Desrespeito aos Direitos Humanos

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 23 de Maio de 2019

Para não cair no esquecimento: a opinião pública quer saber - Quem mandou matar Marielle Franco? Espera-se que não demore mais um ano para a polícia revelar a identidade do mandante.

Outro caso cujo responsáveis ainda não foram punidos ocorreu no Morro do Fallet-Fogueteiro, área central  da cidade, em fevereiro último, durante um operção do Bope e do Batalhão de Choque. quando 13 homens foram mortos, 10deles executados, de acordo com testemunhas, dentro de uma casa, cuja moradora não tem e nem nunca teve nada a ver com o tráfico de drogas local.A polícia alega que houve confronto.

A casa ficou com diversas marcas de tiros não só nas paredes como nos móvies. Quem vai pagar o prejuízo? O Estado?

Desrespeito total aos mais elementares princípios dos Direitos Humanos. 

Semana trágica

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 18 de Maio de 2019

 

O Rio parece fadado aos infortúnios de toda ordem. Impressionante!

A violência urbana carioca tem sido implacável. Não dá tréguas. As balas perdidas continuam matando inocentes. Difícil passar uma semana sem que ocorra alguma morte desse tipo. No último dia 11, Kauã Vitor Rozário, 11 anos, foi atingido por bala perdida quando aindava de bicicleta na Vila Alainça, Bangu, Zona Oeste do Rio. Kauã teve morte cerebral.

Na madrugada do mesmo dia, no Complexo do Alemão - conjunto  de favelas na Zona da Leopoldina, Zona Norte - o jogador de futebol Wagner Alves da Silva Júnior, 23 anos, também foi atingido por uma bala durante uma operação da PM no local. Wagner corre o risco de ficar com as pernas paralisadas.

No último dia 14, o professor de jiu-jitsu Jean Rodrigues Aldrovane, 39 anos, foi morto após ser atingido com um tiro na cabeça, fato também ocorrido no Complexo do Alemão durante um tiroteio entre policiais e bandidos. Jean, conhecido e respeitado na comunidade, dava aula para as crianças com o objetivo de afastá-las da vida do crime, das drogas.

A mãe do lutador, Sandra Mara Aldrovane, 61 anos, fez duras críticas à política de segurança do governador Wilson Witzel. “ A gente quer  saber quem atirou. Quem mandou, a gente  já sabe: foi o governador”.

Witzel lamentou o caso e garantiu que a investigação será conduzida com todo o rigor. Será?

Que semana, hein? Que Deus nos proteja!

Duelo nas ruas

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 12 de Maio de 2019


Lucas 6.49 - Entretanto, aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica, é como um homem que construiu sua casa sobre a terra, sem alicerces. No momento em que as muitas águas chocaram-se contra ela, a casa caiu, e a sua destruição foi total.

As imagens e fotos da bancada da bala comemorando as novas regras para o uso de armas de fogo, junto ao presidente Bolsonaro, todos fazendo o gesto de uma arma com o dedo indicador e o polegar, revelam a ausência de valores éticos e humanitários do atual governo.

Um indicador, entre muitos, do total desinteresse pelo interesse público. Num país como o nosso, com gravíssimos problemas sociais, com 13 milhões de desempregados e altos índices de violência nas principais capitais, com destaque para São Paulo, onde surgiu e cresceu a facção criminosa PCC - Primeiro Comando da Capital - e o Rio de Janeiro, com as quadrilhas de traficantes e milicianos, o empenho do governo em armar cidadãos comuns que, além do porte poderão usar a arma na rua, é uma irresponsabilidade. Um retrocesso.

O  decreto do presidente desfigura a Lei do Estatuto do Desarmamento, de dezembro de 2003, e não trará nenhum benefício no comabte à violência urbana. O decreto só favorece, naturalmente, os fabricantes de armas e proprietários de stands de tiro. E a bandidagem terá mais facilidade em obter armamento, e a polícia maior dificuldade nas investigações de crkmes cometidos com armas de fogo.

Caso o decreto - batizado de decreto  da morte -  vire uma realidade, já que a sua constitucionalidade está sendo questionada, tudo leva a crer que teremos cenas nas ruas à moda dos filmes de faroeste. Quem sacar primeiro……Que não se perca pelo nome os membros da bancada da bala, além de outros parlamentares que apoiam o decreto.

