Ternura e compaixão

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 24 de Outubro de 2016

1) Diante da tragédia ocorrida em São João  de Meriti, na Baixada Fluminense, na quarta-feira (19), quando a família de um sargento da PM foi assassinada a golpes de faca e enxada. Na sua fúria macabra, o assassino usou também o estrangulamento. Além da mãe e do irmão do sargento, não poupou as duas crianças que viviam na casa, assim como os dois cães. 2) Diante de um humilde trabalhador que, depois de 12 anos trabalhando numa instituição estadual carioca, por causa de cinco meses de salário atrasado, os problemas cresceram de uma forma que não deu mais para administrar. Foi expulso de casa pela esposa e hoje mora na rua. 3) Diante de uma mulher de 34anos, moradora no município de São Gonçalo, bairro Lagoinha, Região Metropolitana do Rio, vítima de vários estupros coletivos. O último ocorreu na madrugada da segunda-feira (17) . 4) E diante do taxista Willians Lopes da Silva que agrediu fisicamente a jogadora de vôlei Lucina Severo, do Fluminense, na quinta-feira (20), em Ipanema, Zona Sul do Rio, lembrei do livro Desumanização, do escritor português Valter Hugo Mãe.

O tema é a desilusão com o ser humano. O desencanto com a vida. Em uma entrevista o autor afirma que ficou menos sensível com o passar dos anos. “Deveria ocorrer justamente o contrário”, frisa.

O estado de espírito do escritor é normal. Difícil uma pessoa com consciência crítica não sentir uma revolta interior diante de tanta tragédia, diante da insensibilidade do ser humano, da violência de todos os matizes.

De que adianta o avanço tecnológico que a sociedade tem experimentado, se o ser humano, tudo indica, está involuindo? Falta respeito pelo semelhante, crassa o egoísmo e o preconceito de classe cada vez mais acirrado. A elite demoniza qualquer projeto que tenha cunho social. E aí esta um fato que colabora com a violência. A discriminação, a falta de oportunidades, o preconceito e o racismo, tudo isso gera marginalização, exclusão e revolta. As vítimas partem para a violência e para ações de 171. Ninguém confia em ninguém, as relações interpessoais estão cada vez mais difíceis, os casamentos duram pouco tempo, o sexo promíscuo e as drogas ampliam seus tentáculos e servem como fuga, evasão, diante da crise moral, ética, econômica e política.

 Que sociedade é esta?

Para alguns pode parecer démodé. Tudo bem! Respeito a opinião alheia. Mas estamos precisando urgentemente exercitar a ternura e a compaixão.  

Pense nisso!