Estreia singular

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018

Meu saudoso irmão costumava dizer que, se um filme em 10 minutos não despertasse sua atenção, não fazia mais questão de assisti-lo. Um hábito que pode ser aplicado também no caso da leitura de um livro que, se logo nas primeiras páginas o leitor não for motivado a continuar a leitura, melhor não lê-lo.

Por outro lado - sim tem sempre o outro lado - há livros que motivam logo no prólogo. É o caso, por exemplo, do livo  de estreia - e que estreia, diga-se de passagem -  de Louise Anderson - Percepção da Morte, editora Bertrand Brasil.

A trama não perde o ritmo, capítulo por capítulo. A personagem principal, advogada Erin Paterson, tem uma vida pessoal difícil, foi traída pelo namorado - encontrado na cama com a zeladora do prédio onde Erin mora - e  convive com um segredo que só é desvendado no final.  São 544 páginas de puro suspense. Um texto objetivo, enxuto, diálogos bem tramados, tudo se encaixa à perfeição, mantendo a  curiosidade do leitor sobre os próximos passos dos personagens e, principalmente, do cruel assassino de mulheres, que no final………..

A autora, que nasceu em  Glasgow, na Escócia, logo no seu primeiro livro, já pode - e deve - figurar no panteão dos escritores de romances policiais.

O livro já foi traduzido para o alemão, o sueco e o italiano. Daria um belo filme. Fica aí a sugestão.

Intervenção tem todos elementos para não dar certo, diz especialista

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

Publicado no site da revista Carta Capital 

Entrevista - Ignacio Cano

Por Nivaldo Souza e Tory Oliveira 

Pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Uerj analisa decisão do governo Temer sobre a crise de segurança no Rio

 

O presidente Michel Temer

Michel Temer e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, durante assinatura da intervenção

Com a decisão de decretar uma intervenção federal na Segurança Pública do estado do Rio de Janeiro, o governo de Michel Temer assume um “risco elevado” e avança sobre o espaço eleitoral de políticos como Jair Bolsonaro, cujo discurso linha-dura encontram eco na sociedade. Essa é avalialiação de Ignacio Cano, sociólogo e pesquisador do Laboratório de Análise da Violência (LAV) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Por outro lado, pondera, a chance de uma solução militarizada resolver a situação da Segurança Pública no Rio de Janeiro é remotíssima. 

“O governo federal, se realmente quisesse ajudar, podia contribuir financeiramente com o aparato de segurança do Rio. Podia mandar uma força tarefa, a Força Nacional. Como isso não foi feito, a intervenção militar vai sofrer resistência de setores importantes das polícia militar e civil do Rio, que não concordam com uma intervenção federal e muito menos com uma intervenção militar”, afirmou em entrevista a CartaCapital.

Confira: 

CartaCapital: No discurso feito hoje para anunciar a intervenção federal no Rio, o presidente Michel Temer anunciou “respostas duras e firmes” contra “o crime organizado e as quadrilhas”. Falou também que “a desordem é a pior das guerras” . O que podemos depreender dessas declarações?

Ignacio Cano: Eu fiquei surpreso com a força que eles estão fazendo. Eles não estão dizendo mais que estão mandando o Exército para tentar “aliviar”, o discurso do presidente é um discurso de 'antes e depois'. Ele está prometendo derrotar o crime organizado e retomar o controle das cadeias - tem todos os elementos para não dar certo.

Eu acho também que, num ano eleitoral como o atual, essa medida ocupa um espaço eleitoral do Jair Bolsonaro, dos candidatos que estão defendendo exatamente isso: vamos agora acabar, dizer basta, chega.

Eles estão invadindo o espaço político do Bolsonaro na questão da Segurança Pública. Então, fazendo isso agora, se o Bolsonaro falar que vai fazer uma intervenção federal e mandar o Exército, não será nenhuma novidade. Por outro lado, a chance de isso dar certo é remotíssima. Portanto, ele vai assumir um risco muito elevado. É uma medida um tanto desesperada o presidente sair em rede nacional dizendo que vai derrotar o crime organizado, controlar as cadeias e as praças.

CC:  As declarações não indicam um fortalecimento da lógica de guerra?

IC: Claramente. Colocar um militar no comando da Segurança Pública do Rio, não há sinal mais claro de militarização do que este. Claramente ele está militarizando a segurança pública e está apostando em medidas drásticas, linha dura, por uma lógica política. Faz sentido, neste momento, em que o Bolsonaro é o segundo nas pesquisas e que o discurso linha dura encontra certo eco na sociedade, infelizmente.  

 

CC: Temer falou também a respeito da possibilidade de “derrotar o crime organizado e as quadrilhas”. É possível fazer isso até dezembro, prazo máximo da intervenção? 

