A história da história que não quiseram te contar

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 20 de Outubro de 2020

Uma sugestão: procure ler este texto sem preconceito, baseado apenas na razão, não na emoção. Tente sinceramente agir dessa forma. Principalmente se você tiver filhos e netos.

Publicado no site Brasil 247

Desmontaram o pequeno estado de bem-estar social rapidamente e com extrema violência, em pouquíssimo tempo, sendo que o tempo para tentar construir uma sociedade mais solidária e justa se deu início após a promulgação da Constituição de 1988

Por Davis Sena Filho - editor do blog Palavra Livre

A direita brasileira e agora, com mais ênfase, insensatez e fanatismo, a extrema direita que está no poder, representada na figura de Jair Bolsonaro, sempre acusaram a esquerda de três coisas basilares em suas distorções, manipulações e mentiras com intenções políticas e ideológicas: 1) corrupção; 2) aparelhamento do Estado; e 3) criminalização e judicialização de ações e atos governamentais de mandatários e políticos de esquerda. E assim se desenvolve o processo maquiavélico: Dilma Rousseff foi deposta por um golpe terceiro-mundista, assim como Lula foi injustamente e covardemente preso.

São tão visíveis e notórias tais criminalizações e judicializações, que são também perceptíveis por parte da população brasileira ser o Poder Judiciário, em todas suas instâncias, e a PGR, que tem sob seu comando os MPF em todos os estados da Federação, as valências de combate político, a usar o Direito como instrumento de perseguição, intimidação e de repressão àqueles políticos e partidos que são por eles considerados inimigos. Esta realidade mórbida aconteceu e continua a acontecer com o PT e suas principais lideranças, com maior evidência e força, a partir de 2013.

Trata-se de processo tão escandaloso e escabroso que, após dois anos de governo Bolsonaro, os denominados homens e mulheres da lei não tomaram nenhuma atitude realmente efetiva para investigar incontáveis denúncias graves contra membros importantes do governo de extrema direita, que adota como políticas públicas o desmonte do Estado nacional, a concentração brutal de renda e riqueza para transferir recursos trilionários às multinacionais, à burguesia brasileira e às “elites” do funcionalismo público dos Três Poderes e das Forças Armadas.

São os “bem nascidos”, os que podem mais e os que traem a Nação para viver com fartura e bem- estar, porque, além de tudo, têm influência e, por sua vez, ficaram livres das reformas draconianas impostas pelos governos Temer e Bolsonaro, além de manter seus benefícios e privilégios, assim como tiveram seus altos salários aumentados.

Trata-se do butim do golpe de direita de 2016, dos regalos e galardões concedidos àqueles que estão e sempre estiveram por cima da carne seca, a apoiar estupidamente as privatizações criminosas, a extinção de direitos conquistados há décadas pela população, e o desmonte dos programas de inclusão social, além da destruição irresponsável e deliberada de grandes empresas nacionais, em nome da corrupção à moda Sergio Moro, a dar fim a dezenas de milhões de empregos tão caros ao povo brasileiro.

Desmontaram o pequeno estado de bem-estar social rapidamente e com extrema violência, em pouquíssimo tempo, sendo que o tempo para tentar construir uma sociedade mais solidária e justa se deu início após a promulgação da Constituição de 1988, Carta Magna odiada e sabotada pela burguesia deste País, a mais atrasada e reacionária do mundo ocidental. A casa grande, controladora do sistema de capitais e chefe efetiva dos tribunais, que jamais aceitou os avanços constitucionais constantes da Carta chamada por Ulysses Guimarães de Cidadã.

Implantou-se, a partir de 2016, com maior violência do que as privatizações deletérias da Era Fernando Henrique Cardoso. Michel Temer, político medíocre e de poucos votos, mas um dos principais inquilinos dos subterrâneos da polícia nacional conquista, como todo autor de patifarias, o poder por meio de conspiração e traição ao se transformar um dos protagonistas da deposição de Dilma Rousseff.

A intenção, de maneira rápida e violenta, era efetivar políticas públicas, monetárias e fiscais ultraliberais, a propiciar o retorno radical do neoliberalismo, um modelo de rapinagem e pirataria das riquezas do Brasil e de exploração do povo brasileiro, a ter como prioridade atender, principalmente, os interesses geopolíticos e econômicos dos EUA.

