Por que o Brasil voltou ao Mapa da Fome?

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 28 de Setembro de 2020

 

Artigo originalmente publicado no jornal Valor Econômico, em 25 de setembro de 2020.

OBS - Nota do  editor  do blog -  O artigo em  tela revela uma questão de extrema gravidade, que é uma  vergonha para o nosso país. Pode é deve ser incluída no  campo dos Direitos Humanos.

Por José Graziano da Silva*

Em artigo, o ex-diretor-geral da FAO trata da crise brasileira e da fome no país. “O governo Bolsonaro segue com o desmonte do que ainda restou da política de segurança alimentar implantada no Brasil a partir do primeiro governo Lula”, aponta

Os resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) recentemente divulgada pelo IBGE, realizada entre junho de 2017 a julho de 2018, apontaram que a fome (insegurança alimentar grave) atingiu mais de 10 milhões de brasileiros nesse período, representando uma fatia de 4,6% da população de nosso país. A pesquisa também mostrou que a insegurança alimentar grave é ainda maior em domicílios chefiados por negros, mulheres e na região Nordeste. No meio rural, a fome ultrapassa a 7%.

O anúncio ocorreu cinco anos depois de a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) declarar que o Brasil não fazia mais parte do Mapa da Fome Mundial. Segundo o IBGE, a insegurança alimentar grave no Brasil havia caído de 6,9% da população em 2004, para 5% em 2009 e para 3,2% em 2013.

Muita gente confunde as coisas e correlaciona nossa alta produção de alimentos com a ausência da fome no país

Se fizermos uma simples projeção linear, ou seja, se admitirmos que essa tendência de crescimento verificada a partir de 2013 se manteve, os números em julho de 2020 alcançariam algo como 6,6% da população brasileira de 213 milhões de habitantes, ou seja, cerca de 15 milhões de brasileiros estariam passando fome, hoje!

Na verdade, esses números tendem a ser ainda mais alarmantes, já que não consideram o impacto da crise econômica agravada pela pandemia da covid-19. O aumento do desemprego atingiu 13,7 milhões de pessoas procurando trabalho no final de agosto – alcançando o recorde de 14,3% da forca de trabalho; isso sem considerar os milhões de ocupados informais que vivem com salários miseráveis além de todos aqueles que estavam em “desalento com a pandemia e estão voltando a procurar trabalho”.

Some-se a isso as restrições à distribuição da merenda escolar, pois as escolas permanecem fechadas; e ao desmonte das políticas de segurança alimentar como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) – quase sem recursos orçamentários – e os estoques reguladores da Conab praticamente zerados. Tudo isso mais o aumento generalizado de preços dos produtos da cesta básica, entre eles a dobradinha arroz-feijão, base do sistema alimentar dos brasileiros durante a pandemia.

Mas a covid-19 não pode ser considerada o principal vilão dessa história, até porque o crescimento da fome registrado pelo IBGE ocorreu antes da pandemia. Os avanços na erradicação da fome se deveram, no passado, à implantação de uma política de segurança alimentar e nutricional a partir de 2003 no primeiro governo Lula, com a aplicação de políticas públicas de transferência de renda, com os aumentos reais do salário mínimo, com a geração de empregos de qualidade e com a implementação da estratégia Fome Zero, como o fortalecimento dos programas já citados anteriormente que hoje estão à míngua.

Mas a covid-19 não pode ser considerada o principal vilão dessa história, até porque o crescimento da fome registrado pelo IBGE ocorreu antes da pandemia

O que de fato aconteceu? Infelizmente, o combate à fome deixou de ser prioridade de governo depois de 2016. Como o Brasil é um grande produtor e exportador mundial de alimentos, muita gente – incluindo o atual presidente da República – confunde as coisas e correlaciona a nossa alta produção de alimentos com a ausência da fome no nosso país. Açúcar, café, suco de laranja, carne bovina e de frango, milho e soja são apenas alguns dos produtos onde o Brasil é o maior (ou o segundo) produtor e exportador mundial hoje em dia. Ocorre que, a fome no Brasil, como na maior parte do mundo, não é oriunda da falta de alimentos produzidos, mas de alimentos consumidos dada impossibilidade dos mais pobres de ter acesso a eles.