IC: É impossível. Apostar na militarização da segurança, como a militarização da luta contra as drogas, é apostar numa solução que não existe e que jamais poderá funcionar.

CC: Temer afirmou também que “nossos presídios não serão mais escritórios de bandidos”, mas não anunciou nenhuma medida a respeito desse tema. Como o senhor avalia essa declaração?

IC: Acho que foi uma intervenção extremamente ambiciosa, que marcou um antes e um depois, de que vai transformar radicalmente a segurança a partir da intervenção. Então, a partir de agora, qualquer fracasso vai cair na conta dele. Me parece uma medida desesperada. Porque aumenta o risco político, portanto, do que vier a acontecer agora no Rio.

CC: Qual a diferença da intervenção para a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) implantada em outros momentos, como nas Olimpíadas de 2016?

IC: A diferença central é que está sendo cogitado o governo federal tomar conta do setor de segurança, assume toda a responsabilidade e coloca na mão dos militares. Isso perpetua o mito de que a militarização é a solução dos problemas de segurança no Brasil, que é um mito muito difundido e o governo federal certamente se encarregou de fortalecer. Não podemos esquecer que estamos num ano eleitoral e temos governos do MDB sem legitimidade em Brasília e no Rio. As suspeitas das motivações dos governos para essa ação são as piores possíveis. É quase que o MDB intervindo sobre si próprio.

CC: A intervenção é necessária?

IC: O mecanismo da intervenção foi pensado historicamente para interromper a ação de um governo estadual que esteja desrespeitando as leis e crise extrema. Essa parece ser uma intervenção pedida pelo governo estadual ao federal, o que foge do molde do que é uma intervenção federal. É uma intervenção do MDB em si próprio com objetivos escusos, que não resolve os problema de segurança do Rio no tempo que sobra para a eleição.

CC: A intervenção federal pegou especialistas de surpresa?

IC: Era esperada há um tempo. Já havia sinais claros. A ideia de lançar um general na Segurança já foi ensaiada poucos meses atrás. A decisão de transferir o julgamento de homicídios cometidos por militares durante ações de segurança para Justiça Militar já era um sinal claro também de um plano de expandir a presença do Exército na área de segurança no país.

CC: A mudança na legislação é um salvo-conduto para as operações militares?

IC: Não é um salvo-conduto, mas dá um sinal simbólico de que podem agir sem problema [penal] como aconteceu em São Gonçalo [sete pessoas foram mortos em um baile funk no Complexo do Salgueiro, em 2017]. Houve uma operação conjunta da polícia do Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) e do Exército em que mataram várias pessoas. Os moradores disseram que quem matou saiu do mato e estava de preto. A polícia disse que não fez isso, que foi o Exército. O Exército disse que foi a polícia. O Ministério Público está investigando até hoje quem foi. Certamente, tanto do ponto de vista prático quanto simbólico [a nova legislação] manda um sinal de impunidade.

CC: O que poderia ter sido feito além da intervenção?

IC: O governo federal, se realmente quisesse ajudar, podia contribuir financeiramente com o aparato de segurança do Rio. Podia mandar uma força tarefa, a Força Nacional. Como isso não foi feito, a intervenção militar vai sofrer resistência de setores importantes das polícia militar e civil do Rio, que não concordam com uma intervenção federal e muito menos com uma intervenção militar.

 

CC: Como pode ser essa reação da Polícia?

IC: Acho que as polícias vão resistir em ser colocadas em subordinação ao Exército. Já vi algumas manifestações no WhatsApp e não tenho dúvida que vá haver essa resistência. Publicamente não vão dizer isso com medo de ser acusados de insubordinação. Mas não vão cooperar ativamente com o Exército e as diretrizes que vierem de cima. Vão agir de má vontade, com certeza.

CC: Isso por que haverá um militar controlando a estrutura da Secretaria de Segurança?
IC: Ter um general da ativa controlando a estrutura é inédito. Isso vai ter impacto em curto, médio e longo prazo.

CC: Essa mudança é uma ‘inovação’?

IC: Surpreende que seja uma intervenção federal que esteja cogitando destituir as autoridades de segurança no estado, porque até agora ações dos militares eram em conjunto [com a PM do Rio]. Uma possibilidade [de ação] seria reproduzir um padrão histórico que já fizeram, que é colocar militar na rua. Isso é inócuo, porque não resolve nada por não ter [os militares] competência e por não saberem investigar. Mas gera uma sensação de visibilidade de segurança em alguns setores, com a presença ostensiva [de homens armados nas ruas].

Outra possibilidade é ir na linha do que o ministro da Defesa, Raul Jungmann vinha sinalizando há alguns meses, quando disse que ia golpear o crime organizado, que a sociedade tinha de preparar para as baixas de uma intervenção militar. Se tentarem uma intervenção agressiva, inclusive com suspensão de direitos, abre-se todas as opções e os riscos se multiplicam.

