Enxugando gelo

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 26 de Julho de 2020

 

Tenho o hábito de reler determinados livros. Desde o início deste mês,  consegui ler dois. Um deles, revela a dinâmica de determinados crimes e detalhes das investigações e prisão dos responsáveis.

Na sua maioria, os marginais são jovens que, portando armas modernas - em muitas ocasiões, fuzis e metralhadoras -  costumam agir movidos  pela emoção, tudo decidido no calor da hora, com  as vítimas  escolhidas aleatoriamente. Muitas vezes, na tentativa de roubar um carro ou pertences da vítima, acabam matando-a sem  necessidade.

Costumo chamá-los de robôs desgovernados. Jovens  residentes em  favelas ou periferias, locais onde o Poder Público é ineficaz, membros  de famílias desajustadas e vulneráveis a toda sorte de problemas. Crescem num universo cercado de violência de todos os matizes, testemunhas das injustiças e violência da polícia.

Além disso - como se fosse pouco- não têm expectativas em  relação ao futuro, pois não conseguem  arrumar um  emprego digno,  que possibilite uma melhora na qualidade de vida. São - manda a verdade  que se diga - vítimas do sistema injusto, preconceituoso e hipócrita. Acabam aderindo ao tráfico de drogas, embora conheçam os perigos envolvidos. Os que  aderem ganham poder e dinheiro.

Guardadas as devidas proporções, infelizmente, a situação é praticamente igual em todas as capitais do país. A história do Primeiro Comando  da Capital -  PCC - em São Paulo é um caso tipíco dos problemas que envolvem a segurança pública no país.

 O quadro em  tela não dá sinais de melhora. E nem poderia, pois enquanto  a  sociedade e nossas autoridades insistirem na visão repressiva e política para resolver gravíssimos problemas sociais, como diz o dito popular, continuaremos enxugando gelo.

 

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