A CULPA É DO PT

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 19 de Novembro de 2017

 

Na semana passada, uma amiga da Bahia me ligou e disse que não viria mais passar suas férias no Rio por causa da violência. Revelou que praticamente todos os dias toma conhecimento, via jornais e internet, e também no papo informal com conhecidos e colegas de trabalho, de algo violento ocorrido na Cidade Marivilhosa (?), onde o deputado estadual e secretário de cultura, André Lazaroni, tentou mostrar que é um homem culto durante um discurso na Alerj- Assembléia Legislativa do Estado do Rio  de Janeiro - e confundiu o persoanagem da “Escolinha do Professor Raimundo”, Bertoldo Brecha, com Bertolt Brecht ( 1898-1956 ), dramaturgo e poeta alemão. Com um secretário desse nível vai ser difícil o Rio superar a crise que está enfrentando. Depois dessa o secretário deveria ter sido exonerado. A educação agradeceria.

Na verdade minha amiga está apavorada. Pelo menos foi essa a impressão que eu tive. Talvez eu possa até estar exagerando. Não sei! Ouvi mais do que falei. Confirmei que, de fato, os índices de violência em todos os campos não param de crescer. E sugeri que, neste momento, ela fosse passar suas férias num local  mais tranquilo. Fora do Brasil, naturalmente. Mais uma vez teremos um final de ano atípico: as pessoas estão preocupadas, aflitas e inseguras com a situação do país.

A partir do momento que o presidente Temer assumiu o poder após o golpe contra a presidente Dilma Roussef, democraticamente eleita e que não cometeu nenhum crime, o país tem experimentado um retrocesso em todas as esferas. Temer, que não tem nenhum apreço pelo povo brasileiro e pelo Brasil, é capaz de tudo para assegurar o seu poder. Suas ações antiéticas e desumanas, para dizer o mínimo - como por exemplo, a Reforma Trabalhista, ressuscitando a escravidão - ampliou a crise econômica e, como consequência, o desemprego aumentou. São 14 milhões de desempregados.

O país vive um quadro de anomia social. Prato feito para a escalada da violência, que ocorre não só no Rio de Janeiro de maneira mais acentuada, mas em todo o país. No Rio, marginais saltam de um carro numa das ruas mais movimentdas do bairro do Méier -  Zona Norte da cidade - e fuzilam um coronel da PM em plena luz do dia.
Leitor:  tudo isso, a crise econômica, o desemprego, a violência e a corrupção dos nossos empresários e políticos, sabe de quem é a culpa? Sim, porque tem que ter  sempre um culpado. A culpa é do PT. Antes do PT assumir o poder  não havia nada disso. O país vivia um outro clima. E nossos empresários e políticos eram homens probos. 

Risível!     

 

Esperança Abraâmica

Postado por Paulo Cezar Soares | Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

Artigo publicado no site Amaivos

Frei Betto

Diz o livro do Gênesis que Abraão – patriarca do judaísmo, cristianismo e islamismo – “esperou contra toda esperança”. A atitude retrata o que vivemos hoje no Brasil. Onde colocar a nossa esperança?

Trocou-se um governo ruim por outro muito pior. As políticas sociais estão sendo esgarçadas. A reforma trabalhista anulou direitos conquistados nos últimos 80 anos e sucateou a força de trabalho do brasileiro. O país está à venda para o capital estrangeiro. Em pleno século XXI ainda debatemos o fim da escravidão!

Os três poderes da República estão desgastados. O Executivo é chefiado por uma quadrilha. No Legislativo predominam corruptos e oportunistas. O Judiciário carece de credibilidade, atrela-se ao partidarismo, abre mão de suas prerrogativas, como punir parlamentares, e se enreda em suas divergências internas.

Ah, teremos eleições ano que vem! Ora, engana-se quem deposita as suas esperanças em um avatar. Ou em um Iluminado que, do alto de seu cavalo branco, haverá de brandir a sua espada da moralidade, da ordem e do progresso, e recolocar o Brasil nos trilhos.