Em poucas palavras, não faltam alimentos, mas falta dinheiro para comprá-los! Os dados da FAO mostram que produzimos mais do que o suficiente para alimentar a todos com uma dieta mínima e ainda se joga fora cerca de um terço do que produzimos, acentuando de forma desnecessária o impacto da agricultura no meio ambiente.

Esse não é o único paradoxo do caso brasileiro de existir fome num país com abundância de produção de alimentos. Além disso, temos também 20% da nossa população adulta obesa e outros tantos com sobrepeso. É o outro lado da mesma moeda: comemos pouco e muito mal. Fome e obesidade são dois extremos de um contínuo de má nutrição, que afeta os brasileiros por falta de uma política ativa de educação alimentar.

O governo Bolsonaro segue com o desmonte do que ainda restou da política de segurança alimentar implantada no Brasil a partir do primeiro governo Lula

Com a pandemia, vimos multiplicar os programas de rádio e de TV procurando ensinar as pessoas a fazerem comida em casa. Essa situação emergencial deveria ser uma prática permanente, como parte das ementas escolares já a partir do ensino fundamental. Somos um país de obesos e de pessoas acima do peso porque comemos muito açúcar, sal, gorduras saturadas contidos em alimentos ultraprocessados de baixo valor nutricional e muitas farinhas de todos os tipos de alto teor calórico, mas baixo conteúdo proteico.

Mas porque o governo Bolsonaro segue com o desmonte do que ainda restou da política de segurança alimentar implantada no Brasil a partir do primeiro governo Lula, ainda mais agora quando uma boa alimentação é arma fundamental para prevenir a covid-19? Já está mais do que provado que a obesidade, junto com a idade mais avançada, estão entre as mais graves comorbidades associadas à doença.

Orientar as pessoas a comerem bem, de forma saudável e nutricionalmente balanceada, é dever de Estado. Esse direito humano à alimentação saudável está inscrito na nossa Constituição, e deveria ser zelado por todos os governos, independentemente de afiliação político-partidária. Não encontro outra resposta: existe uma crença cega e dogmática na atual administração federal de que a alimentação é um problema de cada um de nós e que o governo não tem nada a ver com isso. Pior: de que não deve atrapalhar o bom funcionamento da lei da oferta e procura no melhor estilo ultra-neoliberal, onde os mercados são soberanos e devem comandar a economia e a política.

Jose Graziano da Silva foi diretor-geral da FAO e é consultor do Instituto Comida do Amanhã.

Artigo originalmente publicado no jornal Valor Econômico, em 25 de setembro de 2020.

 

 

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Redes sociais: o dilema entre a humanidade e a tecnologia

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020

Artigo publicado no portal de notícias Vermelho

Estamos presos à conectividade, às redes sociais e aos efeitos que elas produzem e esse é um caminho sem volta.

Por Carolina Maria Ruy *

 

Uma pessoa dentro de um tubo de ensaio. É esta a sensação que o filme O dilema das redes, de Jeff Orlowski, transmite. Não é só uma sensação, eles dizem. É real. E dizem mais. Já se tornou lugar comum a ideia de que, se não pagamos para usar, nós somos o produto. Mas, mesmo que possamos tentar não ser o produto, de nada adianta se a grande massa de usuários continua a ter seus dados vendidos e manipulados, contribuindo, desta forma, para a disseminação generalizada de discursos de ódio e de notícias falsas.

“As redes sociais são um cérebro e seus usuários, os neurônios”, pode parecer uma analogia assustadora, mas é com ela que ex-funcionários do Facebook, Google, Twitter, Instagram definem, no filme, o modus operandi das redes sociais em escala global. É interessante, mas o que me veem à mente é uma metáfora mais vulgar onde os usuários são átomos de uma peça em um tabuleiro de War.

O impacto nocivo das redes sociais na política e nos rumos da sociedade já foi bem documentado no filme Privacidade Hackeada (Karim Amer, Jehane Noujaim, 2019), que releva o uso ilegal de dados do Facebook de pelo menos 87 milhões de pessoas em campanhas para o referendo do Brexit, no Reino Unido, na eleição do presidente Trump, nos Estados Unidos, e na eleição de Jair Bolsonaro, no Brasil.