E, a propósito: o combate à corrupção, bandeira que embalou a campanha do então candidato Bolsonaro - que ganhou sem participar dos debates - ficou pelo caminho?

O presidente, que costuma citar versículos bíblicos, quer combater a violência usando de mais violência.
       

O governador, o helicóptero e o hotel cinco estrelas

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 8 de Maio de 2019

 

Diante das críticas por ter acompanhado policiais da Core - Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais -  a bordo de um helicóptero durante uma operação policial em Angra dos Reis, o governador Wilson Witzel disse que foi fazer o reconhecimento de uma área tomada pelo tráfico de drogas e armas.Tudo indica então, que o governador irá usar muitas vezes a aeronave da polícia, porque o que não falta no Rio são áreas tomadas pelo tráfico - e também pelas milícias. Ao fim da operação, o governador permaneceu em Angra. Hospedou-se no Hotel Fasano.

Será que o governador acompanharia os policiais da Core se a operação fosse no Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio? No local há muita pobreza e sofrimento. Não existe hotel coinco estrelas.

Vaidoso e de estilo marketeiro, o governador segue acumulando polêmicas. E o Estado abandonado. 

O Rio de Janeiro tem jeito?

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 6 de Maio de 2019

 

 

Crise - O Rio é apenas o reflexo de toda a sociedade brasileira. A falta de limites característica dos histéricos que acham normais as chantagens emocionais para dominar e manipular as pessoas: dos psicóticos que, em virtude da doença, perdem o controle da  realidade, dos que driblam as leis dando jeitinhos, dos políticos em sua ambição desmedida. Toda essa perda de uma estrutura básica do indivíduo, que impede que ele exija o  cumprimento das normas, das regras e dos princípios como um direito dele, acaba  se expressando em edifícios que desabam, em barragens que transbordam, em pontes mal conservadas que ruem em desastres que poderiam ter sido evitados ( Mariúza Peralva - Niterói - RJ)

Mensagens com críticas semelhantes a respeito da crise do Estado do Rio de Janeiro, têm sido constantes na seção Carta dos Leitores dos jornais. Sentimentos de revolta e desalento. Até o carioca mais empedernido não tem como contestar a crise, que não é só econômica. É também ética.

Muitas vezes agimos como Pilatos: lavamos as mãos,  como se fosse possível a evasão sem pagarmos um preço. E o carioca, já há alguns anos, está pagando um preço - um alto preço - em função de um certo ar blasé diante dos problemas.

Pouco adiante ficar criticando os políticos, que são a extensão dos valores da sociedade brasileira. O povo também é responsável por tudo o que está acontecendo no Rio - e no país. É preciso, entre outras coisas, deixar o preconceito de classe de lado e uma postura pedante de se achar mais malandro do que os outros, uma característica marcante no brasileiro, e no carioca em particular. Seriedade é a questão. Votar em candidatos sérios, éticos, comprometidos com o povo trabalhador, e não em aventureiros, estilo salvadores da pátria que se aproveitam dos momentos de crise e da falta de informação do povão.

O Rio de Janeiro tem jeito? Certamente que sim. Mas o carioca vai ter que esperar um pouco, pois com o governador Wilson Witzel nada irá mudar, com exceção do número de mortos executados pela polícia. A pretexto de combater a bandidagem, desde a campanha o governador, não raro, enfatiza o trabalho dos snipers, para atirarem em bandidos portando fuzis. Atire primeiro; pergunte depois. Mesmo com esse discurso genocida, o povo carioca o colocou no poder. Diante de tudo isso, como esperar melhorias na cidade?

Como prega a Bíblia Sagrada, um abismo chama outro abismo.

O Desfile de Pen

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 26 de Abril de 2019

Artigo publicado no site Amaivos

 

Por Frei Betto

 

O Banco Mundial divulgou, a 4 de abril, relatório no qual destaca que a pobreza triplicou no Brasil entre 2014 e 2017. Hoje, atinge 21% da população, ou seja, 43,5 milhões de pessoas, o que equivale a toda a população do estado de São Paulo. São brasileiros e brasileiras que dispõem de renda diária de R$ 20,9, ou de apenas R$ 627 por mês!