Enquanto os países desenvolvidos e o próprio FMI estão a abandonar tal estupidez e burrice que é o neoliberalismo, porque não deu certo até nos países desenvolvidos, Michel Temer e seu bando, para logo depois Bolsonaro e seu estúpido ministro da Economia, Paulo Guedes, implantam no Brasil a política mais radical de lesa-pátria de todos os tempos, que, se acontecesse nos EUA, até o Donald Trump, uma águia do capitalismo internacional, seria duramente e fortemente questionado se tentasse privatizar as principais estatais do país imperialista.

E toda essa ignomínia e irresponsabilidade com a aquiescência da pior geração de generais que este país já produziu. Lamentável! Atitudes indiscutíveis e somente realizadas por governos párias, entreguistas e contrários à soberania do Brasil, que é o caso de Jair Bolsonaro e seus apoiadores, que são totalmente dissociados dos valores republicanos voltados à igualdade de oportunidades, à democracia e ao Estado de Direito, como reza a Constituição.

A conclusão é que os conspiradores, que agem como inimigos internos da soberania brasileira são governos antinacionalistas, antipopulares e antidemocráticos, com perfis similares ao de Jair Bolsonaro. Tais governos, no decorrer da República, vilipendiaram a segurança nacional, sendo que em nome dela cometeram todo tipo de crimes e arbitrariedades, das quais até hoje parcela da sociedade civil brasileira não se recuperou, pois cicatrizes não cicatrizadas e algozes da repressão não punidos. Portanto, nada será resolvido, porque a chaga sangra e a inconformidade vilipendia àqueles que são consideram injustiçados. Sem justiça não há paz!

Este é o País que jamais olha para dentro de si, com o propósito de resolver pendências graves e históricas. Sem chance de reconciliação de grupos sociais antagônicos para que se compreenda o que é ter paz, pois o status quo golpeia historicamente para não ser punido, bem como só cede quando está por demais desmoralizado, como ocorreu com os militares, em 1985, quando saíram pela porta dos fundos do poder após longos 21 anos, sem os generais terem um único voto das urnas populares.

Por isto que os correligionários e apoiadores do presidente fascista, Jair Bolsonaro, e seu desgoverno fadado ao fracasso retumbante, que apostam na continuidade da divisão da sociedade brasileira, insistem no conflito permanente, pois sem projeto de desenvolvimento socioeconômico, como se recusam, terminantemente, a pensar o País.   

As denúncias perpetradas por órgãos e instituições da sociedade civil organizada também não conseguiram atingir os apoiadores do governo extremista à direita, de forma a dar fim a uma série casuísmos de autoria de políticos que se dizem conservadores apenas no que diz respeito à (falsa) moralidade comportamental, uma forma de colocar no bridão, como se fossem cavalos os setores mais progressistas da sociedade, a se utilizar de fakes news, de maneira a demonizá-los para desmoralizá-los perante a sociedade brasileira, que está a enfrentar a crise moral mais grave de sua existência.

São políticos que participaram do golpe de estado contra um governo legítimo e trabalhista de Dilma Rousseff, que estão encastelados no Congresso e na sociedade civil, principalmente no que é relativo a empresários bolsonaristas e internautas aloprados e ensandecidos, alguns deles famosos fanfarrões midiáticos, que se sentem livres e autorizados para cometer, principalmente, crimes fiscais e de sonegação, que em um país sério a Justiça, com o apoio do MP e da polícia, colocaria essa gente criminosa e golpista na cadeia. Porém, no Brasil tais delinquentes têm status e admiração.

Tudo isto acontece porque vive no País um povo sem acesso real à informação, pois distorcidas e manipuladas pelos grandes meios de comunicação privados desde os tempos do início do rádio, porque porta-vozes que são dos interesses econômicos e políticos da burguesia brasileira associada à Plutocracia internacional.

Temos no Brasil uma classe alta que vê o Brasil pela ótica do colonizador, ao tempo que, além de nunca ter tido um projeto nacional de independência para o País, recorre a artimanhas para que o Estado nacional se transforme em um guardião de seus interesses, a seu serviço político e econômico, bem como de repressão policial, a ter ainda as Forças Armadas como capitólios da ideologia supremacista e hegemônica, no que dispõe a combater a luta de classe, as esquerdas e, consequentemente, se perpetuar no poder.

