Afinal, quem são os incendiários?

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014

De acordo com o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella,  ex-procurador-geral do Estado, o problema dos ônibus incendiados - 40 na Grande São Paulo, até o último dia 30 - “não é uma situação normal”.

A declaração certamente serviu para acalmar os paulistanos, que contam com um secretário bem iinformado. E que, além idisso, tem o dom da palavra. É para rir ou chorar?

No ano passado, 53 ônibus foram incendiados na capital paulista. Mas no mês de janeiro não ocorreu nenhum ataque a coletivos. Em fevereiro teve três registros. Trata-se de um problema que já perdura há algum tempo.

O secretário ressaltou “não ter clareza se os ataques aos ônibus foram realizados por criminosos ou por movimentos sociais”. Enquanro o governo paulista não controla a situação, os empresários reclamam de um prejuízo na ordem de R$20 milhões. Cada ônibus custa aproximadamente R$500 mil.

O governo prometeu colocar policiais da Rota e do Batalhão de Choque para reforçar o policiamento. Mas, além disso, o serviço de inteligência da polícia - tanto civil quanto militar - precisa detectar os responsáveis pelos incêndios nos coletivos.

A população e os empresários agradecem.

 

Atropela, mata e ganha carona da polícia!

Postado por Paulo Cezar Soares |

André Silva de Carvalho tinha 33 anos. Policial Civil, Escrivão do 89° Distrito Policial, ele estava próximo ao trabalho, na Avenida Francisco Morato, Vila Sonia, São Paulo. Noite de segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014. André estava sobre sua motocicleta quando foi atingido por um veículo, um Astra,  que fez uma conversão proibida à esquerda. André morreu ainda no local. O impacto da batida foi tão forte que o policial foi arremessado da moto.  Acabaram ali todos os sonhos do jovem escrivão.

Claudio Goldman saiu da Delegacia de carona no carro da Policia Civil

O motorista? Bem… o motorista não é qualquer cidadão como eu e você… Ele tem “pedigree”… É filho do ex-governador de São Paulo Alberto Goldman… Claudio Goldman… Talvez por isso, por se achar importante, por ser filho de importante, ele cagou para as regras de trânsito e fez a conversão proibida a esquerda. Gente rica, de nome pomposo, não se incomoda com as leis ou regras. Mostrando que não está nem ai para as leis, o músico, além de fazer a conversão proibida a esquerda (como confirmou o delegado Daniel Parecido Viudes, do 34° DP, onde o caso  foi registrado) ainda estava com a carteira de motorista vencida! Será que o delegado que atendeu a ocorrência mandou que ele assoprasse algum bafômetro? E os policiais militares que chegaram à ocorrência, pediram para ele assoprar o bafômetro???? O delegado disse à imprensa que o atropelador “não apresentava sinais de embriaguez” e que foi mandado ao IML para fazer exame de dosagem alcoólica.

Vergonhosamente as informações foram dificultadas para os jornalistas. O que sabemos é que o Claudio deve responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. E escandalosamente ao terminar de fazer o Boletim de Ocorrência, o músico, de pedigree, filho de ex-governador, ganhou uma carona para casa na viatura da polícia! Afinal, o coitadinho que acabará de atropelar e matar um policial civil, teve o carro danificado ao bater na moto… Como iria para casa? De Metrô? Trem? A pé? Não, ele não! E gentilmente foi-lhe oferecida uma carona na viatura do DP! Aquela que foi comprada com nosso dinheiro. Com combustível também pago por nós.

E não se trata só de usar dinheiro público para esta carona. Trata-se de falta de vergonha na cara. De mostrar que este Brasil ainda está longe de ter respeito pelas pessoas. Porque os familiares do policial morto, a vítima, não ganharam carona também? Foram embora de ônibus, enquanto o atropelador foi confortavelmente de carona pública. E não ouvi nenhuma declaração do Governador, do Secretário de Segurança ou do Delegado Geral se desculpando por tamanho absurdo.

Ao lado de seu advogado (engraçado como ricos e famosos sempre tem um advogado já contratado e que aparecem rapidamente) Claudio permaneceu em silencio e não quis se manifestar sobre o acidente que causou por ser imprudente, fazendo conversão proibida. Também não falou sobre a carteira vencida. Como permaneceu no local do acidente não pagou fiança e foi liberado, foi para casa. De carona, no carro da polícia.

Em vezes como esta tenho muita, muita vergonha do país onde nasci.

Texto da repórter policial Fatima Souza,

Matéria originalmente publicada no site SPAGORA

Ao apagar das luzes

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

Os municípios de Niterói e São Gonçalo - região Metropolitana do Rio de Janeiro -, ambos com índices de violência preocupantes, ainda vão ter que esperar até o final de junho próximo para receberem Unidades de Polícia Pacificadora - UPPs. Além dos dois municípios a Baixada Fluminense também terá uma UPP, garantiu o Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, em 24 de janeiro último.