O tema também é abordado no livro A máquina do ódio (2020), no qual a autora, Patrícia Campos Mello, demonstra como, influenciados pelas redes sociais, eleitores tendem a valorizar políticos extremistas ao invés de moderados. Isso porque: “Só políticos com ideias polarizadoras têm usado as mídias sociais de forma eficiente para manipular eleições”.

O que O dilema das redes mostra, porém, não é um esquema ilegal, mas o funcionamento normal e legal das empresas. Um sistema que parecia se limitar a ficções como as de Aldous Huxley e de George Orwell, com suas obras visionárias, O Admirável Mundo Novo (de 1932) e 1984 (de 1949).

Mais de trinta anos depois do ano de 1984, quando se daria a distopia imaginada por Orwell, o admirável mundo das redes sociais permite acesso fácil e barato à informação, entretenimento, comunicação e até à criação de conteúdo, mas castiga o mesmo globo que conecta, abrindo caminho para políticos e movimentos histriônicos e irresponsáveis em um ambiente de polarização que faria a Guerra Fria corar.

A interessante do filme O dilema das redes está justamente nos relatos duros de pessoas que estavam dentro da engrenagem. Além disso ele conta com o apelo de uma realidade trágica: Brexit, Trump, Bolsonaro e toda a ofensiva obscurantista desafiando a lógica em plena era da tecnologia da informação. Uma realidade que se ergueu justamente sobre as bases expostas no documentário.

Me pergunto como chegamos a este ponto se alarmes sobre os perigos do uso massivo e descontrolado da internet e das redes sociais soam há tanto tempo. Tecnologia que, apropriado ressaltar aqui, foi criada para uso militar e amplamente utilizada na reestruturação do setor financeiro.

Autores que buscaram compreender os fundamentos da sociedade moderna, como Theodor Adorno, Max Horkheimer e Michel Foucault, já problematizavam questões como a reprodução em série, a massificação cultural, a perda da identidade, a vigilância e o controle social. Eles trazem em suas teorias pistas de como o mundo poderia chegar à situação que o filme nos apresenta.

Mas não são apenas estas teorias abstratas as referências. Desde a segunda década deste século o jornalista e ativista Julian Assange tem demonstrado claramente o sistema de controle político e social perpetrado pelas empresas que dominam a internet. Ele disse, por exemplo, no prefácio à edição brasileira do seu livro “Quando o Google encontrou o Wikleaks”, de 2014, que “O Google exemplifica os terríveis perigos da internet corporativa. Desde muito cedo, seus fundadores perceberam que o processamento de informações em grande escala os colocaria no centro de tudo”. E que: “Os brasileiros devem se conscientizar de que, quando usam os ‘serviços’ do Google, estão sendo aliciados para entrar em um relacionamento com uma mega corporação estrangeira global muito milhões de vezes mais poderosa do que eles e sujeita a poucos mecanismos de prestação de contas”.

Assange conta no livro como as redes sociais manipularam as mega manifestações que varreram o oriente em uma série de eventos que se tornaram conhecidos como “Primavera Árabe”.

Trazendo para a realidade brasileira, constatamos que o mesmo fenômeno inflou o nosso Junho de 2013, roubando, naquele momento, o protagonismo de entidades organizadas (e com propósitos). Daquela catarse social, na qual a opinião pública se confundia com likes e retuítes, nasceram as condições para se viabilizar a Lava Jato, a derrubada de uma presidente eleita democraticamente, o governo Temer, a retirada de direitos sociais, a prisão injustificada do ex-presidente Lula e a eleição de um deputado federal caricato e do baixo clero como presidente da República.

Na esteira destas contradições e injustiças sociais Julian Assange, que escancarou o verdadeiro dilema das redes sociais, é tratado pelo establishment como um marginal. Um dilema entre a democratização da informação e da comunicação, por um lado, e o controle político sobre os indivíduos através da apropriação de seus dados nas redes, por outro.

Não há resposta fácil. Estamos presos à conectividade, às redes sociais e aos efeitos que elas produzem e esse é um caminho sem volta. A velocidade da informação e da comunicação já reorganizou o mundo e a tendência é ela se aprofundar. Renunciar também seria uma forma de alienação e de pouco adiantaria. A questão é: seremos um neurônio em um grande cérebro virtual, um átomo em uma peça de War? Nos deixaremos dominar ou dominaremos essas sedutoras ferramentas? Eis o dilema existencial que aflige a humanidade desde que o homem começou a transformar a natureza.

