Assassinato da jornalista Sandra Gomide completa 15 anos

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 18 de Agosto de 2015


Pimenta Neves: sua arrogância e desequilíbrio emocional acabou ocasionando o assassinato da ex-namorada e companheira de profissão, Sandra Gomide.

Dois tiros. O primeiro, acertou as costas; o outro, na cabeça, à queima-roupa. Um  crime hediondo. E premeditado. Nesta quinta-feira (dia 20) faz 15 anos que a jornalista Sandra Gomide foi assassinada por Pimenta Neves, à época, diretor de redação do jornal O Estado de São Paulo. O crime ocorreu no Haras Setti, em Ibiúna, no sudoeste do Estado de São Paulo, onde ambos tinham cavalos.

Sandra tinha terminado um relacionamento de três anos com Pimenta Neves. Conheceram-se em 1995 no jornal Gazeta Mercantil (já extinto), onde Sandra trabalhava. Quando Pimenta Neves deixou a Gazeta para asumir a chefia de redação do Estadão, em outubro de 1997, levou também a namorada, e a elevou ao cargo de editora de Economia. 
 
Findo o  relacionamento, o chefe, de temperamento pedante e autoritário, para dizer o mínimo, inconformado por ter levado o cartão vermelho, a demitiu. Não satisfeito, passou a persegui-la. Seu descontrole emocional acabou acarretando o assassinato.

Quinze dias antes do crime, Sandra Gomide prestou queixa à Polícia contra o ex-namorado., Disse que ele havia invadido sua casa e a ameaçou de morte. Na ocasião, Sandra encontrou  Pimenta Neves sentado diante de seu computador, armado com um revólver, querendo ler seus e-mails. O jornalista obrigou Sandra a devolver as jóias e roupas que havia lhe presenteado e, em seguida, desferiu-lhe dois tapas, consumando as ameaças.

Seu comportamento violento colaborou com a tese da Promotoria de Justiça, de que Sandra fora assassinada por motivo torpe, a vingança, e não teve chance de defesa, já que foi baleada pelas costas.  “O crime foi planejado muito tempo antes. Ele mostrava armas para as pessoas, falava a respeito. Acredito que até mais de um mês antes” - revela o jornalista Luis Octavio de Lima, no seu livro Pimenta Neves - Uma reportagem. Os bastidores do crime que abalou a imprensa brasileira. E a história do homem que o cometeu (Editora Scortecci).

Capatazes de redação - Condenado em 2006 a 19 anos de prisão (depois reduzido para 15) ficou na prisão apenas sete meses. De setembro de 2000 a marços de 2001. Foi solto graças a uma decisão do STF. Em 2011, depois de julgados todos os recursos, entregou-se para cumpir pena. Foi preso no dia 24 de maio de 2011. A Justiça levou 11 anos para decretar sua prisão.

O assassinato de Sandra Gomide por um companheiro de profissão abalou o universo jornalístico. O fato em tela deixa à mostra que as empresas do ramo, na maioria dos casos, escolhem mal os chefes. Normalmente são  escolhidos para o cargo pelos mais variados motivos. Mas jamais são avaliados sob o ponto de vista da ética e capacidade no  relacionamento interpessoal.

O que observa é que os patrões gostam daqueles profissionais que têm um temperamento pedante, individualista e patronal. Diante desse quadro, o que temos são capatazes de redação.

Um homem com o perfil psicológico do Pimenta Neves jamais poderia chefiar nada, principalmente um jornal da dimensão do Estadão. É preciso mudar os critérios de avaliação. O que mudou nas empresas jornalísticas ao longo destes 15 anos? Nada. Ou melhor; mudou sim, mas foi para pior em todos os aspectos.

Mas isso é uma outra história. Triste! Muito triste!

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