Desertor da PM se diz perseguido

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 6 de Agosto de 2020

Coluna Informe do DIA - do jornalista Sidney Rezende

O youtuber Gabriel Monteiro foi expulso da Polícia Militar do Rio de Janeiro por deserção, que é considerado crime previsto no artigo 187 do Código Penal Militar. Amigos de Monteiro dizem que a decisão publicada no Boletim da PM desta terça-feira (4) teria sido recebida por ele como “uma medalha”. A estratégia do youtuber é se dizer perseguido pelos poderosos. O estilo espalhafatoso e exibicionista de Gabriel é muito mal visto pelos seus colegas de corporação.

O ex-militar era lotado no 34º BPM (Magé) e faltou ao serviço para o qual foi escalado no dia 22 de julho deste ano. E não foi a primeira vez que ele contraria ordens superiores. Certa vez, um oficial chegou a se desentender com ele e dizer que ele deveria deixar de se “comportar como uma estrela, que ele não era”. Conforme o processo, a corporação tentou encontrá-lo no endereço fornecido à PM. A decisão de expulsar Gabriel foi do secretário da PM e comandante-geral, coronel Rogério Figueredo.

Ele é considerado “problemático” e frequentemente entra em confronto nas redes sociais, onde costuma ser ridicularizado por internautas. Em março deste ano, o youtuber teve o porte de arma suspenso por conta de outro processo administrativo disciplinar na corporação.

EM TEMPO:  A principal  preocupação do cidadeão em tela era aparecer na internet, fato que o fez negligenciar suas obrigações como policial militar. Com um perfil autoritário e intimidatório, suas intervenções nas redes sociais sempre tiveram um caráter ideológico, ou seja defesa  do governo Bolsonaro e suas políticas antipovo. Arrumou tantos problemas -  ao fim e ao  cabo,desnecessparios - que acabou expulso da corporação. E agora posa  de vítima. Esses apoiadores de Bolsonaro são  engraçados: eles batem, batem e, quando há uma  reação à altura, imediatamente assumem uma posição  de vítimas. Alguns até fogem para outro país.

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Dois blogs, referências no mundo digital, encerram suas atividades

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 2 de Agosto de 2020

 

Além da tristeza de acompanhar todos os dias o número de pessoas que morreram vítimas do coronavírus, na última sexta-feira, a notícia da extinção do blog Nocaute, do jornlista Fernando Morais, mantido  desde outubro de 2016, e, no sábado, o fim do Conversa Afiada, criado, em 2003, pelo também jornalista Paulo Henrique Amorim (1943-2019). Eram blogs que praticavam um jornalismo ético, comprometido com o interesse público. Mas, infelizmente, não resistiram diante das dificuldades financeiras, pois as empresas não investem em blogs de esquerda. E as contribuições das pessoas que apoiavam  o trabalho, insuficientes para mantê-los.

Fernando Morais, jornalista e autor de vários livros, escreveu - “O dinheiro era pouco e se acabou. Conseguimos sobreviver mais de três anos, sempre com a corda no pescoço. Temos repetido aqui o bordão de que tempos perigosos exigem jornalismo corajoso. Mas fazer jornalismo e corajoso e independente tem um custo”.

E a equipe do Conversa Afiada - um dos melhores blogs do país -  anunciou, por meio de um texto,  sobre o fim do blog, que, sem  o jornalista, o time se fragilizou. “Em 2019, com a morte de Paulo Henrique Amorim, esta equipe não se permitiu abaixar as bandeiras e abdicar de seu dever perante a democracia. Continuou a defender, dia após dia, os princípios que nortearam o Conversa Afiada desde a sua criação. Os últimos meses, entretanto, foram um desafio duplamente extenuante: além das dificuldades inerentes à luta pela construção de uma imprensa independente e progressista, a equipe teve de lidar 24 horas por dia, 7 dias por semana com o peso de uma ausência irreparável – porque, afinal de contas, há sim pessoas insubstituíveis”.

O fato deixa à mostra,  entre outras coisas, a gravidade da crise que o jornalismo brasileiro vem enfrentando já há algum  tempo. Na verdade, o mundo virtual nunca foi e não é a solução para os problemas  enfrentados pelo jornalismo,  entre eles, a sua própria  essência,  suas  especificidaddes,  com  perdas de funções importantes, como por exemplo, o pauteiro.

A internet, limita a prática do jornalismo. Assim como não  existe o soldado sem quartel, nem o médico sem o  hospital, não existe jornalista  sem redação, de fundamental importância para o interrelacionamento interpessoal diário. E o aprendizado ético, técnico, com ações práticas.