O governador Pezão jogou a toalha

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018

Tenta-se, mais uma vez, resolver uma questão social pelo pior caminho. Completamente sem rumo na sua administração e pressionado diante dos indicadores da violência urbana, o governador Pezão decidiu pela intervenção federal no Estado.

Manda a verdade que se diga que, com exceção do governo de Leonel Brizola, que investiu no maior projeto de educação que o Estado do Rio de Janeiro já teve - os Cieps - e tinha respeito pelo povo, os moradores das favelas e periferias nunca tiveram de nenhum governo estadual, uma atenção digna de nota. A falta de infraestrutura desses locais, o desemprego e o sofrimento diário dessas pessoas em várias dimensões, pois não possuem uma cidadania plena, é uma prova disso.

Já tive oportunidade de comentar aqui neste blog que o preconceito de classes,  o racismo, os interesses políticos e econômicos e a manipulação da informação, ao longo do tempo foi criando um terreno propício para a situação que o Rio enfrenta.

Como diz a Bíblia Sagrada, você só colhe o que você planta É claro que não podemos esquecer a grave crise econômica que o estado está enfrentando - além do golpe que afastou a presidente Dima Rousseff -, fatos que potencializaram a violência urbana, fruto de um governo antiético - para dizer o mínimo - que desprezou completamente o interesse público e as questões sociais . À época havia dinheiro para investimentos, em função da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

Aprofunda-se a crise em todas  as suas dimensões. A intervenção federal é mais uma mancha no  currículo de um Estado que já foi referência no país.

2018 promete! Deus nos proteja!

Escravidão contemporânea

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2018

 

A despeito de todos os problemas que o povo carioca enfrenta, o carnaval do Rio é o melhor do Brasil., Sempre teve repercussão internacional. Espera-se que continue assim, apesar do prefeito Marcelo Crivella, que mais uma vez viajou para o exterior., justamente no período da maior festa da cidade.

Não vi nada melhor, criativo e emocionante, do que o desfile da escola Paraíso do Tuiuti, que em um dos seus carros alegóricos trouxe um vampiro com a faixa presidencial.

A escola teve como enredo Meu Deus, está extinta a escravisão? - uma homenagem aos 130 anos da Lei Áurea. Críticas ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, com fantasia do pato da Fiesp e também, claro, sobre a reforma trabalhista, que  ressuscitou a escravidão. Hoje o Brasil convive com  a escravidão contemporânea.

Na minha modesta opinião - não sou um estudioso do carnaval; apenas um admirador desta linda festa popular- a Tuiuti merece o título de campeã.

Em tempo; A violência, infelizmente, não dá trégua em nenhum momento. No domingo à noite houve arrastões, roubos e tumultos em Ipanema, Zona Sul do Rio. E no Leblon - também na  Zona Sul, um tiroteio feriu dos PMs.

Ecos da crise

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 10 de Fevereiro de 2018

Administradores como Pezão e Crivella contribuem para a crise que o Rio de Janeiro está enfrentando, tanto na área econômica e também na segurança pública.

Pezão é um governador perdido administrativamente, sem credibilidade. E o prefeito Crivella  administra a cidade dando prioridade aos dogmas da sua igreja fundamentalista. Ainda não fez nada de positivo para o povo carioca e não respeita a liturgia do cargo.

Mais uma vez, não irá para a Avenida Marques de Sapucaí, no desfiles das escolas do grupo A.

Lamentável!

 

Bebê que nasceu após mãe ter sido baleada recebe alta

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2018

O bebê Antônio teve alta médica - após 23 dias internado -  e foi para casa,  segunda-feira, dia 5)., Ele  nasceu em uma cesariana de emergência após a mãe, Michelle Ramos da Silva Nascimento, 33 anos, grávida de oito meses,ser baleada durante uma tentativa assalto em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, no último dia 13 de janeiro, quando Michele e o seu marido,Wallace Araújo foram abordados por bandidos. O carro que seguia à frente do veículo do casal parou de repente. O motorista anunciou o assalto e atirou. Seu comparsa, saiu do carro e gritou - “Você matou ela”. A dupla entrou no carro e fugiu. Quando o bebê nasceu o seu estado de saúde foi considerado gravíssimo pela equipe médica. Mas, a dspeito disso, não terá sequelas

Severino Araújo -,  o avô de  Antônio - disse que ele não teve nenhuma sequela após o período internado. E que o fatoo de o neto e a nora terem sobrevivido significa um milagre. “Graças a Deus meu neto está bem. A única questão é que por ele ser prematuro ainda está com a imunidade baixa. Mas, estar saudável depois de tudo que passou é motivo de muita felicidade”, frisou Severino