Opção pelo grotesco

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 29 de Setembro de 2017

As pessoas que acompanham o noticiário da guerra do tráfico na favela da Rocinha - Zona Sul do Rio - com um mínimo de acuidade, certamente já notaram que vários militares das Forças Armadas, que mais uma vez foram chamados para socorrer o Rio  no combate à criminalidade carioca, estão com o rosto encoberto. Muitos usam a mácara denominada balaclava. E há os que preferem a máscara da caveira. Isso, psicologicamente, contribui para  tornar o clima do local ainda mais pesado.

Os que optam por cobrir o rosto deveriam ser punidos pelo superior hierárquico mais imediato. Melhor: pelo comandante da tropa. Para que esconder o rosto? Por que a máscara da caveira? É para afrontar os moradores?

Talvez a inspiração venha da história do herói em quadrinhos, O Justiceiro, que foi  adaptado para o cinema e, até o fim do ano, uma série irá estrear na Netflix.

E, por último, mas não menos importante, o que leva um editor de um jornal a escolher uma foto com um militar com o rosto coberto com uma máscara de caveira? 

Tenho  a mais absoluta das certezas que  a opção editorial não leva em conta o lado humanístico da questão, ou seja: o respeito aos sofridos moradores da Rocinha.

É caveira no símbolo do Bope, é caveira como máscara. Grotesco!

EM TEMPO: As declarações do prefeito do Rio, Marcelo Crivela, “bispo” da Igreja Universal a respeito da Rocinha, quando esteve no local na última quarta-feira, depois de uma semana após o início da guerra desencadeada pela bandidagem, demonstra um desapreço pelos moradores. O prefeito, que tenta passar uma imagem de uma pessoa de temperamento tranquilo e conciliador, disse, que “é hora de aproveitar esse momento para fazermos um banho de loja na Rocinha”. Sinceramente, dá vontade vomitar. Trata-se de uma declaração derespeitosa  e demagógica. É revoltante e desalentador.