Há que ser realista: o perfil do Congresso a ser eleito em 2018 não será muito diferente do atual. A bancada do B (banco, bola, bala, boi e Bíblia) é muito poderosa. Embora esteja proibido o financiamento de campanha política por empresas, o poder econômico haverá de encontrar meios para financiar os conservadores que, hoje, dominam a política brasileira.

Se alguém lhe perguntar, estimado(a) leitor(a), em quem você votará para deputado federal e senador ano que vem, o que responderia? E para presidente da República?

Talvez você se inclua entre aqueles que já perderam até o último fio de esperança e, portanto, pretende anular o voto ou se abster nas eleições. Direito seu. Porém, é bom lembrar que em política não há neutralidade. Quem não gosta de política é governado por quem gosta. E ao dar as costas à política você passa cheque em branco aos atuais caciques políticos.

Nossa esperança não deve se centrar em nomes, e sim em programas. O que pretendem os candidatos a presidente? Qual o programa de governo? Vão impedir o desmatamento da Amazônia, combater o trabalho escravo e defender as reservas indígenas e quilombolas? Vão aprovar a reforma tributária com imposto progressivo, e punir rigorosamente os sonegadores? Haverão de priorizar os direitos dos pobres ou o privilégio dos ricos?

Coloco a minha esperança no grão de mostarda. Nos movimentos sociais. Nos que lutam por terra, moradia, saneamento e direitos sociais. Nos que combatem o feminicídio, a homofobia, o racismo e o fundamentalismo religioso. Nos que defendem a igualdade de gêneros e a diversidade de crenças religiosas.

Uma nação se muda de baixo para cima. São as raízes que sustentam a árvore. São os alicerces que mantêm a casa de pé. Nosso voto deve cair na urna como semente promissora de um futuro melhor para o Brasil. Futuro de menos desigualdade, mais justiça social, mais saúde e educação de qualidade para todos.

 

 

Favela do Salgueiro volta à baila

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

A favela do Salgueiro, localizada no município de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, retorna ao noticiário policial dos nossos jornais. Uma operação com policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais da Policia Civil - Core - e soldados do Exército, no último dia 11, acabou ocasionando uma chacina. Sete pessoas foram mortas.Policiais acusam os militares de terem atirado durante um confronto no local. Eles negam. Só uma investigação isenta poderá esclarecer o fato. Mas a Delegacia de Homicídos de Niterói (DHNSG) não pode investigar os militares das Forças Armadas, em função de uma lei -que contraria o regime democrático - sancionada pelo presidente Michel Temer no mês passado. Militares em missão de Garantia da Lei e da Ordem só podem ser investigados e julgados pela Justiça Militar. e acordo com o Exército, os miliatares que participaram da operação só serão apresentados à Justiça Militar. o mesmo ocorrendo com as armas apresentadas por eles.
A polêmica está formada: quem está com a razão?

O fato deixa claro, mais uma vez, que tropas das Forças Armadas não possuem o preparo necessário para incursões em favelas e combate à violência urbana. São úteis em outros tipos de operações.      

Uma breve reminiscência. Há alguns anos participei de um documentário sobre o bairro Jardim Catarina, no município de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Na companhia do cinegrafista e de um antigo morador, estive no local pelo menos umas cinco vezes, percorrendo diversos pontos e entrevistando moradores. Lembro que, numa dessas ocasiões, o morador, que gentilmente estava servindo como o nosso guia, disse: mais à frente é o Salgueiro, lugar muito perigoso. Vamos voltar. Infelizmente, o tempo passou e nada mudou. Ou melhor: mudou, sim: para pior

Nossos políticos nunca investiram socialmente na temida favela do Salgueiro, nem em nenhum bairro com características semelhantes em São Gonçalo, fato que, entre outras coisas, colabora - e muito -  com a violência urbana.

