Anomia social

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 20 de Julho de 2018

 

Tem sido angustiante o nível de abandono e degradação do Rio de Janeiro. Além da violência urbana - mazela carioca de décadas - o Estado enfrenta uma grave crise econômica, fruto da corrupção. Multiplicam-se as quadrilhas de todos os matizes. Os bandidos estão melhorando sua infraestrutura. Muitos utilizam fuzis - alguns até com luneta.  

A intervemção militar, que teve início em fevereiro último, é a prova cabal da incompetência do governo estadual diante do caos da violência. Medida dispendiosa e ineficaz. Os militares jogam para a arquibancada, pois não posssuem projetos e estratégias para um combate eficaz diante da bandidagem.

Diante da violência urbana que piora a cada dia - entre outros graves problemas - aqueles que podem estão deixando a cidade, indo morar em outro país. Desistiram de esperar por dias melhores. O fato tem sido cada dia mais comum.

Peço licença a você, leitor, para uma reminiscência: há alguns anos recebi um convite para deixar o Rio e ir para a França. À época, entre outras coisas, não quis interromper a faculdade de teologia e o trabalho. Por isso, não aceitei o convite. E, como diz o dito popular, se arrependimento matasse………

A partir de então, o Rio vem acumulando problemas, numa escala impressionante, não só na questão da violência urbana, mas em todas as áreas. Uma anomia social. Caso o quadro não mude, e tudo indica que não irá mudar tão cedo, o Rio ficará ingovernável. Um quadro de anomia social. Não só no Rio, mas em todo o Brasil, diga-se de passagem.
  

Brasil sem rumo

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 15 de Julho de 2018

Um povo que não confia nas suas instituições, convive com um dos maiores índices de desemprego em todo o omundo, e com uma violência urbana cada vez mais incontrolável. Refiro-me ao Brasil, que vive um perído de ditadura civil, fruto do golpe neoliberal. Uma presidente eleita pelo voto popular foi apeada do poder, e um ex-presidente e líder popular reconhecido internacionalmente está preso de forma irregualr, sem provas concretas, estratégia para afastá-lo da próxima eleição presidecial que, em condições normais, respeitados todos os postulados democráticos, ele venceria sem maiores problemas no primeiro turno.

Em todos os Estados do Brasil os índices de violência são altos e, diante de um governo golpista e entreguista como o do senhor Temer, a situação em todas as áreas só piora.

Diante do exposto acima, da crise políica que o país vive no momento, não tem como combater a violência com a eficiência que a maioria do povo deseja. Po isso, o tráfico e as milícias vão continuar atuando à vontade, ampliando seus tentáculos, como tem feito, por exemplo, o PCC - Primeiro Comando da Capital - que surgiu em São Paulo e está ganhando o mundo. As balas perdidas vão continuar fazendo suas vítimas, e PMs continuarão sendo assassinados com tiros de AK-47, como ocorreu no último dia 11, na Avenida Brasil, altura de Bonsucesso, Zona Norte do Rio.

 Sem democracia e investimentos sociais realizados de forma objetiva e profissional não há solução. Não há notícia boa. Vamos apenas continuar retroalimetando nossos problemas , nossas mazelas. Com o povo sofrendo de todas  as formas, sem prespectivas de melhora.

O quadro é desalentador. Como vivemos num país cristão, só nos resta pedir - que Deus nos proteja!

polícia federal: glamour e atraso

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 8 de Julho de 2018

O blog Na Campana compartilha artigo de Sandro Araújo, agente da Polícia Federal e vereador em Niterói-RJ pelo PPS, publicado no Jornal do Brasil:

Por trás do glamour das missões rocambolescas, porém, o que não se mostra é a rotina de ódio, assédio moral e falta de espírito de corpo que atinge a esmagadora maioria dos policiais federais de todo o Brasil. Sob o manto de uma das instituições mais respeitadas, esconde-se outra realidade: o atraso, o anacronismo e a hostilidade. Não por acaso, um terço da corporação sofre de depressão e outros problemas psiquiátricos. Um ambiente emocionalmente insalubre.

