Desafios para o próximo governador do RJ

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 20 de Outubro de 2018

Na última quinta-feira, 14 policiais civis e militares acusados de corrupção foram presos na Baixada Fluminense, fruto de um trabalho da Corregedoria da Policia Civil, e da Corregedoria  da PM, com o apoio do Ministério Público Estadual.

 Um policial civil, diante de uma propina de apenas de R$500, libera um acusado de ter agredido a mulher dentro de casa; numa outra situação, policiais civis tinham o hábito de aceitar propinas de R$200. Os policiais militares foram presos por suposta participação em milícias.

A despeito  da crise financeira do Estado e do país, o Rio de Janeiro, conhecido em todo o mundo por suas belezas naturais e sua cultura, precisa lutar para resgatar sua importância. O saudoso governador Leonel Brizola costumava dizer que o “Rio de Janeiro é o tambor do Brasil”. Bons tempos!

Entre os muitos desafios que o novo governador terá na área da segurança pública, um deles certamente será o de melhorar a polícia - civil e militar - em todos os aspectos, principalmente a questão da credibilidade perante a população.

A corrupção não pode ser uma qiestão comum, corriqueira. A impressão que dá às vezes é que alguns policiais parecem que nutrem um certo orgulho por praticar desvios de conduta. Já falei sobre isso aqui neste blog, mas penso que não custa nada repetir. Além de melhoras na infraestrura operacional com equipamentos e treinamentos, é preciso fazer um trabalho psicológico sério, profissional, para resgatar a altoestima dos policiais; tanto civis como militares.   

 

Bolsonaro ameaça direitos do preso

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 15 de Outubro de 2018

 

No último dia 13, o candidato à presidência da República Jair Bolsonaro ( PSL), fiel ao seu estilo intimidatório, afirmou que se o Congresso aprovar não haverá mais progressão de pena nem saídas temporárias de presos. “ Eu  tenho uma máxima: eu não quero ninguém sofrendo, sendo torturado, passando necessidade na cadeia. Mas no que depender de mim, a política do encarceramento se fará presente. E o conselho que eu dou para quem quiser fazer maldade, se não quiser ir para lá, não faça maldade”.

Além de parecer um  professor de escola primária alertando crianças para se comportarem porque senão passarão o final de semana em casa e não irão ao passaeio, o candidato apela para medidas mais duras, contrárias aos direitos do preso. Sempre a cantilena de mais repressão, como se isso fosse melhorar a questão da violência urbana.

Qualquer torcedor do Flamengo sabe que quem está no crime, seja rico ou pobre, não tem medo de ir para a prisão. Jamais vai deixar seus negócios ilícitos por causa de ameaças ao estilo do candidato do PSL. Ressalte-se que a pena de morte do Brasil funciona extraoficialmente, e nem por isso a violência diminui. Muito pelo contrário; tem crescido em diversos estados do país.

A sanção prisional, na verdade, não incentiva nem inibe o futuro criminoso . Muitos cometeram crimes mesmo sabendo da possibilidade da prisão, uma instituição falida.

Mais uma vez, não há sentido lógico na declaração do candidato Jair Bolsonaro.

Autoestima

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 11 de Outubro de 2018

 

Tive a oportunidade de assistir praticamente a todos os debates dos candidatos ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Confesso que invejo - no bom sentido -  a coragem de todos em disputar uma competição, cujo vencedor irá administrar um Estado falido. E com uma particularidade. Vamos imaginar que o novo governador faça um governo exemplar do ponto  de vista econômico, além das outras áreas. Caso não consiga resolver a questão da segurança pública, o bom  desempenho será, guardadas as devidas proporções, como se nada  tivesse acontecido.  O problema do Rio de Janeiro há décdas sempre foi- e continua sendo - a violência urbana.

Como não poderia de ser, todos os candidatos mostraram seus planos para a área da segurança pública. Destaco dois: o do candidato Tarcísio Mota (PSOL), e Pedro  Fernandes ( PDT). Mas, infelizmente, ambols não conseguiram avançar.

Seria muito bom se o novo governador colocasse em prática diversos tópicos, tanto de um projeto, quanto do outro. Além disso, é preciso investir na questão psicológica dos policiais - civis e militares. Elevar a autoestima e, por meio  de publicidade nos meios  de comunicação de massa, melhorar - ou pelo menos tentar -  a imagem da instituição policial perante a população.

Uma  tarefa difícil que, caso seja colocada em prática , precisa  e deve ser  realizada sem conotações políticas, com o máximo de profissionalismo possível. Quem se habilita?

EM TEMPO:   Nosso imenso e lindo país está pasando por momentos difíceis, desesperadores. Que Deus nos proteja!

Utopia e Política

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 5 de Outubro de 2018

Artigo publicado no site Amaivos

Por Frei Beto

Tudo é política, mas a política não é tudo. Participar da vida política, ainda que apenas pelo voto, é exercício de cidadania. Porque a política tem a ver com todos os aspectos de nossas vidas, da qualidade dos serviços de saúde à segurança de nossas famílias. Quem anula o voto ou vota em branco favorece o poder vigente e fica de costas para o bem comum.

