VONTADE DE VOMITAR

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 18 de Julho de 2020

 

No último dia 12, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma cena chocante, que teve repercussão nacional.O fato ocorreu em Parelheiros, Zona Sul de São Paulo.

Um PM pisa no pescoço de uma mulher negra, 51 anos, que estava rendida no chão. O policial, para ampliar sua aitutde covarde, impôs um sofrimento ainda maior para a vítima, porque, além de pisar no seu pescoço, ele ergue a outra perna para aumentar a pressão. Confesso que tive vontade de vomitar.

Tudo começou por causa do som alto do carro de um dos fregueses do bar da vítima, que pediu que o dono do veículo abaixasse o volume. Feito isso, retornou ao bar para  continuar atender aos clientes. De repente, viu PMs usando de violência com outras pessoas e, diante da situação, grita para os policiais pararem com as agressões. Ao tentar defender um amigo que foi derrubado ao chão e desfaleceu, a comerciante também foi agredida. Levou um soco, foi  derrubada com uma rasteira, quebrou a tíbia e quase morreu  estrangulada.

Atitudes violentas da polícia - tanto militar quanto civil -, morte de inocentes ou execuções à margem da lei ocorrem com uma frequência além da conta, porque os policiais são  treinados e, em muitas ocasiões, estimulados pelos discursos direcionados para a área de segurança pública de certos governadores, como por exemplo, João Doria (SP), e Wilson Witzel (RJ).

Doria, quando era candidato a governador de São Paulo, afirmou: “Não façam enfrentamento com a Polícia Militar, nem com a Civil, pois, se atirar, a polícia atira. E atira para matar”.

Na mesma linha de raciocínio, o governador Wilson Witzel divulgou à exaustão a “política do abate” - os policiais  deveriam mirar na cabecinha e atirar, no caso de bandidos portanto fuzis. Diante de discursos desse teor, fica difícil, quando não impossível, conter a violência policial.Faz parte da nossa elite e setores da direita de tentar resolver questões sociais com repressão policial direcionada para a população negra e pobre, residente nas favelas e periferias, que não recebe a atenção e os investimentos necessários do Poder Público.

A população desses locais, além das constantes incursões policiais que, não raro, desrespeita os mais elementares postulados dos Direitos Humanos, convive com o desemprego, o subemprego, o tráfico de drogas e milícias.
A postura da polícia só vai mudar quando a maioria da sociedade modificar sua postura conservadora - e muitas vezes  reacionária -  em relação aos problemas que envolvem a segurança pública, entre eles a questão prisional.

A parcialidade, a cultura da impunidade, a omissão e a demora da Justiça para julgar crimes e casos de violência cometidos por policiais, são fatores que retroalimentam a questão.  

 

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