E atrás disso está a extrema direita brasileira, que sabe ter apenas 20% da população, contudo não tão fiel, a partir da hora que tal governo militarista e elitista liderado por Bolsonaro chegar ao limite de sua intenção de desmontar o cinturão de proteção social, cultural e econômico, exemplificado nas perdas sociais e trabalhistas, previdenciárias e empregatícias, que já estão, nitidamente e verdadeiramente, a deixar o povo despido até de suas vestes.

Ainda faltam ainda dois anos e dois meses para o pior governo da história do País, cujas autoridades chegaram ao poder por meio de um golpe de estado, que se desenrolou na prisão covarde e injusta de Lula, chegue à bancarrota, desmoralizado, e com a população em petição de miséria, pois neste momento o Brasil já tem cerca de 50 milhões de desempregados e subempregados, além da violência endêmica que supera qualquer índice sobre o assunto no mundo. Vergonhoso. Quase todos os números e índices econômicos e sociais são negativos, desde os ambientais aos sanitários, comerciais e industriais, além da falta de investimentos estrangeiro e desemprego galopante.

Se o inferno existe, ele é o Brasil atual. Crises gigantescas na saúde e educação, porque políticos moleques e bandidos, com o apoio da grande imprensa tradicional com ações similares a de um delinquente ou marginal de alta periculosidade, congelaram por 20 anos os recursos da educação e da saúde, além do desamparo moral e espiritual ao povo brasileiro, que se tornou dividido, triste, agressivo, violento e, ao que parece, totalmente intolerante e confuso.

O Brasil dobrou o cabo da esperança e está à deriva no meio do oceano, sem perspectiva de avanços econômicos e justiça social. Existe uma atmosfera de cansaço, mas prestes a explodir. O País vive sob uma plúmbea nuvem sempre a maltratar o chão com raios, em uma intolerância que leva à renúncia do que é racional e ponderado, sensato e inteligente.

O barbarismo e o fracasso do golpe de estado de 2016 se expande, além das fronteiras e avisa, definitivamente, que o Brasil necessita urgentemente ser pacificado e afastar, por meio da democracia que está às voltas com todo tipo de golpe contra ela, o governante fascista, seus generais e empresários suicidas da vitória eleitoral em segundo mandato. O povo brasileiro precisa de uma maneira ou outra lutar pelo que é civilizado e justo, aceitável e compreendido.

Não se compreende a selvageria que campeia e a derrota proposital quanto ao desenvolvimento do País e a recuperação da autoestima do povo brasileiro, independente se ele, porventura, titubeou e apostou contra o amor próprio, a prejudicar seriamente seus interesses de cidadania.

O Partido dos Trabalhadores tem de fazer política urgentemente, explicar o que acontece para os trabalhadores, donas de casa, estudantes, aposentados e toda a sociedade civil organizada, de maneira assertiva, direta e corajosa. A esquerda tem de voltar a se mobilizar e explicar… explicar… explicar…, incansavelmente, o porquê de o Brasil ter sido alvo de um golpe do capital internacional associado à burguesia tupiniquim. Fazer o povo entender!

A esquerda tem de recuperar seu fôlego e fibra históricos e tirar do poder os políticos malandros da direita e extrema direita, que tomaram a fórceps o Palácio do Planalto e fingem que governam o Brasil por meio da democracia, que tanto desprezam e odeiam, porque democracia significa dar oportunidade a todas as pessoas e, definitivamente, a direita sempre combaterá a cidadania, pois intrinsecamente sectária e fundamentalmente concentradora de renda e riqueza. O PT é luta, pois que lute o PT! É Isso aí. 

 

 

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Tempos de mediocridade

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 19 de Outubro de 2020

Há alguns dias os jornais deram destaque ao drama da modelo Elisa Pontes, 26 anos, que até semana passada estava internada no Instituto Philippe Pinel, em Botafogo, Zona Sul do Rio, após ter sido encontrada vagando na favela do Cantagalo, localizada  também na Zona Sul. A modelo - que, conforme foi divulgado, já desfilou várias vezes no exterior - foi mais uma vítima de aproveitadores alienados que pululam na internet. Usaram a imagem da modelo em tela para criar perfis fakes no Instagram, com o objetivo de acumular possíveis  seguidores.

