hora para começar, mas não tem hora para terminar, mas as leis trabalhistas dizem que a hora do almoço deve ser respeitada. Os alojamento são péssimos não só para os presos. Eu considero que uma unidade prisional tem que ter a concepção estrutural para além de manter o preso com dignidade, mas também para a ressocialização, com espaço para dar condição ao trabalhador penitenciário de desenvolver seu trabalho. Se você entrar em qualquer alojamento de unidades nossas, você fica horrorizada. Tem unidades prisionais que não temos nem refeitório, você faz sua refeição em local improvisado. Em Pedrinhas, fazíamos as nossas refeições na permanência. O que sempre tivemos foi muita vontade de trabalhar, porque somos apenas 382 agentes para aproximadamente 5 mil presos. Nós seguramos esse estado todos esses anos.

CC: E dentro dos presídios, a situação entre os presos está menos tensa?
AP: Continuamos a ter mortes, tentativas de fugas dentro do sistema, porque a Policia Militar não tem habilidade para tomar conta de preso. Quem tem habilidade e formação é o agente penitenciário. Com o passar do tempo, a polícia dentro do sistema prisional acaba caindo na rotina, os presos se acostumam com a presença da polícia e ela deixa de fazer o papel de dar o embate dentro do momento de tensão. Dias atrás morreu um preso no Socorrão I, vítima de espancamento por outros presos. Dois dias antes tinha morrido um preso no Olho d'Água, morreu dentro da unidade, nem chegou ao hospital. Semana passada foi achado um calibre 38 com 38 munições em Pedrinhas. Agora, diziam que eram os agentes penitenciários que colocavam isso lá dentro. Hoje, que não estamos mais nas unidades, quem está colocando?

CC: A falha no sistema é estrutural então?
AP: A Polícia Militar está fazendo seu trabalho, fazendo revista e todo dia eles tiram celular, tiram arma de fogo. É tudo um problema de conjuntura. As unidades não te dão estrutura física para se fazer um bom trabalho. As revistas são feitas todas manualmente. Agora imagina: 200, 300 pessoas querendo entrar e duas ou três fazendo revista. Humanamente, fica difícil fazer uma revista tao minuciosa que não permita que nada entre. O estado deveria dar condições, com maquinários para revista de pessoas, por exemplo. E ai você ainda tem agora um monitor que não tem a formação e recebe um salário ínfimo. Um monitor que recebe 900 reais e que recebe a oferta do preso de 1000 reais por um celular.

CC: Como o sindicato vê a terceirização no serviço dentro das prisões?
AP: Com a privatização, você enfraqueceu a segurança interna. No final de 2012, um decreto tornou várias delegacias do estado parte do sistema prisional. Os agentes foram divididos entre essas novas unidades e, para suprir essa demanda, o estado contratou empresas privadas, mas sem o preparo para serem agentes penitenciários. O agente passa no mínimo três meses fazendo um curso de formação, onde ele recebe disciplinas de defesa pessoal, tiro, direitos humanos, direito constitucional, penal. Ele precisa ser habilitado para vir para o sistema prisional. As empresas privadas realizam um curso de uma semana, não tem critério de contratação e oferecem um baixíssimo salário. Todas essas questões tornam esses funcionários mais suscetíveis à corrupção. Depois da entrada das empresas privadas, chegou a quadruplicar o número de objetos ilícitos dentro das prisões.

CC: Também foram feitas denúncias apontando que os agentes penitenciários estariam colaborando com os presos, inclusive por parte da Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap). Como o sindicato vê essas denúncias?
AP: A atual gestão da Sejap nunca veio a publico dizer quem eram esses agentes. Você não pode falar de uma classe. Se você tem algum profissional à margem da lei, ele deve ser punido. Nós, enquanto sindicato, nunca fomos coniventes com nenhuma ação negativa de nenhum sindicalizado. Até porque quando qualquer evento ruim acontece em qualquer unidade prisional, ela vai explodir na mão de quem? Por que vamos facilitar a entrada de uma arma se elas vao ser voltadas contra nós mesmos? Então que eles sejam punidos e exonerados.

CC: Quais são as demandas pedidas pelo sindicato?
AP: Primeiro, nós não temos contingente. Ano passado, o governo fez concurso para apenas 41 vagas [em janeiro, depois da crise deflagrada no estado, o governo aumentou para 80 o número de aprovados no concurso]. Atualmente, temos 103 pessoas em processo de treinamento para se tornar agentes penitenciários, mas isso não é nem 5% do que o sistema precisa hoje. Foram prometidas 11 unidades prisionais para que se descentralizasse o sistema, mas nos últimos seis meses apenas duas começaram a ser feitas, uma no interior e outra na capital. É preciso que se faça esses investimentos. O governo também não conversa conosco. Desde o começo da crise eles não realizaram nenhuma reunião com o sindicato. Não nos recebem.

CC: Quais os próximos passos do sindicato para exigir melhorias para a categoria?
AP: Fizemos um ato contra a portaria que tirou os agentes penitenciários das unidades e os colocou para fazer serviço de escolta. Esse processo ainda está correndo. Estamos aguardando que os agentes em treinamento sejam contratados no estado e trabalhem nas unidades automaticamente. Nós também exigiremos um novo concurso e precisamos o estado dê condições para que os agentes penitenciários exerçam sua profissão dignamente.

UPPs. A estrutura precisa melhorar

Postado por Paulo Cezar Soares |

Está decidido. As tropas federais solicitadas pelo governo Sérgio Cabral vão atuar no Complexo da Maré, área estratégica, como definiu o governador, que “conta com a Linha Amarela, a Avenida Brasil, além do acesso para o Aeroporto Internacional Tom Jobim, e que em breve contará com o BRT Transcarioca”.

O Complexo da Maré ainda não possui uma UPP. Mas está  sendo planejada para este ano. Mas o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame disse que não há  efetivo para o cupar todo o complexo.” Precisaríamos de 1500 policiais militares”, garantiu.

Nada contra o pedido de ajuda. Neste momento de crise, o que importa é  dar uma  resposta à altura ao tráfico de drogas, que tenta desmoralizar a política de pacificação implantada com as UPPs. Mas como já foi dito aqui neste blog, a estrutura das UPPs precisa ser modificada - e melhorada em todos os aspectos - , como por exemplo, um treinamento mais apurado, pois a maioria dos policiais não tem a experiência necessária para  desempenhar  seu trabalho num terreno  tão hostil, tarefa para policiais mais antigos, mais “cascudos”, para usar aqui uma linguagem popular. Além disso, as comunidades precisam receber empreendimentos sociais. E o mais rápido possível. Apenas o trabalho da polícia não basta para mudar a realidade desses locais, há décadas relegatas a segundo plano pelas autoridades, entregues à própria sorte. E a situação só não  está pior porque o governo federal mudou a realidade do país.E isso não é uma opinião pessoal. É fato. Mas muita coisa ainda tem que ser feita.