Enquanto junho não chega, niteroienses e gonçalenses vão continuar sofrendo com a violência. É impressionante como um município da importância de São Gonçalo - segundo mais populoso do Estado. Só perde para a capital -, com 1.025.507 habitantes (censo de 2013), possui apenas um batalhão da PM, localizado no bairro de Alcântara. Isso demonstra o descaso e a incompetência das nossas autoridades.

O governador Sérgio Cabral só lembrou de Niterói e São Gonçalo, o mesmo ocorrendo com a Baixada, já no apagar das luzes do seu governo. Por que demorou tanto?

O tráfico de drogas cresceu nos dois muncípios, pois o processo de pacificação de favelas, em 2008, deixaram o Rio e passaram a atuar nos dois municípios, principalmente em São Gonçalo, onde um dos locais mais perigosos é o Morro Menino de Deus, próximo ao Rodo, no centro. Os moradores, como é comum em diversas favelas, estão entregues à própria sorte. Vivem com medo. Sentimento que também impera impera no bairro Jardim Tiradentes - que possui uma média de três assaltos por dia - no Salgueiro e Complexo do Jóquei.

Este ano teremos eleições. Quais serão os planos dos candidatos em relação ao principal problema do Estado do Rio de Janeiro - a violência urbana.

Será que as UPPs serão mantidas?

José Louzeiro - Lenda viva do jornalismo policial

Postado por Paulo Cezar Soares |

“Na minha época, repórter de polícia era o que ganhava menos na redação”

José Louzeiro sempre foi repórter de polícia. E dos bons. Daqueles que dignificam a profissão pela seriedade e postura ética. Escreveu diversas matérias que tiveram repercussão nacional, os chamados furos jornalísticos. É também o criador do gênero romance policial, unindo jornalismo e literatura.

Quando começou no jornalismo, ainda adolescente, em São Luiz do Maranhão, sua terra natal, como ajudante de revisor no jornal O Imparcial, Louzeiro optou por um estilo e dele nunca se afastou na sua função de repórter: retratar o submundo da marginalidade e personagens vítimas da violência policial e dos poderosos. É o chamado jornalismo investigativo.

Após sua promoção a repórter, suas matérias começaram a incomodar ao poder local e, em 1954, teve que viajar para o Rio de Janeiro, fugindo dos capangas do Vitorino Freire, velho cacique da política maranhense. Em solo carioca trabalhou nos jornais Última Hora, Correio da Manhã, entre outros. Tempos depois foi para São Paulo. Como repórter da Folha de São Paulo cobriu um caso que ganhou repercussão nacional, pois chocou o país. Crianças e adolescentes, moradores de rua na capital paulista, foram abandonados à própria sorte pelo governo, numa cidade chamada Camanducaia, como a imprensa passou a se referir ao caso, que acabou arquivado na Justiça.

Mas, ao contrário de quem deveria fazer cumprir a lei, Louzeiro continuou ligado ao caso Camanducaia. E escreveu o livro Infância dos Mortos - 1971 - que originou o filme Pixote - A lei do mais fraco, de Hector Babenco.

A estreia na literatura ocorreu em 1958, com o livro Depois da Luta. Outro livro marcante e que também virou filme foi Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia. Em Carne Viva relata o drama de Zuzu Angel e de seu filho Stuart Angel, morto torturado pela ditadura militar brasileira na década de 1960. Em outubro de 1997 lançou a biografia da cantora Elza Soares - Cantando para não elouquecer. Filho de um pastor prostestante, o gosto pelos livros começou pela leitura da Bíblia, que lia para o pai analfabeto.

No estilo romance-reportagem, anterior a Pixote, outro livro que marcou sua trajetória profissional foi Aracelli, Meu Amor (livro lançado em 1973. Foi censurado pelo então ministro da Justiça, Armando Falcão. Recentemente o livro foi relançado).

Louzeiro também fez sucesso na TV, onde foi autor de várias novelas, como por exemplo, Olho Por Olho, Corpo Santo, Guerra Sem Fim, Gente Fina e O Marajá, inspirada no caso Collor-PC, e nas denúncias de corrupção. A Justiça proibiu sua exibição.

Na redação de um jornal carioca, repórteres de polícia são chamados de repórteres de segurança pública. Trocaram a nomenclatura. O repórter não cobre casos de polícia, e sim, de segurança pública. Nessa pseudo modernidade não está embutido um preconceito contra a reportagem de polícia?

Há muitos anos não entro numa redação. Essa do repórter de polícia ter o nome trocado para “repórter de segurança pública” é novidade. Isso me leva a recordar que, na minha época era, também, o que ganhava o menor salário da redação. Tomara que, com a mudança, tenha conquistado aumento de salário.

Gostaria que o amigo falasse um pouco do seu trabalho nessa época de ditadura militar.

Vivíamos vigiados. Por qualquer coisa a mais ou a menos, éramos acusados como comunistas e até levados ao DOPS, onde tínhamos de reponder às mais imbecis perguntas.