É a exposição a qualquer custo. Insensibilidade total para o drama pessoal, de caráter familiar da modelo. Grassa na internet a superficialidade na maioria dos assuntos, a falta de respeito, de ética. Vivemos tempos de mediocridade.

Na verdade, a internet piorou o que já era ruim: o relacionamento interpessoal.

As pessoas ficaram mais individualistas e egoístas. Por isso, entre outras coisas, os consultórios dos psicanalistas estão cheios.

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Quem mandou matar Marielle? Por quê?

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

 

Um crime de repercussão internacional ainda não tototalmente desvendado

O povo quer saber: quem mandou matar Marielle Franco e por quê?

945 dias

 

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Por que o Brasil voltou ao Mapa da Fome?

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 28 de Setembro de 2020

 

Artigo originalmente publicado no jornal Valor Econômico, em 25 de setembro de 2020.

OBS - Nota do  editor  do blog -  O artigo em  tela revela uma questão de extrema gravidade, que é uma  vergonha para o nosso país. Pode é deve ser incluída no  campo dos Direitos Humanos.

Por José Graziano da Silva*

Em artigo, o ex-diretor-geral da FAO trata da crise brasileira e da fome no país. “O governo Bolsonaro segue com o desmonte do que ainda restou da política de segurança alimentar implantada no Brasil a partir do primeiro governo Lula”, aponta

Os resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) recentemente divulgada pelo IBGE, realizada entre junho de 2017 a julho de 2018, apontaram que a fome (insegurança alimentar grave) atingiu mais de 10 milhões de brasileiros nesse período, representando uma fatia de 4,6% da população de nosso país. A pesquisa também mostrou que a insegurança alimentar grave é ainda maior em domicílios chefiados por negros, mulheres e na região Nordeste. No meio rural, a fome ultrapassa a 7%.

O anúncio ocorreu cinco anos depois de a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) declarar que o Brasil não fazia mais parte do Mapa da Fome Mundial. Segundo o IBGE, a insegurança alimentar grave no Brasil havia caído de 6,9% da população em 2004, para 5% em 2009 e para 3,2% em 2013.

Muita gente confunde as coisas e correlaciona nossa alta produção de alimentos com a ausência da fome no país

Se fizermos uma simples projeção linear, ou seja, se admitirmos que essa tendência de crescimento verificada a partir de 2013 se manteve, os números em julho de 2020 alcançariam algo como 6,6% da população brasileira de 213 milhões de habitantes, ou seja, cerca de 15 milhões de brasileiros estariam passando fome, hoje!

Na verdade, esses números tendem a ser ainda mais alarmantes, já que não consideram o impacto da crise econômica agravada pela pandemia da covid-19. O aumento do desemprego atingiu 13,7 milhões de pessoas procurando trabalho no final de agosto – alcançando o recorde de 14,3% da forca de trabalho; isso sem considerar os milhões de ocupados informais que vivem com salários miseráveis além de todos aqueles que estavam em “desalento com a pandemia e estão voltando a procurar trabalho”.

Some-se a isso as restrições à distribuição da merenda escolar, pois as escolas permanecem fechadas; e ao desmonte das políticas de segurança alimentar como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) – quase sem recursos orçamentários – e os estoques reguladores da Conab praticamente zerados. Tudo isso mais o aumento generalizado de preços dos produtos da cesta básica, entre eles a dobradinha arroz-feijão, base do sistema alimentar dos brasileiros durante a pandemia.

Mas a covid-19 não pode ser considerada o principal vilão dessa história, até porque o crescimento da fome registrado pelo IBGE ocorreu antes da pandemia. Os avanços na erradicação da fome se deveram, no passado, à implantação de uma política de segurança alimentar e nutricional a partir de 2003 no primeiro governo Lula, com a aplicação de políticas públicas de transferência de renda, com os aumentos reais do salário mínimo, com a geração de empregos de qualidade e com a implementação da estratégia Fome Zero, como o fortalecimento dos programas já citados anteriormente que hoje estão à míngua.