 

  * Carolina Maria Ruy

Jornalista e coordenadora do Centro de Memória Sindical

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Após decisão da Justiça, Flordelis não se apresenta para colocar tornozeleira eletrônica

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 22 de Setembro de 2020

Matéria publicada no site do jornal O DIA

Tribunal de Justiça do Rio determinou que a parlamentar seja monitorada e que cumpra recolhimento domiciliar noturno, das 23h às 6h

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) ainda não se apresentou para colocar a tornozeleira eletrônica, como determinado pela Justiça. Na última sexta-feira, o Tribunal de Justiça (TJRJ) determinou que a parlamentar seja monitorada por tornozeleira eletrônica e que cumpra recolhimento domiciliar noturno, das 23h às 6h. As medidas cautelares foram solicitadas pelo Ministério Público (MPRJ) e decididas pela juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, titular da 3ª Vara Criminal de Niterói. Segundo um assessor do gabinete da deputada Flordelis, a parlamentar está em Brasília e se apresentaria quando retornasse ao Rio.

 A deputada federal e sete dos seus filhos são reús no processo sobre a morte do marido da parlamentar, o pastor Anderson do Carmo. No final de agosto, ela foi indiciada como mandante do assassinato, que aconteceu na garagem da casa da família, em Niterói, na Região Metropolitana, em junho de 2019, mas não pode ser presa em razão de sua imunidade parlamentar.

A decisão pelo monitoramento eletrônico aconteceu, segundo a decisão judicial, devido à dificuldade de localização da parlamentar, tanto para a citação no processo, quanto para sua notificação pela Câmara dos Deputados, além da intimidação à uma testemunha após terem jogado um explosivo no quintal dela.

“Foram trazidas aos autos notícias de fatos novos e graves pelo presentante do Parquet, mormente o atentado com artefato explosivo ocorrido na residência da testemunha”, afirma o documento.

Na ocasião, a testemunha afirmou acreditar que “a bomba foi jogada em seu quintal para intimidar a depoente” e também para “passar um recado para Lucas, para que ele calasse a boca e não mais relatasse a verdade”.

Filho afetivo de Flordelis, Lucas Cezar dos Santos de Souza está preso desde junho do ano passado, suspeito de ter participação na morte do pastor Anderson.

A juíza oficiou à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) solicitando urgência na instalação do aparelho de monitoração. Em nota, a Seap confirmou o recebimento da notificação da decisão judicial na sexta-feira.

Testemunha se sente insegura

Testemunha do processo, a empresária Regiane Rabello, cuja casa foi alvo de uma bomba na madrugada de 4 de setembro, é dona da oficina onde trabalhava Lucas dos Santos de Souza, filho de Flordelis que está preso acusado de comprar a arma usada para matar o marido da deputada. Segundo a empresária, quando ainda trabalhava para ela - antes do crime, portanto - Souza recebeu uma mensagem pelo Whatsapp com o plano para matar Anderson do Carmo.

Ele teria mostrado o plano à patroa. Por apresentar esse relato à polícia, Regiane teria sido jurada de morte por Adriano dos Santos Rodrigues, outro filho de Flordelis, também preso pelo crime. Em depoimento ao MP-RJ, Regiane afirmou supor que a explosão da bomba foi uma tentativa de intimidá-la e disse temer tanto Rodrigues como a própria Flordelis, que segue solta.

    
   

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Mas, afinal, o que é Inclusão Social?

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 18 de Setembro de 2020

Publicado no site Contém Amor ( contem amor.com.br)

Leonardo Borges

A Inclusão Social é o ato de dar a todas as pessoas, independentemente de suas diferenças, os mesmos direitos e oportunidades. Integrar à sociedade grupos sociais historicamente à margem do processo de socialização, não tendo o devido acesso a direitos sociais mais básicos como educação, emprego digno, moradia, saúde e alimentação adequada.

Assim, a inclusão social é uma tentativa de corrigir a exclusão de alguns grupos como negros, indígenas, pessoas com deficiência, homossexuais, travestis e transgêneros, bem como aqueles em situação de vulnerabilidade socioeconômica, como pessoas em situação de rua e pessoas de baixa renda.