Companheiros: diante de todas as dificuldades que o jornalismo vem enfrentando, a profissão está caminhando para o seu fim,  talvez por  falta de profissionais capacitados para  exercê-la.
Peço perdão pelo tom pessimista. Mas essa é a minha visão.

Tomara que eu esteja  equivocado.

 

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A desigualdade social só aumenta

Postado por Paulo Cezar Soares | Quinta-feira, 30 de Julho de 2020

Afinal, o que  desejam os milionários do mundo capitalista? Vivemos uma fase de governos  de extrema direita em diversos países, com suas práticas antissociais. E também, não seria exagero afirmar, uma postura genocida diante da pandemia do coronavírus, tendo como  expoentes mais conhecidos o presidente Trump e Bolsonaro que, em uma  das suas viagens aos Estados Unidos revelou - “Não vim para construir nada. Vim para destruir”. Portanto, a despeito de todo o progresso tecnológico que vivenciamos hoje, o Brasil vive um momento de retrocesso em todos os níveis.

Numa recente entrevista ao site tutumeia.jor.br, o teólogo  e escritor Leonardo Boff falou sobre o presidente Bolsonato, geopolítica e as especificidades da pandemia do coronavírus. Frisou que para o governo atual não basta a ausência de investimentos e projetos nas  questões sociais. O povo, na  estratégia do atual governo, tem que ser humilhado, desprezado.

Com a agressividade que o capitalismo vem atuando, que tipo  de transformação pode ocorrer, não só no nosso país, mas no mundo? Até quando o povão vai  sofrer calado? Até quando homens poderosos, tanto no poder político quanto no econômico, vão continuar perpetrando suas injustiças e maldades, usando seu poder em nome do lucro econômico? “Ou nos salvamos, ou nos perdemos todos” - diz Boff.

Um recente levantamento da Oxfam - entidade  de caráter humanitária reconhecida mundialmete. Trabalha com o objetivo de buscar soluções para o problema da pobreza, desigualdade e da injustiça, por meio de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais - revelou que  a fortuna dos 73 bilionários latino- americanos aumentou nada menos do que US$ 48,2 bilhões, no período que vai de 18 de março a 12  de julho. A maior parte desse bolo vem do Brasil, onde 42 pessoas ganharam US$ 34 bilhões.

O mundo  está girando ao contgrário. Um dia  a conta  vai  chegar.

“Quem  tem ouvidos para ouvir, ouça”.  - Lucas 8; 4-15  

 

 

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Enxugando gelo

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 26 de Julho de 2020

 

Tenho o hábito de reler determinados livros. Desde o início deste mês,  consegui ler dois. Um deles, revela a dinâmica de determinados crimes e detalhes das investigações e prisão dos responsáveis.

Na sua maioria, os marginais são jovens que, portando armas modernas - em muitas ocasiões, fuzis e metralhadoras -  costumam agir movidos  pela emoção, tudo decidido no calor da hora, com  as vítimas  escolhidas aleatoriamente. Muitas vezes, na tentativa de roubar um carro ou pertences da vítima, acabam matando-a sem  necessidade.

Costumo chamá-los de robôs desgovernados. Jovens  residentes em  favelas ou periferias, locais onde o Poder Público é ineficaz, membros  de famílias desajustadas e vulneráveis a toda sorte de problemas. Crescem num universo cercado de violência de todos os matizes, testemunhas das injustiças e violência da polícia.

Além disso - como se fosse pouco- não têm expectativas em  relação ao futuro, pois não conseguem  arrumar um  emprego digno,  que possibilite uma melhora na qualidade de vida. São - manda a verdade  que se diga - vítimas do sistema injusto, preconceituoso e hipócrita. Acabam aderindo ao tráfico de drogas, embora conheçam os perigos envolvidos. Os que  aderem ganham poder e dinheiro.

Guardadas as devidas proporções, infelizmente, a situação é praticamente igual em todas as capitais do país. A história do Primeiro Comando  da Capital -  PCC - em São Paulo é um caso tipíco dos problemas que envolvem a segurança pública no país.

 O quadro em  tela não dá sinais de melhora. E nem poderia, pois enquanto  a  sociedade e nossas autoridades insistirem na visão repressiva e política para resolver gravíssimos problemas sociais, como diz o dito popular, continuaremos enxugando gelo.

 

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Duplo assassinato ainda sem solução

Postado por Paulo Cezar Soares | Quarta-feira, 22 de Julho de 2020

Apesar da crise que o país está enfrentando em todos os setores, ampliada pela pandemia do coronavírus, não podemos nos esquecer  de algumas questões de suma importância, entre elas, o assassinato da vereadora Marielle Franco,  e do seu motorista Anderson Gomes.

Quem mandou matar Marielle? E por quê?

 

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“A mídia é refém da caricatura que fez do PT e de Lula”.

