Descatável como uma embalagem de chocolate

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 14 de Dezembro de 2020

 

UMA SOCIEDADE QUE  SE DIZ CRISTÃ ESTÁ PERDENDO SEUS MAIS NOBRES VALORES. ESTAMOS VIVENDO A COISIFICAÇÃO DO  SER HUMANO. É ISSO QUE QUEREMOS DEIXAR PARA OS NOSSOS FILHOS E NETOS?

A cena é triste. chocante. Deixa à mostra, entre outras coisas, a total falta de sensibilidade, de solidariedade humana.

Morador de rua, Carlos Eduardo de Magalhães, como costumava fazer todos os dias, foi à padaria do bairro onde vivia de doações e dormia em frente de uma agência bancária. Era um sujeito tranquilo que, ao contrário do que o preconceito de muitos certamente supunha, não oferecia nenhum tipo de perigo para ninguém. Nos últmos meses, Carlos passou a cuspir sangue com frequência. Estava com  tuberculose.

Ao chegar na padaria, localizada no sofisticado bairro de Ipanema, Zona Sul do Rio, sentiu-se mal e morreu no local. O fato, que acontceu em 27 de novembro último, não alterou a rotina do  estabelecimento. Rapidamente foi providenciado um saco preto que foi colocado em cima do corpo, cercado por cadeiras de plástico. Duas portas de correr foram fechadas, para que os passantes, por um determinado ângulo, não vissem o corpo estendido no chão.

Ninguém parou de saborear o seu lanche ou coisa que o valha. Fregueses continuaram entrando na padaria para comprar, beber ou comer alguma coisa, como se nada de anormal  tivesse ocorrido. Afinal, era um um morador de rua, um zé ruela, descartável como uma embalagem de chocolate.

Recentemente, num supermercado Carrefour em Porto Alegre, dois “seguranças” brancos espancaram e mataram João Alberto Freitas - um homem negro - na véspera do dia da Consciência Negra. Em Recife - também no Carrefour, que coincidência! - um homem, representante  de vendas, infartou, morreu no local e  seu corpo  foi coberto por guarda-sóis, caixas de papelão e engradados de cerveja.

Em Caxias, Baixada Fluminese, no bairro Jardim Gramacho, as primas Rebeca - sete anos e Emily de quatro, foram mortas a tiros quando brincavam em frente do portão da casa de uma delas. Um tiro de fuzil, que os moradores disseram que partiram de policiais militares, atravessou a cabeça de Emily e atingiu Rebeca. A PM nega.

 Emily foi enterrada com o caixão fechado porque o tiro destruiu seu rosto.

A tragédia, que atinge mais uma família pobre no Rio de Janeiro, ocorreu no último dia 4. Os culpados serão punidos? Pouco provável.

Triste país, que está à deriva.

O que nos aguarda no próximo ano?

Pense nisso!

 

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