Você é a favor da desmilitarização das PMs?

Sou contra tudo que cheire a militarismo. Trabalhar de olho na próxima guerra não é comigo. Acho as guerras os maus momentos de nossas vidas. Acompanhei algumas delas. Tanta gente morrendo por nada, só os capitalistas e as altas patentes lucrando com a dor dos soldados, e o zé povo e suas crianças chorando lágrimas de sangue. Qual sua opinião sobre as UPPs? É ridícula a forma que o desastrado governador Sérgio Cabral e seu nazista secretário encontraram para mostrar o lado social da polícia que tomou contra das favelas. O caso mais badalado pela imprensa, ocorreu na Rocinha, onde o pedreiro Amarildo foi preso, metido numa viatura e desapareceu. Os policias envolvidos foram punidos? Que aconteceu, afinal, senhor governador?

(Nota do blog: 25 PMs foram presos, inclusive o comandante da UPP da Rocinha, major Edson Santos.)

O que é necessário para ser um bom repórter policial?

Ter respeito e admiração pelos humilhados e ofendidos. Quando são presos e metidos nas celas imundas das Delegacias, antes de chegarem aos presídios, comem o pão que o Diabo amassou. Todo prisioneiro que termina virando personagem para a reportagem é, na verdade, um pobre coitado. Não tendo onde cair morto, acha que ser preso é até bom. No geral, “preso pobre” não tem direito aos cuidados nem do advogado mais barateiro da praça.

A grande maioria dos jornalistas recém-formados,em termos de trabalho, preferem as emissoras de televisão. Como você analisa essa tendência?

Na televisão o jornalista tem seu compromisso maior com a imagem. Quanto menos falar diante das câmeras maior público alcançará.

A imprensa entrou em crise no final dos anos 80. As redações trabalham com um número reduzido de repórteres. Muitos apostam que os jornais vão acabar, derrotados inapelavelmente pela Internet. Que acha dessa previsão apocalíptica?

É o sinal dos tempos. Com a nova tecnologia, cada vez mais evoluída, o futuro das comunicações avança de forma quase que milagrosa. A invenção dos tabletes é uma delas. O velho aparelho que surgiu de forma praticamente milagrosa, concorrendo com o cinema, tem seus dias contados. O futuro da imagem está longe de ser previsível. Em meio a tudo isso, o velho jornal impresso em papel, já é coisa do passado.

De quem é a droga?

Postado por Paulo Cezar Soares |

A manchete acima foi capa do jornal A Gazeta, de Vitória, Espírito Santo, edição de 26 de novembro de 2013. O helicóptero transportando 445 quilos da pasta base de cocaína foi apreendido pela Polícia Federal e Polícia Militar do Espírito Santo, no muncípio de Afonso Cláudio - Ibicaba -, região Serrana do Estado. O helicóptero pertence a uma empresa da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG).

O deputado estadual Gustavo Perrella (PDT-MG), dono do helicóptero, assegurou que não autorizou o voo. E isso caracteriza um roubo, na sua opinião. O helicóptero, de acordo com o parlamentar, era usado apenas para o transporte dele próprio e de seus familiares.

O Ministério Público Federal do Espírito Santo denunciou por tráfico cinco pessoas envolvidas no caso. Foram indiciados o piloto e o copiloto, dois homens que descarregavam a droga, e o dono da fazenda onde o helicóptero pousou, no dia 24 de novembro. A fazenda tinha sido vendida 20 dias antes. Policiais suspeitam que tenha sido comprada para servir de entreposto para o tráfico de drogas.

No caso em tela, de repercussão nacional, ainda há muita coisa para investigar. Entre elas, o dono da droga e o seu real destino.

A opinião pública aguarda.

Exemplo para as novas gerações

Postado por Paulo Cezar Soares |

Dias antes deste blog fazer sua estreia na internet, ocorreu o falecimento da repórter Albeniza Garcia, aos 84 anos, a primeira mulher a trabalhar como repórter policial. Tinha uma disposição para ir atrás das notícias que deixava muitos jovens repórteres no “chinelo”. Encarava seu trabalho como uma espécie de sacerdócio. Quando tomava conhecimento de algum fato digno de nota, corria para a redação, independente do seu horário de trabalho. Viveu o período onde o repórter tinha valor numa redação. Em 2002 teve que parar de trabalhar, pois sofria de Alzheimer. Morreu de insuficiência respiratória e broncoaspiração. Foi sepultada em 16 de janeiro último.

Albeniza Garcia era uma pessoa séria. Tinha caráter e ética. E um temperamento difícil. Ao longo da carreira ganhou dois importants prêmios: o de Direitos Humanos da Sociedade Interamericana de Imprensa, em 1995, pela série de reportagens, a Infância Perdida, e o Esso de Reportagem - região Sudeste -, com a Infância a Serviço do Crime, em 1997.