Em agosto do ano passado, o traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family, que chefiava o tráfico no Morro Santo Amaro, no bairro  do Catete, Zona Sul do  Rio, foi ferido durante uma operação policial e levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, Centro do Rio. Numa cena digna de filme de gângster, foi resgatado pelos seus comparsas. Fat Family foi levado para a favela do Salgueiro. Dias depois acabou sendo morto pela polícia.

São Gonçalo é um município que possui mais de um milhão de habitantes. Só perde para a capital. Mas, a despeito disso, só possui um batalhão da Polícia Militar - o 7º BPM - que possui uma imagem negativa perante a população. São comuns os envolvimentos de PMs do batalhão em  assassinatos, extorsões e crimes, sendo o de maior repercussão, o assassinato da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros, próximo à sua residência no bairro de Piratininga, Região Oceânica de Niterói, em agosto de 2011. Era considera linha dura e responsável pela prisão de aproximadamente 60 policiais envolvidos com milícias e grupos de extermínio. O plano para matá-la - uma represália em função das suas investigações contra PMs suspeitos de executarem bandidos e de simulações de autos de resistência - foi articulado pelo comandante do batalhão, coronel Cláudio Luiz de Oliveira, que está preso no presídio federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul

O combate à violência urbana possui muitas nuances. Mas não será com leis mais duras que o problema será resolvido ou minimizado. Isso funciona apenas como um paliativo. O que importa mesmo são investimentos sociais dignos de nota nas favelas e bairros periféricos. Pararelo a isso, melhorar da infraestrutura da nossa polícia em todas as dimensões. PMs não podem continuar sendo mortos pela bandidagem como está ocorrendo no Rio de Janeiro. E, claro, ampliar o combate em relação a desvios de conduta e corrupção.

 O moral da tropa está baixo. E isso precisa mudar. E rápido!

Competência e coragem

Postado por Paulo Cezar Soares | Sábado, 11 de Novembro de 2017


Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Roberto Sá: competência e coragem

Admiro a coragem do secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Roberto Sá. Tratando-se de Rio de Janeiro, há décadas seu cargo é o mais desgastante e estressante. Principalmente agora, que o estado vive uma crise econômica sem precedentes, fruto da corrupção, da arrogância e de um sentimento de impunidade que, como não poderia  deixar de ser, aprofundou os problemas na área de segurança. O povo carioca vive refém do crime. Situção que atinge a todos, independente de classe social.

Competente, sempre objetivo e sucinto em seus pronunciamentos, o secretário - ex-membro do Bope, Batalhão de Operações Especiais Policiais -  ressalta a importância das apreensões de armamentos, principalmente dos fuzis, e valoriza a capacidade operacional  da polícia carioca -  civil e militar - que, a despeito de uma infraestrutura deficiente para executar seu trabalho, tem mostrado eficiência no combate ao crime. Tem cumprido na marca com a sua missão, sem esmorecer.

Prova disso, para citar apenas um exemplo, foi a prisão, na última sexta-feira, do marginal Alberto Ribeiro Sant’anna, vulgo Cachorrão, braço-direito do chefe do  tráfico de drogas na favela da Rocinha, em São Conrrado, Zona Sul do Rio, Rogério Avelino dos Santos, o Rogério 157.

Para melhorar ainda mais o quadro descrito acima, a polícia precisa itensificar o combate à corupção nos seus quadros. fato que, entre outras coisas, desmoraliza a instituição perante a opinião pública.

Não conheço o secretário pessoalmente, não tenho nenhum interesse político, ou coisa que o valha, mas penso que a polícia tem enfrentando uma situação extremamente difícil, com muita dignidade.