Não há como erradicar a miséria, reduzir a criminalidade e a desigualdade social sem a atividade política. A política serve para oprimir e favorecer a corrupção, como também para libertar e punir os corruptos. Tudo depende do modo como é exercida.

O Evangelho de Lucas (3, 1), ao contextualizar a missão de Jesus, a situa politicamente: “No décimo quinto ano do governo de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia; Herodes, tetrarca da Galileia; Filipe, seu irmão, tetrarca da região da Itureia e da Traconídite; e Lisânias, tetrarca de Abilene” etc. Até mesmo a Palavra de Deus tem a ver com política, embora não se deva confessionalizá-la.

Jesus foi assassinado por razões políticas. Ousou anunciar, no reino de César, outro reino possível, o de Deus! Rechaçou a opressão, a doença e a pobreza como castigos divinos. Condenou a religião como legitimadora de preconceitos e discriminações. E propôs um novo projeto civilizatório baseado, nas relações pessoais, no amor e na compaixão; e nas relações sociais, na partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano.

Oito séculos antes de Cristo, o profeta Isaías já havia prefigurado a utopia de uma sociedade na qual a implantação da justiça assegurará o advento da paz: “Vejam! Vou criar novo céu e nova terra. As coisas antigas nunca mais serão lembradas, nem voltarão ao pensamento. Fiquem alegres! Exultarei com Jerusalém e me alegrarei com o meu povo. E nela nunca mais se ouvirá choro ou clamor. Aí não haverá mais crianças que vivam alguns dias apenas, nem velhos que não cheguem a completar seus dias; pois será ainda jovem quem morrer com cem anos… Quem construir casa nela habitará, e quem plantar vinhas comerá de seus frutos. Ninguém construirá para outro morar, nem semeará para outro comer, porque a vida do meu povo será longa como a das árvores, meus escolhidos poderão gastar o que suas mãos fabricarem. Ninguém trabalhará inutilmente, nem gerará filhos para morrerem antes do tempo, porque todos serão a descendência dos abençoados de Javé, juntamente com seus filhos. Antes que me invoquem eu responderei; quando começarem a falar, já estarei atendendo. O lobo e o cordeiro pastarão juntos, o leão comerá capim junto com o boi… Em todo o meu monte santo ninguém causará danos ou estragos, diz Javé.” (65, 17-25).

Na próxima semana, os brasileiros escolherão seus futuros governos estadual e federal. Eis um direito democrático de substancial importância. Os eleitos haverão de fazer o país avançar ou retroceder ainda mais. Deles dependerão o combate ao desemprego e às causas da criminalidade, a universalização da educação de qualidade e o fim das intermináveis filas nos postos de saúde.

Os políticos são considerados autoridades. Ora, a rigor autoridades somos nós, o povo brasileiro, que os elegemos, pagamos seus salários e todos os gastos do exercício de seus mandatos, da conta de luz do Palácio da Alvorada ao combustível que move o avião presidencial.

Sem utopia a política se apequena. Torna-se mero jogo de poder em função de ambições pessoais e interesses corporativos. É de suma importância votar de olho no projeto Brasil. No futuro das novas gerações. Na conquista de uma sociedade que espelhe a proposta do profeta Isaías, onde o lobo e o cordeiro, que são diferentes, não façam da diferença divergência, e possam conviver em harmonia e igualdade de condições.

CORONEL DA PM DO SERGIPE RESPONDE A BOLSONARO E GENERAL MOURÃO

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 29 de Setembro de 2018

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O artigo abaixo foi enviado para o meu e-mail. Estou divulgando para os leitores deste blog porque é, entre outras coisas, uma lufada de bom senso, ética e equilíbrio diante do momento político que o país vive, após o golpe que defenestrou a presidente Dilma Rousseff. Leia com atenção e compartilhe com os amigos.

 

Luis Fernando Silveira de Almeida*

O CIDADÃO DE BEM e a BALA PERDIDA

Armar o cidadão de bem, como resposta à violência, é o argumento mais falacioso, mais inescrupuloso, que já ouvi a respeito do assunto. No ano passado, o Brasil registrou 59.103 mortes por crimes violentos letais e intencionais (CVLI).  Na guerra da Síria, de 2017 a maio deste ano, portanto cinco meses a mais, morreram 43 mil pessoas. Estamos em guerra, estamos em guerra!

 

Daí, uma mente iluminada propõe como solução: mudar a legislação para armar o “cidadão de bem”. A primeira pergunta: quem é o cidadão de bem? Quem decide, ou escolhe, ou elege o “cidadão de bem”? Obviamente, interesses políticos e comerciais norteiam o engodo de que armar as pessoas diminuirá o número de mortes.

 

Quantos policiais têm perdido suas armas e, muitas vezes, suas vidas, pela ação de marginais? Ora, somente sendo muito estúpido para acreditar que o “cidadão de bem” estará preparado para esse enfrentamento. Armas matam, então, quanto mais armas mais mortes.