Ao falarmos sobre inclusão social, estamos também falando da Declaração Universal de Direitos Humanos que passou a estabelecer pela primeira vez, em 1948, a proteção universal dos direitos humanos, e conceitos como liberdade e a igualdade entre as pessoas passou a ganhar espaço no debate.Também estamos falando da nossa Constituição Federal de 1988, que assimilou a importância pela busca do direito à igualdade e, consequentemente, da inclusão social dos grupos sociais mais à margem, ao ordenar que nenhum cidadão pode ser submetido a qualquer forma de discriminação.

A inclusão social, nesse contexto, transformou-se em um objetivo e uma forma de luta. Assim, há atualmente inúmeros movimentos sociais – raciais, feministas, de grupos homossexuais, de religiões de matriz africana e outras, de portadores de necessidades especiais – que reivindicam do poder público e da sociedade de modo geral, políticas públicas efetivas que visam combater as diferenças históricas e sociais.

Nesse sentido, as políticas públicas amplas devem ser voltadas ao exercício da Inclusão Social, devendo superar as diversas formas de desigualdades sociais, culturais, educacionais e econômicas e, viabilizar a democratização de diversos espaços e serviços para aqueles que não possuem acesso a eles.

Abaixo, alguns exemplos de políticas públicas para inclusão social:

  • Cotas em universidades públicas e concursos públicos para negros e indígenas oriundos de escolas públicas e para estudantes de escolas públicas em geral;
  • Inclusão de pessoas com deficiência física ou de atrasos cognitivos em escolas regulares;
  • Programas de assistência social a pessoas de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade social, como pessoas em situação de rua;
  • Programas de profissionalização de jovens oriundos de famílias carentes;
  • Programas de assistência psicossocial e profissionalização de homossexuais, transexuais e travestis;
  • Acessibilidade para pessoas com deficiência, como cegos, surdos e cadeirantes, em espaços públicos ou espaços coletivos geridos pela iniciativa privada, além da acessibilidade em calçadas e passarelas do passeio público.

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Protejam o Padre Júlio Lancellotti

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 16 de Setembro de 2020

Fonte: site GGN

Desta vez, um candidato na cidade de São Paulo colocou a vida do padre em risco incitando seus seguidores contra ele. 

Novamente o mesmo problema sério: o Padre Júlio Lancellotti sofre ameaças. Desta vez, um candidato na cidade de São Paulo colocou a vida do padre em risco incitando seus seguidores contra ele.

Diante deste novo quadro de ameaças à vida do padre, foi criado um abaixo assinado para que o poder público tome providências para a apuração das ameaças contra ele bem como para proteção de sua vida. O apoio é feito através do site Change.

Padre Júlio Lancellotti tem um trabalho admirável junto aos despossuídos. Está na luta há décadas para proteção e recuperação de pessoas que perderam o rumo e a crença na vida. Por isso mesmo é vítima de propagadores de ódio, que veem no seu trabalho abnegado um alvo fácil para suas investidas contra a cidadania.

Leia o manifesto a seguir.

Nós, abaixo assinados, cidadãs e cidadãos brasileiras e de outras nacionalidades, engajados em movimentos sociais e populares, defensores do respeito à dignidade humana e, acima de tudo, do respeito à vida, ao mesmo tempo em que nos solidarizamos com o Padre Júlio Lancellotti pelas ameaças que vem sofrendo, exigimos das autoridades competentes as garantias necessárias à integridade física dele, daqueles que o auxiliam e dos que por ele são assistidos.

Exigimos ainda a completa apuração e consequente identificação não apenas dos autores das ameaças e insinuações maldosas que lhes são dirigidas, como também dos possíveis mandantes de tais fatos e dos reais motivos que se escondem atrás de tais ameaças.

Lembramos que uma sociedade democrática precisa respeitar acima de tudo as diferenças entre seus membros, não sendo possível admitir gestos que se caracterizam como de verdadeiros jagunços ou mesmo de milicianos, normalmente alimentados por posições fascistas e intolerantes.

