“Todo cuidado é pouco”

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 14 de Janeiro de 2019

No último sábado, peguei um ônibus em Copacabana, em  direção ao centro da cidade. No Aterro do Flamengo, havia uma blitz da Polícia Militar, com uma viatura estacionada em diagonal na pista, e apenas três PMs. Não sei qual foi o objetivo da blitz. Mas isso é o que menos importa.

Fiquei surpreso ao constar que os policiais estavam realizando a blitz sem os mínimos procedimentos de segurança, sem sinalização com clones na pista, entre outras coisas. Em qualquer situação e lugar, isso é fundamental, principalmente no Rio de Janeiro, com seus altos índices de violência urbana e assassinatos de policiais pela bandidagem, praticamente toda a semana.

Ressalte-se que, não raro, vemos PMs distraídos usando o celular, como se tivessem tomando um chope à beira mar.

O fato em tela - que é grave, e a opinião pública repara - também faz parte dos treinamentos operacionais. É preciso rever e cobrar  determinados procedimentos. Para o bem de todos. Em serviço não dá para  relaxar. E, como diz o dito popular -  “Todo cuidado é pouco”. 

CLIMA DE APREENSÃO

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 7 de Janeiro de 2019

 

Durante um determinado período eleitoral no Rio de Janeiro, num debate televisivo, um repórter perguntou ao candidato Leonel Brizola (1922-2004) - político de estirpe, que deixou saudaddes - a respeito dos seus projetos. O repórter queria os projetos apresentados por escrito, ponto por ponto. Brizola apontou o dedo indicador em direção à cabeça e disse: “Estão aqui”. Estilo prático, objetivo, sem formalidades, sem firulas que, ao fim e ao cabo, nada resolvem.

Lembrei desse fato, quando li nos jornais o Plano de Diretrizes e Iniciativas Prioritárias do governador Wilson Witzel. Uma extensa lista com 203 metas. E com prazo para serem cumpridas - seis meses. Trabalho de tecnocrata experiente. Mas na prática é pouco funcional. Melhor: não funciona.

Para “aumentar em 20% o número de indiciamentos e elucidação de crimes no estado, em comparação ao mês anterior e ao mesmo período do ano anterior”, como reza o projeto, é preciso, entre outras coisas, melhorar  a infraestrutura operacional  da polícia e as condições  de trabalho dos policiais, que são ruins. E, além disso, como é do conhecimento da torcida do Flamengo, algumas investigações a respeito de certos crimes, são mais demoradas, exigem mais tempo. Não dá para fazer correndo, à moda boi.

Até o momento, o governador não apresentou nada de novo na questão da segurança pública. É verdade que já falou muita coisa em relação ao tema em tela, como por exemplo, enquadrar os chefes do tráfico como terroristas; atirar em traficantes armados de fuzis; criar uma prisão como Guantánamo. São questões que certamente agradam seus eleitores e bolsonaristas em geral. Como retórica de campanha funcionam, principalmente diante do clima de instabilidade política, econômica e social que vive o nosso país. Mas na prática, não. Servem apenas para criar um clima de apreensão. Portanto, governador, com todo o respeito, mude suas estratégias.

O time entrou em campo, e  a torcida  espera que ele tenha um bom desempenho. Para isso, é preciso que os jogadores sejam profissionais e não apelem para faltas violentas.. 

 

 

Obsessão

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2019

O projeto do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, de transformar traficantes em terroristas, e com isso permitir que a polícia possa matá-los se estiverem portanto fuzis é uma insanidade. Ele espera contar com o apoio do presidente Jair Bolsonaro para que seu projeto  seja aprovado. Levando-se em conta o histórico de violência e corrupção da nossa polícia, caso o projeto seja aprovado, certamente teremos mortes em profusão em todo o Estado.

A despeito de todo o seu caráter negativo, pois estabelece um combate à violência com mais violência, o projeto - uma obsessão do governador, diga-se de passagem - na verdade pode ser aprovado, pois o país vive um período de exceção desde o golpe que defenestrou a presidente Dilma Rousseff, e acabou colocando na cadeia o ex-presidente Lula.

É óbvio - mais às vezes o óbvio tem que ser falado - que existem outros caminhos, outras alternativas para combater os traficantes, e a bandidagem em geral. Embora sejam mais demorados e trabalhosos. Mas com certeza são mais eficientes, profissionais e éticos.

No seu discurso de posse, o governador invocou a bênção de Deus - que nunca foi tão citado durante um período eleitoral -  relembrou algumas promessas de campanha e afirmou: “ Não vamos decepcionar  o povo do Rio de Janeiro”.

Amém, governador!     

