Benefício polêmico

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 12 de Julho de 2020

 

Na última sexta-feira, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, decidiu conceder prisão domiciliar a Fabrício Queiroz, um ex-PM envolvido com transações financeiras ilícitas, com milícias, e com um crime ainda não devidamente desvendado, quando atuava como policial militar. A decisão do STJ  valeu também para sua esposa, Márcia Oliveira Aguiar.

Homem de confiança do clã dos Bolsonaros, Queiroz administrava o esquema de “rachadinhas” no ganinete do então deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, hoje senador. E era amigo de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope (RJ), expulso da corporação por corrupção, apontado como chefe do Escritório do Crime, gangue de matadores, e investigado por ter relações com o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. Foi morto, em fevereiro último, pela PM baiana, num sítio na cidade de Esplanada, no Noroeste baiano.

Em dezembro de 2018, Queiroz foi citado pelo ex- Conselho de Controle de Atividades Financeiras - Coaf -, agora Unidade de Inteligência Financeira, por uma movimentação suspeita - 1,2 milhão de reais de 2006 a 2007 entre recebimentos de dinheiro dos funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro, e um depósito 24 mil para a esposa do presidente Bolsonaro, ainda não devidamente explicado.

A despeito de tudo o que foi relacionado acima, mesmo assim, a Justiça concedeu o benefício da prisão domiciliar, fato que, entre outras coisas, colabora para manchar ainda mais a reputação e a credibilidade da instituição perante a opinião pública. Ministros que integram a Corte afirmaram que o caso envergonha o tribunal.

O juiz que autorizou a prisão domiciliar de Queiroz, negou o benefício para idosos e grávidas, mesmo diante pandemia.

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