Entre 2003 e 2014, a parcela da população brasileira vivendo com menos de R$ 20,9 por dia (na paridade do poder de compra de 2011) caiu de 41,7% para 17,9%. Essa tendência se reverteu em 2015, quando a pobreza aumentou para 19,4% da população.

Dados do Banco Mundial mostram que a contração da economia brasileira, em 2015 e 2016, freou uma década de redução continuada da pobreza. “As crescentes taxas de pobreza do Brasil têm sido acompanhadas por um salto na taxa de desemprego, que cresceu quase seis pontos percentuais do primeiro trimestre de 2015, e chegou a 13,7% da população no primeiro trimestre de 2017”, aponta o organismo financeiro. Em 2018, com o crescimento econômico de apenas 1,1%, as taxas de pobreza se mantiveram altas.

O Banco Mundial utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2018, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2017, e do Conselho Nacional de Justiça.

O banco ressalta ainda a importância dos programas sociais “como amortecedores do choque”. No entanto, o atual governo do Brasil caminha na direção contrária. Propõe uma reforma da Previdência que penaliza ainda mais os pobres, em especial os trabalhadores rurais e os que recebem Benefício de Prestação Continuada. E o Ministério da Economia quer que o reajuste anual do salário mínimo seja feito sem ganho real para os trabalhadores.

Hoje, o cálculo de reajuste do salário mínimo leva em conta o resultado do PIB dos dois anos anteriores, mais a inflação do ano anterior medida pelo INPC. Isso garante que o aumento do salário mínimo supere a inflação, reduza a desigualdade social e amplie o consumo das famílias.

Agora o governo propõe que o reajuste seja feito levando em conta apenas a inflação, o que representaria uma economia de R$ 7,6 bilhões para os cofres públicos.

Vale ressaltar que esta é uma conta de náufrago, aquele que, isolado na ilha na qual nada se vende, ocupa seus dias contando dinheiro. O que o governo pretende economizar equivale a recolher água em peneira. Pois reduzir o valor do salário mínimo é contribuir para o aumento de enfermidades, evasão escolar, moradores de rua e criminalidade, além de reduzir a venda de bens e serviços. Isso significa mais gastos do governo com saúde, assistência social, aparelho policial repressivo, prisões e sistema judiciário.

A América Latina e o Caribe tinham renda per capita de US$ 10,7 mil em 1980. Representava 45,3% da renda das economias avançadas naquele ano. Já em 2023 a renda per capita de nosso Continente deve chegar a US$ 15,9 mil, apenas 32,4% da renda das economias avançadas, o que significa aumento de apenas 1,5 vez, bem menor do que os 2,1 vezes dos países ricos.

As manifestações dos “coletes amarelos”, na França, têm o mérito de colocar na pauta do dia a pobreza e a desigualdade que se alastram também pelo chamado Primeiro Mundo. Enquanto a miséria se aprofunda, as Bolsas de Valores batem recordes. Como alertou Simone Weil, “ao fazer do dinheiro o móvel único ou quase de todos os atos, a medida única ou quase de todas as coisas, espalhou-se o veneno da desigualdade em toda parte”.

Em 1971, o economista holandês Jan Pen publicou um tratado sobre a distribuição de renda no Reino Unido, no qual descreveu um desfile de carnaval reunindo as pessoas mais pobres, na abertura, e as mais ricas, no final. Daí o termo “Desfile de Pen”. O Banco Mundial propôs o mesmo para o Brasil, colocando na Sapucaí “o desfile mais estranho da história”.

“Por muito tempo, o público só veria pessoas incrivelmente pequenas (apenas alguns centímetros de altura). Levaria mais de 45 minutos para os participantes alcançarem a mesma altura dos espectadores. Nos minutos finais, gigantes incríveis, mais altos do que montanhas, apareceriam”, descreve o relatório, produzido pelo economista-chefe do Banco Mundial para América Latina e Caribe.

O encerramento seria feito por um número insignificante de foliões, os milionários brasileiros com renda mensal acima de R$ 55 mil (1,2 milhão de pessoas em uma população de 208 milhões), porém com mais destaque do que a multidão que os precedeu (206,8 milhões de pessoas), pois seus corpos teriam 100 mil metros de altura!