Mas a covid-19 não pode ser considerada o principal vilão dessa história, até porque o crescimento da fome registrado pelo IBGE ocorreu antes da pandemia

O que de fato aconteceu? Infelizmente, o combate à fome deixou de ser prioridade de governo depois de 2016. Como o Brasil é um grande produtor e exportador mundial de alimentos, muita gente – incluindo o atual presidente da República – confunde as coisas e correlaciona a nossa alta produção de alimentos com a ausência da fome no nosso país. Açúcar, café, suco de laranja, carne bovina e de frango, milho e soja são apenas alguns dos produtos onde o Brasil é o maior (ou o segundo) produtor e exportador mundial hoje em dia. Ocorre que, a fome no Brasil, como na maior parte do mundo, não é oriunda da falta de alimentos produzidos, mas de alimentos consumidos dada impossibilidade dos mais pobres de ter acesso a eles.

Em poucas palavras, não faltam alimentos, mas falta dinheiro para comprá-los! Os dados da FAO mostram que produzimos mais do que o suficiente para alimentar a todos com uma dieta mínima e ainda se joga fora cerca de um terço do que produzimos, acentuando de forma desnecessária o impacto da agricultura no meio ambiente.

Esse não é o único paradoxo do caso brasileiro de existir fome num país com abundância de produção de alimentos. Além disso, temos também 20% da nossa população adulta obesa e outros tantos com sobrepeso. É o outro lado da mesma moeda: comemos pouco e muito mal. Fome e obesidade são dois extremos de um contínuo de má nutrição, que afeta os brasileiros por falta de uma política ativa de educação alimentar.

O governo Bolsonaro segue com o desmonte do que ainda restou da política de segurança alimentar implantada no Brasil a partir do primeiro governo Lula

Com a pandemia, vimos multiplicar os programas de rádio e de TV procurando ensinar as pessoas a fazerem comida em casa. Essa situação emergencial deveria ser uma prática permanente, como parte das ementas escolares já a partir do ensino fundamental. Somos um país de obesos e de pessoas acima do peso porque comemos muito açúcar, sal, gorduras saturadas contidos em alimentos ultraprocessados de baixo valor nutricional e muitas farinhas de todos os tipos de alto teor calórico, mas baixo conteúdo proteico.

Mas porque o governo Bolsonaro segue com o desmonte do que ainda restou da política de segurança alimentar implantada no Brasil a partir do primeiro governo Lula, ainda mais agora quando uma boa alimentação é arma fundamental para prevenir a covid-19? Já está mais do que provado que a obesidade, junto com a idade mais avançada, estão entre as mais graves comorbidades associadas à doença.

Orientar as pessoas a comerem bem, de forma saudável e nutricionalmente balanceada, é dever de Estado. Esse direito humano à alimentação saudável está inscrito na nossa Constituição, e deveria ser zelado por todos os governos, independentemente de afiliação político-partidária. Não encontro outra resposta: existe uma crença cega e dogmática na atual administração federal de que a alimentação é um problema de cada um de nós e que o governo não tem nada a ver com isso. Pior: de que não deve atrapalhar o bom funcionamento da lei da oferta e procura no melhor estilo ultra-neoliberal, onde os mercados são soberanos e devem comandar a economia e a política.

Jose Graziano da Silva foi diretor-geral da FAO e é consultor do Instituto Comida do Amanhã.

Artigo originalmente publicado no jornal Valor Econômico, em 25 de setembro de 2020.

 

 

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Redes sociais: o dilema entre a humanidade e a tecnologia

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020

Artigo publicado no portal de notícias Vermelho

Estamos presos à conectividade, às redes sociais e aos efeitos que elas produzem e esse é um caminho sem volta.

Por Carolina Maria Ruy *

 

Uma pessoa dentro de um tubo de ensaio. É esta a sensação que o filme O dilema das redes, de Jeff Orlowski, transmite. Não é só uma sensação, eles dizem. É real. E dizem mais. Já se tornou lugar comum a ideia de que, se não pagamos para usar, nós somos o produto. Mas, mesmo que possamos tentar não ser o produto, de nada adianta se a grande massa de usuários continua a ter seus dados vendidos e manipulados, contribuindo, desta forma, para a disseminação generalizada de discursos de ódio e de notícias falsas.