Postado por Paulo Cezar Soares | Domingo, 19 de Julho de 2020

Publicado originalmente no jornal GGN

POR RICARDO AMARAL, jornalista assessor do PT e do ex-presidente Lula, foi repórter e colunista de O Globo, do Valor e da Revista Época

Uma das maiores limitações da mídia brasileira é acreditar no que publica; uma imprensa que não lê a divergência, para não mencionar os fatos, e se enreda nas realidades virtuais que vai criando. É o caso dos artigos de Ascânio Seleme, no Globo de 11 de julho, sobre “perdoar” um PT que a maior parte da mídia criou para ser odiado, e de sábado (18), em que um outro PT é criado para receber o perdão que nunca pediu. Os PTs ali retratados são criações fictícias como enredos de novela, com a diferença de que estes são mais próximos da vida real.

O primeiro artigo parte de uma constatação rara em nossa imprensa, a de que o país em crise profunda não vai se reencontrar excluindo um terço da população, a parcela identificada com Lula e seu partido. Mas não extrai desse fato a consequência que estaria ao alcance da própria Globo: levantar a censura imposta ao PT e a Lula pelo maior grupo de comunicação do país. Seria o gesto imprescindível para restabelecer o debate democrático, mais eficaz que a arrogante oferta de perdão a quem sofreu a maior campanha de destruição de imagem já feita contra um partido e seu líder.

O PT e o Lula excluídos da Globo e do debate foram forjados nas 13 horas de notícias negativas somadas no Jornal Nacional entre janeiro e agosto de 2016; o julgamento midiático que antecedeu a denúncia do powerpoint em setembro. O “tríplex do Lula” nasceu numa notícia falsa e jamais corrigida do Globo, em dezembro de 2010, e transformada na última hora em “prova” da denúncia frívola (“Tesão demais essa matéria de O Globo. Vou dar um beijo em quem de vocês achou isso”, registrou Deltan Dallagnol nos arquivos da Vazajato). Foi pela Globo que Sergio Moro fez a diferença, vazando o grampo ilegal da presidenta Dilma em 16 de março de 2016.

Diferentemente do que diz o artigo deste sábado, o PT não foge do assunto Petrobrás: denuncia a manipulação dos processos e o acobertamento da corrupção tucana, confessada desde Pedro Barusco, o pai das delações. Nem diz que o mensalão foi inventado pela mídia: denuncia a pressão que ela exerceu sobre um STF que julgou “com a faca no pescoço”. Tampouco o PT defende o “controle popular” da mídia, mas a regulamentação dos artigos 220 a 240 da Constituição, que não interessam à Globo e seus associados regionais porque estabelecem diversidade, pluralidade, respeito às identidades étnicas e regionais nas concessões de TV. Coisa de outro mundo.

De fato, o PT da Globo e da maioria da imprensa é uma longa criação, para a qual contribuem fragmentos da realidade, mitos, preconceitos e, obviamente, os erros cometidos em 40 anos de uma trajetória que jamais foi objeto de debate equilibrado na mídia. E não seria agora, porque essa narrativa histórica, com perdão pela palavra gasta, justificaria outra, terrivelmente atual, de que a rejeição ao PT seria responsável pela ascensão de Bolsonaro. Como se a mídia não fosse acionista fundadora da indústria do antipetismo que a tantos propósitos tem servido, inclusive o de explicar sua responsabilidade no golpe de 2016 e no processo eleitoral de 2018.

A imprensa daria um grande passo se criticasse o PT pelo que o partido realmente é, não o que ela gostaria que fosse. Da mesma forma que Sergio Moro e a Lava Jato tornaram-se prisioneiros da farsa judicial que criaram para condenar Lula (e eleger Bolsonaro), a maior parte da mídia é refém da caricatura do PT que ela desenhou e não consegue apagar nem mesmo para permitir o inadiável reencontro do país com a normalidade. E por isso tem de desenhar, volta e meia, um PT que não seria nem o real nem sua caricatura, nem sua direção nem sua militância, mas um partido domesticado e livre dessa ideia radical de acabar com a desigualdade no Brasil.

Só que não existem dois PTs, como não existem duas Globos. No PT convivem e podem divergir Lula, Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad, Eduardo Suplicy, Rui Costa e Benedita da Silva, mas, diferentemente da Globo, onde também convivem divergências, o PT não tem dono. A Globo tem. E é ele (ou eles) quem define o que é o que é não é notícia, como fazia Roberto Marinho, quem pode e quem não pode falar no JN. É quem não admite o PT no jogo político. Um país com milhões de excluídos precisa, sim, de uma esquerda forte, mas precisa também de uma mídia plural e democrática, coisa que a Globo não é, nem mesmo como caricatura.

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