Sonho de muitos, a carreira policial federal, ao contrário do que o imaginário midiático induz a acreditar, agoniza. De um lado, agentes, escrivães e papiloscopistas lutando por uma carreira única, que insira a Polícia Federal brasileira no rol das polícias investigativas do mundo desenvolvido. De outro, delegados lutando de forma encarniçada para serem chamados de “Excelência” e para manterem o status quo como carreira jurídica que não existe em nenhuma outra polícia do mundo. Delegado de Polícia Judiciária dentro do Poder Executivo é uma aberração bem à brasileira.

As pirotecnias das operações com nomes chamativos envelopam os erros de investigação que chegam a nível preocupante. Um número superlativo de pessoas teve sua vida destruída por prisões preventivas ou temporárias sem nenhuma base legal. O caso mais notável foi a prisão, absolutamente sem provas, do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luís Carlos Cancellier de Olivo, que o levou ao suicídio dias após sua soltura.

O número de ações por dano moral, após prisões equivocadas, só aumenta e ninguém dentro da instituição é responsabilizado. No caso do reitor, a delegada que coordenou a investigação foi promovida a Superintendente Regional em Sergipe, após o erro crasso. Em outro caso que virou referência dentro da própria PF, um agente foi preso, levado para um presídio de segurança máxima, deixado lá por três semanas. Solto por habeas corpus, teve sua ação trancada por ausência de justa causa e, passados quase dois anos, jamais foi ouvido por alguma autoridade da Polícia Federal, do Ministério Público ou mesmo do Judiciário.

O fato é que um policial de campo, seja um agente, escrivão ou papiloscopista leva pouco tempo entre a alegria de ser aprovado em um dos concursos públicos mais difíceis e concorridos do país e a frustração de perceber que grande parte do glamour dessa polícia tão importante para a República não passa de mero marketing governamental.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O flagelo da violência urbana

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 2 de Julho de 2018

 

A seleção brasileira goleia a Bolívia por 6 a 0, no estádio do Arruda, em Recife, jogo válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo dos Estados Unidos, realizado em 29 de março de 1993, passo importante na campanha que acabou conquistando o título de tetracampeão mundial de 1994.

A data é emblemática na história da cidade do Rio  de Janeiro, pois foi exatamente nesse dia que a opinião pública ficou estarrecida diante da tragédia ocorrida na favela de Vigário Geral, Zona Norte do Rio, onde 21 moradores, todos inocentes, sem nunca terem tido nenhuma passagem pela polícia, foram executados de forma aleatória, por um grupo de policiais civis e militares, denominado Cavalos Corredores, pois tinham o hábito de entrar nas favelas correndo e atirando.

No dia anterior, o sargento Aílton Ferreira dos Santos e mais três policiais foram até o ponto de drogas  da favela, comandado à época por Flávio Pires dos Santos, o Flávio Negão, com o objetivo de pagar o dinheiro da propina, paga para aliviar a repressão. Quando chegaram na praça Catolé do Rocha, foram surpreendidos por uma emboscada arquitetada por Flávio Negão e seus comparsas, que executaram os quatro com tiros de AR-15 e de pistolas automáticas. A vingança veio rápida; no dia seguinte, com a chacina.

Fatos similares como o descrito acima  - que teve repercussão nacional e internacional -  marcam a história do povo carioca. PMs que são pagos pela sociedade para defender a lei e a vida dos cidadãos, reuniram-se com o único intuito de vingar colegas de farda, e acabaram escrevendo uma  das mais horríveis páginas da história da cidade do Rio de Janeiro.

Entra governo, sai governo, e nada melhora. Visando solucionar ou pelo menos menos minorar o problema da violência urbana carioca, muitos projetos já foram colocados em prática, mas fracassaram. Apenas para citar um deles, cito as Unidades de Polícia Pacificadora - as UPPs. Foi um projeto político e de marketing do governo estadual à época, visando única e exclusivamente, as Olimpíadas e a Copa do Mundo, uma  repressão das áreas pobres legitimadas pelos grandes eventos.