“As redes sociais são um cérebro e seus usuários, os neurônios”, pode parecer uma analogia assustadora, mas é com ela que ex-funcionários do Facebook, Google, Twitter, Instagram definem, no filme, o modus operandi das redes sociais em escala global. É interessante, mas o que me veem à mente é uma metáfora mais vulgar onde os usuários são átomos de uma peça em um tabuleiro de War.

O impacto nocivo das redes sociais na política e nos rumos da sociedade já foi bem documentado no filme Privacidade Hackeada (Karim Amer, Jehane Noujaim, 2019), que releva o uso ilegal de dados do Facebook de pelo menos 87 milhões de pessoas em campanhas para o referendo do Brexit, no Reino Unido, na eleição do presidente Trump, nos Estados Unidos, e na eleição de Jair Bolsonaro, no Brasil.

O tema também é abordado no livro A máquina do ódio (2020), no qual a autora, Patrícia Campos Mello, demonstra como, influenciados pelas redes sociais, eleitores tendem a valorizar políticos extremistas ao invés de moderados. Isso porque: “Só políticos com ideias polarizadoras têm usado as mídias sociais de forma eficiente para manipular eleições”.

O que O dilema das redes mostra, porém, não é um esquema ilegal, mas o funcionamento normal e legal das empresas. Um sistema que parecia se limitar a ficções como as de Aldous Huxley e de George Orwell, com suas obras visionárias, O Admirável Mundo Novo (de 1932) e 1984 (de 1949).

Mais de trinta anos depois do ano de 1984, quando se daria a distopia imaginada por Orwell, o admirável mundo das redes sociais permite acesso fácil e barato à informação, entretenimento, comunicação e até à criação de conteúdo, mas castiga o mesmo globo que conecta, abrindo caminho para políticos e movimentos histriônicos e irresponsáveis em um ambiente de polarização que faria a Guerra Fria corar.

A interessante do filme O dilema das redes está justamente nos relatos duros de pessoas que estavam dentro da engrenagem. Além disso ele conta com o apelo de uma realidade trágica: Brexit, Trump, Bolsonaro e toda a ofensiva obscurantista desafiando a lógica em plena era da tecnologia da informação. Uma realidade que se ergueu justamente sobre as bases expostas no documentário.

Me pergunto como chegamos a este ponto se alarmes sobre os perigos do uso massivo e descontrolado da internet e das redes sociais soam há tanto tempo. Tecnologia que, apropriado ressaltar aqui, foi criada para uso militar e amplamente utilizada na reestruturação do setor financeiro.

Autores que buscaram compreender os fundamentos da sociedade moderna, como Theodor Adorno, Max Horkheimer e Michel Foucault, já problematizavam questões como a reprodução em série, a massificação cultural, a perda da identidade, a vigilância e o controle social. Eles trazem em suas teorias pistas de como o mundo poderia chegar à situação que o filme nos apresenta.

Mas não são apenas estas teorias abstratas as referências. Desde a segunda década deste século o jornalista e ativista Julian Assange tem demonstrado claramente o sistema de controle político e social perpetrado pelas empresas que dominam a internet. Ele disse, por exemplo, no prefácio à edição brasileira do seu livro “Quando o Google encontrou o Wikleaks”, de 2014, que “O Google exemplifica os terríveis perigos da internet corporativa. Desde muito cedo, seus fundadores perceberam que o processamento de informações em grande escala os colocaria no centro de tudo”. E que: “Os brasileiros devem se conscientizar de que, quando usam os ‘serviços’ do Google, estão sendo aliciados para entrar em um relacionamento com uma mega corporação estrangeira global muito milhões de vezes mais poderosa do que eles e sujeita a poucos mecanismos de prestação de contas”.

Assange conta no livro como as redes sociais manipularam as mega manifestações que varreram o oriente em uma série de eventos que se tornaram conhecidos como “Primavera Árabe”.

