As várias faces da violência

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 12 de Maio de 2018

A violência das ruas é reflexo de um sistema político e econômico excludente, antipovo, preconceituoso, retrógado e subserviente aos interesses internacionais. Terreno propício para todas as formas de desvios.

A violência não se manifesta apenas na questão do crime, assalto ou roubo. Sua ação ocorre também de outras formas. Trata-se  de uma violência velada, restrita, que não saem nas páginas de polícia dos nossos jornais. É o caso, por exemplo, quando a polícia invade a casa das pessoas nas favelas, no peito, metendo o pé na porta, sem mandado judicial. Nenhum morador de favela confia na polícia, motivo pelo qual - entre outros - o tão badalado projeto das Unidades de Polícia Pacificadora - as UPPs - lançado à época do governador Sérgio Cabral não deu certo.

Há também a violência que  se manifesta no terreno das causas sociais. O governo golpista, desumano e entreguista do senhor Michel Temer, atendendo a um antigo sonho da classe patronal, acabou com a Consolidação das Leis Trabalhistas - a CLT - que foi estabelecida no dia 1 de maio de 1943 e sancionada pelo presidente Getúlio Vargas. A ação do governo para acabar com a CLT foi rápida, quase um rito sumário.

A Reforma Trabalhista - Reforma? - levou o país para o abismo definitivamente. Precarizou ainda mais as relações de trabalho e ampliou o desemprego. Uma política desumana, para dizer o mínimo, bem diferente do governo Lula, quando o país conviveu com um período  de prosperidade econômica - 2004 a 2014 - com aumento dos empregos, elevação do salário mínimo e conquistas para o povão. Isso ninguém pode negar. Faz parte da história. Os números não mentem e, como diz o dito popular, contra os fatos não há resistência. A medida é um retrocesso social. O país vive uma escravidão contemporânea.

Violência foi impeachment da presidente Dilma Rousseff e a perseguição diária, sem tréguas, ao ex-presidente Lula e sua prisão sem provas em relação ao crimes que o acusam, como o caso do tríplex do Guarujá, fato sem nenhum fundamento. Tudo começou a partir de uma  reportagem no jornal O Globo. Violência é também o preço cobrado nos transportes públicos e a falta de investimentos no setor da saúde. É o juro bancário de 14% ao mês, o maior juro do mundo - certamente. A lista é grande.
 O país vive um momento desesperador. Amplia-se o abismo. Difícil dizer quanto tempo essa situação adversa deve durar. Difícil também será revertê-la. Mas não impossível. Exige, porém, luta, perseverança, ética e seriedade em todos os momentos, principalmente na hora de votar.

É preciso renovar o Congresso. Faltam parlamentares que defendam o país, e o povo brasileiro. Como os presidentes Getúlio Vargas e Lula.