Os índices que monitoram a violência carioca são altos, preocupantes. Um número cada vez maior de jovens entram para a vida de crime e do tráfico de drogas. E as milícias  se multiplicam. Além disso, o Estado passa pela maior crise econômica, política e moral da sua história.  E os assassinatos de policiais pela bandidagem - os números crescem a cada ano - deixam à mostra a vulnerabilidade da segurança.

Mas o que agora está ocorrendo com os policiais é fruto, entre outras coisas, de uma política de confronto, que mata em excesso, corrupção e altos de resistência forjados. Em função disso, a polícia não  tem credibilidade. E os moradores das periferias e favelas possuem verdadeira aversão.

Num artigo publicado num jornal carioca em novembro do ano passado, José Vicente da Silva Filho, ex-secretário Nacional de Segurança Pública e professor do centro de Altos Estudos da PM de São Paulo, afirmou “ que nenhuma polícia consegue atingir o grau máximo de eficiência para enfrentar o crime sem cuidar de sua integridade. A integridade dá a densidade moral crítica para a policia, muito mais que seu aparato  de força”. Perfeito!

Enquanto não ocorrer uma mudança de mentalidade de métodos da policia, e investimentos sociais dignos de nota para o povão nada vai mudar e a violência urbana vai continuar produzindo suas vítimas, como o menino Marcos Vinícius da Silva, 14 anos, baleado na barriga por uma bala perdida, durante uma operação policial na Favela da Maré, Zona Norte da cidade, realizada no mês passado, e a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Pedro Gomes, executados em 14 de março último.

A polícia ainda não conseguiu prender os assassinos.

 

Sonhos

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 27 de Junho de 2018

 

O SEGREDO DA AUTORIDADE NÃO É A FORÇA E SIM O PRESTÍGIO MORAL

(Alceu Amoroso Lima)

Sonhar não custa nada, diz o dito popular. Entre outras coisas, sonho com um Rio de Janeiro sem balas perdidas, onde as pessoas possam andar sem medo, com as favelas não sendo mais reféns do tráfico e das milícias, onde as crianças possam andar à vontade, brincar e ir à escola sem medo de tioteios e balas perdidas.

Eu tenho a mais absoluta das certezas que a maioria das pessoas tmbém sonha da mesma forma

Imprudência, imperícia e desrespeito

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 23 de Junho de 2018

Resultado de imagem para helicóptero em ação em favela carioca     Guerra urbana: helicóptero da PM em operação na favela da Rocinha, Zona Sul do Rio.

 

Há um efeito psicológico negativo - sensação de impotência e medo - quando um helicóptero da polícia fica sobrevoando e dando rasantes numa área de favela - recuso-me a usar o termo comunidade. Isso é coisa de tecnocrata. Uma mistura de hipocrisia com babaquice.

Na última quarta-feira, uma intempestiva e desastrada ação da polícia no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, acabou ocasionando a morte de mais um inocente: o estudante Marcos Vinicius, 14 anos, baleado quando ia para a escola, com  a camisa do colégio. No hospital, ainda conseguiu transmitir à mãe, a explicação para o tiro que o atingiu. Disse que partiu de um blindado da polícia - o caveirão. Marcos Vinícius chegou a ser operado, mas não resistiu.

 A operação policial deixou sete mortos e contou com a presença de helicópteros, de onde partiram diversos tiros, sem necessidade e, de acordo com relato de moradores. mais de 100 balas no chão foram contadas. Uma forma de intimidação, covardia inominável.

O fato descrito no parágrafo acima não é novidade. Durante o governo de Leonel Brizola - que governou o Rio de Janeiro de 1991 a 1994 - com o objetivo  de proteger os moradores e evitar mortes de inocentes, o governador proibiu operações policiais com o uso de helicópteros. Só poderiam ser utilizados  com a sua autorização. Medida oportuna, em defesa dos Direitos Humanos,  que poderia - e  deveria voltar a vigorar. Em função disso, foi acusado pelos seus opositores de proteger os bandidos, pois teria proibido a polícia de entrar nas favelas. Flagrante distorção dos fatos. O fake news da época. Brizola, político de esquerda e nacionalista - classe em extinção - faleceu em 2004, aos 82 anos.

  A despeito da crise econômica e política que o Estado enfrenta, a polícia carioca precisa modernizar os seus procedimentos operacionais.