Trazendo para a realidade brasileira, constatamos que o mesmo fenômeno inflou o nosso Junho de 2013, roubando, naquele momento, o protagonismo de entidades organizadas (e com propósitos). Daquela catarse social, na qual a opinião pública se confundia com likes e retuítes, nasceram as condições para se viabilizar a Lava Jato, a derrubada de uma presidente eleita democraticamente, o governo Temer, a retirada de direitos sociais, a prisão injustificada do ex-presidente Lula e a eleição de um deputado federal caricato e do baixo clero como presidente da República.

Na esteira destas contradições e injustiças sociais Julian Assange, que escancarou o verdadeiro dilema das redes sociais, é tratado pelo establishment como um marginal. Um dilema entre a democratização da informação e da comunicação, por um lado, e o controle político sobre os indivíduos através da apropriação de seus dados nas redes, por outro.

Não há resposta fácil. Estamos presos à conectividade, às redes sociais e aos efeitos que elas produzem e esse é um caminho sem volta. A velocidade da informação e da comunicação já reorganizou o mundo e a tendência é ela se aprofundar. Renunciar também seria uma forma de alienação e de pouco adiantaria. A questão é: seremos um neurônio em um grande cérebro virtual, um átomo em uma peça de War? Nos deixaremos dominar ou dominaremos essas sedutoras ferramentas? Eis o dilema existencial que aflige a humanidade desde que o homem começou a transformar a natureza.

 

  * Carolina Maria Ruy

Jornalista e coordenadora do Centro de Memória Sindical

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Mas, afinal, o que é Inclusão Social?

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 18 de Setembro de 2020

Publicado no site Contém Amor ( contem amor.com.br)

Leonardo Borges

A Inclusão Social é o ato de dar a todas as pessoas, independentemente de suas diferenças, os mesmos direitos e oportunidades. Integrar à sociedade grupos sociais historicamente à margem do processo de socialização, não tendo o devido acesso a direitos sociais mais básicos como educação, emprego digno, moradia, saúde e alimentação adequada.

Assim, a inclusão social é uma tentativa de corrigir a exclusão de alguns grupos como negros, indígenas, pessoas com deficiência, homossexuais, travestis e transgêneros, bem como aqueles em situação de vulnerabilidade socioeconômica, como pessoas em situação de rua e pessoas de baixa renda.

Ao falarmos sobre inclusão social, estamos também falando da Declaração Universal de Direitos Humanos que passou a estabelecer pela primeira vez, em 1948, a proteção universal dos direitos humanos, e conceitos como liberdade e a igualdade entre as pessoas passou a ganhar espaço no debate.Também estamos falando da nossa Constituição Federal de 1988, que assimilou a importância pela busca do direito à igualdade e, consequentemente, da inclusão social dos grupos sociais mais à margem, ao ordenar que nenhum cidadão pode ser submetido a qualquer forma de discriminação.

A inclusão social, nesse contexto, transformou-se em um objetivo e uma forma de luta. Assim, há atualmente inúmeros movimentos sociais – raciais, feministas, de grupos homossexuais, de religiões de matriz africana e outras, de portadores de necessidades especiais – que reivindicam do poder público e da sociedade de modo geral, políticas públicas efetivas que visam combater as diferenças históricas e sociais.

Nesse sentido, as políticas públicas amplas devem ser voltadas ao exercício da Inclusão Social, devendo superar as diversas formas de desigualdades sociais, culturais, educacionais e econômicas e, viabilizar a democratização de diversos espaços e serviços para aqueles que não possuem acesso a eles.

Abaixo, alguns exemplos de políticas públicas para inclusão social:

  • Cotas em universidades públicas e concursos públicos para negros e indígenas oriundos de escolas públicas e para estudantes de escolas públicas em geral;
  • Inclusão de pessoas com deficiência física ou de atrasos cognitivos em escolas regulares;
  • Programas de assistência social a pessoas de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade social, como pessoas em situação de rua;
  • Programas de profissionalização de jovens oriundos de famílias carentes;
  • Programas de assistência psicossocial e profissionalização de homossexuais, transexuais e travestis;
  • Acessibilidade para pessoas com deficiência, como cegos, surdos e cadeirantes, em espaços públicos ou espaços coletivos geridos pela iniciativa privada, além da acessibilidade em calçadas e passarelas do passeio público.

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