 

Difícil, mas não impossível

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 31 de Dezembro de 2018

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O ex-locutor e narrador esportivo Januário de Oliveira criou alguns bordões que ficaram famosos no mundo do futebol. Um deles foi o Taí o que você queria. E completava: bola rolando no Maracanã, o estádio antigo, naturalmente. Por que o temos hoje é outra coisa.

Numa analogia com o futebol, Taí o que você queria, povo carioca. - bola rolando no governo do novo governador, Wilson Witzel.

Tudo no Rio é prioritário. Nada funciona a contento. Mas o problema maior, como sempre foi  a décadas - é a violência urbana. Caso a situação não melhore ao longo da sua administração, sua carreira política ficará marcada, dificultando, entre outrtas coisas, sua reeleição.

O assassinato da vereadora Marille Franco, e o número de policiais miliatares mortos no Estado são casos que necessitam de uma solução. Caso isso ocorra, seria um belo começo de governo. Tudo bem que este ano tivemos menos PMs mortos do que o ano passado. Mas o  índice ainda é alto. De acordo com um levantamento feito pelo jornal O Globo, 92 agentes foram assassinados este ano, 43% a menos que em 2017, quando ocorreram 163 homicídios de policiais.

Uma medida fundamental no universo da violência urbana é a ampliação e o fortalecimento das corregedorias das polícias. O combate à corrupção abrangendo todo o universo  da segurança pública é imprescindível. Sem isso, nada progride.

Todo carioca, eleitor ou não do novo governador, deve torcer para o sucesso do seu governo.

O Rio de Janeiro merece dias melhores

Chega de crise. Chega de sofrimento.

É difícil, mas não impossível   

 

FUNDO DO POÇO

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018

 

 

Não sei se o leitor teve a oportunidade de ler a coluna de Fernanda Young, no último dia 17, no jornal O Globo, com o titulo - Precisamos falar do Rio. No seu texto objetivo  e oportuno, a autora questiona o que está acontecendo com  a cidade, com quatro governadores presos e nomes bizarros que surgiram no Rio.

Quem vota em alguém chamado Garotinho? Rosinha? Pezão?” Sinais dos tempos! Mas o Rio, felizmente já teve governadores de estirpe, como por exemplo, Leonel Brizola. Foi no seu governo que foram criados os Centros Integrados de Educação Pública, popularmente chamados de Brizolões - escolarização em tempo integral, voltadas para crianças das classes populares. Projeto do antropólogo Darcy Ribeiro que, se tivesse sido mantido na sua essência, tenho a mais absoluta das certezas que o Rio estaria vivendo uma outra realidade. Mas o preconceito da nossa elite retógrada e mesquinha não permitiu.

Fernanda abre o quinto parágrafo , com a pergunta; “Serão os cariocas mais fáceis de enganar? Não, pelo contrário, cariocas são famosos por serem espertos”.Espertos? Será? Particularmente sempre achei que o carioca valoriza sua cidade em excesso e minimiza problemas graves.

Esta postura triunfalista prejudica uma análise imparcial sobre as mazelas do Rio, com destaque para a violência urbana que, a cada ano que passa piora.

Em relação ao ex-governador Sérgio Cabral, compartilho da opinião de Fernanda. “Não dá para entender por que Cabral fez isso com a sua amada terra”. Ele tinha todas condições para realizar uma carreira política brilhante. Mas, infelizmente, optou por outros caminhos.

O Estado do Rio de Janeiro enfrenta uma crise sem precedentes em todas as dimensões. Como diz o dito popular, está no fundo do poço. E, para sair, será necessário, entre outras coisas, muito trabalho e humildade. Deixar de lado o interesse político  e privilegiar o interesse público

E, quanto a ir ao supermercado de sunga, como muitos cariocas fazem, Fernanda, deixa Deus
fora disso. É falta de educação do carioca.

“Carroça nas frente dos bois”

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 15 de Dezembro de 2018

 

Mesmo antes de assumir o poder oficialmente,o governador eleito do Estado do Rio de Janeiro, Wilson  Witzel tem sofrido críticas de vários segmentos, por causa  da sua  decisão de extinguir a Secretaria  Estadual de Segurança Pública - SSP. Difícil dizer como será a administração na área da segurança.

O novo governador tem se mobilizado, mais do que a conta manda, em conhecer e adquirir tecnologias voltadas para a área da segurança para o Estado, que podem contribuir no combate à criminalidade.

Como diz o dito popular, Witzel  está colocando a carroça na frente dos bois, pois existem, é óbvio, outras prioridades, como por exemplo, investimentos na infraestrutura para a polícia - civil e militar, que tem enfrentado condições adversas de trabalho:  viaturas velhas, delegacias onde falta tudo, PMs trabalhando nas folgas para compensar o minguado salário. Tudo isso demonstra, entre outras coisas, o nível de degradação do Estado.Não há motivação que resista. A autoestima da polícia está em frangalhos.

Pense nisso, governador! Os policiais agradecem.