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Novo Secretário de Polícia Civil do Rio diz que corporação focará em combate aos roubos de rua

Postado por Paulo Cezar Soares | Terça-feira, 15 de Setembro de 2020

 

Matéria publicada na versão online do jornal Extra

O novo secretário de Polícia Civil, o delegado Allan Turnowski, de 50 anos, não é estreante no comando da corporação. Antes da existência da secretaria, ele ocupou o mais alto cargo da instituição como chefe de Polícia Civil, entre 2009 e 2011. Turnowski foi escolhido pelo governador em exercício Cláudio Castro, que também fez mais três substituições de cargos em secretarias estaduais, na tarde desta segunda-feira. O novo secretário afirmou ao EXTRA que sua administração dará ênfase aos crimes que afetam mais o dia a dia da população, como roubos de celulares e em coletivos, mas que não deixará em segundo plano as grandes operações para prisão de quadrilhas de traficantes e milicianos.

Turnowski, há 24 anos na Polícia Civil, retornou à corporação, no ano passado, quando Wilson Witzel assumiu o governo do estado. Ele assumiu o cargo de diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital. O delegado havia saído da corporação em fevereiro de 2011, quando foi indiciado pela Polícia Federal, acusado de violação de sigilo funcional. Segundo o ex-chefe de Polícia Civil, o caso foi arquivado pelo Ministério Público do Rio. O fato ocorreu em novembro de 2010, durante a ocupação do Complexo do Alemão pelas polícias Civil e Militar, com o apoio dos blindados da Marinha.

O então chefe de Polícia Civil recebeu uma ligação do então secretário de Seguraça, o delegado da Polícia Federal José Mariano Beltrame, reclamando que uma das equipes da Polícia Civil, que participava da retomada do Alemão, não havia apresentado um preso à 22ª DP (Penha). Na época, a delegacia concentrava os registros relativos à operação. Beltrame teria sido avisado sobre o episódio pela PF, porque a instituição monitorava um dos agentes da Polícia Civil envolvidos na ocorrência.Tratava-se de um inspetor que, mais tarde, foi denunciado por integrar uma milícia em Ramos.

As investigações faziam parte da Operação Guilhotina da Polícia Federal, ação que visava prender policiais civis e militares com ligações com a milícia e contravenção. Quando Turnowski determinou que o inspetor levasse o preso à delegacia, ficou claro que havia um monitoramento do agente.

— A retomada do Alemão foi uma das operações que mais me trouxe orgulho por ter participado, mas, infelizmente, houve esse mal-entendido. Este indiciamento pelo suposto vazamento foi precipitado, tanto que houve o arquivamento do inquérito por parte dos promotores, sendo, posteriormente, ratificado pelos procuradores do Ministério Público estadual. Não há nada contra mim. Eu nem sabia da existência da Operação Guilhotina da Polícia Federal. Não fui sequer ouvido, quanto mais investigado neste caso — explica Turnowski.

O novo secretário de Polícia Civil diz que quer passar uma “borracha no mal-entendido”. Logo depois que o inquérito foi arquivado, ele passou oito ano fora da Polícia Civil, emprestado à Cedae. Ao retornar em 2019, percebeu que a maioria das reclamações de quem procurava os serviços da polícia era sobre roubos comuns.

— A minha prioridade será atacar mais os crimes de rua. São os roubos de celular e de carros, além dos assaltos em coletivos. A polícia, muitas vezes, se preocupa em fazer grandes operações em favelas, mas se esquece de combater os roubos comuns, por achar que são menos importantes, mas não são. É isso que traz a sensação de insegurança. Falta um equilíbrio entre as ações. É isso que quero empregar na minha administração — afirma o delegado.

Outra medida que será adotada será o combate às milícias:

 

— O direito de ir e vir das pessoas, seja em territórios dominados por milicianos e traficantes precisa ser garantido. Vamos estudar e adaptar as ações de inteligência da Polícia Civil, sempre com muita investigação — diz Turnowski. — Não deixaremos de seguir os rastro do dinheiro das quadrilhas. O Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil continuará a atuar com força total. Vamos aparelhá-lo mais ainda. As polícias do mundo todo buscam o combate à corrupção. Essa será também a nossa meta — conclui o ex-chefe de Polícia Civil.

Turnowski substituiu o delegado Flávio Brito, que estava desde junho no cargo. O novo secretário de Polícia Civil recebeu, em agosto do ano passado, a Medalha Tiradentes das mãos do deputado estaual Anderson Moraes (PSL).

 

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