 

O discurso em defesa da “tese” é de que haverá treinamento, teste psicológico, para que as pessoas estejam aptas a andar armadas. Ora, se treinamento e teste psicológico garantissem o uso correto das armas, não teríamos policiais mortos e policiais presos, como temos. Por falar em Policiais - uma categoria tão abandonada, tão desvalorizada, na qual deságuam os problemas que o poder público não deu solução, como se ela pudesse solucionar - vai ter seu trabalho multiplicado e dificultado. Além de mais gente armada, para fiscalizar, terá que possuir uma bola de cristal para distinguir, em segundos, o infrator do “cidadão de bem”. E, não se enganem, se errarem e confrontarem o “cidadão de bem”, adivinhem para que lado a “corda” vai arrebentar…

 

Arma é para a Polícia! Para os cidadãos, uma polícia bem formada, bem paga, bem fiscalizada para protegê-lo. QUANTO MENOS ARMA, MENOS VIOLÊNCIA!

 

O aspecto decisivo nesses embates cotidianos, envolvendo armas de fogo, é o fator surpresa. Esse é determinante! O infrator sempre busca o “alvo” mais fácil, distraído. Isso significa dizer que o “cidadão de bem” tem que estar atento o tempo todo, sem direito à distração, à diversão e à descontração. Assim é o dia-a-dia de um policial, nas ruas. Por mais treinado que seja o profissional, isso gera tensão. Tensão essa, que pode levar a falhas, como o caso do policial que, recentemente, matou um trabalhador, porque confundiu um guarda-chuva com um fuzil. Imaginem o grau de estresse de um Policial, mal pago, morando em locais dominados pelo crime, não podendo sair de casa fardado, deixando sua mulher e filhos à mercê da sorte. Não! Não aumentem seus problemas. Os erros com armas de fogo, não são os mesmos cometidos nas provas de matemática, os erros com armas de fogo são fatais.

 

O outro discurso: “Vejam, não defendemos o porte de arma e sim, a posse, que é o direito de ter uma arma dentro de casa, não podendo transportá-la”. Muito bem, agora é diferente! Afinal, uma das qualidades do nosso povo é o cumprimento das leis. Comparemos, com uma arma legalizada e também letal, os veículos automotivos: quarenta e sete mil mortes por ano e quatrocentas mil pessoas com algum tipo de seqüela. Ops! Ultrapassamos a Síria, mais uma vez. Vivemos duas guerras! Alguém acredita, que pessoas que dirigem sem habilitação, com licenciamento vencido, embriagadas, vão deixar suas armas em casa, por não possuírem porte? Isso sem falar nos acidentes domésticos, na maioria das vezes, envolvendo crianças.

 

Hoje, o reduto de paz e segurança do “cidadão de bem”, são os condomínios fechados, murados, com vigilância eletrônica. Imaginemos cada casa com pelo menos uma arma. Lembremos da impaciência com som alto, animais soltos, veículos mal estacionados, que geram os pequenos conflitos nos espaços comuns. Juntemos à bebida do fim de semana e a alguns temperamentos mais violentos. Hum! Perigo à vista.

 

Daí, o cotidiano das favelas, que se tornou o trivial, o banal - uma mãe negra, com seu filho morto por bala perdida, nos braços (para alguns, menos um marginal no futuro) - transforma-se no extraordinário: a favela é um condomínio de luxo e a mãe, uma senhora de classe média alta. E o assassino? O “cidadão de bem”!

Que horror! Inacreditável! Que absurdo!

Pois é, “a felicidade não tem cor”, a tristeza, também não. Na tragédia, nos igualamos.

Então, cidadãos e cidadãs, refletir é de graça. Remediar tem preço. E, às vezes, não é possível remediar.

Armas matam! Bom senso, não!

Precisamos de menos armas, de menos mortes, de mais amor e tolerância!

VIVAM e DEIXEM VIVER!

Luís Fernando Silveira de Almeida – Coronel da Reserva da PM e Cidadão, apenas cidadão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 

Sem interesses políticos

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

Como não poderia ser diferente, todos os candidatos ao governo do Estado do Rio de Janeiro possuem seus planos para a área da segurança pública que, juntamente com o desemprego, são os dois maiores problemas do Estado, quiçá do  país. Um dos candidatos já governou o Estado e, à época, sua administração na questão da segurança apresentou sérios problemas.

Levando-se em conta alguns debates que tive oportunidade de assistir, com todo o respeito aos candidatos, nenhum plano chegou a me empolgar. Falta um maior conhecimento da matéria, que não é simples, como pode parecer à primeira vista.

Não adianta colocar em prática um plano apenas para mostrar ao público que está fazendo alguma coisa, ou seja: jogar para a arquibancada, para usar aqi um jargão do futebol. Isso não vai levar a lugar nenhum.

Também não adianta fazer visando interesses políticos ou coisa que o valha, como foi por exemplo, o caso das UPPs. O plano para melhorar a segurança pública tem e deve ser abrangente, conectando todos os órgãos que, direta ou indiretamente, fazem parte da área da segurança, além de investimentos sociais dignos de nota nas favelas e periferias.

Caso congtrário, daqui a quatro anos, os futuros candidatos  estarão discutindo os mesmos problemas.