Sem educação e justiça social não há solução

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

 

Os moradores da favela da Rocinha, Zona Sul do Rio, mais uma vez estão convivendo com uma guera urbana entre marginais. Pela intensidade do tiroteios, o poderio do armamento e o número de homens envolvidos na ação, como não poderia deixar de ser, o medo toma conta dos moradores e altera sua rotina.

A guerra na Rocinha começou no último dia 17 - domingo - quando bandidos aliados do ex-chefe do tráfico na favela,  Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, que está no presídio federal de Porto Velho (Ro) invadiram o local para expulsar da favela Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157 - ex- segurança de Nem -  que assumiu o seu posto de chefe. Antes da invasão Nem mandou recado para que Rogério deixasse a Rocinha. Ele não obedeceu. Para piorar ainda mais a situação, em 13 de agosto último, três homens de confinça do antigo chefe apareceram mortos dentro de um carro. Ocorreu também a expulsão da Rocinha de outros bandidos que faziam parte do grupo do Nem. Diante da resistência de Rogério, Nem então decidiu expulsá-lo à força.

O fato, com repercussão internacional, deixa à mostra, mais uma vez, a falta de estrutura dos setores de segurança do Estado envolvido numa grave crise econômica e política, o mesmo ocorrendo com o País, desde o golpe ocorrido no ano passado, que tirou do poder a presidente Dilma Rousseff, democraticamente eleita, que não cometeu nenhum crime de corrupção - é  sempre bom ressaltar. Ressalte-se que a polícia carioca não pode fazer mais do que tem feito. Ela também é vítima da crise. Falta infraestrutura e melhores condições de trabalho.

A situação da violência urbana piora a cada dia, fruto de equívocos que vêm  de longe, como por exemplo, uma visão tacanha e preconceituosa por parte das elites em relação ao povão, que vivem à margem de uma cidadania plena.
Em momentos de crise aguda e índices de violência assustadores,  sempre surgem os arautos de medidas mais severas para o sistema prisional, leis mais duras, entre elas, redução da maioridade penal - etc. Nada disso, ao contrário do que muita gente pensa, vai resolver a questão. E, como dizia o saudoso Alceu de Amoroso Lima, a repressão violenta é sempre o caminho menos trabalhoso.

Faz-se urgente ter empregos e a realização de projetos sociais e educacionais consistentes em todo o Estado e também nas favelas Só  UPPS não resolve a questão, como já está amplamente provado. O que deve prevalecer sempre em todas as questões é o interesse público e o respeito ao povo trabalhador.

Sem justiça social e educação não há solução à vista

Em tempo: 157 é o número do artigo do Código Penal que descreve o crime de assalto à mão armada. Há também uma música -  artigo 157 - do grupo de rap brasileiro Racionais MC’s.