Só a união de toda a sociedade, sem demagogia, preconceitos e interesses políticos, será possível virar a página, ou seja: que os cariocas possam ter uma vida normal, andar em qualquer local  da cidade, sem medo de bala perdida.

inconsequência ministerial

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017

 

A sanha acusatória do ministro da Justiça, Torquato Jardim, à semelhança da Operação Lava Jato, só serviu para criar um clima de indignação nas autoridades da área de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro

Um governo sério, ético, comprometido com o interesse público, teria tomado a decisão a decisão de exonerar o ministro da Justiça, Torquato Jardim, após suas declarações a respeito da segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Criticou os camandantes de batalhões, ao afirmar “que são sócios do crime organizado”,  “que o governador Pezão não controla a instituição”, e que o assassinato, na semana passada, do comandante do batalhão do Méier, Zona Norte do Rio, coronel Luis Gustavo Teixeira, ao que tudo indica, numa tentativa de assalto numa das ruas do bairro, na sua opinião, foi executado. Provas o ministro não apresentou nenhuma.

O ministro, com  todo o respeito, foi inconsequente. Para dizer o mínimo..  Suas acusações contribuiram de alguma forma para ajudar a diminuir os altos índices de violência do Rio? Claro que não. Na verdade, todos esperam do ministro, projetos eficientes que, entre outras coisas, evitem a entrada de fuzis e drogas no Rio. Ah, sim! O ministro frisou que suas críticas  são pessoais, e não críticas do Governo Federal.

Vivemos tempos difíceis, desesperadores! Não só no Rio; mas em todo o país. A crise econômica e o desemprego são combustíveis para a violência urbana. O povão está atônito. Grassa o desemprego e não há mais justiça. Apesar da gravidade do momento, acusações sem provas e salvadores da pátria não irão resolver a questão.  

Imagem manchada

Postado por Paulo Cezar Soares | segunda-feira, 30 de Outubro de 2017

Na última segunda-feira, um jornal carioca colocou a seguinte manchete no alto da primeira página - Até quando? Referência ao problema da violência urbana - que a cada dia assume maiores proporções - e a execução do coronel da PM  Luiz Gustavo Teixeira, comandante do batalhão do Méier, Zona Norte do Rio, mais uma vítima da bandidagem.

O coronel estava retornando de um evento e, no mesmo bairro onde está localizado o batalhão, teve o carro - um Gol branco - cercado por quatro bandidos. O cabo Nei Filho, que dirigia o veículo, atingido por 18 tiros, ficou ferido. O coronel morreu ao ser atingido no peito. Os autores do crime conseguiram fugir.

Até quando? Há várias respostas para a pergunta em tela. 1) Quando nossos políticos respeitarem o povo, o interesse público; 2) Realização rápida, sem delongas, de investimentos sociais de toda ordem nos bairros mais pobres, periferias e favelas; 3) Mais humanidade por parte da elite. O preconceito e o ódio contra os pobres, os excluídos, não edifica. Só serve para gerar mais problemas. E, para encerrar, quando a democracia for respeitada em toda a sua plenitude.

É preciso combater as causas e não somente as consequências. Ah!, mas isso é óbvio, dirá o leitor, independente da sua consciência crítica. E é! Correto! Mas às vezes - como já escrevi uma ocasião aqui neste blog - é bom ressaltar o óbvio.  Mais repressão, frases de efeito e o Exército nas ruas, infelizmente, não vão resolver o problema.

O secretário estadual de Segurança, Roberto Sá, numa entrevista à Rede Globo, disse que a morte do coronel representa um atentado à democracia, ao estado. Concordo, secretário! Mas, na verdade,  nossa democracia sofreu seu maior atentado no ano passado, com o golpe que tirou do poder a presidente Dilma Rousseff, democraticamente eleita.

Pois é, secretário: vivemos numa sociedade imoral - aquela que transgride os princípios morais que ela mesmo estabeleceu.

A imagem do Rio nunca esteve tão manchada. A outrora Cidade Maravilhosa ficou na história, coisa antiga. Foi substituída pelos novos tempos, pela modernidade desenfreada, pela não valorização de postulados éticos. Soluções existem. Mas é preciso abrir mão de arraigados preconceitos e interesses políticos, mesquinhos. Não há outro caminho. Creia nisso!

E que Deus nos proteja!